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KONKLUS JONER

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Os participantes envolvidos no desenvolvimento deste estudo foram crianças do 2º ano do Ensino Fundamental, na faixa etária compreendida entre sete e oito anos, de uma Escola Estadual no município de São Carlos, interior do estado de São Paulo, em um bairro de periferia.

Nessa escola, havia uma professora regente que se predispôs a colaborar com a pesquisadora no sentido de indicar oito crianças para participar deste estudo (sendo quatro com mais habilidade em cálculos e quatro com menos). A seleção dessas oito crianças considerou as dificuldades por elas apresentadas na aprendizagem dos conceitos de adição e de subtração, e o desempenho delas no decorrer do 1º semestre de 2015. A pesquisadora não soube, de antemão, quais crianças apresentavam mais ou menos habilidades nas operações de adição e subtração.

A razão da escolha de crianças com mais e menos habilidades, deve-se ao fato de a ZDI relacionar-se àquilo que a criança realiza com ajuda de outras pessoas (adultos e/ou colegas mais experientes), visando à apropriação de conhecimentos, por meio de diálogo, colaboração e trocas de experiências, mediação e motivação. Além disso, levamos em consideração que, no decorrer do processo de desenvolvimento, a ZDI poderá tornar-se NDA (aquilo que a criança resolve sozinha).

A unidade escolar atua apenas no Ensino Fundamental I regular, com turmas do 1º ao 5º ano, nos turnos matutino e vespertino, apresentando, no ano de 2015, época do estudo, um total de 276 alunos, sendo 47 moradores da zona rural e os demais, de bairros adjacentes. Ressaltamos que esse número de alunos é variável, considerando a inconstância de moradia das famílias que mudam de bairro, cidade e estado com grande frequência, ocorrendo matrículas e transferências durante todo o ano letivo.

A escola é composta por 5 salas de aula, 1 biblioteca, 1 sala de informática, 1 cozinha, 1 sala de direção, 1 sala de vice-direção/coordenação, 1 secretaria, 2 banheiros para alunos (masculino e feminino), 2 banheiros para professores e funcionários (masculino e feminino), 1 quadra coberta e 1 pequeno pátio/refeitório coberto.

Segundo dados da escola, a maioria das famílias apresenta renda de até dois salários mínimos, recebendo auxílios sociais (como Bolsa Família), e muitas das crianças participam de projetos sociais no período contrário, permanecendo o dia todo longe do contato familiar.

Em relatos informais do corpo docente e de demais funcionários da unidade escolar (serventes, agentes de organização escolar, diretora, vice-diretora e coordenadora), é apontado um dos aspectos que mais interfere na aprendizagem das crianças: a falta de acompanhamento dos pais/responsáveis. Na maioria dos casos, não há acompanhamento nas tarefas deixadas para casa, nem apoio para as crianças desenvolverem suas potencialidades. Quando necessário, há uma tentativa de comunicação com os pais/responsáveis por meio de avisos e convocações para comparecerem na escola e tratarem dessa questão com os professores e/ou a direção e coordenação. Não obstante, muitas dessas tentativas são frustradas pelo não comparecimento, mesmo com a notificação ao Conselho Tutelar. Além disso, problemas de indisciplina são constantes no dia a dia da escola.

No entorno escolar e nos bairros adjacentes, coexistem vários problemas sociais (drogas, furtos, roubos, casos de abuso sexual familiar, prostituição, agressões físicas e verbais, pais e/ou mães ausentes do convívio familiar), o que, de certo modo, pode também interferir na aprendizagem dessas crianças.

Por questões éticas, os nomes das crianças e dos responsáveis não são revelados, sendo as crianças identificadas como A, B, C, D, E, F, G, e H. Após a seleção delas, os responsáveis foram convocados para uma reunião com a pesquisadora no dia 29 de setembro11

de 2015, às 17h15min, no horário de ATPC12. Nesse encontro foram explicadas as atividades

a serem desenvolvidas, sendo solicitado o preenchimento de um questionário13(Apêndice E, p.

192) e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice D, p. 188).

O questionário foi composto por 6 questões, e as 4 primeiras perguntas buscavam caracterizar as oito crianças. Os dados obtidos são apresentados na Tabela 2 (p.63). A questão 5 solicitou aos pais informações sobre a escolaridade da criança e a questão 6, evidências (a partir da opinião dos responsáveis) da reação da criança frente a situações que envolvem operações de adição e subtração fora do ambiente escolar.

Os dados obtidos por meio do questionário mostram que as crianças participantes do estudo não se encontram em defasagem idade/série, ou seja, estão no ano escolar esperado. Entre as oito crianças participantes, seis são meninas e dois, meninos.

11 Nesse dia, compareceram na escola apenas dois responsáveis. No dia 01/10/2015, compareceram três

responsáveis às 6h50min, considerando que as aulas iniciam-se às 7h. No dia 02/10/2105, conversamos com os três últimos: com dois, às 6h50min, e com um, às 11h.

12 ATPC (Atividade de Trabalho Pedagógico Coletivo), antigamente denominado de HTPC (Horário de Trabalho

Pedagógico Coletivo).

Quanto ao ambiente familiar, mais da metade das crianças envolvidas nesse estudo (5) mora com o pai e a mãe, e o restante (3) não conta com a presença paterna no lar. A criança (F) mora com os avós, não tendo contato com os pais.

