Pautando-se no relato de 62 idosos aposentados e pensionistas entrevistados, que residem nos bairros Centro, Nossa Senhora de Fátima, Pantanal, Barra Limpa, Vila Falcão, São José e da Fonte (figura 21), escolhidos por concentrarem maior contingente de pessoas com idade de 60 anos ou mais, de acordo com o Censo Demográfico por setor censitário (IBGE, 2010) notou-se quanto à distribuição dentro do grupo etário de idosos com 60 anos ou mais que 50% dos entrevistados possuía entre 60 e 69 anos, 37% tinha entre 70 e 79 anos e 13% tinha 80 anos ou mais. Destes 20 entrevistados eram homens e 42 mulheres (gráficos 9 e 10 e anexo 2).
Gráfico 9: Lábrea (AM) – Distribuição dos idosos entrevistados segundo o sexo. Fonte: Trabalho de Campo, 2011-2012.
Gráfico 10: Lábrea (AM) – Distribuição dos idosos entrevistados segundo faixas etárias. Fonte: Trabalho de Campo, 2011-2012.
Figura 21: Lábrea (AM) - Distribuição espacial das residências de idosos entrevistadas na zona urbana, 2011.
Organizado por: Danielle Pereira da Costa. Maio de 2012.
Legenda Idoso
141 No que diz respeito ao local de origem, majoritariamente, os entrevistados nasceram em comunidades do interior, como é comum ser dito no Amazonas, para se dirigir aqueles que não moram na sede dos municípios. Com destaque para os que residiam em comunidades ribeirinhas ao longo do Purus, ou, em seringais situados no interior do próprio município de Lábrea; e, secundariamente, nas áreas rurais dos municípios de Canutama e Pauini. Contudo, 55% desses idosos já vivem na cidade de Lábrea a mais de 20 anos (gráfico 11), tendo como principal razão apontada para migração a continuidade dos estudos filhos, o fato de terem mais condições de trabalhar, por terem se aposentado e, ainda, pelas próprias necessidades fisiológicas da idade que requerem maior atenção na área de saúde.
Gráfico 11: Lábrea (AM) – Distribuição dos idosos entrevistados segundo o tempo de residência na sede do município de Lábrea. Fonte: Trabalho de Campo, 2011-2012.
No que diz respeito à escolaridade, 90% os entrevistados poderiam ser classificados como analfabetos, e os pouquíssimos disseram ter estudado se enquadram naquilo que denomina-se como analfabetos funcionais, visto que, sabem apenas assinar o nome e ler com muita dificuldade.
Quanto ao recebimento de benefícios previdenciários, dos 62 entrevistados, 38 recebem aposentadoria decorrentes dos benefícios da
previdência social rural, 18 são pensionistas (1 soldado da borracha), 4 acumulam o recebimento de aposentadoria rural e pensão, e, outros 2 foram aposentados na modalidade “por tempo de contribuição”. E, assim sendo, postas essas breves caracterizações sobre o perfil de idosos entrevistados serão apresentados os pontos recorrentes nas entrevistas quanto a viver/ser idoso na cidade de Lábrea, ao entendimento que estes possuem de como seus rendimentos contribuem para o sustento das suas famílias e para economia da cidade; qual a percepção que tem sobre os direitos específicos dos idosos e se estes direitos são ou não respeitados em Lábrea. E no que diz respeito à oferta de credito procurou-se saber quantos e por quais razões os idosos já teriam feito empréstimos e por quais meios.
Desse modo, quando perguntados sobre aos quanto aos benefícios e problemas de viver/ser idoso na cidade, em especial, comparativamente a vida que tinham no interior, foi identificada a recorrência de duas falas.
A primeira, para aqueles que vieram do interior e que avalia ser melhor a vida na cidade, a justificativa reside no fato que dada das limitações físicas do processo de envelhecimento e ao fato da cidade lhes oferecer maiores facilidades, seja em relação à alimentação, seja no que se refere a serviços médicos, e, também por esses se julgarem ser mais respeitados, conforme cita a aposentada Eugenia Andrade: “aqui agente é respeitada no comércio e as pessoas conhecem agente, existe uma grande vantagem”. E a senhora Adália:
“Na cidade tem mais facilidade, as vezes no interior agente tem com o que comprar as coisas, mas não tem o que comprar. E ainda na cidade mesmo quando agente não tem com o que comprar agente por ser aposentado, ter a garantia do dinheirinho certo compra fiado. Eu mesmo compro sempre na mesma pessoa fiado a compra do mês e quando recebo pago tudo, todo mês é assim”.
