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3. TEORETISKT PERSPEKTIV

3.4. KOMPETENS

O sistema defensivo das fortificações modernas tem por base alguns

componentes que apresentamos a seguir.

83

O flanco perpendicular à cortina foi bastante difundido. No entanto, Vauban, em relação à cortina, estabeleceu um ângulo de cerca de 100 graus, o qual foi amplamente seguido.

A Muralhatem a finalidade de proteger o acesso a uma fortificação ou cidade.

Constitui-se de um muro que, comumente, contorna um assentamento, podendo ser

edificado de madeira, faxina, terra e/ou pedras. Nela são instalados os principais

componentes do sistema defensivo. Sua espessura e altura são variáveis. Conforme

Barreto (1958), tinha 5 a 8 metros de altura e 5 a 20 metros de largura,

aproximadamente84.

Sobre a parte mais alta da muralha e, geralmente, nos flancos e baluartes

eram construídos pequenos parapeitos (merlões)85 intervalados por um piso baixo.

Nessas aberturas, denominadas de Canhoeiras ou troneiras, eram assentados os canhões, as quais necessitavam de uma estrutura firme de pedra, cerâmica e/ou

terra e faxina que suportasse o impulso do tiro. No forte São José da Ponta Grossa,

Fossari (1992) identificou, após a retirada de uma camada de reboco, em sua

superfície, uma estrutura de tijolos com argamassa de cal, assentada em contrapiso

de pedra e cacos de telha. O piso, abaixo das canhoeiras, geralmente era revestido

por lajotas de pedra ou cerâmica. Sua finalidade era a de auxiliar no manejo das

carretas, onde eram colocadas e transportadas as peças de artilharia pesada86.

84 BARRETO, Anníbal. Fortificações no Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1958, p. 27. 85 Para VAUBAN (1702) os parapeitos deveriam ter uma espessura em torno de 18 pés. Com isso,

resistiriam à força dos canhões.

86

FOSSARI, Teresa D. A pesquisa arqueológica do sítio histórico São José da Ponta Grossa. In:

Figura 22: Componentes de uma Canhoeira: A) Merlão, B) Joelheira, C) Face Fonte: LELLO.

De acordo com os preceitos de Vauban (1702), na parte inferior dos

parapeitos, deveriam ser construídas duas banquetas. O mesmo destacava que uma

deveria ser mais alta que a outra, permitindo que soldados, de diferentes estaturas,

pudessem olhar e atirar por cima do parapeito. Esse tipo de estrutura foi utilizada

tanto nas fortalezas e fortes, quanto nas baterias. Compunham-se, geralmente, de

lajes de pedra.

Ainda com relação a estruturas próprias para artilharia, Pereira (1994, p. 40)

constatou que, em Portugal no início do século XVI, são introduzidos os baluartes, e

“[...] cento e trinta e dois anos depois se fazem desajustadas propostas para a

construção de obsoletas barbaças”. No entanto, complementa que nas barbacãs, de

forma funcionalmente mais simples, vão ser efetuadas as primeiras adaptações da

fortificação medieval à pirobalística. Além de constatar que desde o século XVI os

muros baixos vão sendo apetrechados com troneiras87.

Em algumas fortificações de Santa Catarina, Roberto Tonera e equipe

identificaram essas estruturas, em alvenaria88

. Segundo esse pesquisador, nas

fortificações abaluartadas, aparece uma variante do modelo de barbacã. O qual é

composto de uma plataforma elevada de 5 a 6 metros de largura e construída em

torno de uma fortificação. Ou ainda, ao longo de certos trechos da mesma, servindo

como proteção preliminar à muralha e ao fosso. Nela, poderiam ser instalados

alguns canhões, permitindo, dessa maneira, o disparo rasante sobre o inimigo.

Tonera considera como barbacã a bateria baixa da fortaleza de Anhatomirim e a

estrutura na entrada da fortaleza de Ratones.

Na fortaleza de Santa Teresa os muros externos, erguidos para fechar a

passagem, conforme a planta (em anexo), poderiam ser uma forma de barbacã.

Bordejé (1957) surpreendeu-se pela falta de proteção da portada de Santa Teresa,

por não haver fosso89. Por isso, observando os dois muros de pedras que vão ao

87 PEREIRA, Mário. Da Torre ao Baluarte. In: PAULINO, Francisco Faria (Org.). A arquitetura militar na expansão portuguesa. Porto: Infante, 1994, p. 40.

88 DIAS, Pedro. Fortificações Abaluartadas. TONERA, Roberto (Coord.). Fortalezas Multimídia:

Anhatomirim. Florianópolis: UFSC. CD-ROOM.

89 BORDEJÉ, Frederico. Arquitectura militar: breve indicaciones sobre los rastrillos y puentes levadizos.

Madri. In: ARREDONDO, Horacio (Org.). Noticias de interés arqueológico”. Revista de la Sociedad

encontro do portão principal, podemos inferir que ambos tivessem a função de

barabacã.

