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Com base nas trajetórias individuais e coletivas dos adolescentes, vividas através da participação nas ações do PJA, bem como das suas vivências familiares e comunitárias, os adolescentes constroem expectativas, as quais se expressam em objetivos e projeções futuras a serem conquistadas com a contribuição da participação no Projovem Adolescente. Neste tópico, pretende-se apresentar e discutir, com base nas falas dos adolescentes participantes, as expectativas de mobilidade e integração social depositadas a partir da participação nas ações socioeducativas do PJA.

Pode-se perceber que as adolescentes participantes dos grupos emitiram falas positivas quanto à contribuição do PJA nas suas vidas, principalmente no que diz respeito à confiança nas oportunidades que o serviço pode oferecer. Para os jovens, essas oportunidades contribuem para que eles possam desenvolver habilidades para concretizarem seus projetos de vida, os quais muitas vezes são considerados como sonhos inatingíveis, devido às diversas barreiras de integração social que os jovens vivenciam no contexto das políticas sociais no Capitalismo.

Quando perguntados sobre suas perspectivas futuras, após a participação no serviço, os jovens demonstraram consenso em suas respostas. As respostas apresentaram projeções futuras fortemente vinculadas a objetivos profissionais, na perspectiva de alcançarem um

posto de trabalho qualificado, através, principalmente, da concomitante busca por elevação da escolaridade.

Os trechos que se seguem ilustram as projeções que os jovens fazem de seus futuros, nas quais são apontadas a necessidade de trabalhar, de conquistar o primeiro emprego e de obter qualificação profissional. As projeções também demonstram que as questões relacionadas ao mundo do trabalho são apreendidas pelos adolescentes como principais possibilidades advindas da participação no serviço.

A minha ideia quando sair do Projovem é arrumar um curso, arrumar um emprego pra quando for de maior ficar num trabalho certo. Usar o que eu tô recebendo aqui de bom no Projovem pra o mundo lá fora. Quando eu tiver a idade mais avançada assim, né? E conseguir o meu emprego. (Carlos, 16 anos).

Continuar meus estudos, né? Seguir uma profissão boa e eu ser uma coisa boa pra minha vida, né? Porque a pessoa ficar vivendo no aperto num dá. Aí eu quero terminar meus estudos e ser uma coisa boa. Trabalhar, viajar. (Vinícius, 15 anos).

Quero terminar meus estudos, arranjar um emprego e correr atrás dos meus objetivos. (Renata, 16 anos).

Terminar os estudos. Eu acho que prestar um vestibular, fazer faculdade. E tá trabalhando, né? Esse suporte, né? Trabalhar pra ajudar. (Luís, 16 anos).

Eu quero me capacitar mais pra me sentir preparado pra um emprego. (Pedro, 17 anos).

As respostas apontam para a existência de possibilidades de construir diferentes caminhos, através da participação no serviço, caminhos estes que oportunizem vivenciar uma trajetória escolar e profissional que vá além de suas rotinas cotidianas, projetando sonhos para além das fronteiras dos contextos estigmatizados que vivenciam, com objetivo de superar os limites que conhecem sobre seus contextos de vida. As falas evidenciam que os adolescentes buscam diminuir as condições de desigualdade, através do estudo e da qualificação profissional. Percebe-se, ainda, tanto nas falas, quanto no desenho metodológico do PJA, a relevância atribuída à educação enquanto meio para o combate à pobreza e à desigualdade e, capaz de proporcionar mobilidade e inserção social aos jovens.

Foi recorrente entre os jovens participantes, a expressão do desejo de concluir o ensino médio e cursar futuramente uma faculdade. Em todos os grupos foi expressiva a quantidade de jovens que demonstraram tal projeto de futuro, demonstrando o quanto a educação tem se caracterizado enquanto a principal perspectiva de mobilidade social. As falas a seguir confirmam o quanto os jovens demonstram a vontade ingressar no ensino superior.

Pretendo me formar no que eu mais quero que é Enfermagem e ir pra frente (Felipe, 17 anos).

Me formar em Direito, viajar bem muito e ter meu próprio escritório. Ser um advogado bem-sucedido ou futuramente um juiz também, né? (Lucas, 16 anos).

