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5 PTSS og depresjon

5.2.2 Komorbiditet og gjennomsnitt i depresjon

194 Contrato de 18 de Maio de 1943 entre António Ferro e Inocencio Guerrero Torres, AN/TT. SNI,

cx:325

195 Informação de serviço de 28 de Outubro de 1958 do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT 807 196 Ofício de 26 de Maio de 1949 do SNI para o Consul Geral de França, AN/TT. SNI, cx:315

35

Era importante a realização de traduções para a Imprensa estrangeira, para fins

de publicidade e programas

197

e desta forma, para este espectáculo, foi necessário

traduzir e enviar o discurso de apresentação do VG narrado por António Ferro em 1940

durante a Exposição do Mundo Português, os argumentos do repertório, os nomes e

fotografias dos coreógrafos, autores e compositores.

198

Verificou-se a presença de 24

artistas bailarinos e 10 técnicos

199

, que se deslocaram em avião, e foi essencial fornecer

os nomes de todos para a obtenção de vistos de trabalho e enviar informações para a

distribuição de quartos simples ou duplos num hotel perto do Teatro dos Champs

Elysées com regime de pensão completa.

200

Na deslocação à cidade de Bruxelas em 1958, onde actuaram na Exposição

Internacional integrada na semana de Portugal, todos os elementos eram portadores de

um passaporte colectivo e de passaportes individuais.

201

Nos espectáculos realizados em Portugal colaboravam com a Orquestra

Sinfónica da Emissora Nacional, Orquestra Filarmónica de Lisboa, Orquestra

Filarmónica do Porto e orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto

202

,

gerindo de antemão a sua disponibilidade para os dias de espectáculos.

203

No

estrangeiro, apresentavam-se regularmente com as orquestras dos teatros onde

actuavam. Em Barcelona (1943) com a orquestra privativa do Gran Teatro del Liceo,

em Paris (1949) com L’Orchestre national de la Radiodiffusion française, em Lausanne

(1957) com

L’Orchestre de Chambre de Lausanne, em Bruxelas (1958) com

197 Ofício de 23 de Agosto de 1957 do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc. NT758. Ver Programa Verde

Gaio, Ballet Portugais. Lisboa: edições SNI, 1949, Biblioteca do MNT

198 Ofício de 21 de Maio de 1949 do SNI para Claude Giraud, organizador da viagem do VG a Paris,

AN/TT. SNI, cx:315

199 No ano de 1949 encontravam-se 30 elementos na Companhia, o que podemos concluir que nem todos

se deslocavam em digressões. Ofício de 26 de Maio de 1949 do SNI para o Consul Geral de França, AN/TT. SNI, cx:315

200 Ofício de 21 de Maio de 1949 do SNI para Claude Giraud, AN/TT. SNI, cx:315

201 Passaporte colectivo para: Mário Edmundo da Encarnação, Hildegard Engelman, Joaquim Esteves,

José Jorge, Silvério Assancadas, António Ferreira, João Gomes, José Azevedo, Fernando Isasca, António Pereira, Leopoldino Dias, Jorge Holbeche Bastos, Eugénia Sousa, Maria José Azevedo, Sara Costa Frois, Maria Helena Mendes, Maria Antonieta Ribeiro, Maria Thália Correa, Isabel Santa Rosa Félix, Ilda Carvalho. Passaporte individual para Francisco Florêncio Graça. Passaporte visado de Moshe Alzaráa para permitir o seu regresso a Portugal. Ofício de 04 de Junho de 1958, do Secretariado para o Chefe do Gabinete de sua Excelência o Ministro do Interior, AN/TT. SNI, cx:170

202 Secretariado Nacional da Informação, Verde Gaio, Grupo de Bailados Portugueses, Lisboa: SNI,

1958.

203 Ofício de 18 e 19 de Março de 1949 do SNI para o Reitor do Liceu de Rodrigues Lobo e Mário

36

L’Orchestre National de Belgique

204

, etc. No entanto, quando isso não sucedia, seguiam

em digressão os elementos da orquestra, além dos bailarinos, o Director Artístico e o

seu adjunto, o maestro director de orquestra, o contra-regra, o decorador, o chefe de

montagens, o chefe maquinista, a encarregada de guarda-roupa, engomadeiras e

costureiras de camarim, carpinteiros, electricistas, e um administrador do SNI.

