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3 DEL III En kvalitativ undersøkelse

3.3 Kompetanse, regelverk og praksis

Nas práticas urbanas da década de 1980 até os dias atuais vemos a continuidade da preservação do patrimônio construído, porém paralelamente vemos outras ações em decorrência da mudança de alguns valores.

Os projetos urbanos de intervenção e recuperação de áreas construídas continuam sendo uma forma de promoção do lugar. Contudo agora são pensados e projetados em uma escala maior e com objetivos mais amplos, não se restringindo ao âmbito local, mas estendendo-se ao global, como parte da política do marketing de cidade e do urbanismo-espetáculo.

A gestão compartilhada já praticada nas intervenções de preservação é mantida, porém intensificada, particularmente, entre os setores público e privado, sendo o último, na maior parte das vezes beneficiado em detrimento dos interesses da população local, devido ao grande objetivo de desenvolvimento econômico almejado.

Figura 1.13. Centro Pompidou: novos materiais e nova linguagem - nova base cultural de integração social. Fonte: Disponível em: <http://www.centrepompidou.fr/infor mations/pratique/architecture/archi0 2.html>. Acesso em: jan. 2008.

Essas mudanças de escala dos projetos podem ser explicadas, em grande parte, pela evolução nas comunicações. Os avanços no conhecimento das comunicações associados aos da informática trouxe novos significados para o modo de viver e se relacionar, promovendo “uma transformação na relação das atividades econômicas com o território, tornando-as mais independentes do espaço físico (footloose)”, mas ao mesmo tempo aumentando “sensivelmente a visibilidade do território”. O conceito de cidade mudou com a globalização, que de local de permanência passou a ser local de fluxos (Vargas, 1992 apud Vargas & Castilho, 2006:32).

Com esses novos aspectos, a imagem da cidade tornou-se mais exposta e, portanto, um importante fator para atração de investimentos e desenvolvimento da economia local e regional. Assim, através do planejamento de mercado e de técnicas de marketing urbano, vem-se procurando adotar processos de projeto direcionados a uma valorização positiva da cidade, por meio da construção de convidativos “cartões- postais”.

Neste contexto, os centros urbanos continuam fortemente presentes como objeto potencial para revitalização. Também são alvos dos grandes projetos urbanos contemporâneos, as áreas industriais, áreas portuárias e ferroviárias antigas e abandonadas, e, ainda, novas localizações vislumbradas como potenciais pelo mercado imobiliário. Assim sendo, toda a cidade passa a ser vista como interessante, ou como produto de consumo.

Alguns projetos mostram a promoção da cidade através de arquiteturas exóticas, ousadas, que conformam um ‘urbanismo espetacular’. São exemplos: a Vila Olímpica de Barcelona, Espanha; o Canary Wharf, Londres, Inglaterra; a Potsdamer Platz, Berlim, Alemanha; o Parque das Nações, Expo 98, Lisboa, Portugal; entre outros tantos (Figuras 1.14, 1.15, 1.16, e 1.17).

Na América Latina, um bom exemplo de área revitalizada contemporaneamente (década de 1990) é o Puerto Madero, localizado em Buenos Aires, capital argentina, às margens do Rio Prata. Esta era uma antiga área portuária, decadente, degradada e abandonada, que teve seus antigos galpões de tijolos aparentes reciclados e transformados em lojas, serviços, lofts, apartamentos etc. Do lado do rio oposto aos galpões antigos, vêm sendo construídos grandes edifícios, de múltiplos andares, evidenciando a alta-tecnologia. Atualmente a antiga área estagnada da cidade vem mostrando desenvolvimento e grande valorização imobiliária seguindo padrões internacionais (Figura 1.18).

Figura 1.14. Barcelona Olimpíadas de 1992 – Vila Olímpica. Fonte: Disponível em: <http://www.bvcolecionismo.com/loja/product_info.php?cPath=41&products_id=5992&osCsid=eaf80b417 a96ff520fa497fe6e3aba71>; <http://www.barcelona- appartementen.nl/barcelona/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=17>;

<http://www.territorioscuola.com/wiki/es.wikipedia.php?title=Imagen:Barcelona_Vila_Olimpica.jpg>. Acesso em: jan. 2008.

