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3. Teorifundament

3.4 Kompetanse

A literatura acerca da desindustrialização reconhece a existência de muitos fatores isolados ou em conjunto que impulsionam este processo. Esses fatores, no entanto, dependem do nível de desenvolvimento dos países.

O diferencial de produtividade apresenta-se, dentre outras, como uma das causas mais influentes da desindustrialização. Aumentos na produtividade podem        

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O conceito de doença holandesa original está relacionado a um fenômeno real ocorrido na Holanda, nos anos 1970, quando a descoberta de grandes fontes de gás natural provocou uma forte realocação dos recursos na economia do país. No médio prazo, no entanto, o boom das vendas externas da commodity levou a uma enorme apreciação real do florim holandês e, por conseguinte, à depressão das exportações industriais do país. (NASSIF, 2008).

ocorrer por diferentes causas, principalmente por economias de escalas estáticas e dinâmicas, aumento do capital por trabalhador (mecanização), melhoria na gestão, introdução de inovações tecnológicas nos bens de capital e nos insumos e o aumento da qualificação da força de trabalho. Logo, os ganhos de produtividade causam desindustrialização pelo lado do emprego, quando se libera trabalhadores para outros agregados econômicos, e pelo lado do produto, ao diminuir custos.

Rowthorn e Ramaswamy (1997) reconhecem que a desindustrialização pode ser causada por fatores internos e externos. Em países desenvolvidos, que passaram por uma desindustrialização positiva ou natural, predominam os fatores internos ligados ao aumento da produtividade, mudanças de preços relativos e deslocamentos da estrutura da demanda entre manufaturas e serviços, enquanto que os fatores externos, manifestados através do comércio internacional, explicam apenas uma pequena parte da desindustrialização. Quanto aos países em desenvolvimento, as principais causas da desindustrialização decorrem da adoção de políticas macroeconômicas restritivas ao crescimento devido às reformas de cunho liberal adotadas ao comércio internacional, à divisão internacional do trabalho e à doença holandesa. (ROWTHORN; RAMASWAMY, 1997).

A terceirização e a especialização também são apontadas na literatura como causas da desindustrialização, em países desenvolvidos. A queda relativa do emprego industrial em economias avançadas, ou seja, desindustrialização positiva pode ser interpretada como uma etapa do desenvolvimento, visto que parte do crescimento do setor de serviços passa a ser considerado um fenômeno estatístico e não econômico. Muitas atividades antes desempenhadas nas empresas industriais passaram a ser realizadas mediante a contratação de prestadores de serviços externos. Desse modo, as atividades terceirizadas da indústria são contabilizadas como serviços, embora continuem fazendo parte da esfera industrial. Portanto, ocorre uma reclassificação de tais atividades, e não encolhimento genuíno do setor manufatureiro. Assim, nesses casos, a parte da desindustrialização verificada é considerada uma ilusão estatística causada por mudança de classificação. (ROWTHORN e COUTTS, 2004).

Palma (2005) identifica quatro fontes de desindustrialização: i) relação de U invertido entre o emprego industrial e a renda per capita, caso em que a desindustrialização é definida como o declínio no emprego industrial quando os países

atingem certo nível de renda per capita; ii) relação inversa entre renda per capita e emprego industrial, que é determinada pelo contínuo declínio, ao longo do tempo, da relação entre emprego industrial e renda per capita para países de renda média e alta em decorrência das mudanças no paradigma tecnológico, da realocação de parte do processo de produção (intensivo em mão de obra) para países em desenvolvimento, e das políticas econômicas implementadas; iii) declínio na renda per capita correspondendo ao ponto de virada da curva de regressão, sugerindo uma queda no tempo da relação de U invertido para países de renda média e alta; e, por fim, iv) doença holandesa, situação em que os países registram uma queda no emprego industrial maior do que a queda que seria esperada em função das três fontes de desindustrialização anteriores.

Alguns estudiosos apontam ainda que a adoção de políticas econômicas de cunho liberal pelos países em desenvolvimento contribuiu para a desaceleração da indústria. Nesta direção, Palma (2005) afirma que a liberalização do comércio é benéfica em países nos quais a indústria atingiu certo nível de maturidade. No entanto, em países que não possuem esse nível de amadurecimento industrial, é provável que a liberalização do comércio elimine parte das indústrias existentes, como ocorreu, segundo o autor, em muitos países em desenvolvimento.

As causas da desindustrialização podem ainda estar vinculadas a fatores que não são inerentes ao desenvolvimento econômico de um país. Nos anos mais recentes, economias emergentes, principalmente os países latino-americanos, têm vivenciado uma perda na participação da indústria em termos das escalas setoriais do emprego e do valor adicionado. As causas desse fenômeno, no entanto, diferem daquelas que caracterizam o processo de desenvolvimento nas economias avançadas. Essas causas podem vir associadas a uma reprimarização da pauta de exportações e às falhas de mercado, como a doença holandesa.

Os sintomas da doença holandesa podem apresentar intensidades diferentes nas economias e a desindustrialização, neste caso, está associada ao retrocesso da indústria, caracterizado pela incapacidade desta de produzir a custos competitivos frente aos concorrentes internacionais. Este fato promove um processo de substituição da produção doméstica por produtos importados, favorecido pela apreciação cambial, que

reduz a rentabilidade das exportações industriais, ao passo em que estimula a penetração de importações de bens com preços competitivos. (BARROS; PEREIRA, 2008).

A abordagem de doença holandesa já vem sendo adotada por autores como Bresser-Pereira (2007) e Palma (2005) que, por sua vez, consideram que o programa de liberalização comercial, financeira e demais condicionantes de cunho liberal contidos no Consenso de Washington e implementados na América Latina, inclusive no Brasil, nos anos 1980 e 1990, eliminou os mecanismos que neutralizavam a doença holandesa.

Assim como as causas, o entendimento sobre as consequências da desindustrialização também é distinto e suas formas podem ser mais ou menos prejudiciais ao país. No entanto, é consenso que a desindustrialização diminui, limita, restringe e inibe o potencial de crescimento econômico e social de uma nação.

Nesse sentido, qualquer que seja o tipo de desindustrialização – positiva, negativa ou prematura - esse processo resulta em uma redução do crescimento econômico de longo prazo, porque a desindustrialização reduz o potencial dos aspectos especiais da manufatura. Assim, a sociedade pós-industrial apresenta taxas de crescimento modestas quando comparadas às sociedades industriais. Ressalte-se que os encadeamentos para frente e para trás, a taxa de incremento de produtividade e os retornos crescentes das atividades de serviços são menores que aquelas encontradas na indústria de transformação. (MORCEIRO, 2012).

A próxima seção fornece uma breve revisão da literatura recente sobre a desindustrialização no Brasil, apresentando os argumentos favoráveis e contrários ao processo.