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Encontrar a fonte mais apropriada e confiável é um dos processos mais importantes e decisivos no processo de produção de um trabalho jornalístico. É, por isso, que, ao longo dos anos, vários foram os teóricos que se dedicaram ao estudo das fontes de notícias, de modo a categorizá-las, fornecendo assim ao jornalista uma espécie de “guia” na escolha da sua fonte. Porém, a Internet tem vindo a alterar também a tipologia das fontes, como iremos explanar neste ponto do relatório (Leuven, Kruikemeier, Lecheler & Hermans, 2018). As fontes de informação alteraram-se com o aparecimento da Internet, arrecadando várias classificações consoante a sua tipologia. Pinto (2000), citado por Canavilhas & Rodrigues (2012), faz a sua classificação segundo “a natureza, a origem, a duração, o âmbito geográfico, o grau de envolvimento nos factos, a atitude face ao jornalista, a identificação, a estratégia de atuação” (Canavilhas & Rodrigues, 2012, p.272).

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Primeiramente, o jornalismo opta por fontes oficiais, ou seja, por personalidades reconhecidas pela sua função pública (Schmitz, 2011). De entre eles destaca-se o papel do Presidente da República, do Primeiro-Ministro, membros do governo, membros partidários e de associações, ou seja, “mantidas pelo Estado, por empresas e organizações como sindicatos ou associações” (Machado, 2001,p. 5). A preferência advém da credibilidade e do nível de confiabilidade que os jornalistas têm neste tipo de fontes (Schmitz, 2011). No entanto, esta preferência pode incorrer em riscos, visto que muitos dos discursos destas fontes oficiais podem ofuscar interesses, para manter a sua posição social intocável (Ribeiro, 2006). Já por fontes populares considera-se aquelas que não estabelecem vínculos com o caso que está a ser tratado e podem ser testemunhas de casos ou cidadãos comuns (Schmitz, 2011). As fontes de informação especializadas são os peritos, especialistas, intelectuais que, pela sua experiência ou profissão, revelam conhecimento importante na área (Schmitz, 2011). O mesmo autor define ainda as fontes empresariais, que são empresas que revelam informações, mas que, por vezes, revelam interesses nas informações veiculadas aos jornalistas (Schmitz, 2011). Já as institucionais são organizações ou grupos de pessoas que são as fontes. Por fontes documentais, entendem-se as informações que chegam através de comunicados, relatórios, decretos-lei, orçamentos de estado e estudos (Ribeiro, 2006). As fontes anónimas são aquelas em que os jornalistas confiam na sua fonte, ao ponto de se comprometerem com o silêncio quanto à sua origem.

Neste sentido, com a mudança do paradigma da informação, torna-se importante até para distinguir o papel do jornalista face ao papel do cidadão, manter os meios e as fontes tradicionais, tais como:

• Entrevistas; • Documentos;

• Observações pessoais ou investigações; • Projetos especiais e visitas às instalações; •

Press Releases

;

• Telefonemas; • Emails; • Blogues; • Newswires;

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Mas, há outras classificações das fontes, como a sua divisão no que concerne a fontes internas ou externas. As internas dizem respeito a jornalistas, que investigam e observam diretamente, assim como os correspondentes e o arquivo. Por fontes externas, entendem-se as agências de notícias, órgãos de comunicação social ou ainda entidades oficiais, como o Governo e a Assembleia da República. As entidades não oficiais são empresas, coletividades, sindicatos, associações culturais, clubes desportivos, os contactos pessoais e o público, etc (Canavilhas & Rodrigues, 2012, p.272).

As agências criam os textos nos moldes ideais, para que o jornalista publique. Elas, juntamente com as fontes políticas e as organizações são quem determina a agenda do dia dos meios de comunicação (Schmitz, 2011). Mas, recorde-se que Schmitz (2011) define todas as produções de agências de notícias, que colocam ao dispor dos jornalistas conteúdos pré-fabricados, não como fonte, mas antes como a ponte entre os interesses/ opiniões/conhecimentos ou relatos de quem assessoram. Ou seja, é a pessoa autorizada a transmitir a informação ao jornalista e, por isso, é denominado de fonte oficiosa (Schmitz, 2011).

Chama-se de informante “autorizado” ou “não autorizado” (também denominado de “fonte oficiosa”) quem substitui o porta-voz ou a própria fonte quando esta não pode - ou não deseja, ou ainda, desconhece, no caso de “não autorizado” - formalizar a informação ou a sua opinião, pessoalmente. (Schmitz, 2011, p.25)

Há, assim, uma complementaridade entre as duas partes e que resultam numa influência a longo prazo sobre a sociedade, na medida em que criam significados na sociedade, quando as informações são veiculadas (Berkowitz, 2009). Muitas vezes, os assessores veiculam informações com intenções publicitárias inerentes ao conteúdo. Cabe ao jornalista filtrar o que é e o que não é propaganda.