Eu vou terminar meus estudos esse ano e vou fazer Gestão de Políticas Públicas. (Mariana, 17 anos).

Eu quero ser Assistente Social. Eu quero trabalhar em orfanato. (Gabriela, 16 anos).

Vou fazer faculdade. Não só uma, mas um monte (Juliana, 16 anos).

Ser uma futura veterinária. (Adriana, 17 anos).

Concluir meus estudos e fazer faculdade pra Educação Física (Fábio, 16 anos).

Passar no Enem ou no vestibular pra entrar na UFRN. (Janaína, 16 anos). Eu quero ser engenheiro (Vinícius, 15 anos).

Ao avaliar a expressividade dos desejos dos jovens participantes quanto ao ingresso no ensino superior, compreende-se que o ingresso e a conclusão de um curso universitário, constitui-se como indicador de ascensão social. Geralmente, os que possuem curso superior conseguem se empregar em postos de trabalho que ofereçam melhores salários, embora a remuneração ainda seja, muitas vezes, influenciada por fatores como raça, gênero e origem social. Tem-se que, nem sempre concluir o curso superior possibilita um maior nível de renda, mas ele pode possibilitar uma ascensão em termos de status e uma mudança subjetiva de individuo frente ao mundo (Mariz, Fernandes,& Batista, 2003).

Apesar das reais possibilidades de mobilidade social advindas da formação de nível superior, cabe aqui ponderar as afirmações dos jovens participantes sobre esse aspecto. Pesquisas apontam que são poucos os jovens pobres que expressam o desejo de ingressar na universidade. Quiroga (2002) apresenta, em seu estudo, que os jovens reivindicam oportunidades de trabalho que proporcionem condições para ganharem algum dinheiro para seu próprio sustento e, às vezes, o de sua família. Eles aspiram trabalhar e muitas vezes se

submetem a condições precárias de trabalho devido à necessidade de sobrevivência. Pode-se dizer que suas expectativas de ascensão estão mais relacionadas ao trabalho que à formação escolar, principalmente, porque realizar um curso superior exige um grande investimento dos jovens, tanto financeiro como temporal, cujo retorno só ocorre a longo prazo. Para Lopes, Silva e Malfitano (2006), a dualidade escola secundária/superior para as elites e a primária/profissional para trabalhadores persiste ainda hoje, apesar do esforço existente para superá-la.

Levando-se em consideração o alto número de adolescentes que manifestaram nos grupos o desejo de aprofundar seus estudos, através da realização de um curso superior, e tomando como referência o fato de que essa aspiração não é comum nos jovens das classes subalternizadas, pode-se inferir que a participação no PJA pode ter sido um dos fatores responsáveis por despertar tal interesse nos adolescentes. Outro fator que pode ter influência na manifestação do desejo dos jovens diz respeito à expansão do ensino médio e sua obrigatoriedade.

O ensino médio deixou de formar exclusivamente as elites para o acesso à universidade, como foi a nossa tradição de quase cinco séculos. A democratização do ensino, a expansão da escola pública, os investimentos do Estado na expansão do atendimento ao ensino médio buscaram atender às necessidades de uma sociedade industrializada, urbanizada e com exigências de qualificação profissional. O atendimento dessas exigências provocou a expansão do ensino médio, que, por sua vez, tem relação direta com a mobilidade social ascendente que se verificou no País nas décadas mais recentes. Uma classe média mais ampla emergiu na sociedade brasileira particularmente com a ampliação e extensão da educação. Mas falta muito ainda neste setor (Marcílio, 2005, p.434).

Em que pese a expansão e valorização do ensino médio, enquanto um aspecto fundamental nas políticas públicas para a juventude, a situação dessa modalidade de ensino se caracteriza pelo confronto cotidiano entre seus objetivos e suas reais condições de projetar o enorme contingente de adolescentes e jovens brasileiros em direção a uma vida de realizações, seja no mercado de trabalho, seja na formação para o ensino superior (Lopes, Silva, & Malfitano, 2006).

