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4.3 Kombinerte kort

A publicação por parte de autores brasileiros em Contabilidade deve ser vista como um micromundo dentro de um universo que é a ciência no Brasil. Entender como essa se estabelece e se consolida nos traz uma dimensão mais qualitativa do que se insere na epistemologia contábil e as estruturas sociais, institucionais, culturais e econômicas são partes intrínsecas da análise desse ambiente.

A produção científica, como tema de pesquisa, dirige o olhar para os pontos culminares enfocando a “explosão da informação” e o crescimento “exponencial das revistas especializadas” (POBLACIÓN; MUGNAINI; RAMOS, 2009, p. 13).

Os estudos de redes de artigos científicos foram iniciados no Brasil em 1978, sob a orientação de Wilfrid Lancaster, professor convidado do Instituto Brasileiro de Informações em Ciência e Tecnologia - IBICT e mostravam a preocupação em tratar a presença do pesquisador brasileiro na autoria de artigos publicados em revistas no exterior (LANCASTER; CARVALHO, 1982). As pesquisas vêm aumentando significativamente evidenciando dados estatísticos que refletem o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos indicadores gerenciados pela Comissão Permanente de Indicadores de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT e, orientadas pelas demais propostas “como

base de uma política de Estado para o desenvolvimento nacional” as quais foram divulgadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em 2006 (POBLACIÓN; MUGNAINI; RAMOS, 2009, p. 14).

A relevância de certos indicadores preocupa pesquisadores de várias áreas do conhecimento que procuram submeter-se às diretrizes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES visando o aperfeiçoamento dos processos de avaliação dos programas de Pós-graduação. Diversos enfoques analisam os obstáculos para que o Brasil se torne uma potência científica internacionalmente reconhecida, pautando-se nos diversos indicadores de produção científica (GIRARDI, 2007).

Muitos cursos de pós-graduação stricto sensu não eram submetidos à avaliação da CAPES por simplesmente não reconhecerem o poder de organização da entidade. A partir de certo ponto reconhecer o processo de avaliação da CAPES significava ter acesso aos recursos para os alunos e para os pesquisadores dos programas de pós-graduação.

Todas essas implicações têm gerado vasta literatura desde o fluxo da comunicação científica e as implicações da informação em rede (MUELLER; PASSOS, 2000) até o direcionamento para as discussões na formação de novos pesquisadores, desde a graduação nas diferentes áreas, enfatizando o papel formativo para a pesquisa e a importância do método científico, o que certamente resultará na crescente presença do Brasil no cenário científico internacional (MARI, 2002).

As preocupações com as citações e não citações de artigos publicados em revistas das áreas de ciências sociais, artes e humanidades; as experiências bem sucedidas do SciELO - Scientific Electronic Library Online - Biblioteca Científica Eletrônica em Linha (PACKER, 1998); e as recentes propostas de revisões dos indicadores da produção científica brasileira (MUGNAINI, 2006) são os caminhos que mostram as grandes diferenças entre as áreas do conhecimento, permitindo prever que as estratégias para a redução dessas distâncias estão com o fortalecimento dos vínculos das redes colaborativas (POBLACIÓN; MUGNAINI; RAMOS, 2009, p. 15).

Para compreender os problemas atuais da ação da ciência na sociedade deve-se enfatizar a importância de não só acompanhar os estudos científicos-sociais; reconhecer a potencialidade dos recursos disponibilizados, considerando a era cibernética que objetiva facilitar a visibilidade e o acesso à avalanche de documento produzidos, mas, sobretudo, deve-se enfatizar também a identificação dos principais elementos do input que oferecerá o suporte à investigação. Um largo treinamento científico permitirá aos pesquisadores conhecer as implicações do rápido crescimento da literatura (MEADOWS, 1999); a estrutura dos

sistemas que prevalecem na dianteira da pesquisa científica desde a fase inicial da concepção do projeto e investigação; a dinâmica do fluxo de comunicação (informal e formal); as instituições acadêmicas e de pesquisa em que o trabalho de investigação tem condições de ser desenvolvido; o perfil dos grupos de pesquisa consolidados tanto nas áreas específicas como nas relacionadas; o desenho das redes colaborativas dos pesquisadores integrados e principalmente as políticas de fomento das agências que apoiam projetos nas diversas áreas do conhecimento (POBLACIÓN; MUGNAINI; RAMOS, 2009, p. 16).

