seja superior a eg2, cujo perímetro seja superior a 4eg ou outro critério do mesmo tipo. Assim, por exemplo, se o elemento a representar for de tipo linear a largura mínima representável sem recorrer a simbolização será igual ao erro de grafismo.
Neste âmbito, emergem dois conceitos de grande importância: o de mínima descrição legível e o da já mencionada mínima área legível. Tenedório (1989) define a primeira como a menor área que se pode representar numa carta cuja legibilidade é função da escala de trabalho e a segunda como a área real da mínima descrição legível, podendo ser calculada através do rácio da mínima descrição legível pelo denominador da escala. Colocando a questão quantitativamente, a mínima descrição legível (MDL) corresponde, segundo alguns autores, à área de um quadrado de 6mm de lado quando considerados os mecanismos cognitivos do utilizador. A esta MDL corresponde a chamada mínima área legível (MAL) que é a área real mínima que se pode representar. Assim, se a escala for E 1 n , então:
2
MAL MDL x n (3.6)
Segundo Portugal (1992), a MDL = 6mm x 6mm, ou seja 0,36cm2 no mapa. Já Vink
(1975) postulava uma MDL = 5mm x 5mm = 0,25cm2. As dimensões reais dos menores
objectos (MAL) que, segundo estes autores e de acordo com a escala, se podem representar são as indicadas no Quadro 4.4.
Quadro 4.4 - Mínima área legível (MAL) segundo a escala.
Escalas MAL segundo Portugal (1992) MAL segundo Vink (1975)
1:1000 6m x 6m = 36m2 5m x 5m = 25m2
1:5000 30m x 30m = 900m2 25m x 25m = 625m2
1:10 000 60m x 60m = 3600m2 50m x 50m = 2500m2
1:25 000 150m x 150m = 2,25ha 125m x 125m = 1,56ha
1:50 000 300m x 300m = 9ha 250m x 250m = 6,25ha
Depreende-se, pelos parágrafos anteriores que a densidade e diversidade dos pormenores territoriais, bem como a dimensão da menor parcela a representar, devem estar sempre bem presentes aquando da selecção da escala a utilizar. Deste
104
modo, a escolha da escala é considerada adequada quando a mínima área legível for igual ou superior à área do menor elemento a representar. Se pretendermos, por exemplo, representar cartograficamente as explorações agrícolas existentes em determinada região, e se houver parcelas cujas dimensões sejam da ordem dos 100m x 100m, a escala adequada é a 1:10 000.
A cartografia foi criada à escala de 1:10 000, o que segundo a unidade mínima cartográfica padrão de 5 mm x 5 mm no mapa, corresponde a uma área de 2500m². Neste trabalho pretendeu-se ir um pouco em termos de detalhe cartográfico e por isso optou-se por uma unidade mínima cartográfica de 2 000m².
Quanto ao sistema de classificação, na medida que há todo o interesse em poder fazer análises de transições de uso e ocupação do solo de 2009 para 2013, optou-se por manter o mesmo sistema já em uso.
Esta carta está definida para o sistema de projecção Datum Lisboa Hayford Gauss IGEoE. A cartografia digital foi criada entre Janeiro e Julho de 2013, e a informação utilizada foi, em primeira instância um conjunto de ortofotomapas de 2010, e em segunda instância o historial do Google Earth cujas datas variam entre 2004 e 2012. Por fim foi recolhida informação no campo. Para o tema cartográfico da Localização dos Pontos de Água os procedimentos adoptados foram os mesmos, com a excepção de que se trata de um tema de pontos e apenas contem a informação associada a cada ponto de água, que neste caso corresponde aos planos de água existentes no concelho.
105 4.6 - Metodologia
A primeira fase deste trabalho correspondeu à recolha de informação. Na qual foram recolhidos os dados resultantes do último projecto realizado no concelho, que são os seguintes:
Carta de Ocupação do Solo 2009 (Ocupacao_Solo_VF2)
Fotopontos (Fotopontos_VF2, utilizados para validação)
Pontos de constrangimento (Pt_constrang_RVF_VF2)
Rede viária florestal (RVF_Mafra_VF1)
Pontos de água (Pt_agua_Mafra_VF1)
Como dados auxiliares para a actualização da carta de ocupação foram ainda utilizados:
Ortofotomapas 2010, 1:10 000;
Carta Administrativa Oficial de Portugal versão de 2012 (CAOP 2012);
Cartas Topográficas Militares 1:25 000;
Historial Google Earth (de 2004 ao início de 2012).
Numa segunda fase foi feito o tratamento e estruturação da informação recolhida, tal como a uniformização dos dados. Verificaram-se os sistemas de coordenadas de toda a cartografia para ver se eles estavam em conformidade, assim como a estrutura geométrica dos polígonos. O Sistema de Coordenadas utilizado foi o Hayford Gauss IGEoE Datum Lisboa.
Numa primeira verificação identificaram-se alguns erros ou inconformidades relacionados com a tipologia, entre eles o que mais se destacou estava localizado na freguesia de Igreja Nova, em que existia uma faixa de rede viária que passava num mato (Figura 4.9).
106
Figura 4.9 - Erro. Foi activada a transparência para mostrar o que está por baixo, a área a preto representa a rede viária.
Durante a verificação da estrutura poligonal da cartografia de ocupação do solo encontraram-se alguns erros geométricos, do tipo espaços vazios entre polígonos (gaps) (Figura 4.10a) e de sobreposição (overlaps) (Figura 4.10b), o que poderá induzir em erro no caso da utilização desta cartografia para operações de vizinhança entre polígonos e no cálculo de áreas. Em operações de vizinhança este problema resultará da falta de contiguidade entre polígonos. Enquanto no caso dos cálculos de área as áreas poderão ser contabilizadas duas vezes por causa da sua sobreposição no caso de existirem espaços vazios a área total não será contabilizada.
107
Figura 4.10a - Espaços vazios entre polígonos (gaps).
Figura 4.10b - Sobreposição de Polígonos (overlaps).
Este tipo de erros ocorre devido à falta de snappping durante a produção da carta. A vantagem de utilizar snap durante a produção ou edição de determinado mapa é a de se conseguir juntar mais facilmente os vértices e linhas (limites dos polígonos),
108
evitando este tipo de erros. O snap mediante parâmetros pré-definidos (Figura 4.11) ajusta automaticamente os vértices e as linhas dos polígonos.
Figura 4.11 - Exemplo de estabelecimento de parâmetros para o snapping.
Mal estes erros foram observados foi aplicada uma verificação topológica, para identificar todos os erros do mesmo tipo. A topologia corresponde a um conjunto de regras que determinam os comportamentos e as relações entre os pontos, linhas e polígonos. Nuns SIG é de extrema importância a utilização de uma topologia para garantir a integridade dos dados. Esta é utilizada especialmente para assegurar a qualidade dos dados e permitir a execução de funções de análise espacial, por ex. operações de dissolução, sobreposição ou união.
Para a realização de análises espaciais complexas, é necessário não apenas o desenho do mapa (como na estrutura spaguetti), mas também o conhecimento acerca dos relacionamentos espaciais entre os objectos do mapa. Os modelos de dados que não possuem uma topologia subjacente são chamados spaghetti. No processo de geração de topologia os pontos, linhas e polígonos presentes no mapa, são transformados respectivamente em nós, arcos e polígonos, e armazenados em tabelas que instruem o computador sobre o relacionamento destas entidades gráficas. A topologia é método mais utilizado para codificar os relacionamentos espaciais num SIG.
109