• No results found

Os instrumentos e técnicas para a recolha de dados foram: observação não participante, entrevista semiestruturada e grelha de exploração cronológica do Facebook. Estas diferentes fontes de dados permitem uma “triangulação de dados” que constitui a forma de aumentar a validade, clarificar e aprofundar a confiança dos mesmos, recomendações metodológicas que foram adotadas na realização deste estudo.

4.4.1. Observação não participante

Neste estudo privilegiou-se a observação não participante já que, o observador não interage de forma alguma com o objeto de estudo no momento em que realiza a observação. Para Quivy & Campenhoudt (2008, p. 198), “(…) os métodos de observação não participante apresentam perfis em que o investigador não participa na vida do grupo, que, portanto, observa do exterior”. A investigadora observou a atitude/comportamento dos alunos da turma A de informática, nível II da USALBI em interação com o Facebook e não interferiu na orgânica nem na metodologia das aulas, apenas realizou observações para posteriormente serem analisadas.

4.4.2. Entrevista semiestruturada

Nesta investigação optou-se pela realização de entrevistas semiestruturadas como meio de recolha de informação sobre as conceções dos alunos relativamente à interação com o Facebook, bem como meio de obter informações junto da professora de informática acerca

28 do processo de formação. Sendo assim, realizaram-se entrevistas semiestruturadas em dois momentos: 1º Momento (início do ano letivo 2010/2011), aos alunos (Anexo 8) e à professora de informática (Anexo 9) com a finalidade de averiguar o nível de literacia digital dos alunos, conhecer a opinião destes sobre a Web social em geral e o Facebook em particular. Enumerar as principais vantagens/desvantagens das TIC para os alunos e identificar as principais vantagens/desvantagens e limitações na utilização do Facebook. Nesta primeira abordagem pretendeu-se também compreender a opinião da professora de informática sobre estas temáticas e conhecer a opinião desta e dos alunos sobre a relação que existe entre Facebook e envelhecimento ativo. No 2º Momento (final do ano letivo 2010/2011) a realização das entrevistas semiestruturadas aos alunos (Anexo 10) e à professora de informática (Anexo 11) tiveram como objetivo aprofundar questões colocadas no 1º Momento com a finalidade de caracterizar a dinâmica dos alunos em interação com o Facebook. Este 2º Momento também serviu para identificar o contributo do Facebook na promoção do envelhecimento ativo e neste sentido propor estratégias e metodologias, perspetivando o futuro desta rede social digital na opinião dos alunos e da professora de informática.

As entrevistas aos alunos e à professora de informática foram todas individuais e de tempo variável, entre 20 e 40 minutos. Decorreram no cybercentro de Castelo Branco, local onde são lecionadas as aulas de informática da USALBI. Conforme o acordado no início de cada entrevista, cada uma delas foi gravada em dispositivo áudio, formato MP3, posteriormente foram integralmente transcritas tendo-se o cuidado de que a linguagem escrita reproduzisse fielmente o discurso oral dos entrevistados. Os textos finais, depois de lidos foram submetidos à técnica de análise de conteúdo.

Análise de conteúdo

A análise de conteúdo foi o instrumento escolhido para analisar as entrevistas semiestruturadas e é definida por Bardin (2008) como sendo um conjunto de técnicas de análise e de comunicação, visando obter por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das mensagens, indicadores qualitativos e quantitativos, que propiciem a inferência relativamente às condições de produção e de receção dessas mensagens. Relativamente às entrevistas procedeu-se à análise do seu conteúdo, identificando as categorias e sub-categorias emergentes do discurso dos sujeitos, tendo em consideração alguns aspetos salientados na literatura (Vala, 1989; Bogdan & Biklen, 1994; Bardin, 2008; Quivy & Campenhoudt, 2008).

Em síntese, neste estudo fez-se uma análise a partir da criação de categorias e sub- categorias elaboradas com base nos temas abordados nas entrevistas e a frequência com

29 que surgiam. Depois de ser assinalada toda a informação, apresenta-se as categorias e sub-categorias construídas de forma indutiva resultantes da entrevista aos alunos e professora de informática no 1º Momento (Anexo 12) e no 2º Momento (Anexo 13).

4.4.3. Grelha de exploração cronológica do Facebook

O objetivo da criação da grelha de exploração cronológica do Facebook foi para facilitar a compreensão da dinâmica dos alunos em interação com o Facebook tendo em linha de conta os elementos que cada um colocou na identificação básica, as funcionalidades utilizadas pelos alunos, o tipo e número de conteúdos partilhados. A construção desta grelha baseou-se na própria configuração e funcionamento do Facebook enquanto rede social digital de comunicação e partilha de informação.

Versão inicial

A intenção da investigadora em proceder a uma análise cronológica da dinâmica dos alunos em interação com o Facebook, teve subjacente uma exploração cronológica que durou 9 meses: teve início em novembro de 2010, mês em que os alunos começaram a ter mais autonomia na utilização do Facebook e terminou em julho de 2011, que foi o mês seguinte após as atividades letivas. O primeiro passo foi realizar uma pesquisa na Internet e em artigos científicos nacionais e internacionais, no sentido de encontrar uma grelha para analisar a dinâmica dos alunos em interação com o Facebook. Verificada a inexistência de um instrumento com as características desejadas, decidiu-se criar uma grelha tendo em consideração a configuração e funcionamento do Facebook, baseada também numa revisão da literatura que incidiu sobre autores que abordam a temática das redes sociais digitais, entre os autores consultados destaca-se: Salmon (2000), Anderson (2004), Recuero (2005), Salvat & Quiroz (2005) e Dias (2008).

A criação dos itens que integraram a grelha de exploração cronológica do Facebook resultou da ponderação de um duplo critério amplamente reportado na literatura (Esteves, 2006; Bardin, 2008): os objetivos do estudo e a revisão de literatura. Sendo assim, a versão inicial da Grelha de exploração cronológica do Facebook contemplou 4 secções e 35 itens (Anexo 14). Os itens que constituem a secção I, II e III da grelha são explicados em quadros (Anexo 15). A secção IV refere-se ao número de conteúdos descritos na secção III que cada utilizador partilhou no Facebook, isto é, com o valor quantitativo de cada conteúdo.

30 Validação da grelha

A validação da grelha foi realizada por uma equipa de três avaliadores, sendo dois professores da área das TIC e a professora de informática. Construída a grelha procedeu- se à sua aplicação. Validade é uma das características que um instrumento deve ter para garantir a qualidade informativa dos dados obtidos com a sua aplicação. De acordo com Gauthier (2003), a validade indica-nos até que ponto o que medimos com o nosso instrumento reflete a realidade que se pretende conhecer. As sugestões obtidas na consulta aos peritos originaram uma reformulação da grelha da qual resultou a sua versão final.

Versão final

Considerando que a maioria dos utilizadores não disponibilizam o seu número de telefone nas redes sociais digitais e tendo em conta as habilitações académicas da amostra, estas na maioria não contemplam o ensino secundário. Partindo deste pressuposto, a equipa avaliadora (os dois especialistas e a professora de informática) sugeriram na Secção I – Identificação Básica a eliminação dos itens: 1.3. Telefone e 1.7. Escola Secundária. A versão final da Grelha de exploração cronológica do Facebook (Anexo 16) ficou constituída por 4 secções e 33 itens. Para tratamento estatístico dos dados da Grelha de exploração cronológica do Facebook recorreu-se a uma análise estatística descritiva, em termos de frequências absolutas e respetivos valores percentuais.

31 CAPÍTULO V

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS