5. RESULTATER FRA METAANALYSE AV EKSISTERENDE BYGNINGER
5.1 R ESULTATER FRA CASESTUDIENE FRA N ORGE
5.1.2 Klimagassutslipp fra materialer og energibruk
A abordagem estratégica teve seus postulados principais desenvolvidos por Jay Haley; posteriormente, contou com preciosas contribuições efetuadas por Cloé Madanes e foi um enfoque que provocou grande impacto no campo da Terapia Familiar nas décadas de 70 e 80 do século XX. Caracteriza-se por ser uma forma diretiva de tratamento que busca, primariamente, o desaparecimento do sintoma e, posteriormente, a resolução dos problemas estruturais que deram origem ao sintoma (NICHOLS; SCHWARTZ, 1998).
Jay Haley teve a oportunidade de trabalhar junto a figuras fundamentais na história da Terapia Familiar, atuando, na década de 50, com Gregory Bateson, no projeto que estudava a comunicação dos esquizofrênicos. Através de Bateson, teve contato com Milton Erickson, psiquiatra e hipnólogo, que marcou, de forma definitiva, a si próprio, bem como a sua maneira de atender as famílias: “Erickson pode ser considerado o mestre da abordagem estratégica à terapia.” (HALEY, 1991, p. 20)
Erickson, diferentemente de outros profissionais atuantes da época, acreditava que as pessoas possuíam recursos internos, que poderiam auxiliá-las a implementar mudanças rápidas em suas vidas, e que cabia ao terapeuta, centrado na ação e no contexto, possibilitar que tais recursos emergissem. “Há um desejo natural de crescimento dentro das pessoas [...] há forças pessoais que precisam ser liberadas para um maior desenvolvimento pessoal.” (HALEY, 1991, p. 35)
A história de vida de Erickson influenciou, provavelmente, seu modo otimista de encarar as limitações. Aos 17 anos, sofreu de poliomielite, sendo obrigado a permanecer acamado por um ano, aproximadamente; precisou de muita determinação para recuperar parcialmente suas habilidades motoras e, apesar de
apresentar seqüelas decorrentes de tal enfermidade, teve uma vida longa e produtiva. Sua forma original de tratar as mais variadas problemáticas humanas incluía uso da hipnose, metáforas, desafios, paradoxos, prescrição de recaídas, entre outras, que Haley incorporou e aperfeiçoou em sua abordagem estratégica.
Além de Erickson, Haley trabalhou também com Salvador Minuchin, a partir de 1967, na Philadelphia Child Guidance, onde participou ativamente na elaboração dos conceitos que se tornaram fundamentais na escola estrutural. Com Minuchin, implementou longo treinamento a profissionais leigos da comunidade interessados em atuar junto a famílias. A importância da estrutura familiar e, principalmente, os conceitos de hierarquia e fronteiras foram incorporados na abordagem estratégica.
A avaliação de Haley e seus objetivos são estruturais: melhorar a hierarquia da família e os problemas de fronteiras que dão suporte a essas fronteiras disfuncionais. Sua abordagem calculada e sua tática passo a passo é que são estratégicas. (NICHOLS; SCHWARTZ, 1998, p. 346)
Haley extraiu da Cibernética os conceitos de retroalimentação e homeostase e dos estudos da Comunicação o conceito de duplo vínculo e seqüências interacionais, co-relacionando tais pressupostos com o funcionamento da família que apresentava problemas. Além disso, buscava compreender qual função o sintoma desempenhava na família que procurava por atendimento; em seus escritos originais, enfatiza que o portador do sintoma obtém uma vantagem no relacionamento; sua premissa era: os relacionamentos humanos caracterizam-se por uma luta pelo controle e poder (MINUCHIN; LEE; SIMON, 1998).
Os sintomas, então, cumpririam uma dupla função: por um lado, estabilizavam a estrutura familiar disfuncional; por outro, proporcionavam poder ao seu portador. Sendo assim, cabe ao terapeuta, em primeiro lugar, estabelecer-se como aquele que detém o poder no contexto terapêutico e, posteriormente, através de suas estratégias e intervenções, atuar no sentido de reestruturar a estrutura familiar e re-agrupar os membros da família em torno de um poder que favoreça a todos (BERTRANDO; TOFFANETTI, 2004).
A terapia estratégica visa ser uma forma de tratamento breve, com o foco naquilo que é considerado problema pela família, postulando que a mudança é obtida através de modificações nos comportamentos, e não através da obtenção de insights; dentro desse enfoque, ter a consciência não implica, necessariamente, em
mudança. Ao terapeuta, cabe ocupar um papel de especialista, de intervencionista, bem como elaborar estratégias específicas de acordo com as problemáticas apresentadas.
