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Komikkens struktur

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3.2 Tekstens grunnmønster

3.2.1 Komikkens struktur

A análise estatística realizada para cumprir o objetivo de verificar as pontuações médias das três lâminas Stroop no que toca aos três grupos (Grupo Normativo, Grupo com Patologia Benigna e Grupo com Patologia Maligna) demonstrou não haver, outra vez, diferenças significativas entre as lâminas. Contudo, a Primeira lâmina obteve, também, alguma significância estatística relativamente à Segunda e à Terceira. Este resultado é algo compreensível, pois a Primeira Lâmina desempenha essa mesma função de não interferir na prestação atencional, ao contrário das outras lâminas que foram criadas justamente com o objetivo contrário, de interferir na atenção através de palavras emocionais ativadoras. As palavras com valências emocionais servem para avaliar vieses atencionais associados às mesmas (Calleja & Pozo, 2010), dado que as pessoas tendem a dirigir a sua atenção de forma automática aos significados das palavras com carga emocional (positiva ou negativa)

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(Williams, et al., 1996). Contudo, mesmo que esta Primeira Lâmina tenha apresentado alguma vantagem em relação às outras, não foram resultados significativos do ponto de vista estatístico. Não deixa de ser importante referir que as lâminas posteriores tiveram resultados mais baixos; o que se esperava, além disso, era que fossem resultados com diferenças estatísticas significativas, para assim provar a interferência das palavras emocionais. O objetivo da tarefa Stroop Emocional, é, em si, esse mesmo, como referiram Williams e Broadbent em 1986, detetar alterações emocionais do foro psiquiátrico através de vieses atencionais. É importante clarificar, sempre que possível neste trabalho, que a Alexitimia não é uma psicopatologia reconhecida como tal nos manuais psiquiátricos; é antes reconhecida como um traço de personalidade que se pode apresentar em vários níveis. No nosso estudo verificou-se que as palavras emocionais não revelaram a mesma tendência que se tem revelado nas patologias reconhecidas dos manuais psiquiátricos. No que se refere à Terceira Lâmina, esta obteve sempre valores inferiores às duas primeiras, um resultado esperado por se tratar da lâmina com este fim (composta por palavras ativadoras emocionais). Porém, voltamos a afirmar que são resultados modestos que não podem ser considerados significativos do ponto de vista estatístico.

Em resumo, o Teste Stroop Emocional com screening para Alexitimia, criado nesta investigação, com o intuito de observar a interferência que palavras emocionais ativadoras poderiam ter sobre o desempenho da nossa amostra, não se mostrou uma medida fiável, de se generalizar, para deteção da Alexitimia. Pelo menos até se clarificar se isto acontece porque os alexitímicos são insensíveis a estas palavras. Os resultados foram pouco significativos entre lâminas, e não só; quando comparados aos resultados da Escala TAS-20, mostraram-se igualmente fracos estatisticamente.

Mais uma vez é de reforçar que este estudo deve ser replicado mais vezes para verificar a ocorrência, ou não, dessa tendência. E na hipótese de se manter, podemos vir a inferir, ou mesmo afirmar, que a leitura de palavras com conteúdo emocional não representa motivo de ansiedade para pessoas com diversos graus de Alexitimia (caso da nossa amostra), logo, não compromete, igualmente, os processos atencionais na prova. Este resultado remete-nos aos achados da Neuropsicologia. De facto, esta ciência tem vindo a afirmar que a informação emocional e não-verbal é normalmente processada pelo hemisfério direito, com evidência da sua função excitatória e de mediação das respostas autónomas aos estímulos emocionais (Taylor, 2000). Por outro lado, o processamento da informação verbal (o caso do nosso estudo, se a pessoa tende a ler a palavra ao invés de referir a cor) (no caso da interferência

Stroop se processar), ocorre no hemisfério esquerdo, exercendo o papel de controlo inibitório

sobre a função excitatória do hemisfério direito (Bermond, 2003; Larsen, Brand, Bermond & Hijman, 2003; Taylor, 2000). Como já vimos na revisão da literatura, na Alexitimia parece haver uma dissociação entre os dois hemisférios, o que afeta a modulação afetiva, a capacidade de comunicar afetos, a capacidade para fantasiar e elaborar as tensões internas e