Ou, como colocou o Sr. João Lima,
“no interior facilitava devido à plantação de roça, mas tem muita malária, muita praga (carapanã, mucuim e outros insetos). Mas, hoje com as minhas condições físicas não aguento mais e viver só de lazer lá não adianta, então é melhor aqui”.
143 Ainda que o entendimento de “lazer” para esses idosos se difira em muito do nosso. Estando este associado ao fato de não terem mais condição de trabalhar, do que a realizar atividades de entretenimento propriamente.
Já a segunda, para aqueles que defenderam a ideia que viver no interior era melhor, as explicações, se contrapõem em partes àquelas apresentadas por aqueles que gostam. Visto que, essas se associam a justificativa de que no interior os custos com a alimentação são menores, porque podiam plantar, pescar, não gastando tanto dinheiro com comida. E ainda também por sofrerem menos preconceito, como o que sofrem quando vão aos bancos, ao comércio, por serem idosos, como sugere a Sra. Marcelina Batista:
“o idoso não é respeitado em Lábrea, porque tem muito branco a dizer que agente é índio, caboclo né? Agente vai assim, nos bancos, no comércio, num lugar assim e escuta “é que os cablocos velhos entra primeiro de que nós, e nós tem que ficar discutindo que tem merecimento e isso é chato”. Quando eu morava no interior do Tapauá, era melhor. E aqui é tudo caro, com a minha aposentadoria eu sustento minha casa e dois netos, mas a mãe ajuda também. Tive que vir para cá porque os filhos cresceram, cada qual é casado, de maior, responsáveis pela pessoa dele mesmo, mas sem meu velho, ficar sozinha no interior não dá. Com a minha aposentadoria compro “rancho”, mas para remédio já não dá. (Marcelina Silva, Lábrea)
No entanto, outro aspecto foi apontado como “ponto pacifico”, tanto por aqueles que preferem a cidade, quanto por aqueles que gostam do interior, qual seja: com o recebimento do beneficio, sejam as aposentadorias, sejam as pensões a vida dos idosos melhorou, por diferentes motivos, dentre os quais algumas recorrências foram identificadas e são destacadas pelos trechos que se seguem:
“a vida melhorou porque antes não pegava em dinheiro, agora tenho um dinheirinho, até guardo. Só quando tem precisão é que eu gasto. Faço rancho, ajudo filho, compro remédio, dá até para viajar de avião para Manaus, para Porto Velho, pra se tratar, pra passear”(Alda, Lábrea)
“melhorou porque quando trabalhava na diária o ganho era pouco, 10, 20 reais por dia, só dava para comer, porque tem que comer todo dia né?! Mas, com a aposentadoria melhorou mais né? Aí veio também poder fazer os empréstimos... Quer dizer, melhorou por um lado e piorou por outro porque o cara tira 3 e paga 5 né?, mas ainda assim tá 100% melhor” (Benedito, Lábrea)
“porque eu posso dizer assim – no dia que eu tiro o dinheiro, aí eu pago aquela comprinha do outro mês que eu comprei, o ranchinho que eu fiquei devendo no comércio, ai eu pago de novo. Meu aviamento, né? Porque eu tenho meu patrão certo, como com ele todo mês. Por que se não fosse assim como é que vivia? (Sebastiana, Lábrea)
“graças a Deus, se não fosse essa benção recebida (referindo-se a aposentadoria) como é que vivia? Porque hoje em dia os filhos e as filhas só pode trabalhar mas não pode sustentar a mãe ou pai e aí é a aposentadoria que ajuda um neto, um filho”. (Francisco, Lábrea)
“porque eu percebo que nós ‘tá ajudando o mercado, o comércio que fica esperando aquele dinheirinho dos idosos. Porque vende fiado e aí fica naquela espera, sabe que com os aposentados ou pouco ou muito é certo”. (Lázaro, Lábrea)
Ou seja, para alguns somente com o recebimento do beneficio25 é que passaram a participar com mais regularidade das relações comerciais, além de poderem ajudar nos sustentos de filhos e nos estudos de netos, haja vista, que em média os idosos co-residem com mais 4 pessoas26 nas residências e podem comprar alimentação e remédios mais condizentes com suas necessidades nessa etapa da vida.
