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Kompetanse hos den enkelte innvandrerkvinne og helsepersonell

6
 Diskusjon

6.2
 Kompetanse hos den enkelte innvandrerkvinne og helsepersonell

1.2.3.1 Comunicação, educação ambiental e participação popular

Segundo Souza e Zanella (2009), por estarem os estudos da percepção de riscos concentrados em responder questões que estão fora da área de alcance dos

métodos convencionais, estes podem fornecer subsídios valiosos ao planejamento e à gestão urbanos. Esses estudos podem revelar importantes aspectos acerca das relações estabelecidas entre as pessoas e os ambientes ameaçados por acidentes, revestindo-se, portanto de forte pragmatismo.

Bley (1990) salienta que no Brasil são despendidos recursos vultosos em projetos urbanísticos sem que haja preocupação com a forma pela qual os moradores e usuários do local serão atingidos e responderão à nova situação. Essa é a situação verificada no Varjão, local de realização da pesquisa, aonde os sucessivos projetos urbanísticos que foram implementados, ou parcialmente implementados, nas últimas duas décadas, não foram precedidos por estudos sobre a percepção da população a cerca dos riscos ambientais existentes.

Os estudos de percepção de riscos podem contribuir de modo efetivo especialmente em três pontos fundamentais: a comunicação de riscos, a educação ambiental e a participação popular. As estratégias de comunicação são parte essencial nas campanhas públicas de combate aos riscos e na execução de Planos Preventivos de Defesa Civil (PPDC). Como a comunicação não é uma ferramenta suficiente por si só, os estudos de percepção dos riscos ambientais podem contribuir para programas de educação ambiental, oferecendo parâmetros para a formulação de estratégias educativas e servindo de instrumento de acompanhamento dos seus resultados (SOUZA; ZANELLA, 2009).

Xavier (1996), após estudar a percepção dos moradores em áreas de risco de escorregamento em Belo Horizonte, realizou uma proposta de educação ambiental para esses locais, cuja proposta foi abrangente, envolvendo toda a comunidade e com a participação de diversas entidades como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Associações comunitárias etc.

Segundo Loureiro (2005), embora a educação ambiental seja um veículo essencial para a melhoria das condições de vida das pessoas, não é capaz de agir isoladamente. Não basta que cada um faça sua parte, pois alguns problemas são mais amplos e não derivam da ação individual. Em decorrência desse fato, deve ser valorizado o papel da participação popular como o terceiro ponto a se beneficiar com os estudos de percepção dos riscos. Essa situação é especialmente importante quando se trata da percepção que os moradores das áreas de risco têm sobre a tomada de decisão e a prevenção de acidentes no bairro, além da sua própria participação nesse projeto.

No caso específico das áreas de risco a vulnerabilidade está fortemente vinculada a um planejamento público ineficaz ou inexistente, às políticas públicas inadequadas (visão fragmentada da cidade, assistencialismo e clientelismo), falta de fiscalização e negligência no processo de expansão urbana e de construção de moradias, pouca abertura à participação popular nos processos decisórios etc. Logo, a redução dos riscos deve passar por um compartilhamento de responsabilidades, em que todos os atores sociais possam estar envolvidos e comprometidos (SOUZA; ZANELLA, 2009).

No presente estudo de caso, foram realizados questionamentos aos respondentes da pesquisa sobre aspectos da comunicação de riscos e educação ambiental que poderão ser utilizados como subsídios para construção de programas e políticas públicas com o envolvimento da comunidade.

1.2.3.2 Percepção e adaptabilidade humana às mudanças climáticas

O estudo da percepção do meio ambiente permite a compreensão de como os seres humanos identificam os perigos e permitem a realização de estudos comparativos sobre a adaptação humana ao perigo. A antropologia ecológica estuda a adaptabilidade humana, enfatizando como as populações humanas respondem a problemas ambientais específicos, pois as respostas encontradas para estresse ou problemas advindos do meio ambiente são variáveis.