Tabela 2 - Caracterização das crianças envolvidas no estudo

CRIANÇA IDADE* SEXO COM QUEM MORA?

COM QUE IDADE COMEÇOU A FREQUENTAR

UMA

INSTITUIÇÃO ESCOLAR?

A 7 anos e 6 meses Feminino Pai e mãe 6 anos

B 7 anos e 10 meses Feminino Pai, mãe, irmãos, avós 2 anos

C 8 anos e 1 mês Feminino Mãe, avó, tio, irmão 6 meses

D 7 anos e 7 meses Feminino Pai, mãe, irmãos 5 anos

E 7 anos e 10 meses Masculino Pai, mãe, irmãos 6 anos

F 7 anos e 11 meses Masculino Avós 6 anos

G 8 anos e 3 meses Feminino Mãe, irmão 4 meses

H 8 anos e 3 meses Feminino Pai, mãe, irmão 2 anos

Fonte: a própria autora (2016) *Dados referentes a outubro de 2015

Ressaltamos que os questionários foram preenchidos na presença da pesquisadora (após a explicação dos objetivos do estudo e da anuência dos responsáveis), para que a recolha fosse imediata. Igualmente, a pesquisadora colocou-se a disposição para esclarecer dúvidas com relação às perguntas e alternativas do questionário. Sete desses questionários foram preenchidos pelas mães e um, pela avó. Uma das mães não sabia ler, nem escrever. Foi preciso que a pesquisadora lesse as questões e alternativas para que ela respondesse, e a pesquisadora assinalasse a alternativa correspondente. Três dessas mães não costumam participar das reuniões de pais quando solicitadas, segundo relato da professora da turma.

A Tabela 2 indica que 37,5% das crianças começaram a frequentar uma instituição escolar aos seis anos de idade, sendo esta uma escola de Educação Infantil. Considerando a Educação Infantil abranger a faixa etária dos 4 meses aos 6 anos, destacamos que essas crianças iniciaram sua escolarização na última fase desse nível de ensino (informação reforçada por falas das mães e avó ao responderem o questionário na presença da pesquisadora).

É importante destacar que a mãe da criança (C) não soube responder no momento do preenchimento a pergunta: ―Com que idade começou a frequentar uma instituição escolar?‖, encaminhando a resposta por meio de bilhete, após perguntar à avó materna, aparentando certo distanciamento da educação da sua filha.

Tabela 3 - As crianças e a escola

INSTITUIÇÃO QUE A CRIANÇA FREQUENTOU CRECHE E/OU ESCOLA DE ED. INFANTIL PARTICULAR

(DO SETOR PRIVADO)

---

CRECHE E/OU ESCOLA DE ED. INFANTIL PÚBLICA (MUNICIPAL)

A, B, C, D, E, G, H

OUTRA (ESCOLA FILANTRÓPICA, ONGs, ETC.) ---

COMEÇOU SEUS ESTUDOS NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

F

Fonte: a própria autora (2016)

Os dados obtidos por meio da tabela 3 indicam que sete crianças frequentaram a Educação Infantil, e três também frequentaram uma creche (instituição escolar de Educação Infantil destinada a crianças dos 4 meses aos 3 anos). Apenas uma iniciou direto no Ensino Fundamental.

Com relação ao tipo de instituição, sete crianças frequentaram creches e/ou escolas públicas municipais, e uma criança ingressou seus estudos em uma escola pública estadual (no 1º ano do Ensino Fundamental). Nenhuma delas frequentou escola particular ou filantrópica.

Tabela 4 - Reação das crianças diante das operações de adição e subtração

COMO A CRIANÇA REAGE A

SITUAÇÕES QUE ENVOLVEM OPERAÇÕES DE ADIÇÃO (CONTA DE MAIS) E SUBTRAÇÃO (CONTA DE MENOS) FORA DA ESCOLA?

REAGE COM TRANQUILIDADE E CURIOSIDADE A, E, F, H

REAGE COM TRANQUILIDADE E SEM CURIOSIDADE C

FICA INQUIETA/INSEGURA B, D, G

NÃO OBSERVAMOS A CRIANÇA ENVOLVIDA NESSAS SITUAÇÕES ---

Segundo as mães e a avó, metade das crianças reage com tranquilidade e curiosidade em situações de adição e subtração. Percebemos também que quase metade (3) das crianças envolvidas nesse estudo apresenta insegurança. De acordo com os relatos das mães e da avó, isso ocorre pela dificuldade que seus(suas) filhos(as) apresentam com relação a essas situações, por não saberem ou não conseguirem ―fazer as continhas corretamente‖.

As informações obtidas sobre os participantes e apresentadas nas Tabelas 2, 3 e 4 auxiliaram-nos no conhecimento do perfil das crianças envolvidas nesse estudo e serviram de base para a análise dos dados coletados e observados com as filmagens. A partir disso, buscamos respostas para nossa questão de estudo, tendo como pressuposto os seguintes objetivos: investigar se o jogo, quando utilizado sob a abordagem histórico-cultural, desencadeia a aprendizagem das operações de adição e subtração; identificar como se dá a apropriação das operações de adição e subtração, durante a utilização dos jogos CUBRA A SOMA e FECHE A CAIXA, com crianças do 2º ano do Ensino Fundamental.

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