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Figura 1.16. Potsdamer Platz, centro de Berlim, Alemanha. 1. anos de 1900; 2. 1945 (pós-guerra); e, 3. atualmente. Fonte: Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Potsdamer_Platz>.

Acesso em: fev. 2008.

Figura 1.15. Canary Wharf, Londres, Inglaterra. Fonte: Disponível em: <http://www.skyscrapercity.com/showthread.p hp?t=306803>. Acesso em: jan. 2008.

No Brasil, uma antiga área portuária da cidade de Fortaleza, Ceará, tal qual o Puerto Madero, encontrava-se degradada, apesar de todo seu valor histórico devido à presença de antigos casarões no início do século XX. Para trazer vida para a área foi construído o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em 1999. O CDMAC é uma infra-estrutura destinada ao lazer e à arte, que teve como objetivos o incentivo à cultura e o desenvolvimento econômico pela geração de novos empregos e pelo turismo. Contrastando com o conjunto histórico de seu entorno, possui linhas arquitetônicas arrojadas que dinamizaram e renovaram a paisagem urbana da área, que valorizada atraiu uma série de bares, restaurantes, lojas de artesanato e teatros (Figura 1.19).

Figura 1.17. Parque das Nações, Expo 98, Lisboa. Fonte: Disponível em: <http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=306803>. Acesso em: jan. 2008.

Figura 1.19. Vistas do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, Ceará, Brasil. Fonte: Disponível em: <http://www.dragaodoma

r.org.br/index.php?pg=ap resentacao>. Acesso em: fev. 2008.

Figura 1.18. Porto Madero, Buenos Aires, Argentina. 1. Master Plan; 2. Edifícios administrativos; 3. Decks reciclados. Fonte: Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Puerto_Madero>. Acesso em: fev. 2008.

Um exemplo de intervenção brasileira em área não central e sem patrimônio histórico, escolhida pela visão imobiliária, foi a construção da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, em São Paulo na década de 1980. Este projeto buscava a promoção de nova área para desenvolvimento econômico de alcance global (Figura 1.20). A área hoje é um centro econômico promissor, onde se localizam grandes empresas nacionais e multinacionais. No entanto, para sua construção muitas pessoas de baixa renda que ali moravam foram ‘expulsas’ pelo processo de gentrificação.

A gentrificação vem se tornando recorrente na maior parte desses projetos e também ocorreu com a revitalização do centro de Londres (Anson apud Rogers, 2005:112):

Londres, como tantas cidades, tem um núcleo central internacionalmente conhecido, um anel interno e um anel externo (...), é o anel interno que aprisiona os pobres e menos favorecidos. Eles não podem escapar para o anel externo, nem pagar pelos benefícios do núcleo central. É aqui que os pobres vivem, expulsados pela gentrificação, e é aqui que os serviços como hospitais, escolas e transportes foram reduzidos.

Dessa forma uma das conseqüências da grande ênfase na promoção da imagem da cidade tem sido o ofuscamento de fortes conflitos sociais e desigualdades. Tudo por um território-mercadoria a ser consumido por cidadãos de renda elevada, investidores e turistas, através da divulgação de uma diversidade de estilos de vida, de produtos, e do consumo graças aos avanços na propaganda, meios de comunicação, informática, tecnologia em geral (Vargas & Castilho, 2006).

Não se podem negar os avanços promovidos por esses projetos de reinvenção urbana quanto à melhoria de condições ambientais em seus locais de implantação e quanto ao desenvolvimento econômico. Porém fica a crítica quanto à falta de diálogo

Figura 1.20. Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, São Paulo. Fonte:

Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedi

a/commons/2/28/Berriniave.jpg>. Acesso em: fev. 2008.

de alguns projetos com a identidade e escala local, bem como o questionamento sobre o limite da parceria público-privada e o quanto esta parceria tem sido responsável por essas conseqüências negativas na cidade.