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Kompetanse og opplæring i strålevern og strålebruk

A indefinição do termo cibercultura gera dificuldades para sua aplicabilidade no campo literário devido a alguns conceitos serem muito generalistas. Ela requer que entendamos que é uma mudança significativa pela qual nossa realidade cotidiana se integra a um universo virtualizado. As extensões de conteúdos sócio-culturais-históricos migraram, criando novas relações entre o espaço físico e o virtual e entre as relações da dimensão das ações no espaço físico e nas relações e vivência no virtual.

Citemos o conceito de cibercultura de Macek (2005):

A Cibercultura pode ser então vista como um ponto de encontro de trabalhos de ficção com discursos, conceitos e teorias das ciências naturais e sociais, bem como da engenharia – que permeiam, moldam e transformam cada uma. Cibercultura é profundamente auto-reflexiva porque as teorias são partes de suas narrativas (ciberculturais), que por sua vez inspiram as teorias emergentes.19

A cibercultura seria a relação sócio-econômico-cultural-tecnológica do indivíduo e da sociedade humana que tem como fonte a mediação de suas ações intelectuais, sociais, culturais e econômicas pelo mundo virtual das redes digitais e constitui uma extensão virtualizada das entidades e ações do mundo real. Segundo Lemos (2002), tais relações constituem uma “cibersocialidade”:

A cibercultura vai se caracterizar pela formação de uma sociedade estruturada através de uma conectividade telemática generalizada, ampliando o potencial comunicativo, proporcionando a troca de informações sob as mais diversas formas, fomentando agregações sociais. (p. 93).

18 Intentio operis – Segundo Eco, o sentido de um texto surge da dialética entre a intentio lectoris e a intentio operis. Todo texto produz um leitor-modelo e o leitor empírico. O intentio operis é uma estratégia semiótica,

onde pistas lógico-discursivas são deixadas pelo autor por todo texto e que devem ser desvendadas pelo leitor. O intentio operis controla as possibilidades interpretativas do texto.

19

Cyberculture can thus be seen as a meeting point of works of fiction with discourses, concepts and theories of the social and natural sciences as well as engineering – which permeate, shape and transform each other. Cyberculture is deeply self-reflexive because the theories are part of its (cybercultural) narratives and these narratives then inspire emerging theories.

57 O ambiente virtual congrega, em uma mesma dimensão digitalizada, tanto as antigas tecnologias e mídias quanto as novas. Assim, o usuário pode, em um mesmo espaço virtual, se divertir, estudar e trabalhar. É possível assistir tevê ou filmes, ouvir rádio, fazer download de músicas em formato mp3, consultar jornais de notícias on-line, buscar e ler livros digitalizados, acessar páginas de assuntos variados, pesquisar em diferentes sites usando as ferramenta de busca. O usuário pode ainda escrever em um blog, selecionar fotos e estruturá-las em um fotolog, confeccionar vídeos próprios, compor novas músicas, escrever em um processador de textos, e ter instalados programas de edição de imagens e textos, entre tantos outros processos disponíveis no mundo digital.

A cibercultura não destrói a dinâmica preeexistente da elaboração artística com a matéria da escrita, ela congrega em um mesmo espaço o novo e o tradicional, traz a releitura de antigos gêneros e proporciona ao artista a liberdade de expressão com os novos recursos disponíveis, da forma que julgar mais adequada, segundo sua poética. É o sonho de Blanchot: conquistar a liberdade de expressão literária.

Oliveira (2003), ao discorrer sobre cibercultura, afirma que:

A cibercultura [...] mantém a universalidade ao mesmo tempo em que dissolve a totalidade. [...] Longe de desarticular o motivo da “tradição”, a cibercultura inclina-o num ângulo de 45°, para arranjá-lo na ideal sincronia de ciberespaço. A cibercultura encarna a forma horizontal, simultânea, puramente espacial da transmissão. Só liga no tempo como acréscimo. Sua principal operação está em conectar o espaço, construir e estender os rizomas do sentido. [...] Eis o ciberespaço, o pulular de suas comunidades, a ramificação entrelaçada de suas obras, como se toda a memória dos homens se abrisse no instante: um imenso ato de inteligência coletiva síncrona, convergindo para o presente, raio silencioso, divergente, explodindo como uma cabeleira de neurônios. (p. 145).

A universalidade do tempo é um aspecto importante da produção de novas opções de textos narrativos ficcionais o se refletir sobre a mudança de suporte de narrativas ficcionais canônicas do papel para o formato digital. As TICs desenvolveram uma pragmática própria das memórias em rede pela atuação do ciberespaço.

Citando Levy (2009) sobre o termo cibercultura:

O ciberespaço dissolve a pragmática da comunicação que, desde a invenção da escrita, havia conjugado o universal e a totalidade. Ele nos reconduz, de fato, à situação anterior à escrita – mas nunca outra escala e numa outra órbita – na medida em que a interconexão e o dinamismo em tempo real das memórias em rede fazem com que o mesmo contexto, o imenso hipertexto vivo, seja compartilhado pelos integrantes da comunicação.

58 Isso não quer dizer que toda liberdade de expressão gerará produtos textuais com qualidade, mas também é assim no uso de recursos e ferramentas tradicionais. A qualidade dos trabalhos dependerá do estilo do artista e de seu domínio técnico-compositivo em conseguir captar o zeitgeist do seu ambiente e momento histórico.

