5 Diskusjon
5.1 Kompetanse
O trabalho precoce compõe parte da estrutura da economia brasileira e apresenta-se como um fenômeno social importante, uma vez que envolve crianças e adolescentes, a maioria pobre, sem oportunidades efetivas de crescimento e desenvolvimento, não raro em áreas com estagnação econômica (Ferreira, 2001).
Embora a literatura aponte uma associação entre relações interpessoais, apoio social e qualidade de vida, são escassas as pesquisas que focalizam o trabalho e suas implicações na vida do trabalhador, especialmente adolescentes (Oliveira, Robazzi, 2001). Quando a inserção laboral representa a transformação da realidade social de exclusão e sofrimento pela perspectiva futura de melhoria do nível de qualidade de vida, podem-se encontrar os aspectos mais positivos do trabalho na vida dos adolescentes e de suas famílias (Sarriera, Silva, Kabbas, Lópes, 2001).
O discurso a favor do trabalho infanto-juvenil destaca a importância do trabalho como uma fonte essencialmente pedagógica voltado não para a produção de bens e serviços, mas para o aprendizado, formação e qualificação profissional do adolescente (Fischer, Oliveira, Nagai, Teixeira, Lomabardi Júnior, Latorre et al., 2005). Algumas questões são apontadas na literatura para se entender o significado dos programas de geração de renda para adolescentes, a saber: serve como meio de ampliação da renda familiar, preenche o tempo livre de forma sadia, melhora as condições de vida da família, melhora o rendimento escolar, favorece a possibilidade de usufruir de bens culturais, é prática de exercício da cidadania (Oliveira, Robazzi, 2001).
Por outro lado, o trabalho na adolescência apresenta particularidades que o coloca como questão complexa, que pode abarcar fatores de risco para o desenvolvimento desses indivíduos. O trabalho precoce expõe o adolescente à disciplina do trabalho, podendo privar o direito à educação, ao convívio familiar, à saúde e ao lazer e, portanto, prejudicar sua formação tanto física quanto intelectual. Além disso, mesmo que haja a obrigatoriedade de supervisão e acompanhamento do trabalho juvenil, é alta a taxa de acidentes no trabalho envolvendo adolescentes (Runyan, Santo, Schulman, Lipscomb, Harris, 2006).
No Brasil, a questão do trabalho infanto-juvenil é complexa, estando associada, embora não restrita, à pobreza, à desigualdade e à exclusão social. A situação do trabalho infanto-juvenil tem assumido proporções dramáticas e preocupantes, levando um grande contingente de menores a situações extremas de trabalho, as quais, além de interferir no seu processo de
crescimento e desenvolvimento, colocam-nos vulneráveis à aquisição de doenças e, até mesmo, de seqüelas que acabam sendo irreversíveis para a sua vida adulta (Fischer, Martins, Oliveira, Teixeira, Latorre, Coopere, 2003).
A necessidade de o adolescente assumir compromissos e colocar-se frente à vida adulta significa uma profunda mudança de seu papel no mundo, levando-o a questionamentos, dúvidas e incertezas. Por outro lado, o trabalho poderá ser estruturante da identidade se puder proporcionar ao adolescente um sentido de vida, facilitando suas escolhas profissionais à medida que possa ser fonte de informações e aprendizagem, além de permitir novos contatos sociais, ampliando a rede de amizades e a social (Sarriera, Silva, Kabbas, Lópes, 2001).
O impacto da intensidade de trabalho nas atividades educacional e social do adolescente parece estar dependente da qualidade e das circunstâncias sobre as quais o trabalho é exercido (Zimmer-Gembeck, Mortimer, 2006).
As necessidades do adolescente não podem ser encaradas de forma isolada, porque estão intrinsecamente relacionadas com o contexto onde ele está inserido. O conjunto dessas relações vai delineando para o indivíduo uma identidade familiar, sexual e laboral, que lhe permite exercer um papel dentro da sociedade (Santana, Itaparica, Amorim, Araujo Filho, Araujo, Oliveira, 2003).
