2.3 Nettkommunikasjon
2.3.4 Kodeveksling i nettkommunikasjon (Androutsopoulos (2006, 2013))
A humanidade, ao longo de sua existência e na forma das mais diferentes culturas, indaga por uma resposta ainda não encontrada acerca da morte. O ser humano desenvolveu diversas formas de questionamentos a fim de alcançá-la. Dentre elas, a filosofia é a que indaga com maior rigor.
Apresentam-se aqui uma breve apresentação das reflexões filosóficas de Arthur Schopenhauer e Max Scheler acerca da vida e da morte. Embora suas investigações se encaminhem por métodos diferentes a morte seria o ponto convergente dos dois pensadores. Seguindo a tradição metafísica, Schopenhauer trata a morte como simples deixar de viver. O filósofo alemão Max Scheler pertencente ao movimento fenomenológico traz considerações sobre a temática da morte a partir do conhecimento indutivo.
O pensamento de Schopenhauer (2000) parte de uma interpretação de alguns pressupostos da filosofia Kantiana, em especial da sua concepção dos fenômenos. Introduz em sua metafisica as diferenças entre a representação e a vontade e a pluralidade e a unidade. Esta noção leva Schopenhauer a postular que o mundo não é mais que representação. Esta conta com dois polos inseparáveis: por um lado, o objeto, constituído a partir de espaço,
tempo e o princípio de causalidade; por outro, a consciência íntima e subjetiva acerca do mundo, sem a qual este não existiria. Para Schopenhauer, ao tomar consciência de si, o homem se experiência como um ser movido por aspirações e paixões. Estas constituem a unidade da vontade, compreendida como o princípio norteador da vida humana (REYDSON, 2009).
A filosofia pessimista é atribuída a Schopenhauer, ele percebe o mundo como cheio de dor e sofrimento, afirma que o mundo onde estão todos os seres humanos e os organismos, que estes seres são finitos e a vontade de viver é infindável, e é essa vontade de vida que traz o consolo real para a morte. O pensamento pessimista schopenhaueriano diz que para o indivíduo o melhor é a não existência e que o mundo é o pior mundo possível. Assim, “a mera existência do mal no mundo o torna algo cuja inexistência é preferível à existência” (REYDSON, 2009, p.55), logo, o desejável seria a não existência nesse mundo que é tenebroso e cheio de dores. Portanto, a vontade é o que sustenta toda a condição humana é entendida na ótica de Schopenhauer como causa de toda as mazelas e sofrimentos, possuindo um desejo irracional de viver (REYDSON, 2009).
O filósofo Arthur Schopenhauer (2000) afirma que o temor da morte é um medo inerente ao ser, ao dizer que mesmo o animal, destituído de conhecimento, foge de ameaças de perigo, sempre protegendo a sua prole, para não se perder, nem perder os seus. O apego à vida se explica pela Vontade de vida, termo utilizado por Schopenhauer para se referir à forma irracional, sem conhecimento e cega, isto é, mesmo que a vida seja incerta e breve, e até esteja difícil, o homem a ela se apega, já que a Vontade de vida é a essência mais íntima do homem.
De in ício está diante de nós o fato inegável de que, de acordo com a consciência natural, o homem teme mais a morte do que qualquer outra coisa, não só para a sua pessoa, mas também chora com veemência a dos seus próximos, e em verdade, é man ifesto, não egoisticamente devido a sua própria perda, mas por co mpaixão pela grande desgraça que lhes acontece; por isso ele também censura como duro de coração e destituído de amor aquele que, em tais casos, não chora e não mostra aflição (SCHOPENHA UER, 2000, p. 62).
A morte enquanto mero desaparecimento do organismo refere-se apenas ao fenômeno, não ao ser íntimo, particular. Schopenhauer (2000) trabalha com a distinção kantiana entre coisa-em-si e fenômeno, isto é, a coisa-em-si diz respeito à realidade das coisas, enquanto o fenômeno consiste no modo como as coisas nos afetam no tempo e no espaço.
Desse modo, o homem, como fenômeno, é transitório, porém como coisa-em-si é imperecível e reaparece, pois dele há que sobreviver um germe, um núcleo de existência, que pode vivificar-se em outro indivíduo.
O apego à vida é irracional, isto é, todo o nosso ser em si é uma concentração da Vontade de vida. O indivíduo teme a morte, pois teme o não ser como consequência da morte. Vale salientar que não é a parte cognoscente do homem que teme a morte, mas exclusivamente a coisa-em-si, a Vontade de vida.
Para Schopenhauer, o medo da morte tem seu fundamento na Vontade de vida, isto é facilmente verificável porque todos os animais temem a morte. O temor da morte é, tal como a própria objetivação da vida, algo puramente fenomenal, tendo em vista que ela significa o fim da vida enquanto objetivação da Vontade.
Deste modo, para Schopenhauer, o medo da morte não se funda no conhecimento, mas na Vontade de vida, uma vez que ela significa o fim do organismo vivo, representada pelo corpo. O conhecimento, por sua vez, atuaria como um elixir no alívio desta “perda”.
Sendo assim, em Schopenhauer, a morte não deve ser temida porque ela é apenas perda aparente, uma vez que apenas o princípio de individuação cessa. Aqueles que se apegam de modo descomedido à vida, enquanto fenômeno, não a experimenta de modo consciente, enquanto Vontade de vida, que, de fato, é a coisa em si. Para ele, o homem enquanto vive está preso aos desígnios do agir; não sendo, portanto livre.
