PÚBLICO-ALVO N.º APROX. ÁREAS DE INTERVENÇÃO N.º APROX.
Prioritário (1.ª fase) Crianças Pré-Escolar 250 mil Jardins de infância Escolas Bibliotecas escolares Famílias Bibliotecas públicas 6500 8000 1300 Alunos
Ensino Básico 700 mil Responsáveis pela educação das crianças Educadores Professores 15 mil 70 mil Instituições de formação Bibliotecas públicas Net Pais e encarregados de educação Bibliotecários Mediadores e animadores Outros segmentos do público, do público escolar e não escolar, de diferentes grupos etários
Escolas / Bibliotecas escolares / Famílias / ATL Bibliotecas públicas
Instituições culturais – teatros, museus (v.g.) Instituições de solidariedade social
Hospitais,transportespúblicos,prisões(v.g.) Meios de comunicação social
O facto de ser ter optado por centrar a ação nas crianças e jovens em idade esco- lar não significou menosprezo pela necessidade de se conceberem estratégias destina- das a contribuir para que a população adulta supere os défices de literacia identificados pelos estudos internacionais. Essa é uma linha de intervenção em que Portugal terá for- çosamente de se empenhar. Mas na intenção de assegurar eficácia na primeira fase da implementação do PNL entendeu -se ser desejável começar por agir num âmbito preciso e delimitado para avaliar efeitos e, em fases posteriores, alargar a ação.
O relatório de lançamento do PNL previa explicitamente para a segunda fase, a lançar a partir de 2012, a definição de novas metas e novos estudos em que o desenvol- vimento da literacia e dos hábitos de leitura se viessem a apoiar. Os estudos não foram lançados, o que representa um prejuízo do PNL, que para prosseguir com segurança tem absoluta necessidade de obter informação para aprofundar as questões da leitura, ou para alargar ou redirecionar áreas de intervenção e formação. Ao longo da primeira fase os resultados da avaliação foram tomados como referência para as redefinições da intervenção política. No entanto, devido a cortes orçamentais, o processo de avaliação foi suspenso, logo após a entrega do relatório em julho de 2011.
Na primeira fase os programas a desenvolver, embora dirigidos à escola, procu- raram deliberadamente não implicar alterações na estrutura do sistema educativo, nos currículos ou nas dinâmicas de gestão das escolas. Esta opção tomou em conta resul- tados da investigação sobre processos de reforma nos sistemas educativos, que têm salientado o facto de alterações estruturais provocarem com frequência efeitos cola- terais não previstos e em muitos casos contribuírem para minimizar ganhos ou afetar negativamente a aprendizagem dos alunos. Considerou -se que a introdução de inova- ções deve ter sempre em conta a realidade das escolas e as metodologias eleitas devem ser sempre construtivas e suscetíveis de serem integradas pelos docentes na sua prática letiva (Valencia & Wixson, 2004).
6.7.1. A leitura orientada na sala de aula
O PNL elegeu a leitura orientada na sala de aula como atividade mais estrutu- rante e de caráter mais contínuo (Costa, Pegado & Ávila 2008:21). A escolha justifica -se pelo facto de se reconhecer, tanto em teoria como na prática, que a leitura regular e
frequente é a base indispensável ao desenvolvimento da literacia e à aquisição de hábi- tos de leitura. Ora a prática regular e frequente da leitura só é espontânea entre quem se tornou leitor. Para abranger o universo das crianças e jovens, o único contexto seguro era de facto a sala de aula. A investigação tem aliás demonstrado que quando os pro- fessores criam condições para o envolvimento dos alunos na leitura com obras que lhes sejam acessíveis e lhes proporcionem um efetivo prazer, os resultados na compreensão dostextossobemsignificativamente(Guthrie&Cox,2001;Guthrie,VanMeter,Hancock, Alao, Anderson & McCann, 1998).
Relativamente à iniciação à leitura no 1.º ano de escolaridade, à qual se reco- nhece a maior importância para assegurar às crianças a entrada no mundo da escrita, bem como a passagem da fase aprender a ler para a fase ler para aprender (Chall, 1983a), o PNL não desenvolveu deliberadamente uma atividade direta junto dos professores. Em conjugação com o trabalho que estava a ser desenvolvido nas escolas pelo programa de formação de docentes do 1.º ciclo o Plano Nacional do Ensino de Português (PNEP) lançado pelo Ministério da Educação em 200667, o PNL centrou as suas iniciativas no
financiamento de projetos de investigação e de recursos online para apoio dos docentes. As iniciativas dirigidas pelo PNL para apoiar os docentes na iniciação à leitura foram organizadas nas seguintes áreas: 1) encomenda de um estudo centrado na aná- lise de instrumentos de avaliação de leitura existentes em Portugal para disponibilizar informação aos docentes que lhes permitisse efetuar diagnósticos da situação dos seus alunos, com recursos cientificamente testados68; 2) encomenda de um estudo destinado
a efetuar o estabelecimento de níveis de referência do desenvolvimento da leitura e da escrita do 1.º ao 6.º anos de escolaridade69; 3) produção e disponibilização aberta de
recursos online para apoiar os docentes a aprofundarem os seus conhecimentos sobre a leitura e para fundamentarem cientificamente as metodologias de iniciação que utilizam
67 O PNEP foi coordenado por Inês Sim -Sim.
68 Este estudo foi encomendado a Inês Sim -Sim da Escola Superior de Educação de Lisboa e a Fernanda
Leopoldina Viana do Centro de Estudos da Criança da Universidade do Minho.
69 Este estudo foi encomendado a José Morais da Universidade Livre de Bruxelas e da Universidade de
com os seus alunos70; 4) produção e disponibilização de materiais digitais destinados
à iniciação à leitura de acordo com princípios cientificamente testados pela psicologia cognitiva e pela psicolinguística – o site Caminho das Letras71.
A conceção do PNL incluiu, desde o início, a definição de programas específi- cos para a leitura orientada na sala de aula em cada nível educativo e programas para enquadrar outras atividades da escola na sua relação com as famílias e com a comu- nidade educativa. Atribuir nomes aos diversos tipos de programas como Está na hora dos livros, Está na hora da leitura, Quanto mais livros melhor, etc. Teve como objetivo identificar bem a natureza da atividade e tornar mais direta e imediata a adesão de pro- fessores, alunos e familiares. O quadro 18 e sintetiza os programas dirigidos às escolas na primeira fase do PNL.