O imaginário do ciberespaço repleto de ciborgues, robôs, andróides, simbiontes, cidades virtuais etc., nada mais é do que a continuidade de velhos mitos literários. Do mundo místico com o mundo real surgiram criaturas como lobisomens, bruxas, vampiros, que não são nada além de híbridos do humano com o mundo que ele não conseguia explicar, seres que solucionam suas dúvidas, preenchendo o espaço de especulação em busca de respostas e recriando realidades possíveis com a força do imaginário.

O ambiente virtual que aparentemente, num primeiro momento, constituiria espaço de atuação de jovens vai consistir – e já consiste – no espaço de atuação de adultos e profissionais de amanhã. A tecnologia já faz parte do universo empresarial e comercial. Todo um foco econômico e de pesquisa passam pelas redes digitais, sem falar na troca de informações constantes em fóruns e por e-mails.

Para a introdução do cânone e o preparo de um novo tipo de leitor, estudantes e profissionais para era digital precisam defender o acesso à rede e aos recursos tecnológicos para toda sociedade e, portanto, as suas dinâmicas sociais diferenciadas.

Laymert Garcia dos Santos (2003), no livro Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio-técnico da informação digital e genética, evidencia a necessidade de nosso país pesquisar e criar tecnologia em todas as áreas, tanto as TICs – Tecnologias da Informação e do Conhecimento, como as tecnologias sociais, ecológicas, e, porque não, culturais. O fato de o Brasil vivenciar um processo de desenvolvimento implica no movimento em busca da inclusão digital.

A cibercultura trouxe um dinamismo em operações extremamente burocráticas que antes necessitavam de equipes inteiras para executá-las e revisar suas operações. Abriu também uma gama de possibilidades em vários setores do conhecimento e das relações humanas. Não só torna evidente outras formas de narrar ficcionalmente e de se expressar na escrita, mas constitui um universo de revoluções do papel do professor, do aluno, da aula, do processo educativo e de sua relação com o campo da literatura.

A virtualidade e as novas ferramentas proporcionadas pelas TICs trouxeram uma prática estética e cultural diferenciada pela automatização, pela velocidade e pelo dinamismo em experimentos de textos narrativos ficcionais hipertextuais já trabalhados em formato do livro impresso, além da influência e modificações de elementos narratológicos

59 em decorrência do advento digital. Acrescentaram-se possibilidades de composição de linguagens com maior liberdade, utilizando-se hibridamente a linguagem visual, linguagem-jogo, linguagem sonora com a escrita, com facilidade. E mais: as imagens podem ter movimento e som simultâneo.

O focus desta pesquisa é voltado para a literatura e a cibercultura, e o estudo do advento das narrativas hipertextuais fractais. Para isso, é preciso determinar o que é novidade para o mundo da narrativa literária e o que não é, tendo em vista que certas técnicas de hipertextualização, modularidade, interatividade na escolha de variáveis de possibilidade de enredos já existiam e existem na prática da narrativa ficcional fora do mundo digital.

O uso das TICs para prática da narrativa ficcional pode compor a técnica de lexias, links que levam a janelas textuais para elaboração de uma narrativa hipertextualizada. Assim, cria-se um espaço diegético somado a um espaço digital e virtualizado eletronicamente – eis a característica principal, a hibridização de meios, linguagens e técnicas que faz da estrutura de programas como storyspace, no qual foi formulado a história Patchwork Girl, ferramenta interessante para elaboração da escrita digital.

A estrutura hipertextualizada e de mapeamento das escolhas possíveis que conduzem a continuações já existiam em livros como Você escolhe a sua aventura, de uma série de histórias juvenis e livros de aventura-solo de Role Playing Game, além de outros recursos técnicos semelhantes de multiplicação de histórias identificáveis em narrativas não digitais e eletrônicas.

A ação do leitor em procurar a página orientada na estrutura de um livro do tipo Você escolhe sua aventura foi substituída por links eletrônicos, porque links com elementos textuais já existiam.

Tais elementos conferem mais dinamismo para o trajeto de leitura, a hipertextualidade (multiplicação de narrativas por links de personagens, grupos sociais ou localidades) e o hibridismo da linguagem-jogo (uso de regras estabelecidas para todo grupo de forma a manter a coesão geral da trama-tronco).

As regras provenientes da linguagem-jogo tornaram mais prática a composição de autoria coletiva em uma narrativa-jogo de Role Playing Game.

O leitor não é mais só voyeur mental das ações e circunstâncias vivenciadas pelos seus personagens, mas pode aumentar seu grau de interação já preexistente no texto narrativo, escolhendo entre os vários caminhos disponíveis nos links designados pelo autor; ou pode hibridizar seu papel com o escritor e escrever coletivamente em uma narrativa-

60 jogo de Role Playing Game, conforme pesquisado na dissertação de mestrado sobre o gênero: Narrativa hipertextual híbrida (Meneses, 2004).

Essa mudança nos papéis tradicionais de escritura e leitura não eliminou a escritura e a leitura tradicional. Provavelmente elas irão se intercalar ou conviver paralelamente no mundo das narrativas ficcionais. O que vemos na atualidade são tipos diversos de narrativa ficcional, no quesito estrutura textual. A narrativa ficcional se subdivide em linear e multilinear, ou hipertextualizada cujos conceitos serão abordados a seguir.