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Kompetanseheving

5.4 Vurderingar av handlingsrom

5.5.3 Kompetanseheving

a) Um dos primeiros pilares para a construção de uma concepção sentimentalista do Direito consiste na associação entre os juízos morais e as emoções438. Cabe, portanto, averiguar

o estado da neurociência a respeito desse tema.

Neste sentido, Joshua Greene e Jonathan Haidt promoveram uma revisão de estudos de neuroimagem de pessoas realizando juízos morais, bem como sobre indivíduos que apresentam comportamentos moralmente aberrantes e concluíram que as emoções possuem um papel relevante no processo de formação de juízos morais439.

b) No primeiro grupo de estudos, Joshua Greene e sua equipe propuseram para pessoas uma série de casos derivados dos dilemas do bonde enquanto as analisavam através de aparelhos de ressonância magnética funcional440.

Por meio deste método, foi possível notar que, no processo de decisão moral, foram ativadas áreas do cérebro que estão associadas ao processamento de emoções441. Similarmente,

Jorge Moll e sua equipe identificaram que o setor orbital e medial do córtex pré-frontal, bem como a região do sulco superior temporal, são elementos críticos para uma rede cortical-límbica capaz de conectar juízos morais a experiências emocionais442. Tais constatações fortalecem a

vinculação entre sentimentos e a formação de juízos morais sustentada pelo sentimentalismo.

c) Um dos estudos sobre comportamentos discrepantes a nível moral consiste na análise feita por Hannah Damásio e sua equipe a respeito de Phineas Gage, um indivíduo do século XIX que, após sofrer um acidente na cabeça, passou a se portar de modo absolutamente distinto,

438 Cf. item “d” do tópico 2.1.2.

439 GREENE, Joshua D.; HAIDT, Jonathan. How (and where) does moral judgment work? In: TRENDS in Cognitive Sciences, vol. 6, n. 12, 2002, p. 522 e ss.

440 GREENE, Joshua D. et al. An fMRI Investigation of Emotional Engagement in Moral Judgment. In: Science, vol. 293, 2001, p. 2106 e ss.

441 Idem, ibidem, p. 2107.

442 MOLL, Jorge et al. The Neural Correlates of Moral Sensitivity: A Functional Magnetic Resonance Imaging Investigation of Basic and Moral Emotions. In: The Journal of Neuroscience, vol. 22, n. 7, 2002, p. 2736.

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alterando significativamente a sua personalidade443. Gage, embora não tenha apresentado

qualquer modificação a nível de inteligência e capacidade cognitiva, passou a se mostrar avesso a convenções sociais444.

Através de uma recomposição da estrutura craniana e cerebral de Phineas Gage, bem como de seu acidente, Hannah Damásio e sua equipe concluíram que a lesão afetou a área ventromedial de ambos os lobos frontais do cérebro de Gage, regiões cerebrais relacionadas com regulação biológica, processamento emocional, comportamento e cognição social, por exemplo445.

Assim, considerando-se que a capacidade lógica de Gage permaneceu intacta, ao passo que suas decisões a nível social e pessoal, bem como seu processamento emocional se mostraram comprometidos, levantou-se a hipótese de que as emoções possuíam alguma relação com o processo decisório e que essa relação também possui alguma conexão com a região ventromedial frontal do cérebro446.

Em desenvolvimento posterior, António Damásio, que integrou a equipe que estudou o caso de Phineas Gage, descreve duas síndromes similares relacionadas a lesões na região do córtex pré-frontal447.

A primeira síndrome, semelhante ao que ocorreu no caso Phineas Gage, é chamada por António Damásio de síndrome do mau comportamento moral ou síndrome da sociopatia adquirida448. Nela, adultos que, antes da lesão à referida área cerebral, demonstravam entender

e obedecer às regras morais e convenções sociais passam a apresentar comportamentos antissociais, que são invariavelmente acompanhados por distúrbios no comportamento emocional e incapacidade decisória449. Todavia, o neurocientista não identifica, nesta síndrome,

variações no âmbito da percepção, movimento, memória convencional, linguagem e raciocínio em geral450.

443 DAMÁSIO, Hannah et al. The return of Phineas Gage: clues about the brain from the skull of a famous patient. In: Science, vol. 264, 1994, p. 1102.

444 Idem, ibidem, p. 1102. 445 Idem, ibidem, p. 1103 e ss. 446 Idem, ibidem, p. 1104.

447 DAMÁSIO, António. Neuroscience and ethics: Intersections. In: The American Journal of Bioethics, vol. 7, n. 1, 2007, p. 3 e ss.

448 Idem, ibidem, p. 3.

449 DAMÁSIO, António. Neuroscience and ethics: Intersections. In: The American Journal of Bioethics, vol. 7, n. 1, 2007, p. 3.

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Por sua vez, a segunda síndrome descrita por Damásio diz respeito a situações idênticas às da primeira síndrome, ocorridas, porém, com crianças451. Nestes casos, verifica-se as mesmas

características da síndrome da sociopatia adquirida, com a ressalva de que as crianças não chegam sequer a aprender as regras morais e convenções sociais452.