O Brasil, há muito tempo, com sua enorme base industrial, investe muito mais em pesquisa e desenvolvimento que a soma do resto dos países da região, mas em termos de artigos científicos publicados em periódicos do International Scientific Information - ISI, outros países marcam uma presença muito maior. Para a própria comunidade científica, há algumas questões mais prementes que precisam ser enfrentadas. Em ordem crescente de dificuldade, algumas dessas questões são: a relutância da comunidade científica local em aceitar uma revisão de pares vinda de autores de outras localidades; a falta de uma integração regional em ciência; a aceitação relutante dos cientistas brasileiros das regras de livre mercado; a urgente reforma das universidades; e a falha no reconhecimento da importância dos direitos de propriedade intelectual na sociedade moderna (NATURE, 1999).

Na verdade, a revisão por pares feita pela comunidade científica internacional é extremamente valiosa, uma ferramenta sem preço para melhorar a qualidade dos programas científicos nacionais. Muitos cientistas na América Latina foram treinados nos Estados Unidos e Europa, e foram nesses lugares que eles construíram algum tipo de colaboração pela primeira vez. Criar este tipo de rede dentro da própria região acaba por ser algo improvável por diversos motivos, e tal falta de colaboração dentro da região impede a formação de redes de recursos humanos que poderiam aumentar a competência e a confiança dos melhores grupos de pesquisa que um a um também se queixam desse isolamento (NATURE, 1999).

A produção acadêmica para as áreas de Administração, Ciências Contábeis e Economia tem crescido nos últimos anos, reflexo do papel desempenhado pela CAPES com seu sistema de pontuação para docentes-pesquisadores. No entanto, o que se ressalta é a dificuldade em se obter acesso à um material de qualidade, que se dissolve em uma enorme quantidade de trabalhos publicados (CÔRTES, 2009, p. 556-557).

As universidades e instituições de ensino que mantém programas de mestrado e doutorado têm desenvolvido bibliotecas digitais de dissertações e teses, usualmente de acesso livre a qualquer pessoa. Com isso, facilita-se a difusão de conhecimento científico para alunos e pesquisadores. Nesse sentido, a CAPES tem cumprido papel relevante ao recomendar que os

programas de pós-graduação stricto sensu adotem essa forma de divulgação de suas teses e dissertações (CÔRTES, 2009, p. 566).

Há que se considerar também os serviços de indexação como o QUALIS e o Web of Science (Thomson Scientific), que permitem aferir a qualidade dos textos publicados pelas diversas revistas ou trabalhos apresentados em eventos. O QUALIS é uma classificação promovida pela CAPES, tendo como foco os meios de divulgação científica (periódicos e eventos) utilizados pelos docentes, pesquisadores e alunos dos programas nacionais de mestrado e doutorado, qualificando a produção científica por meio dos canais utilizados para essa divulgação (CÔRTES, 2009, p. 566-567).

Apenas a dimensão explícita não é suficiente para a geração de conhecimento novo. Os dados de uma pesquisa, uma vez interpretados, poderão fomentar essa geração. Certamente isso requer algo mais do que acesso ao que já foi publicado sobre o mesmo tema. A qualidade da interpretação de dados certamente é influenciada pela experiência do pesquisador, reforçando a dimensão tácita do conhecimento (CORTÊS, 2009, p. 578). A grande rede social de transmissão do conhecimento científico acaba contando com alguns centros que tem seu peso dimensionado de acordo com a experiência acumulada ao longo do tempo pelos seus grupos de pesquisa (Idem, p. 579).