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1  Innledning

1.2  Kommunenes rolle i rusarbeidet

Ellis (2003), citando originalmente William James (1890), destaca o que chama de Lei da Contigüidade, certamente o princípio mais básico de processos de associação:

Objetos uma vez vivenciados conjuntamente tendem a tornar-se associados na imaginação, de forma que quando um deles é lembrado os outros provavelmente também o serão, na mesma ordem de seqüência ou coexistência anteriormente vivenciada. (James, 1890, apud Ellis, p.74- 75).39

Uma compreensão mais clara destes processos básicos de associação é a noção de chunking expressa por Newell (1990, apud Ellis 2003):

Um chunk é uma unidade de organização da memória, construído a partir da junção de um conjunto de elementos previamente já formados na memória (os quais, eles próprios, podem ser chunks) que, por sua vez, são fundidos em uma unidade ainda maior. O processo de chunking pressupõe a habilidade de construir tais tipos de estruturas de maneira recursiva, provocando assim uma organização hierárquica da memória. O processo de chunking parece ser uma característica comum à memória humana (p.76).40

Tal princípio, segundo Ellis (2001, 2002a, 2002b, 2003 & 2004), está presente em muitos processos de percepção, aprendizagem, solução de problemas e cognição em geral. Processos de chunking permeiam todos os aspectos da nossa representação mental da linguagem. Usuários fluentes de uma língua conhecem (tacitamente) uma quantidade incalculável de seqüências lingüísticas.

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Ao longo desta tese venho utilizando a expressão ‘processos de chunking’ para descrever o fenômeno denominado simplesmente de chunking na literatura em língua inglesa. Não é de meu conhecimento, até este momento, uma versão deste termo na língua portuguesa. Um dos objetivos desta tese seria também propor um termo equivalente em nossa língua. Os únicos candidatos foram ‘empedaçamento lingüístico’ ou ‘processos de empedaçamento lingüístico’, criados a partir do substantivo ‘pedaço’, mas que, para mim, ainda soam muito estranhos. Diante disto, optei por manter a terminologia inglesa.

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Minha tradução de: Objects once experienced together tend to become associated in the imagination,

so that when any one of them is thought of, the others are likely to be thought of also, in the same order of sequence or coexistence as before.

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Minha tradução de: A chunk is a unit of memory organization, formed by bringing together a set of

already formed elements (which, themselves, may be chunks) in memory and welding them together into a larger unit. Chunking implies the ability to build up such structures recursively, thus leading to a hierarchical organization of memory. Chunking appears to be a ubiquitous feature of human memory

Veremos a seguir um exemplo trivial de processos básicos de chunking observados na linguagem, inspirado em um clássico estudo de Elman (1990), intitulado Finding Structure in Time, descrito também em Elman et al. (1998). Abaixo transcreverei a citação original de William James dada acima em um fluxo contínuo, sem espaços e sem pontuações:

objectsonceexperiencedtogethertendtobecomeassociatedintheimaginationsothatwhenan yoneofthemisthoughtoftheothersarelikelytobethoughtofalsointhesameorderofsequenceor coexistenceasbefore

Vamos supor que estivéssemos querendo aprender a língua inglesa e ouvíssemos a seqüência acima. Se for a primeira exposição à língua, tudo não passará de barulho e seqüência de sons sem nenhuma segmentação (o que acontece quando ouvimos qualquer língua que não conhecemos). O insumo a nossa volta é cheio de regularidades e nosso sistema cognitivo, ao processar o insumo, é perito em detectar tais regularidades e padrões na língua através de um mecanismo indutivo, associativo e probabilístico. À medida que vamos tendo contato com a língua nos mais variados contextos, começamos a segmentá-la (desde níveis bem baixos, por exemplo, no nível do fonema > palavra > frase, etc.) com base na freqüência de ocorrência de certos padrões detectados.

O sistema, então, começa a aprender padrões seqüenciais recorrentes (a partir de cálculos probabilísticos) e começa a inferir seqüências prováveis na língua a qual estamos expostos. Assim, em um nível sublexical, conseguirá prever, ao ouvir no trecho acima transcrito, a seqüência inicial OB, se o que virá será EDIENT, ELISK, ESE, EY, LIGATION, LIGE, LIQUE, LIVION, etc.; ou ainda, se ao ouvir a seqüência maior OBJE, o que virá depois será CT, CTION, CTIONABLE, CTIVE, etc. É assim que nós desenvolvemos nosso conhecimento fonotático. Ou seja, falantes do inglês sabem que em uma palavra que comece com o fonema /t/ a probabilidade que o fonema seguinte seja /h/ ou uma vogal é infinitamente maior do que um /z/ ou outras consoantes, por exemplo. E assim vamos construindo chunks com base em restrições variadas. Somos sensíveis a estas combinações probabilísticas de certas seqüências em uma língua.