No início do ponto 2.5 foi referido que, com a emancipação da Internet, surgiram novas fontes de informação. Motores de busca, como a Google, Wikipédia, sites são considerados fontes de informação no mundo digital. As redes sociais são também tidas como fontes de informação e há quem já as inclua na sua rotina diária, para procurar notícias (McGregor & Molyneux, 2018). O Twitter, por exemplo, é uma rede já entendida como uma fonte de informação e como parte da rotina de produção jornalística em vários jornais dos Estados Unidos da América (McGregor & Molyneux, 2018). A rápida ascensão do Twitter como uma fonte de informação, a par de outras redes sociais, que tem vindo a mudar as rotinas de produção, é resultado da familiarização dos

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jornalistas com os médias sociais, que fazem com que os repórteres não tenham que sair da redação à procura da informação, o que vem complementar as formas tradicionais de recolha de informação (Broersma & Graham, 2013).

Com o aparecimento destas fontes de informação, surgiu a necessidade de fornecer técnicas aos jornalistas para verificarem a informação, assim como para coletarem os dados para as suas notícias. Se, por um lado, essas fontes online são rápidas de recolher, são mais difíceis de verificar. “Hoje, o público noticioso é mais crítico do que nunca foi nos média convencional, e os jornalistas devem estar cientes de seu dever de fornecer notícias confiáveis e verificar as informações” (Leuven, Kruikemeier, Lecheler & Hermans, 2018, p.799). Há vários autores, como se tem vindo a constatar até então, que verificam a crescente participação do cidadão na proliferação da informação (embora nem sempre no jornalismo, como já comprovado anteriormente) e as redes sociais ajudam nesse sentido. Mas, há duas distinções no que concerne à participação do cidadão nas redações do meio online, sendo elas o jornalismo participativo, como

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, e jornalismo participativo, como fonte (Canavilhas & Rodrigues, 2012). No primeiro caso, há uma moderação da participação por parte do profissional da comunicação que delimita a participação da audiência na rotina. Ou seja, são os jornalistas quem define o processo de construção noticiosa e, por isso, a participação dá-se em

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. Os jornalistas têm ainda dificuldade em deixarem que o cidadão seja o fornecedor da informação, papel que outrora era obrigatoriamente feito pelos jornalistas. No entanto, o cidadão como fonte deve passar sempre pela delimitação da participação por parte do jornalista. Isto porque é a ele que cabe a função de zelar, para que a informação seja verificada em prol da sociedade (Canavilhas & Rodrigues, 2012).

Além disso, a participação do cidadão está ainda limitada pelo acesso a certos locais, que ainda são de autorização exclusiva de profissionais. O direito a acesso a fontes não é dado ao cidadão e, por isso, poderão estar em desvantagem no processo de recolha da informação. As conferências de imprensa são um desses casos (Canavilhas & Rodrigues, 2012, p.272). Tal facto faz com que haja diferenças entre os textos partilhados pelo cidadão repórter e pelo jornalista. Este repórter cidadão elabora aquilo a que se chama de jornalismo cívico, em que o cidadão produz conteúdo como se fosse jornalístico, mas não se trata de um profissional da área (Canavilhas & Rodrigues, 2012, Jerónimo, 2015). Neste, não há variedade de fontes nem a existência do contraditório que está patente nos textos dos profissionais de jornalismo. Não há, assim, existência de confirmação da informação feita pelo cidadão repórter, nem dependência dos temas tratados, limitando-se apenas a publicar a sua versão do acontecimento (Canavilhas & Rodrigues, 2012).

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Nesse sentido, há uma necessidade de não chamar de jornalismo aos conteúdos publicados pelo cidadão repórter, mas podem servir de fonte de informação que contribua para a criação de um conteúdo escrito por um jornalista, cumprindo os critérios necessários para o ser (Canavilhas & Rodrigues, 2012, p.272). Deixa-se de precisar de intermediários entre os utilizadores das redes e os profissionais, pois os usuários passam a ser fontes de informação não menos importantes (Jerónimo, 2015; Machado, 2001). A este tipo de participação denomina-se de ciberjornalismo participativo, pois envolve a participação da audiência, através da utilização dos telemóveis e das redes sociais.

Todavia, a tipologia das fontes interfere com o conteúdo que será partilhado nos meios de comunicação, tendo em conta que cada indivíduo possui diferentes interesses que, consequentemente, vão resultar em relevâncias motivacionais diferentes consoante as suas perspetivas dos mesmos acontecimentos (Silva & Jeronymo, 2017). Ao passo que os média não são passivos da sociedade, funcionando como holofotes móveis e cada notícia adota um determinado enquadramento que “rejeita ou minimiza o material que é discrepante” (Silva & Jeronymo, 2017). É por esse motivo que se torna essencial escolher adequadamente a fonte utilizada.

Segundo Lopes (2016), importa também, para além do tipo de fonte que é usada para sustentar cada conteúdo – visto que o jornalista não constitui, em si mesmo, uma fonte – o número de fontes utilizadas na produção noticiosa. “Esta classificação permite perceber se o jornalista respeita o princípio do contraditório e procura ouvir várias versões/explicações do assunto em causa ou se, pelo contrário, apresenta um relato minimalista daquilo que acontece, ou seja, se relata os factos de forma parcial” (Lopes, 2016, p.184).