Segundo Moran (1994), a adaptabilidade humana pode ocorrer de várias formas. Na ausência de apropriação e difusão de ideias, a população inova e desenvolve novas formas de ajustamento. Caso o novo padrão de ajustamento seja incompatível com práticas anteriores, mas, ainda assim, estabeleça uma solução viável que não ameace a sobrevivência e o bem-estar do indivíduo ou do grupo, alguma forma conciliatória poderá surgir. No caso de haver uma exposição contínua ao estresse uma alteração fisiológica permanente (ajuste de desenvolvimento), poderá proporcionar um ajustamento mais adequado do que as formas reguladoras. Em seu estudo denominado Adaptabilidade Humana: uma introdução a antropologia ecológica, Moran (1994) esclarece o fato dos ajustes reguladores estarem relacionados às formas de ajustamento comportamentais, sociais e culturais, sendo, portanto, mais flexíveis do que os ajustes de desenvolvimento e

aclimação os quais demandam alterações fisiológicas irreversíveis e reversíveis, respectivamente.

Medidas de adaptação às mudanças climáticas e aos riscos ambientais delas decorrentes dependerão de ajustes comportamentais, sociais e culturais. Assim, conhecer a percepção dos indivíduos sobre estes riscos é fundamental para que a tomada de decisão sobre que medidas adotar seja participativa e estas sejam efetivas.

Segundo Veyret (2007), entender a percepção das pessoas sobre os fenômenos ajuda na compreensão dos mecanismos de escolhas e comportamentos sociais, o que subsidia a identificação e implementação de políticas públicas mais adequadas, conforme abaixo:

A álea2 não cria o risco; para fazê-lo, o indivíduo ou o grupo social devem integrar o perigo, perceber o espaço como perigoso ou a situação econômica, geopolítica, como pouco segura. O risco se inscreve, portanto, em um do contexto social, econômico, cultural e apresenta uma grande dose de subjetividade que se traduz em diferentes limites de sua aceitabilidade. Não é possível, portanto, examinar as representações dos riscos sem considerar as práticas de gestão (VEYRET, 2007, p.47)

Conforme Veyret (2007), os limites de aceitabilidade dos riscos são variáveis e estão diretamente relacionados com as ações das pessoas frente a estes, tornando fundamental o conhecimento da percepção da população sobre os riscos previamente à elaboração de políticas públicas para gestão de riscos e adaptação às mudanças climáticas.

Alguns trabalhos já realizados confirmam essa análise, destacamos uma das conclusões do trabalho realizado por Vicusi e Zeckhauser (2006), na qual se busca compreender como os aspectos racionais e comportamentais influenciam na percepção e valoração dos riscos de mudanças climáticas, bem como a disposição dos respondentes em aceitar políticas públicas para combate e adaptação às mudanças climáticas:

2 Acontecimento possível; pode ser um processo natural, tecnológico, social, econômico, e sua

Importantes fenômenos que emergiram sugerem ou mostram as tendências comportamentais de nossos respondentes. Suas estimativas dos riscos de aquecimento global estão positivamente correlacionadas com a avaliação de risco para outros perigos. Esse achado indica que há diferenças sistemáticas específicas entre pessoas na avaliação dos riscos, implicando que vieses nas crenças das pessoas nos riscos em geral são provavelmente refletidos nas suas crenças sobre a mudança do clima (VICUSI e ZECKHAUSER, 2006 p.43).

A Figura 4 sintetiza como os estudos de percepção climática em escalas locais podem contribuir para a compreensão das preocupações e necessidades locais geradas por mudanças climáticas, e ajudar a garantir a participação social nas tomadas de decisão.

Figura 4 – Principais componentes do projeto de um estudo de percepção do clima para análise de impacto.

Fonte: Whyte,1985.

Estudos de percepção realizados em nível local, como o que se pretende realizar nesta pesquisa, podem contribuir para elaboração de políticas públicas participativas voltadas a adaptação às mudanças climáticas e, sobretudo, abrir novos caminhos para pesquisas que integrem o conhecimento científico ao conhecimento popular na busca por soluções aos problemas complexos.