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4.2. Hvordan gjorde jeg det

4.2.2. Koding, et første steg fra kaos i retning av mening

A pedagogia crítica, comprometida com a construção do conhecimento- emancipação, regula-se em experiências de aprendizagem onde as contradições sociais sejam campo de estudo e formação ética, por meio do qual seja possível, quando de acordo com a proposta pedagógica, dar voz para

aqueles que sempre são silenciados ao invés de falar por eles ou sobre eles (GIROUX; SIMON, 2001)60.

Para isso, é preciso superar o currículo acadêmico, tecnológico, centrado na produção do conhecimento tecnológico-científico que propicia o controle social. Apoiado na proposta crítica está a concepção de um currículo cujo objetivo principal é a transformação social. Nesse sentido, a experiência da aprendizagem é marcada pela percepção de que, enquanto sujeito político, social e ético, o homem pode transformar a realidade com a qual não concorda, mudando o curso da história. Para isso, o que se aprende na escola deve ser para propiciar a consciência de que nada está posto e acabado, a compreender, a estudar os problemas que enfrentamos nos dias atuais, integrando as diferentes dimensões que constituem o ser humano para além do desenvolvimento cognitivo. Dentro da abordagem de currículo reconstrucionista social (McNEIL apud SANTOS, A. 2009), homem e mundo são concebidos de forma interativa e a educação é compreendida como um agente social que promove a mudança, promovendo reflexões sobre o contexto social ao qual o educando está inserido:

Sob o norte da emancipação do indivíduo, o currículo deve confrontar e desafiar o educando frente aos temas sociais e situações-problema vividos pela comunidade. Por conseguinte, não prioriza somente os objetivos e conteúdos universais, sua preocupação não reside na informação e sim na formação de sujeitos históricos, cujo conhecimento é produzido pela articulação da reflexão e prática no processo de apreensão da realidade.

Enfatizando as relações sociais, amplia seu âmbito de ação para além dos limites da sala de aula, introduzindo o educando em atividades na comunidade, incentivando a participação e a cooperação. (SANTOS, A. 2009, p. 127)

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A respeito da referência ao uso da pedagogia crítica ou do pensamento crítico nesta tese, vale lembrar que estamos nos referindo à filosofia de pensadores como Henry Giroux e Paulo Freire, que tem por princípio a justiça social. Portanto, se trata do pensamento crítico proveniente da construção do conhecimento-emancipação. Isso porque “os procedimentos críticos [...] são historicamente desenvolvidos em solidariedade com os próprios conteúdos dos diferentes ramos do conhecimento que integram o currículo escolar” (CARVALHO, 2013, p. 123).

O currículo, neste caso, deve confrontar e desafiar o educando frente aos temas sociais, visando prepará-lo para o desenvolvimento progressivo de toda a coletividade. Para que isso ocorra, é preciso pensar em propostas que superem a organização curricular acadêmica, distanciada da vida em comunidade, e aproximem-se do compromisso de interferir e lidar com diferentes espaços e processos de formação e padrões culturais. Para se desafiar a ordem social, buscando constituir uma sociedade mais democrática, a escola deve criar meios para propiciar aos alunos conhecimentos, mas também caráter, postura ética e política para que sua formação possa constituir sua personalidade cívica (GIROUX, 1999). Este direcionamento crítico é fundamental para que os alunos possam reconhecer as implicações políticas de suas experiências, reconhecendo-se, assim, sujeitos no processo de construção de conhecimento.

A realidade não deve ser algo distante, fora da escola, mas estar no currículo de maneira que os alunos aprendam por meio dela, transformando-a, num movimento curricular integrado e articulado com a sociedade. O conhecimento, neste caso, não é compreendido enquanto objeto estanque que pode ser decorado e descartado após a verificação do processo de memorização. Ao contrário, ele deve ser produzido em meio a contradições, levando em conta as formas culturais existentes, as tensões políticas, para propiciar a aprendizagem com intenção emancipadora. Conhecendo a realidade que os cerca, os jovens podem transformar conhecimento abstrato em experiências concretas de aprendizagem, tendo contato com problemas reais da sociedade, diferentes culturas, desigualdades, contradições, faltas e excessos, o que lhes permite formar a sua própria visão de mundo.

Em contraponto ao currículo tradicional, à rigidez estrutural de um currículo formatador e reprodutor cultural, está a construção social formativa que não acontece somente nos espaços escolares, mas, sobretudo, em outras fontes de relações sociais, ampliando a percepção de currículo, não a restringindo a disciplinas e conteúdos curriculares, mas, considerando, também, a formação ética e social, a pedagogia ou formas de organizar os saberes escolares e as avaliações. Neste sentido, o saber para a emancipação

e libertação é valorizado, numa formatação política da escola, transpondo o universo da sala de aula, visionando uma educação para a vida.

Henry Giroux é um teórico que trabalha as questões políticas e culturais do currículo. Em sua obra, é central a ideia de emancipação por meio da esfera pública democrática, o intelectual transformador e a voz. A escola é compreendida enquanto participante da vida social e seus professores devem exercer o papel de “intelectuais transformadores”, não mais de centralizadores de conhecimento. O conceito de voz exprime o caráter político, na medida em que dar voz significa dar poder, dar voz para quem a vida toda lhe foi negado o direito. O currículo está construído em meio a significados e valores culturais, ou seja, não é apenas a seleção de conteúdos que definem um currículo mas, sim, a possibilidade de se ter um local vivo onde se produzem e reproduzem significados sociais.

Não é, portanto, um currículo construído segundo uma base instrucional ou tecnocrática, ao que Giroux chama de “pedagogias gerenciais”. Estas se referem à tendência, cada vez maior, de reduzir a autonomia do professor, embutindo “pacotes” curriculares que reduzem a prática pedagógica à adoção de determinados procedimentos para a transmissão de determinados conteúdos:

Essas pedagogias ignoram as questões referentes à especificidade cultural, ao julgamento do professor e à forma como as experiências e as histórias de vida dos estudantes se relacionam com o processo de aprendizagem. [...] Os administradores escolares acreditam que a excelência é uma qualidade a ser exibida em notas mais altas de matemática, leitura e outras disciplinas [...] Simultaneamente, tais administradores também invocam as amarras da quantificação como indicadores de sucesso. (GIROUX, 1999, p. 18)

Para Giroux, a educação deve ser compreendida como um compromisso de preparação do aluno para participar e construir esferas públicas democráticas. O currículo é, portanto, pensado para ampliar tempo e espaço por meio de novos arranjos, articulações intersetoriais e a utilização da

cidade como espaço educador61 porque contribui para o desenvolvimento local

e assume sua parte no processo educativo.