Considerando-se a importância das expectativas e desejos expressos nas falas dos adolescentes relacionados à educação, cabe ainda destacar o quanto essa tem sido recorrentemente considerada como ponto central para a superação da desigualdade social (Cohn, 2004). O discurso pode ser encontrado tanto na fala dos jovens, quanto na própria composição das políticas públicas para a juventude, as quais, em sua maioria, possuem como foco a elevação da escolaridade. Cabe aqui, então questionar, esse discurso da centralidade da educação na diminuição das desigualdades sociais, o qual estabelece uma relação linear entre escolaridade e superação individual de desigualdades e que é largamente difundido e absorvido pelos jovens e profissionais que trabalham no PJA.

Não se trata de negar a importância do conhecimento científico e tecnológico e da qualificação profissional como requisitos para um crescimento econômico. Faz-se necessário atentar para o fato de que somente os investimentos em educação não são capazes de impedir o desemprego e a concentração de renda. Segundo apresentam Carvalho e Noma (2011), a crença que a educação possa corrigir as desigualdades sociais pressupõe, equivocadamente, que ela seja compreendida enquanto um elemento independente e autônomo da ordem social que produz tais desigualdades. Tal compreensão de educação, enquanto fator principal de desenvolvimento juvenil esbarra na questão do funcionamento do sistema produtivo

capitalista e desigual, o qual é o próprio responsável pelas dificuldades de acesso dos jovens ao mercado de trabalho.

Cohn (2004), expõe que a centralidade na educação baseia-se na crença de que o trabalho se constitui enquanto mecanismo central de inserção social. Para a autora:

se a educação enquanto capital social revela-se como um mecanismo essencial para os indivíduos saírem da condição de pobreza, as formas de sua inserção social que lhes garantam fontes de renda de maneira sustentável não são mais o mercado de trabalho no sentido clássico do termo. (Cohn, 2004, p.170).

O que se verifica a partir das falas dos adolescentes participantes do PJA é a apropriação de um discurso, presente na própria formulação das Políticas Públicas de Juventude, dentre as quais faz parte o PJA, que credita à educação, particularmente à educação enquanto preparação para entrada no mercado de trabalho, a possibilidade de inserção e mobilidade social dos jovens, quando, na verdade, tem se caracterizado como sendo apenas uma das possibilidades de inserção social, tendo em vista a crescente informalidade desse mercado e a falta de garantias de acesso ao sistema de proteção social. A fala dos adolescentes se justifica, pois, dentro do contexto sócio econômico atual, formas alternativas de inserção social ainda são pouco reconhecidas e, menos ainda, institucionalizadas e reguladas pelo Estado. Embora se caracterizem pela multiplicidade de iniciativas relativas à estratégia de sobrevivência, dentre as quais se destacam a formação de cooperativas e a promoção da economia solidária (Conh, 2004).

Ao registrar as expectativas dos jovens participantes e suas projeções de um futuro, após a participação nas ações socioeducativas do PJA, buscou-se analisar, principalmente, o quanto tais expectativas estão relacionadas às formas de inserção social compartilhadas pelos

jovens. E, o quanto as políticas públicas de juventude, com destaque para o Projovem

Adolescente, estão associadas à lógica de mercado, atuando sobre os efeitos da “questão social” que produz a desigualdade e não sobre suas causas estruturais, não oferecendo assim,

respostas concretas às situações de vulnerabilidade as quais os jovens estão expostos.

3.4.2 - Contribuição e possibilidades advindas da participação no serviço.

As falas dos jovens participantes sobre as possibilidades e contribuições trazidas pelo serviço se relacionam diretamente às expectativas anteriormente apresentadas. Os adolescentes apresentaram, em suas falas, perspectivas positivadas da contribuição do PJA para a construção de seus projetos de vida, principalmente, vinculando suas participações nas ações do serviço enquanto possibilidades de acesso a melhores postos de trabalho e renda, bem como, acesso a diferentes formas de qualificação profissional. Outras formas de contribuição do serviço também se fizeram presentes nas falas dos adolescentes, como a mudança de comportamentos individuais que prejudicavam o grupo e a construção de novos comportamentos e estabelecimento de novas formas de relacionamentos baseados na busca pela superação das vulnerabilidades vividas.

