Para aplicar o Seis Sigma numa empresa pequena, deve-se começar por estabelecer um pequeno projecto, que tenha possibilidade de sucesso, e o máximo de retorno. Esta selecção é, talvez, a componente mais importante de qualquer iniciativa Seis Sigma. Há dois critérios importantes na selecção de um projecto: o esforço requerido e a probabilidade de sucesso. A escolha deve estar subordinada aos factores que são críticos para os clientes da empresa e, que vão de encontro às suas expectativas, o que, normalmente, se traduz em qualidade, custo e tempo de entrega do produto.
Deve-se também, estabelecer um objectivo de projecto e, comunicá-lo claramente, à organização. Para ser efectiva, a declaração do projecto deve ser quantificável e específica. No caso do projecto estabelecido na Tecnimaster, foi necessário atender aos condicionalismos derivados dum estudo académico, tolerado, mas não fazendo parte da actividade normal da organização. Foi necessário, por isso, condicioná-lo ao possível e estritamente necessário. Por questões de oportunidade, foi escolhido um projecto de redução de defeitos na linha de montagem da soldadura de componentes de montagem de superfície e, recolhida uma amostra de uma produção subcontratada “batch”, para um cliente externo. Foi ainda preciso atender às limitações de tempo existente e, à necessidade, de não perturbar a actividade produtiva em curso.
1. Mesmo assim, julga-se que foram atingidos alguns dos objectivos inicialmente propostos. Foi adoptada a metodologia DMAIC (Define, Measure, Analyze,
Control), que é o cerne do Seis Sigma para os projectos de melhoria. Na fase Define, foram identificados os problemas no processo escolhido para melhoria,
estabeleceram-se as métricas e foi desenvolvido um mapa de processos. As necessidades dos consumidores foram examinadas e, estabelecidos, os parâmetros críticos para a qualidade (CTQ). O projecto seleccionado na
Tecnimaster foi a melhoria do processo de colocação de Pasta de Solda através
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do facto e, da oportunidade, de se estarem a produzir uma série de circuitos para um cliente externo na altura em que se efectuou a realização deste trabalho e, também, porque as indicações dos colaboradores da empresa apontavam nesse sentido. O facto de haver alguns trabalhos consultados durante a pesquisa bibliográfica efectuada que se debruçaram sobre esta problemática também influiu decisivamente para a escolha do projecto, vide (Kirzhner, 2005; Tong et al., 2004; Lasky, 2003; Siong-Lin Ho, 2003; Messina, 1999), entre outros. A voz do consumidor (VOC) foi tratada através de uma ferramenta, numa forma simplificada, designada vulgarmente por “Casa da Qualidade”, dado o seu formato gráfico. Embora esta ferramenta tenha sido desenvolvida originalmente para transferir para o desenvolvimento de novos produtos os requisitos dos clientes, também pode servir, através da sua matriz principal, para traduzir os requisitos do consumidor em necessidades do processo.
É claro que, dada a impossibilidade de serem consultados os clientes da Tecnimaster por meio de um inquérito, ou por outra forma adequada, foi necessário ouvir as opiniões da gerência e colaboradores, nesse sentido. Uma vez recolhida a voz dos consumidores, é necessário traduzir como é que esses requisitos se relacionam com o serviço objecto do projecto de melhoria seleccionado. Ou seja, dentro dos requisitos enunciados pelos clientes, é necessário saber quais os críticos para a qualidade do processo. A matriz XY que faz parte do QFD é uma ferramenta adequada para esse efeito. No fundo trata-se de realizar uma função de transferência do tipo Y = f (X) em que os requisitos de entrada, depois de sofrerem uma ponderação de acordo com o ponto de vista dos consumidores, se reflectem nas saídas do processo (Y).
Na fase inicial, foram identificados os problemas com o processo escolhido. Ouvida a voz dos clientes, foram determinados os factores críticos para a qualidade (CTQ). Nesta fase devem ser definidos, tão especificamente quanto possível, aonde e quando e, de que forma, é que o produto falha na obtenção das características críticas (CTQ). Estas serão as oportunidades para melhoria. Foram analisados os dados quantitativos possíveis para se ter uma ideia geral da variação e amplitude dos problemas (Measure). Foi necessário, no entanto, determinar quais os factores críticos vitais presentes no projecto escolhido e, incidir sobre eles, a acção. Não se podem tratar todos os aspectos do problema num único projecto. O Seis Sigma é cirúrgico. A utilização da análise de
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Pareto permitiu focar a atenção nos componentes mais importantes e dirigir para eles a acção correctiva.
Na fase de medida, depois de seleccionada a saída crítica do processo (Y) deve-se definir quais os parâmetros de desempenho que são necessários para a mesma. De seguida, é necessário verificar quais são as variáveis ou factores responsáveis pela resposta do processo, recolher e validar os dados e, calcular, a capacidade do processo (nível sigma). Foi recolhida uma amostra de 100 unidades de circuitos impressos de um conjunto de 1000 unidades e, contados os seus defeitos, através de uma folha de verificação. Estes tinham sido previamente caracterizados e seleccionados através da consulta aos colaboradores e de uma análise de Pareto. A recolha foi efectuada durante uma semana, de forma aleatória, em cada turno de trabalho (20 unidades por dia, 10 de manhã e 10 à tarde).
A capacidade do processo foi calculada a partir de uma carta de controlo c e dos limites de especificação recomendados. Estes, foram estabelecidos de acordo com a opinião dos responsáveis e das recomendações do fabricante do equipamento. A capacidade do processo encontra-se dentro do espectável, e ronda os 4 sigmas, o que é perfeitamente razoável para este tipo de indústria. No entanto, para se poder prosseguir para a fase de análise (Analyze) e dar-se seguimento ao trabalho, foi necessário detectar quais os factores ou variáveis (X) que afectavam o problema que se propôs tratar e, que, potencialmente, podiam ser melhorados. Incidiu-se a acção sobre a altura da Pasta de Solda e, procurou-se estabelecer as variáveis que a influenciavam e, sobre as quais, se poderia actuar. As pequenas empresas não têm oportunidade para errar e fazer as coisas segunda vez, quando saem mal. Não têm, nem o tempo nem os recursos para subsidiar as más decisões. Por isso e, dado o tipo de produção por lote efectuada pela
Tecnimaster, só se realizou o que foi possível e, apenas, uma vez. No entanto,
verificou-se que, o processo se encontrava centrado e, a sua variabilidade, embora susceptível de melhoria, não era, de forma nenhuma, desastrosa.
Com essa finalidade, foi feita uma experiência tendente a verificar quais os factores em que se poderia intervir para melhorar a resposta do processo (altura da Pasta de Solda). Os resultados estatisticamente relevantes indicaram dois factores: a viscosidade da Pasta de Solda e a pressão da espátula. A escolha do projecto de melhoria foi baseada em trabalhos anteriores de autores reconhecidos, e, no caso em estudo, as conclusões sobre
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a importância relativa das variáveis mais importantes para a resposta do processo coincidem, genericamente, com as dos autores referidos. Por imperativos da própria empresa em escrutínio, não foi possível experimentar com novas parametrizações e, uma vez estabelecida a melhoria do processo, passar-se à fase de controlo das melhorias obtidas, através, por exemplo, de gráficos de controlo.