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Kommunikasjon i barnets hjem i den palliative fasen

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5 Drøfting

5.3 Kommunikasjon i barnets hjem i den palliative fasen

A televisão, assim como os demais meios de comunicação de massa, tem sido analisada por alguns autores como grande meio de integração da sociedade; já outros atribuem a essa mídia grande parcela de culpa por todos os problemas comunicacionais encontrados no meio social.

Como classificaria Umberto Eco, esses discursos “apocalípticos” e “integrados” vêm marcando as discussões sobre o papel e os efeitos dos meios de comunicação de massa para a sociedade.

Vale salientar que os conceitos de “apocalípticos e integrados” foram conceitos criados por Eco na década de 70 para classificar as discussões sobre a cultura de massa.

Para Eco, “apocalípticos” eram os teóricos que comungavam em um conceito extremo de classificar a cultura de massa como anticultura – principalmente os “teóricos críticos” da Escola de Frankfurt – Theodor Adorno e Max Horkeimer – que, nas décadas de 1930 e 40, viam na produção massificada e padronizada dos bens culturais uma forma de alienação da capacidade de pensar de forma crítica e autônoma. Com inspiração marxista, essa corrente via na comunicação de massa uma forma de difusão das ideias das classes dominantes.

Já os “integrados” eram os “teóricos da mídia”, mais especificamente os canadenses Marshall McLuhan e Harold Innis que, nas décadas de 1950-60, apregoavam que o desenvolvimento da mídia eletrônica gerava um ambiente cultural unificador e interacional, que era interligado em redes globais de comunicação instantânea – o que McLuhan denominava de “aldeia global”. Esses teóricos identificavam na própria formatação do meio de comunicação o poder de influenciar a sociedade.

Esses dois extremos teóricos e suas formas de percepção da comunicação de massa (ou indústria cultural) acabaram por gerar diversas outras correntes de pensamento, tendo como foco de análise os efeitos dos meios de comunicação de massa na sociedade.

O cientista político francês Dominique Wolton confessa adorar televisão e tem essa mídia como principal objeto de seus estudos. Wolton, em uma entrevista para a revista

Época (2006), criticou os intelectuais por suas ressalvas à TV e ao rádio, enquanto endeusavam a internet e reforçou:

"A TV e o rádio são os alicerces da democracia de massas. São eles que asseguram a tolerância ao diferente, reforçam os laços sociais e promovem a identidade de uma nação."

Dominique Wolton (2006) ressaltou ainda:

“A televisão é a única atividade compartilhada por ricos e pobres, pela população urbana e rural, por jovens e velhos. Isso acontece não pela tecnologia, mas pelo fato de que os programas são destinados a todas essas categorias. Essa virtude única se deve ao conteúdo. É um papel social fundamental, desde que todas as categorias sociais se identifiquem com o que vêem na televisão. Assistir à TV é um consumo individual de uma atividade coletiva, e eis outro fator fascinante. É isso que obriga a TV a prestar atenção à diversidade cultural da sociedade e a preservá-la. A TV produz uma cultura mediana acessível, sensibiliza o telespectador para outras culturas e reflete o mundo contemporâneo. TV e rádio também respeitam a hierarquia cultural. Os telespectadores menos educados podem ser instigados a querer conhecer a cultura da elite a partir do que viram na TV. Podem comprar um livro depois de assistirem a uma minissérie ou visitar um museu para ver um quadro que aparece num filme.” (WOLTON, 2006)

Outra corrente de teóricos segue apregoando uma espécie de “demonização” da televisão (ou outro meio de comunicação de massa), onde a ideia central é de que a TV age como instrumento de manipulação da população, conforme aponta Althusser (s.d.p.43).

“... o papel dos meios de comunicação de massa, como um dos aparelhos ideológicos do Estado (meios pelos quais o Estado se utiliza para garantir a reprodução das relações de produção através da ideologia, em oposição à repressão), consiste em saturar todos os cidadãos com doses diárias de nacionalismo, chauvinismo, liberalismo, moralismo etc., através da imprensa, rádio e da televisão."

Há ainda os teóricos que apontam o “esvaziamento” que a TV promove na sociedade e nos cidadãos, como indica Bourdieu (1997, p. 28) ao descrever a programação da TV como “uma despolitização acirrada do mundo”, com “exacerbação dos assuntos que não querem dizer nada”, dando destaques a temas sem importância, porém que “possam agradar ao maior número possível de espectadores” em meio a uma corrida constante pelos “índices de audiência”.

