10.5 S TATISTISKE METODAR
11.1.5 Klorofyll fluorescens
Após a leitura exaustiva do material empírico, iniciou-se a fase de categorização. A definição das categorias de análise é uma operação de classificação dos elementos constitutivos de um conjunto de textos seguido de um reagrupamento baseado em analogias a partir de critérios definidos.
Como explicado, foi utilizado o critério semântico para categorização – categorias temáticas. A opção por uma unidade temática é resultado da interdependência entre os objetivos do estudo e as teorias explicativas adotadas pelo pesquisador.
O processo de definição das categorias determinou inúmeras idas e vindas da teoria para o material empírico e deste para teoria, resultando em várias versões do sistema categórico até que se atingiu a versão final, considerada mais completa e satisfatória.
As categorias não foram definidas a priori e emergiram do conteúdo dos discursos dos profissionais. Como não existem fórmulas mágicas, seguiu-se um caminho próprio de categorização, apoiado no conhecimento e guiado pela experiência profissional, sensibilidade e intuição (Campos, 2004; Franco, 2005).
Do ponto de vista operacional, apesar de trabalhar com categorias criadas
a posteriori, optou-se por não criar uma quantidade enorme de categorias para
Seguindo o instrumento de coleta de dados, a análise foi organizada a partir dos três conjuntos de questões.
No primeiro conjunto, foram identificadas as categorias relacionadas ao registro de contexto: 1. características dos serviços e seu funcionamento; 2. perfil dos profissionais: sexo, categoria profissional, estar em cargo de coordenação ou gerência, formação acadêmica, tempo de experiência na área do HIV/aids, tempo de atuação no serviço atual; 3. trabalho em equipe.
No segundo conjunto, as categorias foram constituídas a partir das questões: 1. concepções dos profissionais sobre adesão ao tratamento; 2. estimativa de não adesão dos pacientes ao tratamento; 3. fatores que contribuem para a (não) adesão dos pacientes ao tratamento; 4. atividades e intervenções, individuais e coletivas, para promover adesão.
Na análise dos fatores que contribuem para a (não) adesão dos pacientes ao tratamento, os dados foram decodificados e reagrupados constituindo novas categorias para dar conta da diversidade e da densidade do conteúdo encontrado.
No terceiro conjunto, foi construído um quadro avaliativo (Quadro 1) a partir das duas dimensões de análise definidas a priori :
Dimensão de Utilização, que reuniu as categorias referentes às
características do questionário, utilização do questionário pelos pacientes e viabilidade de implantação do questionário.
Dimensão de Utilidade, que reuniu as categorias referentes à
importância de conhecer a adesão do conjunto de pacientes do serviço e potencialidade do questionário para auxiliar a gestão dos serviços e as equipes.
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Quadro 1 - Quadro avaliativo da aplicabilidade do WebAd-Q
Dimensão de Utilização
Características do questionário
Apresentação e qualidade das imagens Clareza das orientações
Adequação do tempo de resposta Pertinência das perguntas formuladas
Utilização do questionário pelos
pacientes
Entendimento das perguntas formuladas (vídeo e áudio)
Manuseio do computador
Disponibilidade para responderem o questionário
Viabilidade de implantação
Existência de infraestrutura para
implantação do questionário (espaço físico, computador)
Possibilidade de acesso à Internet no serviço
Engajamento de gerentes e profissionais com o tema e com a implantação do questionário
Dimensão de
Utilidade Utilidade
Importância de conhecer a adesão do conjunto de pacientes do serviço
Potencialidade do questionário para auxiliar a gestão do serviço e as equipes
Após a codificação de cada uma das entrevistas, o material foi reagrupado e analisado a partir da leitura horizontal do material individual categorizado, buscando descrever e compreender cada um dos temas identificando semelhanças e diferenças entre os discursos, ordenando e dando inteligibilidade ao conjunto de informações disponíveis para cada tema encontrado.
Pode-se caracterizar as categorias como grandes enunciados que abarcam um número variável de temas, agrupados segundo o grau de proximidade, que exprimem significados e elaborações importantes, atendem aos objetivos do estudo e possibilitam a construção de novos conhecimentos, proporcionando uma visão diferenciada sobre o assunto.
A análise (Quadro 2) apoiou-se no quadro conceitual da adesão e do trabalho em saúde, tomando como eixo a identificação das concepções dos profissionais sobre a adesão, o trabalho realizado no cotidiano da assistência
para promoção da adesão e a opinião sobre a utilidade de um instrumento para estimar a adesão do conjunto de pacientes dos serviços.
Na apresentação dos resultados, optou-se por apresentar cada uma das categorias como grandes enunciados, seguidas do quadro de verbalizações (fragmentos dos discursos) e temas correspondentes.
Difícil, neste momento, é delinear com absoluta transparência os motivos da escolha deste ou daquele fragmento, sem levar em consideração a relação de intensa interdependência que se processa entre o pesquisador e o material empírico.
Os serviços pesquisados são identificados pelas sete primeiras letras do alfabeto, grafadas em letra maiúscula e precedidas da letra S (serviço). Na sua descrição, será localizada apenas a região do país em que se encontram e suprimidas, por questões éticas, quaisquer informações que possam identificá- los, com o objetivo de manter o sigilo necessário ao desenvolvimento de estudos dessa natureza. Os fragmentos são citados entre aspas e seguidos da identificação do entrevistado. Para identificação dos profissionais, optou-se pelo uso da inicial da categoria profissional (Médico, Enfermeira, Assistente
Social, Psicóloga e Farmacêutica) seguido de G, que refere ao gerente do
serviço, quando for o caso. A categoria profissional médico foi grafada no masculino, tendo em vista que a maioria dos médicos entrevistados é do sexo masculino, as outras categorias são majoritariamente do sexo feminino e, portanto, referidas no feminino.
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Quadro 2 - Quadro resumo do processo de análise.
- Leitura flutuante do corpus de análise para imersão no conteúdo;
- Construção do plano de análise definido primeiro pela análise vertical de cada uma das entrevistas e, posteriormente, pela análise horizontal do conjunto de entrevistas;
- Leitura exaustiva do material empírico;
- Identificação nos depoimentos dos temas latentes que tinham significado para o objetivo do estudo;
- Construção das unidades de análise a partir dos temas identificados;
- Identificação das categorias a partir dos temas que forem agrupados por critérios de semelhança e de significado;
- Retorno ao discurso dos profissionais para rechecagem das categorias identificadas;
- Nomeação de cada categoria identificada utilizando fragmentos dos discursos dos profissionais, considerados como emblemáticos e portadores de sentido; - Estabelecimento das inferências, como parte da essência da categoria, que
foram estabelecidas de acordo com o objetivo do estudo e com os conceitos teóricos;
- Interpretação final dos dados – buscou-se ir além da explicação dos resultados e realizar um levantamento de hipóteses baseadas em inferências.
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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
“A tarefa não é tanto ver o que ninguém tinha visto, mas pensar o que ninguém pensou a respeito do que todo mundo vê”. Schopenhauer