A partir destas duas síndromes, Damásio conclui que, no córtex pré-frontal ventromedial, se interseccionam os sistemas cerebrais responsáveis pelas emoções e pelos processos decisórios geral, social e moral453. Tal conclusão, junto com a do estudo sobre

Phineas Gage, corrobora com a ideia sentimentalista de que há uma relação entre emoções e juízos morais.

d) Outras pesquisas similares focaram na figura do psicopata. Nicola Gray e sua equipe, por exemplo, identificaram que psicopatas homicidas, em comparação a homicidas não diagnosticados com psicopatia, apresentam um nível menor de reação negativa a atos de violência454.

Em sentido aparentemente divergente, Robert J. R. Blair constatou uma tendência, entre psicopatas encarcerados, de não distinção entre violações morais e transgressões sociais455.

Todavia, diferentemente do que se podia imaginar à primeira vista, verificou-se, também, uma tendência de consideração de ambas as regras como normas independentes de autoridade456.

Ou seja, percebeu-se que os psicopatas do estudo viam as transgressões sociais como violações morais – e não o contrário457 –, o que apontaria para um perfil moralmente mais

rigoroso do que o das pessoas comuns.

Tal constatação se mostra desfavorável ao sentimentalismo. Aliás, consistiria numa forte evidência em favor do racionalismo, haja vista que representaria a demonstração empírica do exemplo hipotético do misantropo moral, trazido por Kant458. Afinal, para o filósofo

451 Idem, ibidem, p. 4. 452 Idem, ibidem, p. 4. 453 Idem, ibidem, p. 4.

454 GRAY, Nicola S. et al. Violence viewed by psychopathic murderers: Adapting a revealing test may expose those psychopaths who are most likely to kill. In: Nature, vol. 423, 2003, p. 497.

455 BLAIR, Robert James Richard. A cognitive developmental approach to morality: investigating the psychopath. In: Cognition, vol. 57, 1995, p. 17.

456 Idem, ibidem, p. 17.

457 BLAIR, Robert James Richard. A cognitive developmental approach to morality: investigating the psychopath. In: Cognition, vol. 57, 1995, p. 20.

458 KANT, Immanuel. Groundwork for the Metaphysics of Morals. New Haven: Yale University Press, 2002, p. 14.

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prussiano, seria possível que uma pessoa que não nutra qualquer sentimento em relação aos demais seres humanos fosse capaz de agir moralmente somente pelo senso racional de dever459.

Contudo, Blair, diante dessa percepção, sugere uma interpretação diversa. Para ele, tal fato se deve a uma tentativa de demonstração de comprometimento moral por parte dos sujeitos estudados, como estratégia para demonstrar sua ressocialização através da pena460.

Tal sugestão se mostra corroborada por uma segunda investigação promovida por Blair. Ao comparar crianças que apresentam tendências de psicopatia e crianças sem tal tendência, Blair identificou que o primeiro grupo tinha mais probabilidade de entender violações morais como meras transgressões sociais461.

Noutro plano de análise, diversos estudos apontam para a existência de uma insensibilidade às emoções morais entre os psicopatas. Neste sentido, Blair identificou que crianças com tendências psicopatas se mostraram menos influenciáveis por sentimentos relacionados à culpa462. Resultado similar foi encontrado por outro estudo liderado por Robert

Blair, dessa vez envolvendo psicopatas adultos463.

Na mesma linha, estudos que remontam à década de 1970, como o realizado por Albert Aniskiewicz464, já indicavam a existência de um menor nível de solidariedade nos psicopatas,

o que aponta para uma menor capacidade empática.

Neste contexto, Blair atribui a psicopatia a uma anormalidade no sistema psicológico denominado por ele de mecanismo de inibição de violência465. A presença de tal mecanismo no

agressor possibilitaria a cessação de atos de violência quando ativado por sinais de aflição por parte do agredido466. Assim, uma incapacidade de reconhecimento desses sinais levaria à

ausência de emoções morais, podendo, assim, causar a psicopatia467.

459 Idem, ibidem, p. 14.

460 BLAIR, Robert James Richard. Op. cit., p. 23.

461 Idem. Moral reasoning and the child with psychopathic tendencies. In: Personality and Individual Differences, vol. 22, n. 5, 1997, p. 735.

462 Idem, ibidem, p. 735.

463 BLAIR, Robert James Richard et al. Emotion Attributions in the Psychopath. In: Personality and Individual Differences, vol. 19, n. 4, 1995, p. 435.

464 ANISKIEWICZ, Albert S. Autonomic components of vicarious conditioning and psychopathy. In: Journal of Clinical Psychology, vol. 35, n. 1, 1979, p. 65 e ss.

465 BLAIR, Robert James Richard. A cognitive developmental approach to morality: investigating the psychopath. In: Cognition, vol. 57, 1995, p. 2 e ss.

466 Idem, ibidem, p. 3. 467 Idem, ibidem, p. 10.

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Don Fowles propõe um modelo diferente. De acordo com ele, a psicopatia advém de uma falha num sistema de inibição comportamental, mecanismo mais amplo que o de inibição de violência proposto por Blair468.

O traço comum a ambos modelos descritivos é, como ressalta Jesse Prinz, o fato de se considerar a psicopatia como uma desordem emocional469. Trata-se, portanto, de um indício

relevante no sentido da existência de uma relação entre a psicopatia e a inabilidade emocional. Assim, conjugando os dois planos de análise, quais sejam: i) a associação entre a psicopatia e a incapacidade de distinção entre regras morais e convenções sociais, e; ii) a conexão entre a inabilidade emocional e a psicopatia, é possível visualizar uma correlação entre emoções e regras morais, o que corrobora com a tese sentimentalista.