No se sentirem respeitados pelo comércio, a pratica não bancária do fiado e de compras parceladas a crédito como estratégias de fidelização adotadas por comerciantes e, amplamente, exercidas por todos os entrevistados e é ilustrada nas falas das Sras. Creuza e Tereza, respectivamente:
“melhorou com a aposentadoria. Mas, o dinheiro nem sempre dá. Só que tenho crédito, posso comprar fiado e pago depois. Porque eles conhecem nós. Sabe que nós paga e então eles dizem “a senhora pode vir aqui que eu faço fiado para senhora”.
“quando eu recebo faço logo tudo. Rancho, tudo. Um dia por exemplo eu fui lá no Sebastião (comerciante local) com minha neta e ela viu uma bicicleta e queria. Daí, o Sebastião falou ‘tira, eu sei que a senhor paga’ e então eu disse: ‘eu vou tirar para menina’ e taí, ó, foi 480 reais, ainda não dei nenhum centavo, quando eu pegar meu dinheiro esse mês vou pagar um pouco e mês que vem outro pouco e vou levando assim. (Tereza, aposentada, Lábrea)
25Em média os aposentados e pensionistas recebem entre um e dois salários mínimos.
26 No universo de idosos entrevistados foram registrados apenas 7 dos 62 idosos em
145 Justifica-se conforme explica Silveira (2009, p.67) porque os mais pobres utilizam circuitos menos modernos de distribuição e formas mais simples de creditização como o crédito informal comumente conhecido como o fiado. E assim como já registrado por outros estudiosos para cidades do Nordeste Brasileiro, ou mesmo, como identificado por Silva (2012) para Campinas (SP) a pratica do fiado está dentre as formas não bancárias que o comércio Labrense utiliza como forma de pagamento. Inclusive como estratégia de cativar a clientela, particularmente, aquela que recebe renda oriunda dos benefícios previdenciários.
A análise do discurso dos idosos sobre o fiado reforça também aquilo que Abramovay e Carvalho (2004) falam sobre a “fiança da proximidade”, onde as relações de confiança, vizinhança e convivência se constituem de longa data. E ainda, como em vários relatos foi dito trazem para cidade relações de exploração vividas no campo, ou no interior, do “aviamento”, de “ter um patrão” para quem se paga no final do mês como foi amplamente relatado pelos idosos que a praticam.
Como explicou Silva (2011) nos seringais situados as margens do Purus as relações entre seringueiros e seringalistas se constituíam da seguinte maneira:
“após ter produzido uma boa quantidade de borracha, o seringueiro a entregava-a ao seringalista – proprietário do seringal que o aviara – toda a sua produção que após calcular o valor desta, descontava no montante das compras efetuadas pelo extrator. Predominando a esperteza da equipe administradora do seringal, aliada ao desconhecimento das letras e do cálculo por parte de muitos seringueiros, impedia que estes percebessem as mais abomináveis formas de exploração utilizadas pela equipe para roubar-lhes o ínfimo saldo. (SILVA, 2010, p.120).
E assim, como sintetizou Silva (2010) para os seringais a pratica do chamado fiado se dá “através da venda de mercadorias com a possibilidade de que o pagamento seja efetuado depois, conforme prazo combinado entre comerciante e consumidor”. Alertando Santos (2006) que esta só é possível por meio do conhecimento pessoal entre dois agentes. Sendo imprescindível considerar que a confiança estabelecida entre comerciantes labrenses e os idosos por um lado se alicerça naquilo que Giddens (1991) enquadra, como a
‘confiança em pessoas’, mas também na se construir na certeza do pagamento oriundo dos benefícios. Sendo o controle feito pelos comerciantes em cadernos onde são adotadas as chamadas ‘compras por mês’, que são pagas sempre com dinheiro recebido no mês seguinte ao qual o gasto foi realizado.
Já os comerciantes, ao serem perguntados sobre a importância dos aposentados para o comércio em Lábrea, afirmaram que os aposentados chegam a representar 50% das vendas, como disse o gerente da principal “rede” de eletroeletrônicos e material de construção de Lábrea, afirmando que “do dia 1 ao dia 10 do mês, o aposentado é que faz a diferença”. Ressaltam que o aposentado tem grande importância porque compram de forma parcelada e pagam na data certa, fazendo “girar” dinheiro no comércio. Como explica a Sra Ruth, gerente da Yago Importadora:
“desde que nós abrimos a loja, nesses 9 anos eles estão com a gente (referindo-se aos aposentados).principalmente no começo do mês, geralmente ele compra ou a vista ou parcelado e para pegar financiamento nem precisa de avalista, porque como a cidade é pequena, eu conheço geralmente todos eles, então eu já facilito o crédito para eles, não boto muita burocracia. Faz uma ficha, uma duplicata, porque tem também a questão da idade, com 70 80 anos, fica mais difícil, mas ainda assim dá para quebrar um galho” (Ruth, gerente Importadora Yago, Lábrea, 2012).
