O processo de construção e de autoconstrução, nas cidades brasileiras, ainda é caracterizado por um processo construtivo essencialmente tradicional. Segundo Barbosa et
al. (2011), a construção civil tem se baseado em um modelo de produção que é artesanal, o
que gera uma produção onerosa, ineficiente e demorada.
Sabe-se que a indústria da construção civil brasileira, mesmo tendo promovido algumas mudanças dentro do setor, nas últimas décadas, ainda não conseguiu igualar seu nível de eficiência ao nível de outros setores da indústria nacional. Contribui para esse processo a adoção, já mencionada, em maior escala, dos processos construtivos convencionais. Dessa forma, a indústria da construção civil ainda pode ser considerada, no Brasil, como sendo uma indústria atrasada e detentora de algumas características específicas, tais como: mão de obra pouco qualificada, baixa mecanização da produção, baixa produtividade, alto índice de desperdício em seu processo produtivo e alta incidência de patologias construtivas (Figura 5).
Figura 5 - Fatores característicos do atraso tecnológico da construção com base no IPT - 1988.
A baixa qualidade das construções também está relacionada à falta de domínio e de clareza dos processos construtivos, gerando, entre outras consequências, uma grande variabilidade de resultados, incompatibilidades construtivas e um maior descontrole sobre o processo construtivo. Diante desse cenário, a indústria da construção civil vem buscando modificar essa realidade a fim de diminuir os custos do processo produtivo e aumentar a eficiência de seus processos de produção e a qualidade final de seus produtos.
Segundo Caiado (2005), as características peculiares da construção civil e que dificultam o processo de transformação do setor, são as seguintes:
A construção civil é uma indústria de caráter nômade; Seus produtos são únicos e não seriados;
A produção é centralizada;
Sua produção é realizada sob intempéries;
Utiliza mão de obra intensiva, com pouca qualificação e com alta rotatividade;
Possui baixo grau de precisão, se comparado com outras indústrias.
A reformulação do setor da construção civil exige estratégias de modernização através da utilização de recursos técnicos como, por exemplo, o emprego da racionalização construtiva na concepção e na execução das edificações. A tendência, portanto, seria o emprego de sistemas total ou parcialmente pré-fabricados, elevando, dessa maneira, o potencial de racionalização e pré-fabricação dos sistemas.
Ressaltando a urgente necessidade de modernização da indústria da construção civil, está o discurso de Sabbatini (1998), quando afirma que “a modernização da construção civil é hoje uma exigência da sociedade. Os desperdícios, os atrasos tecnológicos, a primariedade dos processos construtivos e o despreparo da mão de obra são temas discutidos por toda coletividade e não apenas no setor”.
Os sistemas construtivos industrializados têm se tornado cada vez mais necessários para que se possa alcançar a tão almejada modernização da construção civil. Pode-se afirmar que, a partir do processo de industrialização da construção, devido à atual necessidade de
se diminuir o tempo de execução das construções, de promover menores despesas e de oferecer uma maior produtividade em obra, o canteiro transforma-se em mero um local de montagem dos sistemas construtivos.
Segundo Ferreira (2009), a Construção Industrializada é, portanto, a construção com o emprego de processos industrializados. Além disso, o grau de industrialização de um processo pode ser medido por seu nível organizacional (Figura 6).
Segundo Sabbatini (1998), “a industrialização da construção é um processo evolutivo que, através de ações organizacionais e introdução de inovações tecnológicas, métodos de trabalho e técnicas de planejamento e controle, objetiva incrementar a produtividade e o nível de produção e aprimorar o desempenho da atividade construtiva”.
Figura 6 - Industrialização e racionalização construtiva.
Fonte: www.feiraconstruir.com.br/bahia/pdfs/Palestra%20Iria%20Doniak.pdf.
Dentre os benefícios gerados pela industrialização da construção, podemos destacar: a velocidade de execução da obra, um canteiro de obras limpo e organizado, a contribuição para a diminuição da geração de resíduos, a eliminação de desperdícios, um maior controle de qualidade da produção, dentre outros.
A industrialização da construção civil é um processo que também colabora com a sustentabilidade da construção, pois, através do emprego de técnicas de racionalização da construção, a geração de resíduos sólidos é menor, considerando que as peças são produzidas fora do canteiro, o que torna o sistema mais limpo, com menos desperdícios de
Muitos autores ressaltam que é necessária a aplicação de diretrizes de racionalização construtiva para a evolução tecnológica dos processos construtivos e que o caminho para a industrialização da construção brasileira não deve ser a total substituição de sua base produtiva por uma base totalmente industrializada, sendo necessário, em primeiro lugar, a busca pela organização do setor de acordo com medidas de planejamento voltadas para a racionalização construtiva.
Um dos processos construtivos industrializados mais significativos é a pré-fabricação. Segundo Oliveira (2002), “a pré-fabricação é considerada a manifestação mais significativa da industrialização da construção, sendo definida como uma fabricação industrial, de partes da construção, capazes de ser utilizadas mediante ações posteriores de montagem”.
2.3 RACIONALIZAÇÃO E PRÉ-FABRICAÇÃO
2.3.1 Racionalização Construtiva
Rosso (1990) define racionalização como “o processo material que governa a ação contra os desperdícios temporais e materiais dos processos produtivos, aplicando o raciocínio sistemático, lógico e resolutivo, isento do fluxo emocional”.
Sabbatini (1998) define ainda a racionalização construtiva como “um conjunto de todas as ações que tenham por objetivo o uso de recursos materiais humanos, organizacionais, energéticos, tecnológicos, temporais e financeiros disponíveis na construção em todas as suas fases”.
A racionalização construtiva pode ser aplicada a diversos métodos, processos ou sistemas construtivos, significando a adoção de medidas de padronização de componentes para promover a simplificação das operações construtivas, o aumento da produtividade e a possibilidade de redução de custos.
A racionalização construtiva objetiva: a diminuição do consumo de materiais, a diminuição do consumo de mão de obra, a uniformização dos elementos e do produto, o aumento do nível de organização do canteiro de obras, o aumento da qualidade e do desempenho da construção e a diminuição de problemas patológicos gerados pela execução da edificação.
A racionalização construtiva, portanto, é uma ferramenta de essencial importância para a modernização da indústria da construção civil, pois procura promover a organização da produção e o aumento da eficiência do processo produtivo, que se constituem em estratégias de considerável urgência para o setor.
Dentre os princípios da racionalização construtiva, é importante destacar:
A. Construtibilidade: “é o uso otimizado do conhecimento das técnicas construtivas e da