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4. Funn og drøfting

4.1 Kompetanse og kompetansemobilisering

Nessa fase da pesquisa, entrevistamos os professores cujas turmas observávamos com o intuito de compreender melhor algumas posturas e atitudes, assim como nos aproximarmos da maneira como os docentes concebem a nova proposta para o Programa de Inclusão Digital e ainda buscarmos perceber as expectativas, anseios e angústias que eles têm em relação ao PID e às mudanças propostas.

Valemo-nos da entrevista para alcançar esses objetivos, porque, de acordo com o que afirma Gil (2008, p. 101), essa metodologia de recolha de dados é,

[...] bastante adequada para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sente ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes. Em consonância com o que propõe o mesmo autor, a entrevista representa,

[...] a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam a investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. (p. 109).

Optamos pelo uso da entrevista semiestruturada, a qual Ludke e André (1986) e Gil (2008) caracterizam como aquela que é feita a partir de relação básica de perguntas, mas que, por não ser rígida, como na entrevista estruturada, permite que o pesquisador faça mudanças que julgue necessárias durante a interação com o participante. Para Ludke e André (1986) essa possibilidade de ouvir o que o outro tem a dizer de maneira menos rígida, favorece a atmosfera da entrevista.

De acordo com Oja (2010), as entrevistas semiestruturadas possibilitam a sistematização de dados sobre as práticas e as representações que os participantes participantes da pesquisa têm por meio de seu discurso. .

Nessa direção, acreditamos que ouvir o que os professores têm a dizer significa uma maneira de valorização desse profissional, o que em muito contribui para a qualidade dos dados coletados.

Em relação ao registro das entrevistas, optamos por gravá-las em áudio, pois de acordo com Gil (2008, p. 119), “O modo mais confiável de reproduzir com precisão as respostas é registrá-las durante a entrevista, mediante anotações ou com o uso do gravador.” O autor complementa essa afirmação dizendo que,

A gravação eletrônica é o melhor modo de preservar o conteúdo da entrevista. Mas é importante considerar que o uso do gravador só poderá ser feito com o consentimento do entrevistado. O uso disfarçado do gravador constitui infração ética injustificável. Se a pessoa, por qualquer razão não autoriza a gravação, cabe então, solicitar autorização para a tomada de anotações. (p.119).

Além de autorização para a gravação das entrevistas, apresentamos sua transcrição aos professores dando-lhes a oportunidade de revisar e, se necessário, fazer possíveis alterações.

Todas as entrevistas foram feitas na mesma semana, entre os dias 23 e 25 de maio de 2011. Logo que os alunos iniciavam a aula do PID, íamos com o professor regular para a sala de aula. Antes do início de cada entrevista esclarecíamos aos professores que, a qualquer momento da pesquisa, e não só durante a entrevista, poderiam desistir de participar sem que isso lhe acarretasse nenhum prejuízo.

Elucidávamos também que a entrevista seria transcrita e a transcrição apresentada ao professor para que ele julgasse se o que foi dito estava de acordo com o que pensava. Além disso, qualquer fala poderia ser alterada ou excluída posteriormente.

Explicávamos ainda que caso não soubesse ou não quisesse responder a alguma das perguntas propostas podia ficar a vontade para dizer que não gostaria ou não sabia responder.

Cabe aqui dizer que, inicialmente, tínhamos o intuito de entrevistar também o professore de informática. Contudo, ele disse que não gostaria de participar da entrevista, mas que não via problemas em responder a um questionário.

É necessário relatar também que um dos professores participantes (P4) da pesquisa, quando teve em mãos a transcrição de sua entrevista pediu para que os dados não fossem utilizados. Igualmente, não respondeu ao questionário entregue aos professores regulares. No entanto, não se opôs a utilização dos dados coletados por meio das observações.

O participante P4 desde o momento em que soube que a entrevista seria gravada se mostrou um pouco relutante em participar, mas quando ressaltamos que poderia desistir da pesquisa posteriormente aceitou participar. Porém, desde esse momento, percebemos que P4 teve certa resistência em responder algumas questões.

Não culpamos o participante por essa postura, que reflete uma cultura que responsabiliza o professor por uma série de situações e muitas vezes a fala dos próprios professores acaba se voltando contra eles (DEMO, 2009).

Essa é uma realidade triste e prejudicial, a qual gera o receio que os professores criaram em serem honestos ao responder um questionário ou participar de uma entrevista, pensando: “onde essa informação pode chegar?”, “Será que dizer isso não me prejudicará?”, acaba por minar a abrangência das investigações. Salientamos que com tal afirmação não temos o intuito de culpar o professor, já tão martirizado pela sociedade, por ter tal postura, o que fazemos aqui é indicar o que vemos como possibilidade para a postura adotada por P4.

O professor de informática (Pi) também preferiu não fazer a entrevista, justificou-se dizendo que é muito tímido e que não tem muita facilidade para falar. Mesmo quando explicamos que seriam perguntas simples, com o objetivo de compreender melhor o trabalho que ele desenvolve no PID, ele insistiu que preferia fazer isso por meio de um questionário escrito. Nós respeitamos o desejo do participante.

Assim como P4, acreditamos que Pi teve receio de verbalizar algumas de suas opiniões por não saber ao certo o alcance de nosso trabalho, mesmo que tenhamos tido bastante cuidado ao explicar com riqueza de detalhes nossas intenções.

Existe uma diferença singular entre P4 e Pi. O primeiro é um professor experiente, atuando há bastante tempo na rede municipal de ensino de São Carlos – SP, enquanto Pi é um professor em inicio de carreira, visto que este é seu primeiro ano de trabalho como professor de informática da rede municipal. No entanto, ambos não se sentiram confortáveis em expor abertamente suas opiniões, em uma entrevista, sobre um Programa ao qual estão diretamente ligados.

Tal fato nos leva a refletir sobre todo contexto do PID, um Programa imposto às escolas municipais pela Secretaria de Ensino, sobre o qual os professores não discutiram ou foram consultados, foram apenas comunicados que ele passaria a existir. As aulas do PID constam no PPP como parte integrante da grade curricular do 5º ano, mas não existiu para isso uma aceitação verdadeira por parte dos professores. Não ocorreu uma inclusão democrática feita através do diálogo da comunidade escolar, mas sim um Programa que veio da SME e que teve que ser aceito pelos professores.

Não queremos aqui insinuar que o PID não é um bom programa, o que almejamos é discutir a postura de parte dos professores diante de Programa e a relação dele com a maneira que algumas decisões são impostas aos docentes.

O que vivenciamos ao longo de nossa pesquisa leva-nos a validar o que propõem Marcelo & Vaillant (2009). Segundo esses estudiosos, o professor se torna um mero consumidor de mudanças propostas pelos órgãos dirigentes,

não se envolvendo com as novas propostas por não se sentir considerado em sua elaboração.

O roteiro que norteou as entrevistas, bem como o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos os participantes constam no final deste trabalho, como apêndices.