205

Mas

neste caso, as digressões tinham tendência para não se realizarem, como foi o caso de

um empresário que pretendia levar o VG numa digressão de três meses pelo Brasil, em

1950, mas que desistiu após verificar a despesa que uma orquestra sinfónica de setenta

ou oitenta pessoas podia comportar. No mesmo ano, planeava-se outra digressão pela

África do Sul, Angola e Moçambique, mas desistiu-se perante o facto de não se

conseguir reunir no local o número suficiente de executantes para uma orquestra

sinfónica.

206

Também existia a dificuldade na composição da Orquestra, para os quais

deveria existir um teatro com um fosso para orquestra suficientemente grande.

207

Para estas deslocações internacionais, a empresa deveria propor o número de

espectáculos a realizarem-se, mas normalmente o SNI impunha um número mínimo,

devido às deslocações terem encargos muito pesados. Era enviado um questionário do

SNI para os empresários ou organizadores em questão, perguntando o itinerário, como

eram constituídos os teatros, o palco e a sala, a exploração em referência a cada teatro e

cada cidade, quantos espectáculos poderiam realizar-se, se algumas cidades tinham

orquestras sinfónicas e qual a sua composição. Eram realizadas perguntas sobre

alojamento, despesas de bolso, transportes e outras informações relevantes.

208

Acerca do palco, qual a sua dimensão, qual o urdimento montado, se existia e

qual o número de pessoal técnico de serviço de palco e montagens de espectáculos, se

existiam projectores e efeitos de luz, um chefe-electricista e seus auxiliares, ajudantes

ao serviço do contra-regra em número nunca inferior a seis, salas contíguas ao palco

para instalação do guarda-roupa, salas adjacentes ao palco para serviço de contra-regra e

204 Secretariado Nacional da Informação, Verde Gaio, Grupo de Bailados Portugueses, Lisboa: SNI,

1958.

205 Ofício de 5 Julho 1943 de Subdirector do SNI para Johannes Roth, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT

801

206 Ofício de 27 de Setembro de 1957 do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT758

207 Ofício de 30 de Maio de 1944 do SNI para António Pinto Machado, gestor do Teatro Rivoli, AN/TT.

SNI, cx:325

208 Ofício de 22 de Abril de 1959 entre SNI e a gerência da empresa Turismo de Além-mar em África,

Arquivo documental Verde Gaio no MNT, vol. I, deslocações do Verde Gaio ao Estrangeiro, Europa, América do Norte e África, Biblioteca do MNT

37

adereços, quantidade e dimensão de camarins para os artistas (feminino, masculino),

contratação de costureiras de camarim no mínimo de doze.

Em relação à sala, se tinham e qual a dimensão do fosso de orquestra, se tinham

e qual a quantidade de estantes de orquestra, qual o local de venda de bilhetes, qual a

receita total com o teatro cheio a preços normais, o que eram preços normais em

referência aos diversas localidades e em moeda corrente do país.

209

Acerca dos transportes se existia alojamento para um mínimo de 35 pessoas,

qual o seu preço de hotéis diversos, para quartos duplos, individuais com pequeno-

almoço, meia pensão, pensão completa, qual a média de despesas normais (tabaco, chá,

café, cerveja, táxi, passeios, etc.), quais os meios de transporte a serem utilizados

durante o itinerário da digressão, quais as distâncias e preços por pessoa nestes

transportes em primeira e segunda classe, qual a época mais apropriada para a

realização da tournée, tendo em conta a vida social, o clima, etc.

210

Era ainda solicitado à empresa em questão, pormenores sobre as circunstâncias

das apresentações: a duração da digressão, a melhor época de interesse para viajar, o

número provável de espectáculos, informação sobre os países,cidades ou localidades a

visitar, a sua forma de actuação, ou seja, se era uma exibição exclusiva do VG ou se

estava integrada noutros espectáculos e, nesta hipótese, qual o género e categoria destes,

assim como quaisquer outros elementos complementares para orientação das respectivas

negociaçõe

s.211

Além dos espectáculos exclusivamente da Companhia, participavam

muitas vezes em festas, festivais, galas, homenagens, congressos, etc.

O SNI exigia saber de antemão estes critérios indispensáveis, acerca do

itinerário, o alojamento, os transportes, o interior dos teatros e a sua organização, etc.,

os quais serviam para analisar e avaliar as condições mínimas que o Secretariado

considerava necessárias para a apresentação da Companhia no estrangeiro. Em suma,

toda a organização de uma digressão tinha um carácter pormenorizado. Era necessário

orientar os documentos de todos os elementos, bailarinos, técnicos, orquestra, organizar

todos os elementos necessários de luminotecnia e cenografia e a melhor forma de

transporte de tudo e todos, confirmando sempre antecipadamente se existiam condições

para o fazer.

