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Enquete: Top hits: o que mais fascina na música é a mensagem transmitida, o

poder de despertar emoção ou o fato de ser acessível a todos?

O programa tem inicio apresentando o clip da dupla sertaneja Fernando e Sorocaba com a Madrid. Em seguida são apresentados mais dois clips de musicas que estão fazendo sucesso no momento (entre julho e setembro de 2010, pois estes “sucessos’ musicais no Brasil são meteóricos, isto é passam muito rápido até que aparece outro sucesso) da cantora Ivete Sangalo (Quando a chuva passar) e da dupla sertaneja Zezé de Camargo & Luciano (Prá mudar a minha vida). Enquanto toca o clip são mostradas imagens dos shows desses artistas.

Em seguida são apresentados trechos de músicas “clássicas” do imaginário

popular como “Trem das onze”, “Saudosa maloca”, “Garota de Ipanema”, “Asa

branca”, “A carta”, entre outras. Aparecem estudiosos de música e falando sobre a importância da música na construção da identidade nacional, pois o Brasil é conhecido internacionalmente pela qualidade de sua música e de seus compositores como Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O historiador Claudio Matarazzo fala que:

A música acaba por refletir os valores de uma sociedade e assim como a sociedade se transforma os valores são também transformados, os gêneros musicais hoje tão aclamados, são um reflexo da mudança de valores dos indivíduos. Ele cita o exemplo da música e dos hábitos culturais da década de 1930 quando o homem tratava a mulher como “deusa”, cultuava sua beleza interior, fazia serenata para ela em frente a sua casa e a tratava como uma joia preciosa. Hoje o rapaz vai a uma festa e é escolhido pela mulher para uma breve dança sensual, que mais se parece com um ato sexual. E, no final das contas leva a exatamente isso.

A cena muda para os bailes Funks, com trechos de músicas e coreografias apresentadas nesses bailes. A reportagem segue mostrando que o funk é o ritmo

musical brasileiro que mais adquire adeptos, já que hoje não pode ser mais vinculados a população dos morros e comunidades, ele abrange também as classes médias e altas das grandes cidades. Aparecem imagens de um baile funk em uma boate “famosa” da zona sul Rio de Janeiro por ser reduto de classe média e alta. São mostradas mulheres vestidas com roupa de grife e homens em seus carros importados dançando ao som do funk. A repórter indaga a uma moça por que ela gosta de funk ao que ela responde “gosto porque me dá a ideia de que estou vivendo em outro mundo, outra realidade”, a garota que está próxima diz que “na maioria das vezes não consigo entender o significado da letra, mas curto a batida assim mesmo”.

Saindo do baile funk da boate classe alta a imagem mostra agora um baile funk numa comunidade que não foi identificada, mas que reflete a grande maioria dos casos, onde o tráfico de drogas está presente e muitas vezes é o financiador desses bailes, mostra cenas de violência e promiscuidade sexual. A reportagem deixa claro que esses locais refletem uma sociedade falida em seus valores morais, onde mulheres se submetem a serem tratadas como objeto sexual e rebaixadas a qualidade de “cachorras”, “eguinha pocotó”, “desequilibradas”, etc.

O bispo entra em cena e instiga os telespectadores a participarem do programa e manifestar sua opinião. Ele chama a próxima matéria que fala sobre a agressividade das letras que algumas músicas trazem em relação a mulher e do Projeto de Lei de uma vereadora baiana que pretende proibir o gasto de dinheiro público na contratação de bandas que cantem músicas que denigra a imagem da mulher. Aparece, então uma enquete realizada com pessoas nas ruas sobre este questão. Boa parte das pessoas que opinaram falaram que eram contra esse projeto, que existia coisas mais importantes que o poder público deveria se ocupar:

Emilia – Acho uma bobagem, que não quiser escutar, que não

escute. Ninguém é obrigado a ouvir e muito menos dançar.

Rodrigo – o governo deveria se preocupar com a situação de

pobreza no Brasil e não com as músicas que as pessoas estão escutando.

Jeferson – Eu gosto de ver as mulheres dançado sem nenhum pudor

essas músicas, elas ficam soltinhas, prontas para o “abate”.

Augusto – Acho essas músicas uma pouca vergonha mesmo.

Aparece a imagem do bispo e ele começa a interagir com o primeiro

participante do programa que se chama Andreia e é dona de casa e em seguida conversa

com João Carlos psicopedagogo.

Andreia – Bispo eu acho que a facilidade hoje para se conseguir as

coisas é muito. Na minha época se saia um disco de um cantor eu tinha que esperar a musica ser tocada na radio para gravar em fita cassete. Hoje antes mesmo do disco está nas lojas já tem para pegar na internet, as pessoas passam de um celular a outro. Então fica mais fácil das pessoas adquirirem musicas ruim.

João Carlos – Bispo acho que os indivíduos perderem totalmente sua

referência de valores, pois hoje as mulheres se sujeitam a rebolar em ritmos que denegrem sua imagem e não se importam com isso. Estas se esquecem da luta e sofrimento que muitas tiveram que se submeter para conseguir um lugar na sociedade e no mercado de trabalho, para não serem tratadas não mais como seres inferiores, mas como iguais. E quando essas “cachorras”, “poposudas” e “preparadas” dançam acabam desmoralizando todas as mulheres.

O bispo lê algumas mensagens que foram enviadas via e-mails, o teor dessas

é o seguinte:

Lídia – Eu gosto de música, principalmente se ela for romântica. Elas

me fazem sonhar e pensar em coisas boas.

José Adriano – Temos muita facilidade em conseguir algumas

musicas. Elas estão disponíveis na net é só clicar para baixar. Por favor toque o hino do São Paulo

Claudio – Acho que as pessoas escutam as musicas pelas

mensagens que elas transmitem.

O bispo atende um novo participante, o engenheiro civil Antônio Marcos que argumenta:

Antônio Marcos – Eu acredito que o problema é mais grave. Hoje só

temos acesso ao que a mídia disponibiliza. E a maioria das pessoas só tem acesso a televisão aberta, então elas ficam presas ao que está passando na globo. Se uma musica é tocada na novela, mesmo que seja uma porcaria, ela logo cai no gosto da galera. As pessoas não prestam atenção a letra da música. Eu tenho muito cuidado em selecionar o que minhas filhas ouvem, mas infelizmente quando chegam na rua são bombardeadas por esse lixo que é chamado de

música. Obrigada por fazer um programa democrático em que podem opinar. Gostaria que o senhor tocasse o hino Internacional.

O bispo agradece a participação e convida a todos para se prepararem para o momento da oração. Ele chama os outros pastores para envolta da mesinha de joelhos fazerem suas preces. Começa então a tocar o hino de louvor e aparecem as imagens do clip com a letra do hino (as imagens são sempre as mesmas, pessoas aparentemente angustiadas, desesperadas, chorando, de casais brigando e crianças tristes). A imagem volta para o bispo e os pastores o volume da musica e diminuído a iluminação também recebe uma atenção para ficar mais intimista. O bispo ora por todas as pessoas que escutam músicas que denigrem a imagem da mulher, pedindo que eles adquiram consciência de seus atos. Percebe-se pelo tom que há certa recriminação em relação a esse comportamento desregrado. Este programa teve uma duração de aproximadamente 58 minutos e 27 segundos.

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