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7 A VSLUTTENDE VURDERINGER

7.6 Konklusjon

As explicações teóricas sobre a existência de ETNs nos países em desenvolvimento – ou entrantes tardios – são, na verdade, elucidações sobre a evolução da criação de vantagens de propriedade pelas empresas. A concepção dessas vantagens deriva da adoção de artifícios governamentais que garantam o contínuo crescimento econômico do país e de políticas específicas para que as empresas desenvolvam ativos intangíveis.

É relevante destacar, no entanto, que as corporações dos países em desenvolvimento nasceram e evoluíram em período posterior às empresas dos países centrais, o que implica desafios ainda maiores, seja pelo ambiente global muito competitivo, pelas regras internacionais mais restritivas ou pela necessidade de constante investimento em inovação.

Uma das ideias para explicar o processo de evolução das ETNs pode ser buscada em outro entendimento de Dunning (1993), chamado de “Caminho do Desenvolvimento do Investimento” (CDI). Segundo essa ideia, um país passaria por cinco momentos até se tornar um efetivo investidor no exterior.

Num primeiro momento, o desenvolvimento do país é ainda muito baixo e não há condições nem de atrair investimentos, tampouco de realizar IED. Ou seja, não foram desenvolvidas vantagens proprietárias mínimas das empresas desse país. A segunda etapa é marcada pela atração de investimentos em alguns setores da economia, como o de bens de consumo, e pelo início da realização de IED em países de mesmo desenvolvimento relativo. Na terceira etapa – caso o país sustente o nível de crescimento que lhe permita atrair investimentos e realizar exportações

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para evitar crise no balanço de pagamentos –, há a intensificação do IED nos países em desenvolvimento e o início de algum IED em países desenvolvidos.

As últimas etapas do CDI são marcadas pelo desenvolvimento com maior amplitude de vantagens de propriedade das empresas, as quais lhes permitem inovar e diferenciar seus produtos. Assim, os investimentos diretos das empresas passam a atuar em setores mais intensivos em conhecimento (DUNNING, 1993).

Iglesias e Veiga (2002) levantam a semelhança das ideias de Dunning (1993) com duas ondas de investimentos diretos dos países. Na primeira onda, as vantagens de propriedade se resumiriam praticamente àquelas específicas do país e permitiriam às ETNs investirem em outros países de mesmo nível relativo de desenvolvimento, fazendo uso de vantagens locais, como a proteção de mercado. A segunda onda está associada ao desenvolvimento de vantagens específicas das firmas, ou seja, de ativos intangíveis. Os IEDs passam a ser direcionados também às nações mais desenvolvidas e a busca por ativos estratégicos se intensifica (IGLESIAS; VEIGA, 2002).

Sob outra perspectiva, as duas características abaixo relacionadas, sobre os países em desenvolvimento, explicam tanto a criação mais tardia de vantagens de propriedade das empresas como os fluxos mais controlados de saída de IEDs:

a) Industrialização tardia de seus países de origem: os países hoje desenvolvidos, e que possuem suas multinacionais espalhadas pelo mundo, iniciaram o processo de formação de seu parque industrial após a Revolução Industrial, no século XVIII. Tais países lograram desenvolver mercados consumidores e tecnologia própria nas décadas subsequentes, e, por conseguinte, criaram grandes conglomerados. Já as nações em desenvolvimento, em especial as emergentes de destaque atualmente, iniciaram a industrialização apenas no século XX, e inseriram-se, invariavelmente, como economias periféricas e de apoio ao centro dinâmico desenvolvido (DUNNING, 1993);

b) Preocupação com escassez de divisas e crises cambiais: em geral, os países em desenvolvimento exibiam total dependência dos centros dinâmicos para a exportação de bens primários, geralmente com preços voláteis e deteriorados em relação ao valor unitário dos bens manufaturados importados. Essa situação gerava necessidade de administração das reservas, a fim de evitar crises cambiais. Os

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mercados emergentes, portanto, se posicionavam como importadores de capital e tipicamente enfrentavam escassez do mesmo (SAUVANT, 2007).

Ademais, pelo fato de as empresas provenientes dos países em desenvolvimento terem se inserido tardiamente, elas enfrentam mais desafios e dificuldades para internacionalização produtiva, conforme enumeradas no “Termo de Referência para Internacionalização de Empresas Brasileiras”, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) (BRASIL, 2009):

 Excesso de capacidade de produção em nível mundial em alguns setores, gerando aumento da competição e necessidade constante de inovação;

 Redesenho organizacional das empresas multinacionais tradicionais, com redes globais de produção e foco nos produtos e serviços de alta qualidade;

 Forte interferência dos Governos no processo de internacionalização, inserida no contexto dos planos de desenvolvimento nacional (como os “campeões nacionais”, da China, ou os zaibatsus e keiretsus, conglomerados no Japão);

 Regulamentação do comércio internacional – os países, blocos e organismos supranacionais consolidam os mecanismos de regulamentação do comércio internacional, criando entraves a novos investimentos e aumentando as restrições para acesso a mercados;

 Novas exigências na competência em gestão (políticas de recursos humanos, estratégias de inovação, habilidade em relações trabalhistas, adequação às regulamentações ambientais), exigências nem sempre aplicadas ou conhecidas no país sede da empresa;

 Muitas vantagens das empresas de países emergentes não são passíveis de transferência no processo de internacionalização, pois são baseadas em fatores locais, como mão de obra barata e matéria-prima abundante e acessível;

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 Estrutura do capital: no caso do Brasil, poucas empresas nacionais estão listadas no mercado internacional de capitais; muitas delas não figuram nem no mercado de capitais brasileiro;

 Governança corporativa: ainda é possível observar certo despreparo dos dirigentes, como membros do Conselho Diretor e altos gerentes de muitas empresas que possuem pouca ou nenhuma experiência internacional; há poucos estrangeiros nesses espaços de decisão.

Em resumo, a criação de ETNs em países em desenvolvimento é um fenômeno que ocorre de maneira paulatina e depende de ações de políticas públicas que reflitam o padrão de desenvolvimento do país e auxiliem as empresas a criarem ativos intangíveis. Não menos importante é o contexto de nascimento dessas empresas, que ocorre após a superação de barreiras cambiais e em ambiente global muito competitivo.

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2 AS EMPRESAS TRANSNACIONAIS DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO

A presente seção tem o objetivo de demonstrar o maior protagonismo das ETNs provenientes dos países em desenvolvimento, com enfoque especial para as empresas de capital brasileiro.

Com base em publicações e rankings internacionais e nacionais, serão exibidas, na primeira parte, as principais empresas e economias em