209 Ibidem 210 Ibidem

211 Ofício de 08 de Julho de 1958, do SNI para a Empresa Internacional Espectáculos Guerrero, em

38

4.2. Espectáculos, digressões nacionais e internacionais

212

1940/1949

Este período compreende a época durante a II Guerra Mundial na Europa e uma

fase de implementações e dinamismo da parte do Estado Novo em Portugal, incluindo a

fundação do VG.

Nas festividades comemorativas da Exposição do Mundo Português em Belém,

tinha sido programado a execução de oito espectáculos da Companhia a serem

realizados no Teatro do Pavilhão de Honra e mais dois no recinto do Centro Regional ao

ar livre e de entrada livre.

213

No entanto, os bailados portugueses Verde Gaio fizeram a

sua primeira apresentação no Teatro da Trindade a 08 de Novembro de 1940

214

, numa

série de 13 espectáculos sucessivos

215

, acabando por prolongar as datas devido ao seu

êxito.

Efectuaram ainda um espectáculo no Porto e outro na cidade de Braga em 1940.

Tínhamos dúvidas em relação a este último espectáculo, devido a alguns documentos do

SNI o mencionarem e outros não

216

mas também devido à tendência das itinerâncias nos

primeiros anos efectuarem espectáculos apenas em Lisboa e no Porto. No entanto

encontrou-se despesas referentes a esta deslocação

217

, além de que o Teatro de Braga,

que desde 1915 tem capacidade para receber grandes produções, refere a presença do

VG neste ano.

218

Em 1941 realizaram alguns espectáculos em Lisboa e no ano seguinte além de

Lisboa, apresentam-se em Espanha, realizando digressões em Barcelona e Madrid em

Maio de 1943 e Sevilha em Abril de 1944. No período correspondente ao pós-guerra,

em 1945, existe a vontade de queda do governo, o que parece interferir com a regular

apresentação da Companhia, realizando apenas dois espectáculos em Lisboa e Porto,

mas essencialmente por coincidir com a saída de Francis Graça. Neste período

estiveram sem apresentações ao público durante algum tempo, atravessando uma fase de

212 Anexo J. Cronologia dos espectáculos e das digressões nacionais e internacionais

213 Carta de 02 de Outubro de 1940, do Director da Exposição do Mundo Português para o Comissário

geral da Exposição, AN/TT.SNI, cx:1903, SNI 8101

214 Anexo K. Programa das Comemorações Portuguesas no Teatro Trindade em 1940 215 Ofício de 28 de Outubro de 1958 do SNI, AN/TT.SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT 807 216 Ofício de 28 de Outubro de 1958 do SNI, AN/TT.SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT 807

217Documentos manuscritos sobre as despesas da viagem a Porto e Braga em 1940: material diverso,

pessoal, transporte, recados, gratificações, deslocações de pessoal, alojamento e refeições in Documento manuscrito de 24, 27 ou 29 de Dezembro de 1940 do SNI, AN/TT. SNI, cx:325

39

reorganização e de mudança. Em 1946, com Guglielmo Morresi na direcção artística,

apostaram numa preparação intensiva para se apresentarem ainda nesse ano, o que veio

a acontecer, entre Março e Maio, em Lisboa e Porto. Iniciam a sua participação nas

temporadas de Ópera italiana no TNSC

219

, nesse ano, conjugado com o regular trabalho

da Companhia.

220

Nos dois anos seguintes mantém-se as apresentações em Lisboa e

Porto.

Quando Guglielmo Morresi cessa as suas funções de direcção artística da

Companhia a 1 de Março de 1948, reassumindo Cramer e Francis essa função

221

,

deparam-se com o VG praticamente sem rendimento, e pouco podiam fazer devido aos

horários de ensaios para a temporada de Ópera acabarem por absorver quase todo o

horário de trabalho.

222

Em 1949 o VG ainda se apresentou no programa do espectáculo de gala em

honra do General Franco

223

e exibiram-se, em Junho do mesmo ano, em Paris, no

Théatre des Champs Elysées.

