De acordo com o apresentado, seguem as análises das Práticas Operacionais para a Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco, levando em consideração as sete dimensões utilizadas nesta pesquisa, bem como os elos trabalhados. Os quadros a seguir apresentam informações quanto ao grau de intensidade das Práticas, a partir do panorama encontrado em cada elo, gerando graus de intensidade comparativos entre eles, além da influência da tecnologia e do relacionamento com a T-KIBS para o desenvolvimento das referidas Práticas.
Práticas Operacionais Elos da Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco Elo PCP Elo PCG Elo EAP Elo EAG
P Qualidade Fraco Fraco Forte Moderado
P Fluxos de JIT Forte Forte Fraco Fraco
P Orientação para Cliente Moderado Moderado Moderado Moderado
P Relacionamento com Fornecedores / Moderado Forte Moderado
P NPD Integrado Fraco Moderado Moderado Fraco
P Desenvolvimento de Força de Trabalho / Moderado Forte Moderado
P Liderança / / / /
Quadro 37 – Práticas Operacionais da Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco. Fonte: Elaboração própria.
Práticas Operacionais da Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco
Influência da Tecnologia nos elos Agrícolas Processamentos
P Qualidade Fraca Forte
P Fluxos de JIT Forte Forte
P Orientação para Cliente Fraca Fraca
P Relacionamento com Fornecedores Fraca Moderada
P NPD Integrado Forte Forte
P Desenvolvimento da Força de Trabalho / Moderada
P Liderança / /
Quadro 38 – Influência da Tecnologia nas Práticas Operacionais da Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco.
Fonte: Elaboração própria.
Para as Práticas Operacionais, com relação a Qualidade, tem-se que os elos que apresentaram maior grau de intensidade para estas atividades foram os elos Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG). Verificou-se que os elos de processamento industrial apresentam maior foco nesta dimensão que os elos agrícolas. Ao serem verificadas as informações analisadas nos elos, tem-se que, para esta dimensão, os elos Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP) e Produtores de Coco – Grande Porte (PCG) apresentam atividades, mas que foram pouco
afetadas pela tecnologia pesquisada ou pelo relacionamento com a T-KIBS. Por outro lado, ao se verificar as informações analisadas para os elos Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG), para esta dimensão, tem-se que ambos apresentaram bons indicadores de intensidade, além de terem suas atividades bastante influenciadas pela tecnologia pesquisada. Assim, verifica- se que a tecnologia de processos de envase de água de coco verde, de forma ampla, influenciou com forte intensidade para o desenvolvimento das Práticas Operacionais de Qualidade para os elos Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG), porém, com fraca intensidade para os elos Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP) e Produtores de Coco – Grande Porte (PCG).
Com relação às Práticas de Fluxos de JIT, verificou-se que os elos da área agrícola, Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP) e Produtores de Coco – Grande Porte (PCG), apresentaram maior intensidade quanto a atividades para esta dimensão, do que os elos de processamento, Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG). Isto se deve, principalmente, à contribuição que a tecnologia de envase de água de coco proporcionou aos produtores rurais no que diz respeito à redução de desperdícios, uma vez que os cocos que não eram vendidos para o mercado de consumo in natura passaram a ser comercializados para o processamento. Além disso, com o aumento da demanda pela fruta, os produtores ampliaram ações para investimento nos processos produtivos, redução do ciclo produtivo, bem como controle dos custos operacionais. Estas atividades influenciaram os resultados mais intensos para os elos agrícolas do que para os elos de processamento. No entanto, ao se analisar os elos em si, verificou-se que os quatro elos foram fortemente influenciados pela tecnologia de envase de água de coco, apesar dos diferentes graus de intensidade que esta dimensão apresentou para cada elo.
No que diz respeito à dimensão de Orientação para Clientes, verificou-se que todos os elos possuem atuação com grau de intensidade bem próximos, por isso que, na análise comparativa, todo obtiveram o mesmo grau. Isto se deve ao fato de que todos os elos possuem atuação muito próxima em termos de atividades. No entanto, para os elos agrícolas, conforme já abordado, verificou-se que, apesar de algumas atividades em parceria, há dificuldades para o estabelecimento de relações operacionais com os clientes,
sejam eles intermediários comerciais (ou “atravessadores”) ou as indústrias de beneficiamento. Já as empresas do elo Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG), também apresentam atividades para esta dimensão, apesar da dificuldade em estabelecer parcerias operacionais com seus clientes, salvo alguns casos de parcerias entre empresas de pequeno porte e empresas de grande porte, nas relações B2B. Ressalta-se que, conforme abordado nos elos, em ambos os casos, a tecnologia de processos de envase de água de coco verde possui pouca influência para o desenvolvimento desta dimensão.
