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Kolonitidens rasisme – i Nye Makt og Menneske

5.3 Kolonitidens rasisme

5.3.2 Kolonitidens rasisme – i Nye Makt og Menneske

O brincar é algo que nós encaramos como natural numa criança pequena. Mas o que nem sempre temos presente é que para que a brincadeira da criança se desenvolva verdadeiramente e se diversifique são necessárias algumas condições. Michelet (1999) citado por Francine Ferland refere que o brincar “está intimamente dependente do meio” (2006, p. 57).

Ferland (2006) refere que para que a criança brinque, além de ter de se sentir confiante, ou por outras palavras, estar num ambiente tranquilizador uma vez que o medo é considerado pelo autor como “antagonista da brincadeira” pois paralisa-a, tem também outras necessidades como o tempo, espaço, material e companheiros. O autor refere também que a criança necessita igualmente que “os adultos à sua volta valorizem a actividade, que reconheçam ao brincar a importância que tem no seu desenvolvimento físico, mental e social” (Ferland, 2006, p.57).

De acordo com Neto (1997), ao longo das últimas décadas têm ocorrido significativas mudanças na estrutura familiar e a necessidade de institucionalizar os tempos livres das crianças tem aumentado progressivamente (in Sarmento, T. e Fão, M., 2005).

Teresa Sarmento e Manuela Fão (2005) apontam para a necessidade de repensar os espaços lúdicos, a sua organização e as actividades que neles se desenvolvem para que sejam espaços potenciadores de intencionalidade educativa. Outro aspecto relevante diz respeito ao planeamento da actividade lúdica que deverá ser amplo para que não condicione a liberdade de acção da criança e lhe possa proporcionar prazer durante o desenvolvimento das actividades.

Uma necessidade da criança para brincar, de acordo com Ferland, é o tempo. O autor refere que a criança necessita de tempo “para decidir a que quer brincar, como quer fazê-lo, em que se transformarão os blocos que tem em mãos, o que desenhará, o que a sua boneca ou os seus carrinhos desejam fazer” ou seja, de forma resumida “necessita de tempo para inventar a vida na sua brincadeira”. O autor refere também que a criança necessita de tempo “para brincar, mas também para sonhar, para construir o seu imaginário…para não fazer nada” (Ferland, 2006, p.58-59).

Espaço é uma outra necessidade apontada por Ferland para a criança poder brincar. O autor refere que de acordo com algumas actividades a importância de um espaço amplo e de algum equipamento em particular é fundamental para a criança, pois brinca num espaço

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adequado e seguro e a brincadeira torna-se mais agradável. O autor refere também que “Para a criança pequena é aliás mais agradável brincar junto do pai ou da mãe” (Ferland, 2006, p.60).

O espaço onde se desenvolvem as actividades lúdicas e a estruturação do tempo, como refere Teresa Sarmento, são duas componentes fundamentais na promoção da actividade lúdica, e “terão de responder sempre à necessidade de margens de liberdade onde a criança se desenvolve e, ao mesmo tempo, ao prazer proporcionado pelo brincar” (Sarmento, T. e Fão, M., 2005, p. 8). Neste contexto, Manuela Fão e Teresa Sarmento levantam uma questão relevante: “Que espaços e tempos proporcionamos à criança, para que possa brincar?” Esta questão é relevante na medida em que pode facultar reflexão sobre as modificações que têm ocorrido na sociedade, tais como, o facto da criança cada vez mais se sentir sozinha, as famílias serem cada vez mais reduzidas, as crianças serem condicionadas pelos problemas de segurança e os brinquedos serem cada vez mais sofisticados o que implica pouca margem para a criança criar e brincar. Neto (1997) citado por Teresa S. e Manuela F. refere que “Durante as duas últimas décadas temos vindo a assistir a significativas mudanças na estrutura familiar e a uma progressiva necessidade de institucionalizar os tempos livres da criança” (Sarmento, T. e Fão, M., 2005, p.8).

Brincar ao ar livre, como refere Ferland, é uma outra necessidade da criança para brincar, proporcionando-lhe novas experiências, é um “contacto com a vida”, são brincadeiras que “ganham nova cor quando realizadas ao ar livre” (2006, p. 60). O autor cita algumas actividades que a criança pode realizar ao ar livre e que favorecem o seu desenvolvimento e oferecem experiências novas, como fazer bolos ou castelos na areia, construção de bonecos de neve, andar nos baloiços, escorrega, caixa de areia, brincar às escondidas e até simplesmente empurrar um camião no exterior, que de acordo com o autor, é muito diferente de ser empurrado no interior, em cima de um tapete.

O material é também, segundo Ferland, uma necessidade da criança, embora o autor refira que por vezes a criança tem-no em excesso. O autor cita Fernand Raynaud que dizia que “Hoje em dia, quando entramos num quarto de crianças, já não é um quarto, é uma loja de brinquedos.” Mas de acordo com Ferland o mais importante não consiste na quantidade de brinquedos mas sim na variedade dos mesmos. O autor vai mais longe quando refere que “O material de jogo colocado à disposição da criança deveria permitir-lhe mexer-se, usar as mãos, concentrar-se, imaginar, expressar-se, socializar e, portanto, estimular as diferentes esferas do seu desenvolvimento”. O autor aproveita também para diferenciar material de jogo e brinquedos

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e refere que existem brinquedos à venda nas lojas e que são manufacturados e por outro lado existe o material de jogo feito em casa e que o autor considera igualmente rico em possibilidades, como por exemplo, uma caixa de cartão, uma mala com roupas, palhas, entre outros (2006, p. 62).

Os adultos também têm um papel fundamental para que a brincadeira esteja presente na vida das crianças e se desenvolva. Para tal, Ferland refere que é importante os adultos acompanharem diariamente as brincadeiras das crianças, valorizarem e reconhecerem a sua importância no desenvolvimento e crescimento das mesmas e se necessário ajudá-las a continuar a brincar se porventura ficarem frustradas perante alguma dificuldade/situação. Por outro lado, se os adultos considerarem a brincadeira como “uma perda de tempo e uma actividade fútil, é pouco provável que a criança desenvolva ao máximo as suas capacidades” (Ferland, 2006, p. 63). Ainda no que se refere ao papel do adulto, o autor realça o dever que este tem, em facultar à criança “margem para decidir a que e como quer brincar”, pois considera que “uma brincadeira dirigida pelo adulto arrisca-se a perder o seu carácter lúdico: na verdadeira brincadeira, a criança é o mestre” (Ferland, 2006, p. 64).

Saraiva e Serra (1997) referem que “é fundamental dar à criança o espaço, o tempo, material e orientação e segurança necessários para que a actividade lúdica aconteça numa sociedade em que as restrições às oportunidades, em termos de expressão, criatividade e comunicação são constantes” (in Sarmento, T. e Fão, M., 2005, p. 9).