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4. Utvikling av kapasitet og kompetanse under Opptrappingsplanen

4.3 Kompetanse og innovasjon

Os valores morais sociais têm a ver com a ética relacional e desportiva e com a procura do bem comum, existindo uma relação de intimidade entre a autoridade e o respeito. Se a autoridade se basear apenas na hierarquia, o respeito é, normalmente, um sentimento unilateral. Como afirma o atleta júnior a dada altura: “Um treinador tem que respeitar os jogadores, ouvi-los e interagir

bem com o grupo. Tem que haver empatia. Só assim os jogadores procuram fazer o que ele diz” (J1). A autoridade, num grupo, depende do valor que o

grupo lhe atribui, isto é, se existe respeito pela figura que representa a autoridade, se existe admiração, diálogo, confiança, afectividade, não há necessidade de impor a autoridade pelo medo (Araújo, 1999). A relação com a autoridade manifestou-se natural no discurso do professor e dos alunos. Relativamente ao indicador Respeito pelo professor/treinador, funcionários, árbitros, adversários e colegas, registamos o seguinte: “Só o estatuto de

treinador já merece ser respeitado” (J1); “É uma forma de fazer respeitar os árbitros” (Prof.); “a educação e o respeito são a “pedra angular”, o resto vem depois. Sem disciplina, sem respeito, sem organização, sem solidariedade, não há vitórias ” (Prof.). A adopção de comportamentos e atitudes do “saber-estar”

e relação com os colegas são perceptíveis pelas manifestações de convívio / brincadeira / distracção, solidariedade, amizade, cooperação, ética, fair-play, saber ganhar / saber perder, como veremos adiante.

Sendo uma manifestação exclusivamente humana, o desporto, na sua vertente lúdica, permite experienciar sentimentos de alegria, prazer e felicidade. A comunicação aberta, a cooperação, a amizade e a confiança, facilitam a convivência, como podemos concluir através das seguintes opiniões:

“Serve também para brincar e conviver com os colegas.” (J1), “…há sempre um bocadinho no fim para brincar e conversar. (J1); “Permite um estilo de vida saudável, conviver, distrair-se” (Ex3).

A solidariedade é a manifestação de humanidade por excelência, é um sentimento telúrico que nos liga aos outros. No contexto desportivo vem, normalmente, associada à amizade, à cooperação e à entreajuda. Relativamente a alunos com diferentes problemas motores que integravam o grupo, as percepções registadas foram as seguintes: “São tratados da mesma

maneira que os outros. Não há diferenças.” (Ex3); “… convivem com outras pessoas e até se esquecem da deficiência.” (J1); “Depende da postura do professor: se o professor acha que lá devem estar, o grupo aceita” (J3); “Eles divertem-se e não há discriminações.” (J4). Mas também se pode registar

relativamente ao adversário, quando se cumprimentam, independentemente do resultado. É uma atitude interior que deve ser incentivada e apoiada na prática pedagógica (Monteiro, 2007).

A amizade é um sentimento plural, que ultrapassa todos os obstáculos e distâncias, parecido com o amor (Monteiro, 2007). Também encontramos indicadores de amizade: “… ganhei novos amigos e também arrastei novos

amigos” (J1); “Tenho aqui amigos, pelo Prof. (…)” (Ex3). A amizade

proporciona felicidade, alegria e, colectivamente, facilita a concretização do objectivo comum (sucesso).

Os excertos “A compreensão de que a união faz a força, é a cooperação

ganhar, claro, mas não traduz todo o trabalho duma equipa” (J1); “Eu achava que o Resende era o maior, mas hoje sei que sem os outros, ele não podia brilhar” (Ex3), exprimem a cooperação, interacção entre o indivíduo e o grupo,

sinergias concentradas em torno dum objectivo comum, isto é, a crença de que o todo supera a soma das partes. A cooperação entre pares nem sempre é pacífica, mas as soluções para os conflitos têm que ser encontradas dentro dos grupos, sem pressões exteriores. A construção de regras em grupo baseia-se na cooperação, no respeito mútuo e na reciprocidade entre jovens e adultos na procura duma formação cívica.

A confiança é um sentimento que resulta de experiências vividas, do conhecimento do outro e que pressupõe amizade e amor. Em termos colectivos, traduz-se pela previsibilidade dos comportamentos e baseia-se na crença da partilha de valores e objectivos comuns (Wikipédia, 2010): “Se for

muito forte e não tiver cabeça nenhuma, não merece a confiança do treinador”

(J1); “É muito importante a concentração e um relacionamento ‘tipo família’. A

convivência diária fortalece a confiança” (J4).

Oferecer aos mais necessitados oportunidades de acesso a um sistema que sirva todos, é um dos valores da educação em geral e da educação desportiva, em particular. A preocupação com a integração/identidade, também é perceptível nas palavras do professor: “Procuro que se integrem (…) Fazem

progressos e é bom para a auto-estima deles. O pior que pode acontecer a um jovem é não ter um grupo” (Prof.).

Finalmente, a Ética Desportiva: o desporto tem uma espécie de ética interna ou moralidade interna, directamente associada aos valores. O fair-play pode servir dois propósitos: - ser uma base de acordo entre partes livres e iguais (fair-play formal); - ser um elemento no código moral de conduta em desportos de competição (fair-play informal). Do ponto de vista formal, nem sempre, um ‘jogo limpo’ significa um bom jogo (excitante, desafiador, divertido, dramático,...). Isto depende da atitude como o jogo é jogado: com intensidade e devoção. A ideia subjacente ao fair-play informal é "faz o teu melhor e trata os adversários com respeito" (McNamee & Parry, 1998). Podemos vê-la explícita através de atitudes de saber ganhar e saber perder e também se reconhece nas seguintes frases dos entrevistados: “Já perdi jogos por 10 e por 15 e tive

que tinham que fazer, tudo direitinho” (Prof.); “só mudo o discurso quando eles não conseguem fazer aquilo que estava combinado” (Prof.); “Ganhar bem: ganhar é importante mas mantendo sempre a atitude correcta e fazer o nosso jogo” (Ex3); “Na vitória é fácil: alegria e cumprimentar o adversário. Na derrota – cabisbaixos, falávamos pouco mas no balneário discutíamos abertamente o que tinha corrido mal.” (Ex3); “Comportamento, ter fair-play e respeito pelos colegas e adversários, ser um bom cidadão” (J2); “… aprendemos a respeitar o adversário. Sempre fui um tipo pacífico, não foi difícil interiorizar isso.” (J2).