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Para a barra lateral a barlamar, ao calcular a diferença dos volumes entre o volume calculado em 1969 (valor considerado valor base) e o volume calculado nos anos 1969, 1973, 1977, 1982, 1986, 1988, 1992, 1995, 2005, 2010, 2012 2014, 2015 e 2016 foi possível obter um gráfico representado na Figura 5.18. O ano 2012 foi excluído uma vez que a extensão espacial do mapa batimétrico referente a este ano é reduzida e os polígonos criados ocupam áreas onde não existem dados.

Figura 5.18 - Gráfico das diferenças dos volumes calculados pelos polígonos barra lateral a barlamar 1 (azul), barra lateral a barlamar frontal 2 (cinzento) e barra lateral a barlamar 3 (laranja) em função dos anos (1969, 1973, 1977, 1982, 1986, 1988, 1992, 1995, 2005, 2010, 2012, 2014, 2015 e 2016). O valor base considerado para os polígonos foi o volume calculado em 1969. A reta verde e tracejada é usada para identificar os anos nos quais foram realizadas intervenções sobre a forma de dragagens, nomeadamente, em 1986 e em 2015.

Os dados acima representados não se encontram normalizados, o que não permite a comparação direta entre a diferença dos volumes calculados pelos diferentes polígonos. Apesar de não ser possível uma comparação direta é possível observar um comportamento semelhante. As variações inferiores a 0.10 m foram consideradas pouco significativas, o que se reflete numa variação de volume de 0.05 Mm3 para o polígono barra lateral a barlamar 1, 0.06 Mm3 para o polígono barra lateral a barlamar 2 e 0.08 Mm3 para o polígono barra lateral a barlamar 3. Além disso, é necessário notar que a razão pela qual os volumes calculados pelo polígono barra lateral a barlamar 1 serem significativamente inferiores aos restantes é, que a área deste polígono é bastante pequena, tendo sido criada para incluir o mapa batimétrico referente a 1977, sendo a sua dimensão nos restantes mapas batimétricos imperfeita para a representação desta estrutura

41 morfológica na sua totalidade, apesar de a sua posição ter sido alterada para se acomodar aos diferentes mapas batimétricos.

Com base no gráfico podemos considerar, em termos gerais, duas tendências distintas. Entre 1969 e 1982, podemos constatar através dos polígonos barra lateral a barlamar 2 e barra lateral a barlamar 3 um aumento do volume da barra lateral, sendo que a diferença do volume calculado neste período do tempo igual a 0.8 Mm3 para ambos polígonos, contudo, verificou-se uma diminuição não significativa no polígono barra lateral a barlamar 1 com uma diferença de volume igual a 0.1 Mm3. Por fim, entre 1982 e 2016, é possível observar uma certa estabilização do crescimento do delta, uma vez que apesar de se ter verificado uma diminuição do volume tanto para o polígono barra lateral a barlamar 1 (-0.3 Mm3), como para o polígono barra lateral a barlamar 2 (-0.4 Mm3) e como para o polígono barra lateral a barlamar 3 (-0.2 Mm3), é considerada pouco significativa pois esta diminuição corresponde a uma taxa igual a -0.008 Mm3/ano, -0.01 Mm3/ano e -0.005 Mm3/ano, respetivamente.

O aumento de volume entre 1969 e 1973 pode ser justificado pela construção dos molhes (1972-1974) que provocaram uma redistribuição da areia anteriormente presente no banco de O’Bril, como já foi referido anteriormente. Podemos constatar também que esta tendência continua até 1982, como se observa através do polígono barra lateral a barlamar 2 (0.3 Mm3) e barra lateral a barlamar 3 (0.2 Mm3), com a exceção do polígono

barra lateral a barlamar 1, onde entre 1973 e 1977 se observa uma diminuição do volume do delta (-0.2 Mm3), encontrando-se esta associada à influência dos molhes e ao reajuste

do sistema.

Entre 1982 e 1986 verifica-se uma diminuição não significativa do volume da barra lateral a barlamar em todos os polígonos desenhados, nomeadamente polígono barra lateral barlamar 1 (-0.3 Mm3), polígono barra lateral a barlamar 2 (-0.2 Mm3) e polígono barra lateral a barlamar 3 (-0.3 m3). Esta diminuição do volume encontra-se associada à redistribuição do antigo banco de O’Bril, após o início da formação da barra lateral a barlamar existe a acreção da areia em direção à praia, resultante do transporte perpendicular à costa (Figura 5.19). Posteriormente, entre 1986 e 1988, verifica-se uma recuperação da estrutura morfológica em causa, observando-se um aumento do volume tanto para o polígono barra lateral a barlamar 1 (0.03 Mm3), como para o polígono barra lateral a barlamar 2 (0.1 Mm3) e como para o polígono barra lateral a barlamar 3 (0.2 Mm3).