O financiamento próprio pela loja é feito por todos os comerciantes, entrevistados e, segundo esses, é uma prática realizada por todos os comerciantes da cidade, desde os pequenos aos ‘grandes’. Essas “linhas” de financiamento próprio que as lojas destinam aos aposentados são controladas por instrumentos como cadernetinhas, carnês, duplicatas. E quanto ao prazo dado para pagamento, os comerciantes informaram que este varia de acordo com os bens comprados, podendo varia de 1 até 15 meses.
Dentre os principais itens adquiridos financiados pelos idosos estão os eletrodomésticos – geladeira, máquina de lavar, fogão e outros não elétricos como colchão e mobílias. Nas lojas de material de construção os principais produtos são cimento, folha de alumínio, cerâmica e tubulações em PVC. Ratificando, assim como identificado nas entrevistas feitas com os idosos que é comum vender fiado ou oferecer bônus para cativar os clientes aposentados.
147 Se perpetuando aquilo que bem foi observado por um comerciante da região, “a Amazônia é a terra do crédito. Não há capital, dinheiro vivo. O seringueiro devia/deve ao patrão, a casa aviadora devia ao regatão e estrangeiro, e assim por diante”. E hoje na cidade, o idoso (que em grande número já foi seringueiro) deve ao comerciante, este deve aos fornecedores e a instituições financeiras e aos bancos, estas se vinculam a interesses do sistema financeiro capitalista global e, assim permanecendo as relações de exploradores e explorados.
É importante considerar também, que à caracterização dos domicílios com idosos em Lábrea, corrobora com a afirmação da ajuda e melhoria nas condições de vida, não só do idoso como também da família que com ele reside. Sendo dentificadas três situações:
- domicílios com idosos ou cônjuges “chefes”, que Camarano (2012) conceitua como família de idosos, onde prevalece a co-residência com filhos e netos em detrimento a residência com extensão (o comumente conhecido como o quartinho do idoso);
- domicílios com idosos “não chefes”, conceituados por Camarano (2012) de família com idosos, onde também prevalece a co-residência;
- e em pouquíssimos casos unipessoal, onde residem idosos viúvos, cujos filhos em grande maioria migraram para outros municípios ou estados e que não possuem outros parentes residentes em Lábrea,
É importante considerar a recorrência nos relatos de que a opção por todos morarem juntos, além das questões econômicas foi justificada como uma característica do “modo de vida do norte”.
Numa outra analise feita, quando arguidos sobre a destinação de espaços reservados para idosos na cidade, um pouco mais de 60% dos idosos disseram conhecer a existência do abrigo para idosos e do centro de
convivência situado nos bairros da xxxx e da Fonte, respectivamente (figura 22 e fotos 15 e 16).
Foto 15: Lábrea (AM) - Centro de Convivência do Idoso, 2011 Foto: Danielle Pereira da Costa, novembro de 2011.
Foto 16: Lábrea (AM) - Abrigo para Idosos Ir. Cleusa Carolina, 2011 Foto: Danielle Pereira da Costa, novembro de 2011.
149 Muitos são frequentadores das festas realizadas aos sábados no centro de convivência (fotos 17 a 20) e participavam de atividades de caminhadas que eram proporcionadas duas vezes na semana pela manhã por ruas da cidade, mas que, segundo eles não acontecessem mais. Já aqueles que conhecem e não frequentam apontam a distância como justificativa que os limitam a participar das atividades desenvolvidas, em especial, os que residem nos bairros do Pantanal, Barra Limpa e Vila Falcão, visto o Centro de Convivência se situar no lado oposto a esses bairros.
Fotos 17 a 20: Lábrea (AM) - Festa dos Idosos no Centro de Convivência, 2011 Foto: Danielle Pereira da Costa, novembro de 2011.
Figura 22: Lábrea (AM) - Distribuição dos fixos na área urbana, agosto de 2011. Organizado por: Danielle Pereira da Costa, 2012.