Para a dimensão de Relacionamento com Fornecedores, verificou-se que o elo Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP) não apresenta grau de intensidade relevante. Isto se deve ao fato de que, por serem propriedades de pequeno porte, seus fornecedores são empresas de materiais agrícolas, com os quais se possui relações somente de âmbito comercial e não operacional, apesar de algumas atividades isoladas. Porém, esta atuação foi um pouco mais expressiva no elo PCG, uma vez que, por possuírem maior volume de compras, conseguem estabelecer algumas parcerias operacionais. Já as empresas de processamento, apresentaram maiores graus de intensidade quanto a esta dimensão, principalmente as do elo Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP). Este elo possui mais ações de parcerias operacionais com seus fornecedores, no sentido de ampliar e melhorar o fornecimento de frutos, apesar de ambos os elos possuírem atividades para esta dimensão. Conforme já apresentado nas análises dos elos, tem-se que a tecnologia de envase de água de coco verde contribuiu pouco para o desenvolvimento desta dimensão no elo Produtores de Coco – Grande Porte (PCG) e contribuiu de forma moderada para os elos Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG).
Com relação à dimensão de NPD Integrado, verificou-se que, para os elos agrícolas esta dimensão apresentou maior intensidade no elo Produtores de Coco – Grande Porte (PCG) do que no elo Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP), apesar de estar presente em ambos. Nas empresas de grande porte foi verificado que existem mais atividades voltadas para a oferta de novos produtos no mesmo espaço agrícola, além do desenvolvimento de ações para processamento intermediário da água de coco verde, bem como da casca. Para os elos de processamento, guardadas as devidas proporções, também foram encontradas, dentre outras, estas mesmas atividades, de processamento intermediário e beneficiamento
da casca. No entanto, as intensidades foram maiores nas pequenas empresas. Conforme apresentado nas análises dos elos, a tecnologia de envase de água de coco verde influenciou fortemente o desenvolvimento de atividades para esta dimensão, apesar das diferentes intensidades.
Quanto à dimensão de Desenvolvimento de Força de Trabalho, verificou-se que foram executadas atividades com bom grau de intensidade, apesar desta dimensão não ter apresentando-se de forma considerável no elo Produtores de Coco – Pequeno Porte (PCP). Isto se deve ao fato de que este elo utiliza, em grande parte das propriedades, a mão de obra familiar, o que não contribui para existência de ações estruturadas para esta Prática. Porém, mesmo estando presentes nos elos, de acordo com as análises anteriores, a tecnologia de envase de água de coco não apresentou influência no desenvolvimento desta dimensão para o elo Produtores de Coco – Grande Porte (PCG), sendo as atividades consequências do estilo de gestão e estratégia empresarial. Já com relação aos elos de processamento, verificou-se que a tecnologia contribuiu de forma moderada para esta dimensão, uma vez que também há fatores relativos ao tipo de gestão. Para a dimensão de Liderança, verificou-se que nenhum dos elos apresentou, no âmbito geral, atividades relevantes, salvo algumas atividades isoladas de poucas empresas, consequentes de iniciativas da gestão das empresas. Com isso, tem-se que a tecnologia de envase de água de coco verde não influenciou o desenvolvimento desta dimensão.
Com isso, verifica-se que a tecnologia de processos de envase de água de coco verde, bem como o relacionamento com a T-KIBS, influenciaram para o desenvolvimento de Práticas Operacionais na Cadeia de Suprimentos de Envase de Água de Coco Verde, principalmente nos elos Produtores de Coco – Grande Porte (PCG), Envasadores de Água de Coco – Pequeno Porte (EAP) e Envasadores de Água de Coco – Grande Porte (EAG). Estas Práticas da Cadeia de Suprimentos podem ser entendidas como reflexo das Práticas adotadas pelos elos, guardadas as devidas proporções. No entanto, conforme verificado, a tecnologia não é a única responsável pelo desenvolvimento de Práticas, uma vez que elas dependem dos recursos (tecnológicos, financeiros, estruturais, humanos, entre outros), mas, também, da forma como são conduzidas pelas empresas, tendo em vista o alcance de estratégias.