2.3 1700-tallets fortolkninger: Fra svertede omstreifere til ekte orientalere
2.3.1 Et konglomerat av teorier
Conhecer “Interesses e Expectativas face ao Curso” diz respeito às necessidades da formação. Como dizem Rodrigues e Esteves (1993, p.24), “as necessidades não se exprimem a partir do nada. A expressão de uma necessidade ocorre numa situação que a gera ou determina, mas também numa situação que viabilize a sua consciencialização e expressão verbal ou não”.
Essa etapa foi considerada como passo importante para a construção de um campo descritivo que nos possibilitasse melhores interpretações acerca da relação professoras cursistas e curso de formação.
Levando em conta os três grupos organizados no próprio desenho da investigação, quais os motivos que teriam levado as professoras a participarem do curso? O que esperavam de um curso de especialização e, especificamente, o que as professoras esperavam que aquele curso lhes propiciasse?
O quadro abaixo, uma síntese do que é dado observar na matriz de análise das entrevistas, é bastante revelador dos dados encontrados:
Categoria Subcategorias Grupo
Início Grupo Renovação Grupo Estabilidade Total de sujeitos Interesses e Expectativas Obter respostas às necessidades 09 06 04 19 Apoiar na transformação da prática 05 06 05 16 Obter a certificação de especialista 02 _ 01 03
Acompanhar a decisão das colegas do trabalho _ 02 _ 02 Desenvolver competências/habilidades artísticas 02 _ _ 02
Quadro 05: Tema/categoria: Interesses e Expectativas, suas subcategorias e número de registros obtidos.
De inicio, já podemos perceber que optar pelo curso como possibilidade de obter respostas às necessidades e de obter apoio na transformação da prática, colocam-no em um lugar em estreita vinculação com o contexto educativo e, muito especialmente, com a docência. Esse aspecto torna-se ainda mais significativo quando constatamos a alta incidência de comentários, ao longo das entrevistas. Vinte e três professoras entrevistadas, o que corresponde a 100 % do total, justificam o ingresso no curso por essa via.
Verificamos que as professoras entrevistadas apontam para o sentimento de despreparo e de dificuldades em Arte e Educação Física, o interesse pelo ensino das áreas em questão, a necessidade de aprofundamento e de uma nova concepção de Educação Física. Por conseguinte, as expectativas eram de que o curso proporcionasse a transformação da prática pedagógica, na medida em que suprisse a ausência de saberes da área; fosse organizado com ênfase em situações práticas; proporcionasse segurança e, ainda, fornecesse subsídio para a melhoria das ações junto aos alunos. Vejamos alguns fragmentos das falas das professoras:
Era mais a questão da prática em si mesma; vou lá e vou aprender mais como trabalhar a parte do corpo. Pensava mais na prática do que na própria teoria. Você pensa muito na prática: como é o fazer? Como é que eu vou fazer essa atividade numa quadra? Porque diz Arte e Educação Física na infância, então você pensa que alguém vai lhe dá a famosa fórmula que a gente espera que alguém dê; alguém vai me dar esse caminho e essa fórmula, mas, na verdade, você tem que estar pensando também em teóricos que você compreenda como vai fazer aquela atividade, aquele exercício. Essa era a expectativa; de que eu ia aprender algo novo. Alguém vai me dar uma fórmula pra eu saber como conduzir. (Maria Selina, 2008) [...] Então, o curso, quando eu vi o nome, eu imaginava que ia aprender muitas brincadeiras [...] eu achava que eu ia poder melhorar a minha prática em relação à arte e à educação física. Eu ia aprender mais porque até então meu conhecimento era pouco. (Maria João, 2008)
[...] quando surgiu, eu, de imediato, disse assim: “eu acho que eu não vou fazer não porque eu nem gosto muito dessa área de Artes e de Educação Física”. Aí, depois, eu voltei a pergunta, por eu não saber mesmo por eu ter dificuldade e geralmente eu tinha muita dificuldade quando a gente ia colocar no diário, porque ,no diário de classe, no fina l de cada semestre, a gente tem que fazer um relatório de Arte, de Educação Física, o que foi que a gente desenvolveu. E eu tinha muita dificuldade de fazer aquele relatório, então é por isso mesmo que eu tenho que fazer, é uma área tão restrita, assim a gente não tem formação, nunca ninguém se interessa por essa área, ela é tratada assim em último lugar. Então é por isso mesmo que eu vou fazer. Só que se passou uma semana e ninguém que trabalhava comigo ia fazer. Aí quando foi no último dia, disseram que iam fazer e eu disse que ia fazer também. [...] (Marili, 2008)
Eu sentia que era uma área que eu precisava me aprofundar que eu tinha pouco conhecimento; que durante o curso de graduação não ficou bem
trabalhada essa questão. Então eu tinha necessidade de algo mais, de me especializar realmente nessa área. (Maria do Rosário, 2008)
Nas unidades de registro, vemos, claramente, a ênfase no entendimento sobre educação continuada impulsionada pela necessidade de suprir carências na formação inicial; formação continuada como compensatória, ou seja, para suprir lacunas na formação inicial, considerada insatisfatória.
