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Ao utilizar o computador na educação, percebemos segundo Almeida (2000), que:

A maior contribuição que o computador pode fazer para a educação não está na qualidade de informações e na quantidade de informações que se pode acessar rapidamente, mas sim no que se pode fazer com o computador e que não é possível ou tão pouco fácil de fazer sem ele, ou seja, no que o computador pode proporcionar em termos de autonomia, auto conhecimento e do poder sobre a própria aprendizagem.(Ibid, 2000, p. 85).

No entanto, o que está em questão é a forma como se deve utilizar o computador, como meio de promover a aprendizagem do aluno, possibilitando-lhe vivenciar situações quase impossíveis sem a existência da máquina.

Para Valente (1993):

Para implementação do computador na educação são necessários basicamente quatro ingredientes: o computador, o software educativo, o professor capacitado para usar o computador com o meio educativo e o aluno. (Ibid, 1993, p. 1)

Valente (1993) considera que, embora os quatro integrantes tenham igual importância, o professor deve ser capacitado para utilizar o computador, não basta só seu treinamento do professor, mas que ele seja preparado para lidar com essas tecnologias, incluindo as dificuldades que aparecerão em razão desta utilização. Esta capacitação tem um destaque importante à educação e, também, ao trabalho docente.

Para Almeida (2000b), considera que mesmo que este professor seja preparado e capacitado para a utilização do computador na construção do conhecimento, ele será obrigado a questionar-se constantemente sobre sua prática, pois estará sempre diante de um equipamento cujos recursos não apresenta domínio absoluto.

Conforme Borba e Penteado (2001):

Os vários anos de prática e pesquisa nesta área indicam que o potencial da tecnologia informática para o ensino na escola será pouco utilizado se o professor não for estimulado a atuar nesse cenário de mudanças. (Ibid, 2001, p. 53).

Assim as ideias desses autores completam-se, pois não basta ter estimulo sem capacitação e vice-versa.

Para Valente (1993), embora existam diversas maneiras de usar o computador na escola, a melhor é aquela em que o aluno ensina a máquina, ou seja, o computador não é usado de forma mecânica, como no exemplo dos softwares denominados tutoriais. Para o autor apresentação das lições ou explicação da informação são enfatizadas, agindo como tutores individuais, ou ainda, como softwares exercícios e prática, que enfatizam o processo de ensino, pautado na reutilização de exercícios com grau de dificuldades diferenciado. Ao contrário dos exemplos anteriores, o autor sugere que sejam usados softwares que proporcionem as ações conscientes dos alunos, permitindo a expressão de suas idéias. Nessa perspectiva, o computador pode ser considerado como ferramenta que possibilita ao aluno resolver problemas ou realizar tarefas como escrever e comunicar-se, entre outras.

A introdução de computadores na Educação é causa de uma grande revolução nas concepções de ensino e aprendizagem. pois a visão que se deve ter sobre esse produto tecnológico, não é o de uma máquina de ensinar mas sim uma ferramenta educacional, com objetivo de complementar, aperfeiçoar e de possível mudança na qualidade de ensino, possibilitando ao aluno, não mais a memorização de informações, mas, a busca e a utilização correta delas.

Valente (1993) afirma que utilizar o computador como ferramenta educacional, o aprendizado ocorre por executar uma tarefa por intermédio do computador:

Entretanto, o uso do computador como ferramenta é o que provoca maiores e mais profundas mudanças no processo de ensino vigente, com a flexibilidade dos pré-requisitos e do currículo. A transferência do controle do processo de ensino do professor para o aprendiz e a relevância dos estilos de aprendizado ao invés de generalizações dos métodos de ensino. (VALENTE, 1993, p. 21).

Portanto, ao usarmos computador na escola, não só o papel do aluno é visto de maneira diferenciada da convencional, mas também observamos a mudança no papel desempenhado pelo próprio professor e, também, a que será desempenhado pela escola.

Valente, ainda, esclarece que:

A mudança da função do computador como meio educacional acontece juntamente com um questionamento da função da escola e do papel do professor. A verdadeira função do aparato educacional não deve ser a de ensinar. Mas sim a de criar condições para aprendizagem. Isto significa que o professor deve deixar de ser o repassador do conhecimento, o computador pode fazer isso e o faz de forma muito mais eficiente do que o professor e passar a ser criador de ambientes de aprendizagem e o facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno. (VALENTE, 1993, p. 6).

Podemos notar de modo muito claro que as tecnologias em sala de aula devem proporcionar uma transformação no ambiente escolar, favorecendo a aprendizagem do aluno, uma vez que ele terá possibilidade de ser o construtor de seu próprio conhecimento, tornando-se o centro do processo educacional. Assim, o professor desempenhará o papel de mediador dessa aprendizagem, possibilitando aos alunos a construção dos conhecimentos.

Belloni (2001) indica as modificações dos papéis realizados pelo professor quando utiliza as novas tecnologias, em especial, a educação semipresencial e a distância.

Segundo o autor, os papéis desempenhados pelo professor por meio dessas modalidades são:

Professor formador: orientará o estudo e a aprendizagem, que irá corresponder à função pedagógica do professor encontrada no ensino presencial;

Professor conceptor: que conceberá e realizará os cursos e materiais, preparará os planos de estudos e currículos;

Professor pesquisador: pesquisará e atualizar-se-á em várias disciplinas e metodologias de ensino e aprendizagem, reflete sobre sua prática pedagógica;

Professor tutor: orientará os alunos em seus estudos, conforme as disciplinas de sua responsabilidade e, em geral, participará das atividades de avaliação;

Professor tecnólogo educacional: será o especialista em novas tecnologias, uma função nova em que coloca o professor, como o responsável pela organização dos conteúdos, adequação aos suportes técnicos a serem utilizados na produção de materiais e assegurar a integração das equipes técnicas com a pedagógica;

Professor monitor: importante, segundo o autor, em certos tipos de ensino a distância, especialmente, em ações de educação popular com atividades presenciais de exploração de materiais em grupos de estudo. Terá a função de coordenar e orientar essa exploração, de caráter mais social que pedagógico, em que uma pessoa da própria comunidade poderá ser formada para exercer a função. (BELLONI apud GARCIA e SILVA, 2004, p. 6)

Para o autor, esses papéis se alterarão, conforme as necessidades dos alunos e à medida que o curso semipresencial ou a distância acontece, e o professor será o responsável por guiar, orientar, gerar discussão e propor desafios e reflexões, oferecer novos caminhos, estimular e motivar o estudante.

Ainda deixa claro que o professor deverá atuar como um facilitador do conhecimento e promover situações que possibilitem a participação ativa e critica dos alunos, contribuindo para o desenvolvimento de um material ou curso de boa qualidade.

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