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angústias (Oliveira, 2001). Neste caso, especula-se também, através dos nossos resultados, se estas dificuldades não afetariam igualmente o processamento da leitura de palavras com teor afetivo, dado que os nossos resultados não demonstraram o mesmo efeito de interferência

Stroop encontrado em várias psicopatologias já estudadas sobre este efeito. Portanto,

especula-se ainda mais, que o facto da nossa amostra apresentar níveis consideráveis de Alexitimia, e não apresentar défices atencionais em função disso, pode ser explicado por essa dificuldade em elaborar o significado das palavras emocionais (não causando interferência). Se, mais uma vez, compararmos a população que apresenta níveis baixos com níveis altos de Alexitimia, podemos chegar à outra possível conclusão: ter alto nível de Alexitimia não altera a atenção porque as palavras são lidas praticamente como neutras. Este resultado é consonante com a investigação de Sánchez e Serrano, que ao comparar sujeitos com e sem Alexitimia, verificaram respostas mais tardias no Teste Stroop em sujeitos com Alextimia. Para os autores, isto se verifica porque os alexitímicos são menos competentes em identificar estímulos emocionais. E no caso do grupo de pessoas com baixo nível ou, talvez nenhum, de Alexitimia, estas alterações poderiam não ocorrer por outro motivo: bom controlo das funções executivas (controlo inibitório), logo, bom cumprimento do objetivo da prova, ou seja, nomeação das cores ignorando a leitura das palavras.

Com esta análise foi ainda possível verificar outro objetivo desta investigação, o caráter estritamente atencional da prova, tendo como parâmetro os valores obtidos no que se refere ao número de cores mencionadas no teste, entre os três grupos. Como esperado, o Grupo Normativo obteve valores bem acima dos dois outros grupos; em segundo lugar ficou o Grupo de Patologia Benigna; por último, o Grupo Patologia Maligna que apresentou uma diferença estatística altamente considerável em relação ao Grupo Normativo. No que diz respeito às características da amostra, é de recordar que o Grupo Normativo foi constituído por jovens universitárias com alta escolaridade, enquanto que o Grupo Patologia Maligna foi constituído, maioritariamente, por mulheres idosas com baixa escolaridade. Podíamos, imediatamente, associar estes resultados, por si só, a estas características. Mas a literatura não as identifica como lineares. Pelo contrário, a relação da educação com o declínio cognitivo associado ao envelhecimento é mais complexa do que se pensa, entre outras questões, como bem-estar e QV (Nunes & Menezes, 2014). Contudo, os nossos resultados podem estar relacionados com declínio cognitivo apenas porque se tratou de uma amostra, no caso do Grupo com Patologia Maligna, com baixíssima escolaridade, pois níveis de escolaridade de 0 ou 3 anos, faz, de facto, uma diferença significativa em termos de desempenho cognitivo. Já no caso da nossa amostra universitária (Grupo Normativo), a literatura revela que níveis mais elevados de escolaridade, de 12 ou 15 anos, parecem irrelevantes no desempenho cognitivo (não é linear) (Ardila, 1998, cit. por Paiva, 2013).

Outra explicação possível, para além da possibilidade de declínio cognitivo, no Grupo Patologia Maligna, pode estar no próprio estado psicológico destas pacientes. Com exceção da

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dimensão Ansiedade Fóbica, toda a amostra demonstrou níveis significativos de sintomatologias psicológicas, inclusive depressividade. E se, além disso, tirarmos os resultados do Grupo Normativo como referência, pode-se mesmo inferir que estes resultados se tratam de défices atencionais no Grupo de Patologia Maligna. Sendo comum, em doentes oncológicos, uma certa tendência para sintomatologias/alterações psicológicas e psicopatologias (Gil, et al., 2001) (como foi provado no nosso estudo), é provável que esta associação tenha contribuído para estes resultados bem mais abaixo do que se pode considerar normal (tendo em conta a amostra Normativa). E realmente a associação da depressão com outros indicadores de capacidades funcionais tem sido bastante estudada atualmente (Lenze, Rollman, Shear, Dew, Pollack, Ciliberti, Constantino, et al., 2005), verificando-se uma forte relação entre sintomatologia depressiva e prejuízo cognitivo (Stek, Gussekloo, Beekman, Tiburg & Westendorp, 2004), bem como uma maior dependência nas atividades da vida diária (Liu, Wang, Fuh, Yang & Liu, 1997).

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