Figura 24: Fortaleza de Santa Teresa (1934) Fonte: ARREDONDO, (1934)90

Uma outra estrutura construída para a defesa era o espaldão. Esse se

constituía de uma estrutura maciça, de pedra e/ou terra, formando uma parede de

proteção. No plano da fortaleza de Santa Tecla (1776), consta a referência de três

“expaldón”. Também, na fortaleza de Santa Teresa, consta no plano de 1792. Além

disso, nesse sitio tal estrutura encontra-se preservada. No entanto, diferencia-se da

primeira pela localização e matéria-prima. Em Santa Teresa, está localizado atrás da

90 Álbum de fotografias, datadas nos anos de 1934 e 1940 - de Horácio Arredondo, adquirido pelo

Departamento de Estudos Históricos do Estado Maior do Exército do Uruguai em 2004. Reprodução Guilherme Luchsinger.

cortina e foi construído de pedra, enquanto que em Santa Tecla, encontravam-se

nos baluarte e, provavelmente, de terra.

Figura 25: Espaldão no sitio de Santa Teresa (2004)

O baluarte constitui-se em uma estrutura arquitetônica, saliente em relação à

muralha, e localizado nos ângulos dessa. Compõe-se de duas faces e dois flancos

ligados a uma cortina. Alguns tratadistas renascentistas defenderam a forma circular

no traçado dos baluartes. Porém tornou-se teoricamente insustentável após estudos

matemáticos e balísticos de perspectiva91

. Interessante constatar que o forte

português “La Concepción”, na fronteira espanhola de Mochos (moxos), possui a

forma quadrangular e quatro baluartes na forma citada92.

91 PEREIRA, Mário. Da Torre ao Baluarte. In: PAULINO, Francisco Faria (Org.). A arquitetura militar na expansão portuguesa. Porto: Infante, 1994, p. 36.

92

Essas primeiras fortificações de campanha foram consolidadas, posteriormente na segunda metade do século XVIII. Cf. GUTIÉRREZ; ESTERAS, 1991, p. 159.

Como já referido, a cortinaestá localizada entre dois flancos e compõe-se de

uma estrutura maciça de pedra ou terra. Caracteriza-se por ser um muro recuado

em relação ao baluarte. Sua espessura era calculada em função da força do tiro de

canhão.

A guarita tem sido considerada como referência universal para os fortes,

fortalezas e algumas baterias. Projetadas nos vértices proeminentes das muralhas.

Muitas possuem uma beleza artística.

Fortes e fortalezas, em geral, tinham um fosso que erautilizado para dificultar

o acesso do inimigo. Era formado por uma escavação, provocando o declive no

terreno em torno da muralha, ou, às vezes, somente na entrada da fortificação. O

mesmo poderia, ou não, conter água. Pesquisas arqueológicas nas fortificações de

Ratones e São José da Ponta Grossa, na ilha de Santa Catarina, evidenciaram esse

componente.

À entrada da fortificação, havia o portão, também denominado de portada,

cuja localização entre duas cortinas era recomendada por Vauban. Esse

componente, por constituir-se num alvo de ataque dos adversários, deveria ser

muito resistente, de madeira dura e/ou ferro. Quando a fortificação estava protegida

por um fosso, geralmente havia uma ponte levadiça, aumentando, assim, a proteção

interior da fortificação. Na fachada do portão das fortificações permanentes eram

construídas, algumas vezes, molduras e ornamentações em cantaria. Essas

poderiam representar suas Coroas através de escudos de Arma Real esculpidos.

Como por exemplo, o que se encontra, atualmente, em Sacramento. O que também

pode ser constatado, na fachada da fortaleza de Anhatomirim em Santa Catarina, é

Em algumas fortificações, além da porta principal, havia uma outra, para

maior proteção, denominada de rastrilho. O qual se constitui em uma estrutura

gradeada, ou seja, por barras ou vigas entrelaçadas de ferro ou de madeira93.

Arredondo (1957, p. 371) evidenciou seus encaixes nas laterais dos muros de

entrada nas fortificações de São Miguel e de Santa Teresa.

Figura 26: Portada e Rastrilho de Santa Teresa (2004)

Por outro lado, as portas secundárias, ou de socorro, existentes em muitas

fortificações também são denominadas por esse termo. Segundo Bordejé (1957) era comum na descrição de fortificações, abaluartadas, no século XVIII aparecer o termo

de “rastrillo” e/ou “barrera” para descrever essas pequenas portas. Localizavam-se

no limite extremo das obras e tinham a finalidade de proporcionar uma saída rápida

da guarnição para destruir as obras dos sitiadores, e/ou assegurar a retirada quando

93 BORDEJÉ, Frederico. Arquitectura militar: breve indicaciones sobre los rastrillos y puentes levadizos.

Madri, 1957. In: ARREDONDO, Horacio (Org.). “Noticias de interés arqueológico”. Revista de la

conquistadas. Na cartografia de Santa Tecla e no registro histórico sobre a rendição

de sua guarnição foram feitas referências a essa porta secundária. Em Santa

Teresa, ainda hoje podemos constatar sua existência.

Por sua vez, a ponte levadiça tinha afinalidade de bloquear ou estabelecer o

acesso, entre a área externa e a interna da fortificação. Possuía dupla utilidade:

servia como ponte, na posição horizontal e, quando erguida na vertical, como dupla

porta. Era elemento indispensável nas fortificações que possuíam fosso. Entre

várias, destacamos a de Santa Tecla, conforme a cartografia, e a de São Miguel,

cujas evidencias de seu mecanismo, foram constatadas por Horacio Arredondo

quando localizou o fosso94. O que também pode ser constatado nas pesquisas

arqueológicas na fortaleza de São José da Ponta Grossa. Junto à soleira da portada,

foi encontrada uma pedra que sugere a base de algum sistema de roldana, o qual

serviria de eixo para uma ponte levadiça95.