A morte não é o oposto da vida, mas um acontecimento complementar que a define. A filosofia schopenhaueriana exposta na Metafísica da Morte tenta ajudar a encarar com um olhar mais tranquilo a morte. Na medida em que tenta provar que no ser em si de cada um reside um núcleo de eternidade, que não se aniquila quando do desaparecimento do organismo.
Como consolo, o filósofo diz que a morte também tem o seu lado positivo, já que o homem não perde a sua essência e sempre estará de volta. Schopenhauer (2000) afirma que quem entende que a existência repousa numa certa necessidade originária, não acreditará que esta seja limitada a lapso de tempo tão curto, mas acredita que ela atua para sempre. O filósofo ainda acrescenta que a única prova imanente, ou seja, a que permanece conforme à experiência, é a indestrutibilidade de nosso ser verdadeiro.
Max Scheler diferente do pensamento de Schopenhauer, não parte de uma discussão Kantiana na análise do fenômeno da morte. As suas opiniões confrontava o idealismo alemão, não concordava que a morte não afetava o ser humano. Para o autor a mortalidade esta intrinsicamente ligado ao ser, faz parte de toda a vida, não se pode separar a vida da morte. Portanto, o homem é um ser orientado para morte (SCHELER, 2001).
Para embasar a sua tese, Scheler através do método intuitivo, parte de reflexões que permeiam o pensamento da época, onde afirma que todo o sistema de crença religiosa esta em
decadência por consequência da ciência e do seu progresso. Opondo-se a essa interpretação, Scheler afirma que os fins e os métodos da ciência não são neutros, mas originam também de pressuposições religiosas. Assim, o crescente progresso da ciência jamais poderá comprovar se os dados das religiões são verdadeiros ou falsos, nada pode contra a religião (SCHELER, 2001). A explicação para o declínio na crença em outra vida deve ser investigada na atitude do homem moderno, ou seja, na forma como o homem moderno imagina sua vida e morte e como ele a experiência. O ser humano foge da certeza intuitiva de sua morte, ele a rejeita de sua consciência e se contenta em considera-la como um mero fato que um dia lhe acontecerá (SCHELER, 2001).
Para fundamentar as explicações acima, se faz necessário recorrer a Scheler (2001), a fim de se pensar sobre a essência e epistemologia da morte, isto é, entender como o indivíduo se depara com a morte e a certeza que dela se têm. O pensamento da época era que a certeza da mortalidade se dava pela experiência externa na observação e indução da morte dos outros. Diante dessa afirmação uma pessoa que nunca tivesse tido contato com outros seres viventes jamais saberia sobre a finitude. Essa ideia da morte como conceito puramente empírico, extraído de casos isolados é recusada por Scheler.
Pôs-se em busca de uma razão que faria com que o indivíduo solitário, que nunca havia tido experiência com a morte dos outros chegasse a um conhecimento absolutamente certo de sua condição mortal. Scheler (2001) explica que, mesmo se houvesse um único ser vivente sobre a terra, ele saberia de alguma forma que o fim lhe alcançaria. Cita um exemplo de uma pessoa solitária que pressentiria o seu fim se fizesse comparações com fases da sua vida, se observasse a curva de suas experiências, chegaria a conclusão que um dia poderia deixar de existir. De acordo com Scheler (2001), a ideia da morte faz parte dos elementos constitutivos da consciência humana, faz parte da essência da vida, da sua forma e estrutura. A morte está fundamentada em cada fase da vida, por limitada que seja e na estrutura que esta oferece à experiência.
Ao pensar em sua analise sob o olhar no sentido biológico, verifica que a vida se apresenta de duas maneiras: de um lado um grupo dos fenômenos de ordem morfológica e motora, pela percepção exterior dos homens, animais e plantas e por outro lado como processo de uma consciência especial que se desenvolve nas sensações do corpo. Esse processo se apresenta com uma estrutura e uma forma própria e idêntica, que estão presente em todos os seres humanos. É por meio dessa estrutura inerente a todos que permite a vivenciar e a perceber intuitivamente a morte, que esta persente nas fases da vida. Assim, leva
o homem a ter a certeza do seu fim. Essa concepção de morte não pode ser entendida a nível emocional, pois ela se compreende num sentido mais profundo do ser (SCHELER, 2001).
A estrutura do processo vital e da consciência interna consiste em três dimensões: presente imediato (x), o passado imediato (y) e o futuro imediato (z). Três extensões lhe são atribuíveis: percepção (que se liga ao presente), a lembrança (que se liga ao passado) e a expectativa (que se liga ao futuro). A consciência do ser vivo percebe intuitivamente, no processo vital, não só as três dimensões imediatas, mas também a sua totalidade (T). Que pode ser representada pela equação T = x + y + z. Na medida em que o homem vivencia os anos de vida a dimensão do passado cresce cada vez mais, amos tempo que o futuro imediato e suas realizações vão se diminuindo. E o campo do presente fica cada vez mais comprimido pelas outras duas dimensões. Portanto, à medida que a vida passa, diminuem as possibilidades de experiências. Scheler, afirma que aumentando o passado, as duas outras dimensões (presente e futuro) necessariamente diminuem, pois a totalidade é constante. Essa experiência da diminuição do futuro e aumento do passado exprime uma experiência intima da nossa orientação para a morte. A experiência de estrutura num instante de vida fundamenta a certeza de nossa condição mortal e revela a realidade da morte natural (SCHELER, 2001).