42 Figura 5.19 - Representação do mapa batimétrico de 1982 com a representação do polígono barra lateral barlamar 1 (a), do barra lateral barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral barlamar 3 (c) e do mapa batimétrico de 1986 com a representação do polígono barra lateral barlamar 1 (d), do barra lateral barlamar 2 (e) e do polígono barra lateral barlamar 3 (f). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

Entre 1988 e 1992 verifica-se uma diminuição do volume nos polígonos barra lateral a barlamar 2 (-0.1 Mm3) e barra lateral a barlamar 3 (-0.4 Mm3), no entanto, no polígono barra lateral a barlamar 1 é possível observar um aumento do volume (0.07 Mm3). Através dos mapas batimétricos (Figura 5.20) podemos constatar que existe uma diminuição do volume, uma vez que o monte de areia observado em 1988 na zona da barra lateral a barlamar já não é observado no mapa batimétrico referente a 1992, havendo também neste mapa uma maior erosão na faixa junto ao molhe oeste.

43 Figura 5.20 - Representação do mapa batimétrico de 1988 com a representação do polígono barra lateral barlamar 1 (a), do barra lateral barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral barlamar 3 (c) e do mapa batimétrico de 1992 com a representação do polígono barra lateral barlamar 1 (d), do barra lateral barlamar 2 (e) e do polígono barra lateral barlamar 3 (f). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

Entre 1992 e 1995 é possível observar um aumento não significativo do volume nos polígonos barra lateral a barlamar 1 (0.003 Mm3) e barra lateral a barlamar 3 (0.05 Mm3), no entanto, no polígono barra lateral a barlamar 2 verifica-se uma diminuição não

significativa do volume (-0.0009 Mm3) da estrutura morfológica em causa. Através da análise dos mapas batimétricos (Figura 5.21) constata-se que houve um aumento do volume da estrutura morfológica em causa, existindo um aumento da extensão de uma zona de acreção de areia.

44 Figura 5.21 - Representação do mapa batimétrico de 1995 com a representação do polígono barra lateral a barlamar 1 (a), do barra lateral a barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral a barlamar 3 (c). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

Entre 1995 e 2005 observa-se uma diminuição do volume da estrutura morfológica tanto para o polígono barra lateral a barlamar 1 (-0.2 Mm3), como para o polígono barra lateral a barlamar 2 (-0.3 Mm3) e como para o polígono barra lateral a barlamar 3 (-0.5 Mm3). Neste período de tempo, nos mapas batimétricos (Figura 5.22), observa-se uma redução geral do volume desta estrutura assim como uma maior erosão na região justo à parte terminal do molhe oeste.

Figura 5.22 - Representação do mapa batimétrico de 2005 com a representação do polígono barra lateral a barlamar 1 (a), do barra lateral a barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral a barlamar 3 (c). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

Entre 2005 e 2010 verifica-se um aumento do volume nos polígonos barra lateral a barlamar 1 (0.1 Mm3) e barra lateral a barlamar 3 (0.06 Mm3), no entanto, no polígono barra lateral a barlamar 2, é possível observar uma diminuição não significativa do volume (-0.003 Mm3) da estrutura morfológica em causa. Com base nos mapas

45 batimétricos (Figura 5.23) constata-se que existe um aumento do volume da barra lateral a barlamar no intervalo de tempo em causa. Este aumento aparenta estar associado à deriva longilitoral uma vez que se verifica o crescimento de um monte na parte oeste desta estrutura morfológica.

Figura 5.23 - Representação do mapa batimétrico de 2010 com a representação do polígono barra lateral a barlamar 1 (a), do barra lateral a barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral a barlamar 3 (c). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

Posteriormente, entre 2010 e 2014, ocorre uma diminuição do volume da estrutura morfológica tanto para o polígono barra lateral a barlamar 1 (-0.1 Mm3), como para o polígono barra lateral a barlamar 2 e para o polígono barra lateral a barlamar 3 (-0.03 Mm3). Esta diminuição aparenta estar associada à erosão de um monte de areia que se havia formado na parte oeste da barra lateral a barlamar e que é observado no mapa batimétrico referente a 2010 (Figura 5.23).

Entre 2014 e 2015, verifica-se um aumento de volume em todos os polígonos desenhados, sendo que no polígono barra lateral a barlamar 1 a diferença de volume entre estes dois anos é igual a 0.2 Mm3, no polígono barra lateral a barlamar 2 é igual a 0.3

Mm3 e no polígono barra lateral a barlamar 3 é igual a 0.5 Mm3.

Por fim, entre 2015 e 2016 (Figura 5.24) é possível constatar uma diminuição do volume em todos os polígonos, nomeadamente -0.09 Mm3 para o polígono barra lateral a barlamar 1 e -0.1 Mm3 para o polígono barra lateral a barlamar 2 e 3.

46 Figura 5.24 - Representação do mapa batimétrico de 2015 com a representação do polígono barra lateral a barlamar 1 (a), do barra lateral a barlamar 2 (b) e do polígono barra lateral a barlamar 3 (c) e representação do mapa batimétrico de 2016 com a representação do polígono barra lateral a barlamar 1 (d), do barra lateral a barlamar 2 (e) e do polígono barra lateral a barlamar 3 (f). Os polígonos encontram-se representados em linha branca tracejada.

A análise dos mapas batimétricos, a partir de 1982, mostra nitidamente que a variabilidade apresentada é natural e incluída numa fase de estabilidade.