Retomando os estudos de Gatti (2008), as discussões internacionais têm posto, como propósito central para a formação continuada, a atualização e o aprofundamento em avanços do conhecimento, em função dos desafios diários provenientes das novas produções cientificas, técnicas e culturais.
Com base nas cartas de intenções, fonte de dados da análise documental, a necessidade de suprir lacunas também se encontra presente, posta de forma explícita em três documentos, sendo em duas de professoras do Grupo Renovação e uma do Grupo Estabilidade. Eis o que diz a professora Maria do Socorro (2008):
[...] o Curso de especialização em ensino de arte e educação física na infância nos dará fundamento para saber argumentar sobre o conjunto de inquietações que nos aflige e desenvolver múltiplas práticas de ensino planejadas e compartilhadas que denotem a construção de um projeto educativo “inacabado, provisório, e historicamente contextualizado”, mas comprometido com a construção da criança cidadã.
Esse indicador junto a outros como: necessidade de formação continuada, ampliação de conhecimentos, oportunidade de refletir sobre a prática e de trocar experiências, vai se revelar na fala de dezenove professoras e evidenciar a categoria obter respostas às necessidades como a mais significativa para a submissão à seleção.
[...] a aprendizagem continuada contribuirá sempre para redimensionar e legitimar o processo ensino aprendizagem de arte e educação física na infância, [...] o aprender contínuo é indispensável, [...] Ao mesmo (professor) cabe esse desejo de saber e mostrar que pode sempre ser melhor, à medida que adquire mais conhecimentos. Portanto, estou convicta que é preciso continuar estudando, refletindo, buscando uma formação contínua, compreendendo que o conhecimento está em constante evolução e tenho certeza que sobre o trabalho de educar, um princípio é indiscutível: a capacitação do educador; nunca é adquirida por completo e necessita sempre estar em aperfeiçoamento. Agindo assim o professor educa e se educa. (Maria Sara, 2008).
Temos que ter compromisso e sempre estar aptos a participar de cursos para inovar a prática. [...] necessitamos nos aprimorar através de cursos como este [...] (Maria Antonieta, 2008).
Consideramos importante destacar que, além dessa subcategoria, obter
apoio na transformação da prática foi referida nas cartas de intenções por catorze
professoras, apresentando indicadores como: inovar, enriquecer e/ou aprimorar a prática; adquirir conhecimentos para compensar carências das crianças; possibilitar o desenvolvimento de práticas saudáveis e dos aspectos cognitivos, sócio-afetivos, morais e motores; articular teoria e prática; conhecer, refletir e refazer a prática. Vejamos alguns fragmentos:
[...] pela necessidade de trazer benefícios às crianças [...], sente-se o desejo de conhecer melhor e colocar em prática novas experiências ligadas ao Ensino de Arte e Educação Física na Infância (Marine, 2008).