Já outras correntes de teóricos vêem a TV como instrumento de homogeneização e destruição da cultura local ou das individualidades. Edgar Morin alerta para essas características:

“A cultura industrial se desenvolve no plano de mercado mundial. Daí sua formidável tendência ao sincretismo-ecletismo e à homogeneização, seu fluxo imaginário, lúdico, estético, atenta contra as barreiras locais, (...) ela inventa temas imediatamente universais.” (MORIN, 1997, p.44).

Na mesma proporção em que a influência da TV aumentou, também cresceram as críticas sobre ela e, mais precisamente, sobre a programação que oferece. Há um aumento constante de opções de canais e de programas, entretanto, quantidade não significa qualidade. Ao contrário: poucos programas se pautam em informações relevantes e a grande maioria do conteúdo apresentado não contribui em nada para a formação do cidadão.

No entanto, mesmo que a programação da TV não seja a ideal, não se pode negar sua importância e o interesse que esse meio exerce sobre a população.

2.1.2 Programação da TV

Muitos dos primeiros programas exibidos pela televisão não passavam de adaptações de produções para o rádio. No início, os programas eram todos ao vivo e as primeiras emissoras de televisão exibiam programação apenas algumas horas por dia.

Programas musicais, esportivos, jornalísticos e culturais, como teleteatros e adaptações literárias ditavam a tônica das emissoras televisivas. A teledramaturgia também teve seu início com força total, dando continuidade ao sucesso das radionovelas.

Na Europa, em 1930, o primeiro-ministro britânico Ramsay MacDonald, com sua família, acompanhavam pela TV o primeira drama de televisão britânica, The Man With the Flower in His Mouth. Em 1931, o Japão faz transmissão de um jogo de beisebol. O primeiro programa de televisão alemã data de 1935. Em 1936 a TV alemã transmite o

primeiro jogo de futebol ao vivo entre a Alemanha e a Itália, cujo resultado foi um empate de dois a dois.

A BBC de Londres em 10 de maio de 1937, transmite ao vivo a coroação de Jorge VI com três câmeras eletrônicas, para cerca de 50 mil telespectadores. Em 21 de junho do mesmo ano, o campeonato de tênis Wimbledon é televisionado pela BBC pela primeira vez e os esportes passam a fazer parte das transmissões da emissora. Em 19 de abril de 1938 é transmitido o primeiro jogo de futebol entre Inglaterra e Escócia e no dia 23 de abril é televisionado, pela primeira vez, a final da Copa da Inglaterra.

A TV francesa iniciou sua programação regular em 1937, mas a partir de 1935 já fazia diversas transmissões a partir da Torre Eiffel. Na Rússia, a televisão começa a fazer suas transmissões regulares em 1938, mas três anos antes já havia sido inaugurada a primeira emissora de TV.

Em 11 de outubro de 1932 foi realizado o primeiro programa político de televisão, na CBS, na cidade de Nova Iorque. No fim do primeiro semestre de 1934 foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos a Lei das Comunicações, quando também foi criado o órgão regulador da área de telecomunicações dos Estados Unidos – Em 1996 seria aprovada uma nova lei específica de telecomunicações nos EUA.

Em 1939, tiveram início as transmissões regulares nos EUA com a National Broadcasting Company (NBC) que alcançava, a princípio, cerca de 400 aparelhos na cidade de Nova Iorque. Nesse ano também as TVs americanas passaram a exibir jogos de basebol (primeiro jogo entre Princeton e Columbia – em 17 de maio), futebol americano, partidas de boxe, entre outros esportes.

Na Europa predominavam as TVs estatais, mas nos Estados Unidos, proliferavam emissoras comerciais que abocanharam boa parte das verbas publicitárias conquistadas anteriormente pelo rádio. Em 1 de julho de 1941, a TV NBC americana transmite o primeiro comercial da televisão e também dá início à formatação de patrocínios de programas televisivos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi o único país da Europa a manter a televisão no ar. Paris voltou com as transmissões em outubro de 1944, Moscou

em dezembro de 1945 e a BBC, em Londres, em junho de 1946, com a transmissão do desfile da vitória.