Quando questionados sobre o que consideram enquanto contribuição do PJA para o desenvolvimento de suas vidas futuras, os adolescentes destacaram as seguintes respostas:

O Projovem tá formando a gente pra sermos cidadãos, pra que a gente tenha caráter, tenha mais respeito com os outros. (Bruno, 16 anos).

Ele ajuda a pessoa a construir um futuro melhor e mais bem estruturado. (Pedro, 17 anos).

É uma ótima oportunidade e vai enriquecer nosso currículo. Porque assim, a partir do ponto que você leva no seu currículo o nome que participou de um programa que nem o Projovem, a pessoa que vai estar lhe contratando já vai saber que você teve orientação social, orientação profissional, experiência de trabalho etc. Vai saber como trabalhar em grupo. (Lucas, 16 anos).

O Projovem ajuda a responder essas questões que a gente tem, essas dúvidas que aparecem pra gente. Qual é a melhor área pra gente, qual a gente se encaixa melhor e que cursos a gente deve fazer. (Mateus, 17 anos).

Um número significativo de jovens participantes identificou como contribuições da participação no serviço uma série de mudanças comportamentais de cunho individual, as quais se manifestaram tanto nas relações familiares, como nas relações dentro do próprio coletivo de adolescentes e também nas suas relações com a escola. Para esses adolescentes, a participação no PJA, através das ações socioeducativas, das discussões, debates e reflexões em grupo, produz transformações comportamentais que os diferencia de outros adolescentes os quais não tenham participado do serviço.

Os jovens participantes dos grupos consideraram unanimemente, que existem diferenças comportamentais entre o jovem que tenha participado do PJA e outro que não tenha participado, diferenças estas consideradas muito positivas e com ganhos reais para aqueles que participam, se envolvem e permanecem durante todo o tempo dos percursos socioeducativos definidos.

Os trechos de fala a seguir apresentam os argumentos dos jovens que justificam suas opiniões:

Tem diferença no comportamento. Educação. O modo de tratar as outras pessoas. Respeitar os mais velhos, né? (Lucas, 16 anos).

Porque a gente começa a debater os assuntos polêmicos e daí a gente cria também mais curiosidades. Aqui também tem muitas transformações. Teve adolescente que era muito rebelde em casa, batia na mãe e tudo, era muito ignorante. Com as conversas dos orientadores foi mudando isso. Hoje em dia é totalmente mudado. Tinha uns que usavam droga, pararam de usar droga. (Juliana, 16 anos).

A gente aprende a ser mais desenrolada aqui. Porque aqui como a gente conversa sobre tudo. A gente pode falar o que a gente pensa. Os orientadores são abertos a tudo, conversam bastante com a gente. E outra pessoa que nunca veio não, ela tem até medo de abordar certas coisas. Fica toda alienada. Aí até pra apresentar trabalho na escola tem diferença. (Adriana, 17 anos).

É diferente e isso ajuda até em casa. Que tem até alguns adolescentes que respondem a mãe, não obedecem. Aqui aprendem a ter mais respeito em casa. (Gabriela, 16 anos).

Nesse sentido, considera-se a necessidade de ultrapassar as análises que se reduzam a

elogiar o “bom comportamento” dos jovens participantes. Entende-se que essas diferenças

comportamentais manifestas nas falas dos jovens, devem ser acompanhadas por ações que sejam voltadas para a emancipação da juventude, buscando despertar neles suas capacidades enquanto sujeitos históricos ativos e atuantes nos espaços em que convivem.

As análises aqui empreendidas entendem que as falas dos jovens colaboradores apontam para o fato de que estes consideram que a participação no PJA é capaz de contribuir na definição de possibilidades de mobilidade social e integração pela via ampliação de suas experiências e informações, através das ações socioeducativas. Os jovens vislumbram possibilidades de realização de projetos de vida que vão além dos seus contextos imediatos de convivência, destacando os processos de ressignificação de seus próprios comportamentos.

Percebe-se, dentre as contribuições e possibilidades elencadas pelos adolescentes, certo predomínio de aspectos relacionados a um incremento à qualidade das relações estabelecidas por eles próprios, a partir da inserção no serviço, ou ainda, uma transformação positiva de suas relações anteriores (com a família e a escola, por exemplo), após e durante o período de participação. Tal constatação evidencia que os jovens identificam essas contribuições enquanto efeito de suas participações nas ações socioeducativas.