151 Sobre conhecer os direitos que lhes são garantidos, em especial pelo estatuto do idoso e, aqueles relativos as questões previdenciárias e de acesso ao crédito consignado, mais de 80% dos idosos disseram conhecer seus direitos, com destaque para aqueles inerentes a receberem atendimento prioritário, terem filas exclusivas e a gratuidade de transporte, em que pese o fato de Lábrea não possuir transporte coletivo. Mas, no que se trata especificamente aos direitos previdenciários e as normativas que regem os empréstimos consignados notou-se que os idosos têm conhecimento de que podem pedir empréstimo descontado diretamente na folha como costumam dizer (51 relataram saber), mas desconhecem os pormenores inerentes a prática, principalmente, no que diz respeito às tabelas de juros e prazos de parcelamentos disponibilizadas mensalmente pelos bancos e monitoradas pelo INSS, e que deveriam ser praticadas por bancos e financeiras. Sendo evidenciado ainda que a maioria dos entrevistados que se dirige ao banco para sacar o beneficio, fazendo-o sozinho, ou na companhia de parentes, como filhos, genros e netos.
Nesse contexto, quando perguntados sobre o fato de já terem feito empréstimo consignado, quais as finalidades que levaram a fazer, por qual instituição e quais valores e prazo de pagamento dos mesmos o levantamento revelou que 76% dos idosos entrevistados já fizeram empréstimos, sendo que destes mais da metade já fez mais de uma vez (ver gráfico X).
Gráfico 12: Total de idosos que já fizeram empréstimos e quantidade de vezes realizadas por idosos entrevistados em Lábrea (AM). Fonte: Trabalho de campo, 2011-12. Organizado por: Danielle Pereira da Costa, 2013.
Dentre as principais razões para assumir o endividamento com desconto direto em folha estavam:
A ajuda financeira a filhos e netos, que co-residem ou não com os idosos, por meio, do empréstimo pego por ele e repassado para o parente, o pagamento dos estudos, da faculdade e a compra de equipamentos para auxiliar no trabalho (como motores e motos) e até mesmo a aquisição de pequenos comércios, como o ilustrado na foto 21;
Foto 21: Lábrea - Pequeno comprado por idoso para filho com capital oriundo de empréstimos consignados, 2012. Foto: Danielle Pereira da Costa, novembro de 2012.
A construção, ampliação ou reformas das suas próprias residências (fotos 22 e 23);
Fotos 22 e 23: Lábrea – Ampliação e reforma de residência realizada com capital oriundo de empréstimos consignados, 2012. Foto: Danielle Pereira da Costa, novembro de 2012
153 Para comprar eletroeletrônicos (com destaque para celulares) e
eletrodomésticos (fogão e geladeira);
Para o pagamento de tratamento de saúde, passeios e passagens aéreas;
E, em menor número, para cobrir outro empréstimo anteriormente realizado.
Expostas as razões para o endividamento pela consignação ao salário pode-se inferir, de maneira ainda que minoritária e ainda que inconsciente por parte do idoso uma forma de “resistir” ou enganar o sistema financeiro globalizante, que se expressa pelo favorecimento aos filhos se valendo de pagarem menores taxas de juros, comparativamente àquelas que seriam pagas caso os filhos viessem a fazer os empréstimos em seu nome.
Em termos gerais, os valores dos empréstimos variam entre R$1.000,00 e 10.000,00 reais, para serem pagos em parcelas variando de R$100,00 a R$300,00 por mês e com prazos longos para pagamento. Via de regra, prevalecem os empréstimos divididos de 24 até 60 meses. Quanto a instituição majoritariamente, os empréstimos foram feitos pelo Bradesco e, secundariamente, pelo BMG e pelo Banco do Brasil.
Em dois relatos os idosos assumiram terem sido vitimas de estelionato, praticado por pessoas de confiança, que fizeram empréstimos em seu nome em financeiras no município. Nos dois casos mais uma vez a atuação da rede constituída para efetivação do golpe envolveu gentes próximas dos aposentados, se valeu das fragilidades dos sistemas de interlocução dos sistemas técnicos, vistos que, se estes funcionassem não permitiriam a consolidação dos empréstimos feitos face aos montantes ultrapassarem o teto estabelecido de comprometimento da renda dos aposentados.
Por último, em outros casos, alguns aposentados relataram que posteriormente, ao analisarem os acordos que foram firmados com bancos e financeiras percebiam que na realidade haviam sido enganados, posto que, ao calcularem os valores das parcelas e o tempo médio executado para pagá-las confrontando com os montantes globais dos empréstimos adquiridos desvendava-se uma incongruência em relação às taxas de juros mensalmente cobradas. Sendo estas mais altas do que aquilo que era apregoado pelas regras do empréstimo consignado, que de maneira geral estabelece taxas