No fim da década de 40, além das transmissões de óperas, eventos esportivos, programas jornalísticos, começaram a ser desenvolvidos os primeiros programas específicos para TV e surgiram também os primeiros programas infantis.

Na década de 1950 surgem as primeiras emissoras regulares de TV na América do Sul, incluindo o Brasil. Em 1951, a CBS americana estreia a série cômica I Love Lucy, com Lucille Ball, que faria sucesso por décadas. Em 1953, nos Estados Unidos, é lançada a revista TV Guide, especializada em programação de TV.

A partir dessa década há um fortalecimento das segmentações midiáticas, com programas infantis, programas femininos, masculinos etc., com horários específicos para cada segmento de programação. Surgem também os primeiros programas de premiação para a televisão, bem como os primeiros programas falando sobre a própria TV, gerando um processo de metalinguagem.

A televisão, tanto pública quanto privada, passava a encantar a população, já que trazia eventos externos e muitas vezes distantes para dentro dos lares. As emissoras privadas passaram a competir cada vez mais acirradamente entre si para manter (ou aumentar) a audiência e conquistar anunciantes. A TV crescia em audiência, em número de emissoras, em revistas especializadas e premiações específicas, mas caía em qualidade e novidade, restando a apenas alguns poucos programas a característica de inovação e diferenciação.

Em agosto de 1999, o Instituto Goethe e o Sesc realizaram, em São Paulo, o 1º TVQ – Encontro Latino-Americano sobre TV de Qualidade, com a presença de diversos especialistas brasileiros e mais de 10 especialistas internacionais discutindo a qualidade da programação da TV. Esse evento passou a ser realizado periodicamente, sempre discutindo a qualidade da programação televisiva e propondo novas abordagens, no entanto, poucas mudanças puderam ser notadas na grade televisiva.

No programa Roda Viva de 9 de agosto do mesmo ano (1999), o convidado era nada menos do que um aparelho de TV mudando de canal a toda hora como forma de ilustrar a discussão iniciada nesse primeiro encontro sobre a qualidade na TV, sendo que o

programa de 11 de agosto (dia da televisão e de sua padroeira Santa Clara) contou com uma bancada composta por especialistas que discutiram o mesmo tema abordado no evento. Essa pauta foi a forma de levar ao público os tópicos que foram debatidos nesse encontro, segundo afirmou o diretor de programação da TV Cultura na ocasião, Rogério Brandão, complementando que esse programa seria uma prestação de serviço para a comunidade. Esse pensamento seria o delineador para a proposta de jornalismo público que seria implantada na década seguinte na emissora.

Participaram desse programa Jorge da Cunha Lima, na época presidente da Fundação Padre Anchieta e da Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais); Gabriel Priolli, como crítico do Jornal da Tarde; Pedro Simon, senador do PMDB-RS; José Gregori, secretário dos Direitos Humanos, o jornalista Fernando Barros e Silva da Folha de São Paulo e Evandro Guimarães, vice-presidente de Realizações Institucionais das Organizações Globo.

Em matéria publicada na Gazeta Mercantil, o jornalista Gabriel Priolli comentou o desafio lançado pelo professor da USP e da PUC-SP, Arlindo Machado, no 1º TVQ – Encontro Latino-Americano sobre TV de Qualidade, de comentar sobre a boa televisão, programas de qualidade que sempre existiram, em vez de agir como de costume e apenas falar das más produções da TV. Nessa matéria, Priolli apontou que entre uma coletânea de boas obras da TV brasileira devia ser incluída quase toda a produção, nos anos 70, do Teatro 2 da TV Cultura, além de minisséries produzidas a partir dos anos 80, principalmente as da TV Globo, os casos especiais dirigidos por Ziembinski, além de muitos documentários produzidos por diversas emissoras.

Em texto publicado por Ariano Suassuna na Folha de São Paulo de 19/10/1999 com o título Televisão e Identidade Nacional, foi destacada a opinião de Gabriel Priolli sobre o papel da televisão na busca de uma identidade nacional que não fosse feita por uma uniformidade e sim por uma unidade de contrastes. Priolli ainda completou que essa TV deveria ser “uma televisão nacional forte, cobrindo todo o território, que serve de anteparo aos efeitos perversos da globalização, à imposição universal de padrões culturais norte- americanos que tanto debilita outros países”.

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