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4 Metode

4.3 Kodebok

Adriana Beletato dos Santos Balancieri1 Maria Cássia Sernache de Freitas Campos Barros2 Roseni das Graças Nery3 Sonia Silva Marcon4 INTRODUÇÃO: O leite materno da própria mãe é o alimento ideal para os recém-nascidos prematuros (RNPT), pois é mais calórico, possui maior quantidade de proteína, cálcio, fósforo e anticorpos(1,2). No entanto, a amamentação de RNPT é um desafio(3) pelo tempo de permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal(4) e pelas complicações da prematuridade(5). A imaturidade neurológica, hipotonia muscular orofacial, a pouca reação aos estímulos externos com curtos períodos em estado de alerta, são consideradas características próprias da prematuridade que dificultam a sucção ao seio materno(6). A permanência da mãe na unidade neonatal fortalece o vínculo com seu filho e possibilita uma orientação continuada da equipe multiprofissional, a fim de promover a manutenção da produção do leite materno, até que o recém-nascido esteja preparado para sugar sozinho(2-4). OBJETIVOS: Os objetivos deste estudo são identificar as dificuldades maternas com a amamentação de prematuros e o tempo de aleitamento materno após a alta hospitalar. METODOLOGIA: Estudo descritivo com abordagem qualitativa, realizado, com mães de prematuros internados na unidade de terapia intensiva neonatal do Hospital Universitário Regional de Maringá entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010. Este hospital é considerado pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) e Ministério da Saúde um Hospital Amigo da Criança, que mantém pleno incentivo ao aleitamento materno. Os dados foram coletados em novembro de 2010 através de questionário misto e análise de prontuários. Critérios de inclusão: recém-nascidos com idade gestacional < 37 semanas e residentes em Maringá-PR. Critérios de exclusão: mães com contraindicação absoluta ao aleitamento materno (ex. soropositiva, quimioterapia, usuárias de drogas), recém-nascidos portadores de anomalias congênitas que pudessem dificultar a amamentação (ex. fenda palatina, lábio leporino), anormalidades neurológicas (ex.paralisia cerebral grave) e os que foram a óbito antes da alta hospitalar. Os sujeitos foram sete mães de prematuros, codificadas de M1 a M7. O processo de pré-análise foi iniciado após leitura repetitiva das entrevistas. As falas foram agrupadas por semelhanças e emergiu o tema que é objeto deste estudo, “Experiências maternas com a amamentação de recém-nascidos prematuros”. A análise foi fundamentada na técnica de conteúdo de Bardin. O desenvolvimento do estudo ocorreu em conformidade com o preconizado pela resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e o projeto foi aprovado pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá conforme (parecer nº 018/2010). Resultados: As mães participantes do estudo

1Médica Pediatra, Especialista em Endocrinologia Pediátrica. Professora de Pediatria do Departamento de Medicina e Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Maringá. E-mail:[email protected].

2 Médica Pediatra do Hospital Universitário de Maringá. E-mail: [email protected].

3Assistente social. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: [email protected].

4 Enfermeira e Professora Associada C do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: [email protected].

tinham idade entre 19a 40 anos, com média de 32,1 anos. Os principais diagnósticos maternos que levaram premauridade foram: doença hipertensiva específica da gestação e amniorrexe prematura, sendo dois partos normais e cinco cesáreas. A idade gestacional variou entre 29 a 36 semanas, sendo a média de 34,1 semanas. Quatro de sete RNPT apresentaram peso de nascimento inferior a 1.600 gramas, com intervalo entre 1.135 e 3.060 gramas. O tempo médio de internação dos recém-nascidos foi de 30 dias, com uma variação de 6 a 56 dias. A idade média dos bebês durante o estudo foi de 17 meses. M4, M5 e M6 não apresentavam experiências prévias de amamentação. As principais dificuldades maternas encontradas com a amamentação de prematuros foram associadas ao período de hospitalização. O tempo total de internação (UTI neonatal, unidade de cuidados intermediários e alojamento conjunto), especialmente a permanência no alojamento conjunto e a realização da ordenha, foram consideradas as principais barreiras para a amamentação. No alojamento conjunto, ocorrem algumas mudanças em relação a UTI neonatal e unidade de cuidados intermediários, pois existe a troca da equipe de enfermagem a qual as mães já estavam habituadas e além disso, é uma unidade pediátrica na qual há muito barulho. Em relação à ordenha as mães referiam dor a manipulação frequente das mamas e certa pressão por parte de alguns profissionais, para que realizassem uma ordenha efetiva. Mesmo com tais dificuldades, o tempo médio de aleitamento materno exclusivo neste estudo foi de 5,5 meses e de aleitamento complementado de 12,8 meses, variando de 8 a 20 meses. Somente um dos sete recém-nascidos fez uso da chupeta e após os 3,5 meses. Todas as mães referiram ser orientadas a manter o aleitamento materno exclusivo e o seguimento ambulatorial após a alta hospitalar. Conclusão: Apesar das dificuldades encontradas com a amamentação de prematuros, especialmente com o tempo de internação e a ordenha, o período de aleitamento materno exclusivo deste estudo foi de 5,5 meses e complementado de 12,8 meses. Isto deve estar relacionado ao acolhimento e às orientações fornecidas pela equipe multidisciplinar, pelo fato de ser um hospital amigo da criança que oferece apoio e incentivo ao aleitamento materno, idade materna mais avançada e ao não uso da chupeta em idade precoce. Para obter sucesso e superar as dificuldades maternas com a amamentação de prematuros é essencial investir em capacitação contínua de toda a equipe multiprofissional.

PALAVRAS CHAVE: Aleitamento materno. Prematuros. Recém-nascidos. REFERÊNCIAS

1. Puntis JWL. Nutritional support in the premature newborn. Postgrad Med J. 2006; 82:192- 98.

2. Nascimento MBR, Issler H. Aleitamento materno em prematuros: manejo clínico hospitalar. Jornal de Pediatria. 2003: 80 Suppl 5: S163-72.

3. Gorgulho FR, Pacheco STA. Amamentação de prematuros em uma unidade neonatal: a vivência materna. Escola Anna Nery Rev Enferm. 2008 Mar; 12(1): 19-24.

4. Araújo BBM, Rodrigues BMRD. Vivências e perspectivas maternas na internação do filho prematuro em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal. Rev Esc Enferm USP. 2010; 44(4): 865-72.

5. Chaves RG, Lamounier JA, César CC. Factors associated with duration of breastfeeding. Jornal de Pediatria. 2007; 83(3): 241-46.

6. Matuhara AM, Naganuma M. Manual instrucional para aleitamento materno de recém- nascidos pré-termo. Pediatria. 2006; 28(2): 81-90.

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