4 Resultater og drøftinger
4.2 Kriseledelse og ekspertise
4.2.1 Kompetanse og erfaring
No Rio de Janeiro as autoridades já estavam informadas dos acontecimentos tanto de Natal quanto de Recife. Os quartéis entram de prontidão. Já no domingo, dia 24 de novembro, pela manhã “antes mesmo do dia clarear, a polícia deteve cerca de 150 pessoas, entre as quais Roberto Sisson e a maior parte do antigo diretório da ANL” (LEVINE, 1980, p. 178). Pegos de surpresa quanto ao Levante do 21º BC em Natal, a direção do partido se reúne para decidir o que fazer. Após a avaliação dos acontecimentos de Natal e Recife, a decisão é pelo Levante com início no 3º Regimento de Infantaria, onde havia células do partido e no qual, avaliava-se que era grande a possibilidade de sublevação. Na tarde do dia 26 chega ao 3º Regimento de Infantaria um estafeta a mando do “comitê revolucionário” com uma ordem assinada por Luís Carlos Prestes, endereçada ao tenente Agildo Barata, membro do partido. A ordem era para que o regimento se sublevasse às 2 horas da madrugada do dia 27 de novembro. Até lá o partido se mobilizaria para conseguir apoio popular. Antônio Maciel Bonfim, O “Miranda” secretário- geral do partido, presente a reunião disse que o partido teria condições de desencadear uma greve geral e Prestes usa um argumento decisivo: afirmou contar com o apoio da Marinha (MORAES, 1985, p. 96).
O quartel tinha cerca de 1.700 homens, a maioria dos quais constituída por recrutas recém-incorporados e sem nenhuma instrução militar. Segundo Agildo Barata “a célula do PCB tinha um efetivo de 12 ou 13 homens dos quais dois oficiais, um cabo e o restante soldados. O núcleo aliancista do qual fazia parte a célula comunista não atingia a 30 pessoas” (BARATA, 1978, p. 265). Se esses números forem corretos, o Levante irá contar com uma adesão surpreendente. Na hora combinada, com o capitão Agildo Barata à frente, o regimento se insurge. No entanto, ficam completamente isolados, por não contar com o esperado apoio popular, nem com a adesão de outras
unidades militares e também em função da posição geográfica do quartel, localizado na Praia Vermelha, com apenas uma rua de acesso (sentido Botafogo-Urca). Com as informações sobre o Levante, as forças legalistas, sob o comando do general Eurico Gaspar Dutra, comandante da 1ª Região Militar, ocupam posições estratégicas, não permitindo a saída dos revoltosos e ainda usando aviões para bombardear o quartel. Cercados e inferiorizados numericamente, não tem como resistir e se entregam no início da tarde.
A diferença entre esse Levante, assim como o do 29º BC em Recife para o de Natal, é que este, mesmo fugazmente, consegue não só ocupar o quartel, como dominar a cidade e estender-se pelo interior do estado. Em segundo lugar, foi um Levante dirigido por cabos e sargentos, sem a participação de nenhum oficial (ao contrário do Rio e Recife) e ainda contar com alguma adesão popular.
Um aspecto relevante é quanto à participação da ANL (Aliança Nacional Libertadora). Alguns autores atribuem os Levantes a ANL.40 No entanto, como demonstramos, no caso de Natal, o Levante não teve nada a ver com a ANL, embora o PCB continuasse a usar o seu nome. E creio que pode ser extensivo aos demais estados. Em Pernambuco, com a ilegalidade da ANL, em 11 de julho de 1935, ela desaparecera como entidade política tendo seus núcleos operativos se restringido ao Partido Comunista (LEVINE, 1980, p. 175).
Com sede na Rua do Imperador, no centro da cidade, a ANL foi fundada em Recife, no início de abril de 1935, e, segundo Gregório Bezerra, “onde se registrava um colossal movimento de massas” (BEZERRA, 1979, p. 234). Robert Levine registra que no apogeu, a ANL chegou a ter dois mil membros na capital (LEVINE, 1980, p. 175). Gregório Bezerra recebe a incumbência 40 Entre outros, podemos citar Rodrigues, 1980; Dias, 1983; Del Royo,
de Cristiano Cordeiro, da direção do partido no estado, para organizar núcleos da ANL dentro do quartel. Com a ilegalidade da ANL, “boa parte dos soldados, cabos e sargentos que haviam se filiado à ANL pediram para entrar no partido” e acrescenta que, com a ilegalidade, “o partido designou-me para preparar a luta armada no setor militar” (BEZERRA, 1979, p. 232-36).
Ele também faz referências à preparação de um movi- mento armado “à base do programa da ANL contra o fascismo e a guerra” para o início de agosto de 1935:
no setor militar estava tudo pronto, só aguardávamos a palavra de ordem para desencadear a luta armada [...] às 3 horas da madrugada, recebemos um telegrama do Rio, sus- pendendo o movimento revolucionário e mandando aguardar nova oportunidade [...] pouco depois, em função de rumores quanto à possibilidade de uma desmobilização em massa nos quartéis do Nordeste, a direção nacional do partido baixou um resolução, ordenando que, em caso de desmobilização nos quartéis, se poderia iniciar o movimento revolucionário (BEZERRA, 1979, p. 236).
Agildo Barata faz referências a “um tal comitê revolu- cionário do Nordeste [...] organismo de composição totalmente comunista [...] que usa o nome e o prestígio do movimento aliancista e, ante a proibição dos reengajamentos, determina o início da insurreição”. Faz alusão também a agentes provo- cadores infiltrados (BARATA, 1978, p. 259-260).
No entanto, os Levantes de Recife e Rio de Janeiro foram consequências do de Natal e não em função da desmobilização dos quartéis (que pode ter contribuído para o clima de insatis- fações então existente). Quanto a agentes provocadores, creio que, se estiverem mesmo sido infiltrados, não tiveram qualquer influência no desencadeamento nas Insurreições nas unidades militares de nenhum dos estados. Como afirma Dinarco Reis, militar e militante comunista na época (e preso em consequência de sua participação), “a maior responsabilidade coube, sem dúvidas, ao partido e à sua direção da época” (REIS, 1985, p. 46).