224

Apesar dos escassos espectáculos e digressões realizadas, foi neste decénio que

o VG teve grande impacto no público como primeira Companhia portuguesa e Ballet do

Estado, com a sua riqueza decorativa, musical e coreográfica. Em território português,

no espectáculo de estreia, expressava-se: O bailado português, graças a António Ferro

e a Francis, os quais o público saudou, numa significativa e prolongada manifestação

de carinhoso entusiasmo, nasceu anteontem no Teatro do Trindade.

225

E também: O esforço meritório do Secretariado, concretizado no Verde Gaio,

começa agora. O primeiro contacto com o público, em Lisboa, foi a sua primeira

vitória….vimos…o que até hoje ainda não vimos num teatro Português com artistas

Portugueses- um espectáculo novo, original, inédito.

226

219 Das Óperas destacam-se Força do Destino, Falstaff, Rigoletto, Manon, Serrana, Leonor Teles com a

participação do figurinista Paulo Ferreira in Ofício de 15 de Abril de 1946 do Comissário do Governo para o Chefe da 3ª repartição do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT 801

220 Ofício de 21 de Março de 1946, do SNI para o Comissário do Governo junto do TNSC, AN/TT. SNI,

cx:27

221 Ofício de 31 de Março de 1948 do SNI para o Director do TNSC, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc. NT758 222 Ofício de 14 de Abril de 1948, do SNI em Lisboa para o SNI em Paris, AN/TT. SNI, cx:315

223 Ofício de 28 de Outubro de 1958 do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/1ª inc.- NT 807 224 Anexo L. Programa do espectáculo no Théatre des Champs Elysées em Paris em 1949

225 Excerto de jornal s.n. de 10 de Novembro de 1940, Pasta Francis 1ª fase, Recortes de imprensa,

Biblioteca do MNT

226 Excerto do Jornal de Noticias de 17 de Dezembro de 1940, Pasta Francis 1ª fase, Recortes de

40

Assim como em território estrangeiro, com as seguintes reacções de Madrid:

Esperávamos muito. Conhecíamos a solvência intelectual e o gosto depurado dos

nossos irmãos Portugueses…O que vimos ontem à noite, no espectáculo de gala do

Coliseum, elevou o nosso entusiasmo ao máximo. E confessamos, com a mão sobre o

coração que nunca na nossa vida um espectáculo de tal natureza nos comoveu tão

profundamente.

227

O SNI conta da seguinte forma a recepção/reacção em Paris: A primeira

impressão nesta capital do Ballet português Verde Gaio constituiu um grande e

inestimável triunfo que excedeu toda a expectativa...O primeiro bailado a ser

apresentado à curiosidade do público foi o das Imagens da Terra e do Mar que

surpreendeu e deslumbrou imediatamente a assistência com a sua folha de imagens e os

seus trajes. No final, numa prolongada e calorosa ovação fez ir ao palco repetidas

vezes Francis, Ruth e toda a Companhia. O sucesso foi aumentando de bailado para

bailado. Nazaré impressionou profundamente, tendo os aplausos interrompido o final

do bailado. Nos corredores começou então a formar-se a atmosfera de grande êxito

para o Verde Gaio com elogios unanimes à homogeneidade do grupo, ao valor dos

primeiros bailarinos, da música e da coreografia. O espectáculo terminou com a Dança

da Menina Tonta que levou o entusiasmo ao máximo, sendo os artistas e o maestro e

compositor Frederico de Freitas obrigados a ir ao palco cénico mais de seis vezes e

tendo o público permanecido na sala, de pé, a aplaudi-los. Pode confirmar-se

perfeitamente que a noite de estreia no Teatro dos Campos Eliseos constituiu um

grande triunfo para o Secretariado Nacional da Informação, para Francis, Ruth e todo

o corpo de baile, decoradores, Paulo Ferreira representante dos artistas plásticos que

colaboraram no verdadeiro triunfo, também para Frederico de Freitas, não só como

chefe de orquestra mas como compositor...

228

Em dez anos, apresentaram-se 24 vezes em Portugal, entre Lisboa, Porto e uma

vez em Braga. Quatro cidades estrangeiras foram escolhidas para digressões

internacionais, cujas apresentações tinham um carácter oficial e não comercial, tendo

como objectivo intensificar as relações entre os dois países

229

,Espanha e França, com

Portugal. Apesar deste objectivo, o acolhimento e o êxito estrepitoso da parte da

227 Morales de Acevedo, El Alcazar, Madrid in FERRO, António - Bailados portugueses Verde Gaio

(1940-1950). Lisboa: Edições SNI, Política do Espirito, 1950, p.70

228 Ofício de 10 de Junho de 1949 do SNI para a secção de Imprensa, AN/TT. SNI, cx:315 229 Ofício de 26 de Maio de 1949 do SNI para o Consul Geral de França, AN/TT. SNI, cx:315

41

imprensa e do público nacional e internacional foi inesperado e muito bem acolhido. A

sua participação em alguns espectáculos de Gala, também tinha o mesmo carácter.