A qualidade do trabalho do adolescente pode ser medida em termos de autonomia e clareza do papel social, a variedade de habilidades e conhecimentos alcançados e o conflito escola-trabalho. Quando esses aspectos foram relacionados à intensidade de trabalho, os resultados mostraram que a uma maior intensidade do trabalho foi preditivo de baixo aproveitamento escolar (Zimmer-Gembeck, Mortimer, 2006).
As mudanças na organização do trabalho no Brasil vêm ocorrendo a passos lentos desde os anos 70, cujos esforços se concentraram em acompanhar e proteger melhor o trabalho na adolescência e tirar as crianças quando em situação de risco (Barker, Raymundo, Asmus, Pepe, 2007). A identificação de
fatores de proteção à família, o envolvimento da comunidade, e a compreensão dos mecanismos através dos quais eles operam, são as bases para quaisquer políticas sociais destinadas aos adolescentes, famílias e comunidades (Guzman, 2007).
As redes familiares podem ser a fonte de informação principal e orientação sobre empregos e planos futuros para a educação (Morrow, 2007). Entretanto essa afirmação deve ser interpretada com cautela, porque a opinião do adolescente é bastante flexível em relação ao futuro.
A possibilidade de ascensão social é, de um lado, manifestada na permanência na escola, por outro, é objetivada em ser alguém na vida. Nem sempre a relação entre trabalho e estudo é verdadeiramente positiva, pois ainda é comum que adolescentes e crianças abandonem a escola para trabalhar (Paredes, Pecora, 2004). Um estudo na área rural mostrou que devido às dificuldades objetivas de acesso à escola, e baixa qualidade do ensino oferecido, o trabalho na lavoura exige a permanência de meninos e meninas fora da escola. Na passagem da infância para adolescência os adolescentes vão trabalhando e sendo submetidos a todo tipo de sedução para que não abandonem a terra e o trabalho (Ferreira, 2001). O período atual fornece uma oportunidade única fortalecer esse tipo de pesquisa que pode informar o desenvolvimento de eficientes políticas e programas sociais para fortalecer o desenvolvimento de competências e integração social da juventude (Guzman, 2007).
Os elementos das representações sociais de perspectivas de futuro parecem se configurar nas seguintes temáticas: estudo, felicidade, saúde, profissão e emprego, que aparecem com as maiores freqüências (Paredes, Pecora, 2004). Ainda assim faz-se urgente assegurar uma qualidade de ambiente profissional e uma fiscalização dos trabalhos impróprios para o adolescente, seja via governamental seja através de sindicatos (Ferreira, 2001). Isso requer a criação de parcerias entre as organizações formais e informais que desenvolvem políticas e programas para realmente construir o cenário da
comunidade que oferece oportunidades ideais para desenvolvimento saudável da juventude (Guzman, 2007).
Enfim é importante questionar quais os tipos de projetos ou programas poderiam ser realizados para melhor prepará-los para o mercado, a fim de enfrentarem com mais adequação os dados de realidade. Programas que não sejam meramente adaptativos, mas que os façam refletir sobre as suas condições de vida, de forma a buscarem seus sonhos e, principalmente, continuarem com a esperança de um futuro promissor (Sarriera, Silva, Kabbas, Lópes, 2001).
3 OBJETIVOS
3.1 Geral
Mensurar o capital social e a qualidade de vida entre adolescentes trabalhadores assistidos por uma Entidade Filantrópica de Apoio ao Adolescente.
3.2 Específico
Verificar a possível relação entre o capital social e a qualidade de vida entre os adolescentes trabalhadores;
Associar o trabalho e a qualidade de vida dos adolescentes nos seus domínios global, físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente;
4 MÉTODOS
4.1 Tipo de estudo
O presente estudo foi do tipo transversal analítico cuja população de referência foi constituída por adolescentes trabalhadores assistidos por uma Entidade Filantrópica de Apoio ao Adolescente sediada em Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil.
4.2 Local do estudo
O município onde foi realizado o presente estudo possui uma área de 541,1 km² e uma população de 225.358 habitantes em 2009 com bons indicadores quando comparados a outros municípios mineiros, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,809 e o Produto Interno Bruto (PIB) é R$ 3.040.262 mil (IBGE, 2009).