Trata-se de uma questão relevante, principalmente quando se considera os aspectos da Política Nacional de Assistência Social, na qual o PJA também se inclui, pois, aponta para uma contribuição do serviço na efetivação do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários dos jovens. A partir dessa reflexão, destaca-se a importância desse fortalecimento de vínculos como um fator de resistência às situações de vulnerabilidades vivenciadas em diversos contextos. Colaborando com a discussão, Dayrell (2007) aponta que, relações estabelecidas pelos jovens, bem como a qualidade de suas trocas, os conflitos, os arranjos existentes para garantir a sobrevivência e os valores predominantes são dimensões que marcam a vida de cada um, constituindo um filtro por meio do qual o mundo social é traduzido e onde inicialmente são descobertos os lugares em que cada um pode ocupar.

À medida que o PJA contribui para fortalecer os vínculos familiares e comunitários dos jovens participantes, esses poderão estabelecer ao longo de suas trajetórias de vida, formas mais efetivas de enfrentamento às desigualdades que perpassam seus contextos de

vida, bem como podem ter aumentados os aspectos que definem sua qualidade de vida e de suas famílias. Compreende-se que, do ponto de vista de uma concreta transformação estrutural, não cabe apenas aos sujeitos, em especial aos jovens, a criação das condições para tal transformação, embora a participação ativa desses seja de extrema necessidade. Tais transformações dependem de profundas determinações macrossociais, em diversas esferas, tais como a esfera econômica, política, social e cultural da sociedade capitalista.

Tem-se que, os adolescentes participantes desse estudo evidenciaram, através de suas falas, que se identificam com as propostas de ação do PJA. Também demonstraram que entendem que muitas vezes existem limites e contradições na execução prática das Políticas Públicas.

Apesar de os adolescentes associarem as dificuldades na efetividade do PJA somente ao abandono por parte do poder público, é do entendimento desta pesquisa que tais dificuldades se fundam na própria constituição das políticas sociais, as quais tem por objetivo,

no contexto capitalista, abrandar as dívidas da “questão social”. A partir da apresentação dos

trechos de falas dos jovens, pode-se apreender que a luta pela efetivação dos direitos dos jovens vai muito além da conquista formal, através de leis que garantam os direitos sociais, seja na Constituição Federal, seja no Estatuto da Juventude. O que, na verdade, faz-se necessário é uma formação política da juventude brasileira, para que assim possa haver um fortalecimento do controle social, com participação ativa dos jovens enquanto sujeitos históricos, fazendo com que as Políticas Públicas consigam ter efetividade, atingir plenamente seus públicos.

IV - Considerações finais

Este estudo tratou de discutir a relação entre os jovens-adolescentes e o Projovem Adolescente serviço socioeducativo, o qual se configura dentro do escopo das políticas públicas voltadas para a juventude brasileira. Para tanto, partiu-se de algumas questões norteadoras dentre as quais: Como os adolescentes vivenciam a “inclusão social”, através da participação no Projovem Adolescente? Qual a forma de participação nas ações socioeducativas do serviço? Como o serviço se desenvolve, na prática? Quais os limites da política? É possível que o Projovem Adolescente, enquanto política social cumpra o papel da inclusão no modelo de sociedade excludente em que vivemos?

Buscou-se lançar luz sobre a temática das políticas públicas de juventude, através da voz dos próprios jovens participantes, sem perder de vista o contexto neoliberal atual em que as políticas sociais, que incluem as políticas de juventude, estão inseridas e são elaboradas. Neste contexto, as políticas sociais se constituem como forma de instrumentalizar a política econômica, a qual se operacionaliza, através das privatizações, dos cortes de gastos sociais, da descentralização, e da focalização dos gastos sociais públicos em ações centralizadas nos pobres.

Não é o caso de se desconsiderar, aqui, a grande importância das lutas políticas de diversos segmentos da sociedade, que contaram com a participação de atores nacionais e também internacionais, para que as políticas públicas para os jovens fossem gestadas e