Lisboa, cidade residente do local de ensaios da Companhia no TNSC, era o local onde o

Estado recebia os altos dirigentes internacionais e personalidades importantes

230

,

acabando por ser o teatro onde realizaram mais espectáculos e participaram em galas ao

longo do tempo.

1950/1959

O ano de 1950 ficou marcado pelo início de um período de inércia do VG com a

destituição de Ferro. Considerava-se qual o caminho a seguir, se o original de inspiração

folclórica ou um corpo de baile tendencialmente de dança clássica. Pretende-se optar

pela segunda opção, propondo a admissão de um professor de dança, um coreógrafo e

bailarinos estrangeiros, porque seria difícil consegui-lo com elementos nacionais.

No

entanto, mantêm-se os motivos populares e nacionais como inspiração dos bailados,

sempre com a beneficiação dos argumentistas, músicos, e encenadores de qualidade

existentes no meio artístico e cultural.

231

Neste decénio, destaca-se o ano de 1951, que pela primeira vez, se apresentaram

em cidades portuguesas, além de Lisboa, Porto e Braga. Aveiro e Coimbra foram as

cidades que tiveram condições para receber a Companhia.

Em 1952 não houve digressões, apresentando-se em diversos locais em Lisboa e

no ano seguinte, além da capital, deslocam-se à cidade do Porto e a Guimarães.

O pedido de demissão de um número apreciável de bailarinos no final do ano de

1954 impossibilitaria qualquer apresentação de espectáculos e demoraria bastante tempo

para a admissão e preparação de novos elementos.

232

A razão deste descontentamento

talvez se devesse à sua regular colaboração nos espectáculos de Ópera do TNSC

233

, as

quais de acordo com os bailarinos desprestigiavam o seu trabalho e o da Companhia e

pela insatisfação dos salários.

230 Conde da Jordana em 1943, General Franco em 1949, Arnold Haskell em 1950, Marechal Papagos em

1954, Presidente do Brasil João Café Filho em 1955, Rainha Isabel II e Presidente do Paquistão em 1957.

231 Ofício de 28 de Outubro de 1958 do SNI, AN/TT. SNI, IGAC/ 1ª inc.- NT 807

232 Ofício de 01 de Março de 1955 do SNI, Arquivo documental Verde Gaio no MNT, vol. I, deslocações

do Verde Gaio ao Estrangeiro, Europa, América do Norte e África, Biblioteca do MNT

42

Os anos de 1955, 1956 foram caracterizados por escassos espectáculos em

Lisboa e uma participação nas comemorações do centenário de José Malhoa nas Caldas

da Rainha.

Em 1957 o Secretariado pretendia apresentar o VG noutros locais que não nas

grandes salas da capital. Salvo o Teatro de S. Carlos, o Coliseu dos Recreios, o Tivoli e

o Rivoli do Porto, nenhuma outra casa de espectáculos da Metrópole ou das Províncias

Ultramarinas possue fossos que possam receber os 80 executantes que constituem estas

orquestras.

234

Mas nesse ano acabaram por realizar espectáculos em Lisboa, Porto,

Coimbra, Viana do Castelo e em Lausanne na Suíça.

235

Para os espectáculos nas cidades

do Porto e Coimbra deste ano, foi necessário retirar as primeiras filas das plateias com o

propósito de ampliar o fosso de orquestra, noutras cidades mais pequenas seria ainda

mais difícil arranjar condições. Também existia o inconveniente dos empresários dos

teatros verem diminuída a venda dos melhores lugares da plateia quando isto

acontecia.

236

No final de 1957, a Companhia assiste a outra crise. De acordo com

correspondência entre o SNI, notava-se uma falta de disciplina e interesse da parte dos

membros, o repertório necessitava de ser renovado assim com o aperfeiçoamento da

técnica dos elementos do grupo.

237

No entanto, em 1958 deslocaram-se ao Porto,

Bruxelas, Sintra, Lamego e continuavam a sua colaboração como corpo de baile nos

espectáculos de Ópera do TNSC

238

. Mas subsiste um excessivo número de vagas