Continuando o exemplo para além de formas sublexicais, nosso sistema cognitivo também, aos poucos, vai um nível mais acima e começa a diferenciar palavras, pois nas fronteiras das palavras as probabilidades transicionais são menores, da mesma forma que começa a fazer previsões de co-ocorrência de palavras e co-ocorrência de seqüências inteiras de grupos de palavras (processos maiores de chunking). Assim as formas vão "emergindo" nos vários níveis (fonológico, lexical, morfossintático, etc.). Tudo isto, desde o processo mais baixo, é feito a partir de um cálculo estatístico/probabilístico contínuo. Veja ilustração (Figura 5) reproduzida de Elman et al (1998) para a frase: manyyearsagoaboyandagirllivedbytheseatheyplayedhappily

Figura 5 – Curva de erro numa rede treinada em tarefa de previsão de fonema. O erro é maior

no inicio de uma palavra e diminui à medida que a palavra é processada. In: Elman et al (1998), p.121.

Quanto mais "cresce" a seqüência, quanto mais robusta ela é, maiores serão as restrições impostas ao sistema e, portanto, mais exatas e mais corretas (e mais rápidas) serão as previsões resultantes do processamento estatístico/probabilístico, pois o "contexto", por alargar-se cada vez mais, fornece mais restrições ao sistema em termos de "pistas" durante o processamento, o que torna tal processamento algo mais fácil, rápido ou automático. Visto desta forma, o processamento rápido da linguagem é essencialmente calcado na memória e, portanto, consiste basicamente em um processo formuláico. No

experimento de Elman (1990) citado, por exemplo, processos de chunking seriam responsáveis pelo estabelecimento de dependências estruturais cada vez maiores ao longo da aprendizagem da linguagem (resultando, desta forma, em uma complexificação cada vez maior do sistema lingüístico ao longo de vários níveis ou hierarquias, ou seja, fonológico, morfológico, morfossintático, discursivo etc.).

Processos/mecanismos de chunking parecem permear o desenvolvimento da competência em muitas habilidades cognitivas desde o nível celular, como discutimos anteriormente na discussão sobre memória procedimental no item 1.3.1. Da mesma forma vimos que nossa memória de trabalho (MT) é limitada. No entanto, a capacidade de informação de nossa MT pode ser aumentada por processos de chunking, por meio do qual informações/estruturas que co-ocorrem podem ser “fundidas” para que se tornem, em termos representacionais, uma única unidade ou entidade. Este processo representacional é extremamente útil e indispensável em desempenhos considerados especializados (cf. ELLIS, 2003:76), como jogar xadrez, traduzir/interpretar, falar uma língua, etc. Portanto, tais processos de chunking são uma realidade neurobiológica.

Para concluir nossa discussão, é importante destacar que a defesa da repetição de estruturas lexicais convencionalizadas (ou rotinas) nas teorizações em ASL tornou-se algo considerado tabu após o debacle do behaviorismo. É amplamente conhecido o impacto, em grande parte negativo, provocado pela corrente behaviorista nas teorizações sobre a aquisição de L2. Entretanto, um insight valioso da corrente behaviorista, a saber, a importância crucial atribuída ao insumo lingüístico, foi, segundo Gardner et. al, (1998), descartado pela corrente cognitivista que se estabeleceu a partir das idéias revolucionárias de Chomsky. Todavia, como vimos nas páginas acima, tanto as teorizações sobre a neurobiologia da aprendizagem como os modelos conexionistas para o processamento da informação (e, conseqüentemente, modelos de aquisição e uso da linguagem) têm enfatizado o importante papel desempenhado pelo insumo, e seu constante reforço, na permanente (re)configuração e consolidação das redes de conexões que constituem a nossa memória.

Recapitulando, este trabalho sustenta que o uso e a aquisição da linguagem baseiam-se, principalmente, na utilização da memória, ou seja, um processo pautado basicamente

pela utilização de fórmulas lingüísticas convencionalizadas (i.e., estruturas lexicais dos mais variados tamanhos combinadas de forma a produzir um texto contínuo e coerente). Para entendermos o funcionamento de um sistema lingüístico desta natureza temos que optar por um modelo de representação holístico e dinâmico do tipo conexionista. Nestes modelos, podemos entender a estruturação do nosso sistema lingüístico como resultante da constante repetição e co-ocorrência de estruturas lexicais rotinizadas, provocando a automatização da língua (i.e., a conversão do insumo em intake) a partir de processos cognitivos associativos de estabelecimento de padrões estatísticos (de base estocástica) de ocorrência/freqüência de tais estruturas lexicais. Como vimos, os modelos conexionistas e processos de chunking possuem plausibilidade neurobiológica. E isto reforça o fato de que muito da nossa produção lingüística é calcada, aparentemente, na repetição (ou co-ocorrência) de discursos anteriores, i.e., baseia-se em assuntos triviais e previsíveis, portanto altamente repetitivos e nada originais.