[...] nós, educadores de Educação Infantil, precisamos nos atualizar para que possamos desenvolver nas crianças sua criatividade, seu lado psicomotor, artístico e cognitivo dentro do ensino-aprendizagem. (Maria Antonieta, 2008)
[...] o Curso de especialização em ensino de arte e educação física na infância nos dará fundamento para saber argumentar sobre o conjunto de inquietações que nos aflige e desenvolver múltiplas práticas de ensino planejadas e compartilhadas que denotem a construção de um projeto educativo “inacabado, provisório, e historicamente contextualizado”, mas comprometido com a construção da criança cidadã (Maria do Socorro, 2008).
Desse modo, a análise das cartas de intenções reforça a leitura de que os interesses e as expectativas em face do curso estavam voltados para a aquisição de conhecimentos visando à mudança e à melhoria da prática junto aos/às alunos/as.
Tais constatações nos lembram de Freire (1996) ao abordar a reflexão crítica sobre a prática. Para o autor, a melhoria da prática tem como aspecto fundamental a reflexão crítica da prática atual mediante o conhecimento teórico, em uma relação tão estreita que quase se confunde. Freire (1996) realça que quanto mais o/a professor/a conhece de si, de sua atuação e se percebe como sujeito com possibilidades e disponibilidades, maiores as oportunidades para as mudanças.
Surpreendentemente, apenas três entrevistadas expressam interesse pelo curso se referindo à oportunidade/possibilidade real de ter de uma especialização -- Obter a certificação de especialista --, sendo duas do Grupo Inicio e uma do grupo Renovação. Vejamos suas falas para maiores esclarecimentos:
De principio a minha expectativa era de estar ingressando em um curso de especialização, porque era a minha vontade e devido às questões financeiras não dava para fazer particular [...] (Marilane, 2008).
O meu interesse quando apareceu (o curso) [..]. Eu me preocupei logo porque eu não tinha experiência como trabalhar. [...] E o objetivo, quando eu entrei nessa especialização, foi também pra ter uma especialização, mas foi também pra adquirir conhecimentos pra eu trabalhar com as minhas crianças (Maria do Socorro, 2008).
A oportunidade (de uma especialização) e também [...] o meu interesse era aperfeiçoar o meu papel enquanto professora (Maria José, 2008).
Nossa surpresa é explicada, por um lado, pelo atual contexto político- econômico e cultural, de exigências cada vez maiores em relação à formação e, por outro, pela significativa conquista de um título no estatuto da carreira docente. Reconhecemos que o curso representou uma oportunidade singular, pois foi ofertado gratuitamente e em horário diferente do turno de trabalho. Além disso, sem discutir o mérito sobre as aprendizagens, o curso traria benefícios em suas carreiras, uma vez que as concluintes ganhariam pontos para promoção funcional, inclusive, com incentivo financeiro. Este último aspecto foi testemunhado por nós, quando, ao término do curso, acompanhamos a pressa das professoras pela obtenção do certificado do curso.
Quanto às outras duas subcategorias, Acompanhar a decisão das colegas
do trabalho e Desenvolver competências/habilidades artísticas, foram apontadas em
quatro entrevistas, respectivamente, duas do Grupo Estabilidade e duas do Grupo Inicio, em narrativas associadas a outras subcategorias já citadas.
Ressaltamos, também, que apenas uma professora do grupo Estabilidade
explicitou durante as entrevistas a necessidade de
aprofundamento/aperfeiçoamento. Entretanto, nas cartas de intenções, o aperfeiçoamento é evidenciado em seis documentos, distribuídos nos três grupos, por três professoras do grupo Início, uma do grupo Renovação e duas do grupo Estabilidade. Apesar dos propósitos apontados internacionalmente na atualidade para a formação continuada (GATTI, 2008), há de se considerar, em relação à Educação Física, o espaço historicamente ocupado nos currículos da formação inicial, mesmo que esse panorama esteja sendo modificado nas Instituições de Ensino Superior.
Assim, diante dos interesses e expectativas acima expostos, como as professoras cursistas caracterizam e avaliam o curso vivido?