A terapia estratégica está voltada para premissa de que o terapeuta deve estabelecer sua prática de modo ativo, diretivo e capacitado [...] planeja e dá início ao que desejaria que ocorresse na terapia. A responsabilidade pela derrota é do terapeuta. (KEIM, 1998, p. 270)
Provavelmente, em função de posicionamentos tão deterministas, a terapia estratégica, que é também denominada de “reengenharia social”, tenha recebido críticas na década de 90 do século XX, por seu caráter manipulativo, segundo Nichols e Schwartz (1998). Entretanto, tais autores ressaltam a evolução que o pensamento estratégico tem apresentado e afirmam que, mesmo na atualidade, “época de terapeutas não-especialistas, há ainda espaço para estratégias ponderadas de solução de problemas e orientação terapêutica.” (NICHOLS; SCHWARTZ, 1998, p. 366)
No que se refere à formação dos terapeutas familiares, Haley, da mesma forma pragmática que encara as famílias que se encontram em atendimento, assume como sua a responsabilidade de treinar, supervisionar e garantir o desenvolvimento do futuro profissional: “Aprendem-se técnicas de entrevistar e técnicas terapêuticas para a variedade de clientes que procuram auxílio, técnicas estas que precisam ser ensinadas.” (HALEY, 1998, p. 12)
Seus métodos enfatizam a necessidade de os terapeutas dominarem o maior número possível de técnicas para poder prestar um atendimento adequado.
O que deve ser ensinado são as técnicas para condução de terapias bem-sucedidas, ou seja, como fazer uma pergunta ou um comentário, como deve dar uma diretiva, como determinar quem deverá comparecer às entrevistas e como planejar a estratégia de um caso. (HALEY, 1998, p. 12)
Apesar do foco marcante na aquisição de técnicas, acrescenta que a terapia não pode ser comparada à carpintaria, pois se trata de um processo conduzido por pessoas que podem apresentar “limitações”. Sendo assim, cabe ao supervisor atentar que “além de ensinar técnicas clínicas ao terapeuta, o supervisor deve ajudá- lo a superar dificuldades pessoais e atingir o mais alto nível de competência clínica.” (HALEY, 1998, p. 22)
O supervisor, então, é o responsável por encontrar alternativas que possibilitem ao treinando superar impasses decorrentes de sua vida pregressa ou presente. No entanto, desaconselha que os profissionais submetam-se a longos processos terapêuticos, considerando que tal fato acaba sendo um empecilho em seu treinamento. “A meu ver, quanto mais terapia teve o trainee, mais difícil será treiná-lo numa terapia de abordagem social ativa.” (HALEY, 1998, p. 24)
Haley (1998) condena as supervisões que se norteiam por uma abordagem conversacional, nas quais prevalecem hierarquias mais igualitárias, e chega a questionar se tal postura não seria uma sinalização do não comprometimento do supervisor.
Ele também se recusa a incluir, no treinamento de terapeutas estratégicos, qualquer tipo de atividade relacionada às suas famílias de origem, justificando sua postura por temer que tal configuração predisponha o profissional a focalizar, exageradamente, no material histórico familiar, dando menos atenção aos dilemas vivenciados pelos clientes no presente, segundo McDaniel e Landau-Stanton (1996). Seu posicionamento torna-se compreensível se for levada em consideração a oposição que Haley demonstrou, durante toda a sua trajetória, contra a Psicanálise e as inúmeras manifestações públicas que fez acerca de seu modo de encarar tal método psicoterapêutico.
Entretanto, parece que Haley parte do princípio de que qualquer trabalho voltado à família de origem teria como foco carências, traumas e impedimentos, ou seja, de quanto a família ocupa um papel de agente limitador ou repressor ao crescimento do indivíduo. De forma interessante, acaba por incorporar um dos pressupostos da Psicanálise (NICHOLS; SCHWARTZ, 1998).
Acredita-se que, se houver um redirecionamento do olhar, através do qual as vivências familiares sejam vistas como fonte de contribuição no desenvolvimento de competências, tal postura seria coerente com a crença ericksoniana, incorporada pelo próprio Haley, de que as pessoas possuem mais recursos do que imaginam, sendo o grande desafio do ser humano acessá-los e implementá-los em suas vidas, a fim de viver de uma forma mais satisfatória.