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5.1 Påvirkninger og inngrep

5.1.7 Klimaendringer og havnivåstigninger

Maquiavel reflete uma distinção ética, uma para aqueles que estão no poder e outra para os cidadãos. Mas de onde procede esta forma de pensar? Pode-se assumir uma originalidade nele, como no caso da teoria política? Qual é sua fonte de saber? Podem ser reconhecidas duas coordenadas em sua prática empírica: uma diz respeito à sua filosofia de história; outra, diz respeito à psicologia humana (Maquiavel, p.14).

5.2.2.1 Filosofia Histórica

A forma de Nícolas ver as normas do comportamento humano refletem sua leitura e reflexão de certos fenômenos, vivenciados no campo político, que lhe eram contemporâneos, bem como históricos. Tenha-se em mente que o método de estudar a Ars Dictaminis que exercera influência sobre ele, se dava por meio dos estudos dos autores clássicos (Skinner, p.58). Sua metodologia usada no livro destinado a Lorenzo compõe constante uso da história com seus personagens de sucesso servindo de base para sua instrução e categorização de fórmulas para se dominar e conservar o Estado. Martins afirma que personagens, como César Bórgia (1475-1507), e o papa Júlio II (1445-1513), foram exemplares nas técnicas políticas, e inspira-se no primeiro nas questões de distinção ética (Maquiavel, pp.10-11). Sendo assim, a

história para Maquiavel é cíclica (Skinner, p.189), de modos que os fenômenos ressurgem, permitindo-se por sua vez prever-se o futuro (Maquiavel, p.15). O pensador florentino cristaliza e organiza um conhecimento das práticas dos detentores do poder, formando uma engenharia operacional de governo. Apreende-se desta engenharia a ausência da moral. A ética não tem lugar. O que importa nesta engenharia é que os governantes alcancem êxito (Maquiavel, p.23). Observe-se a declaração feita a Lorenzo:

Desejando eu oferecer a Vossa Magnificência um testemunho qualquer de minha obrigação, não achei, entre os meus cabedais, coisa que me seja mais cara ou que tanto estime quanto o conhecimento das ações dos grandes homens apreendido por uma longa experiência das coisas modernas e uma contínua lição das antigas; as quais, tendo eu, com grande diligência, longamente cogitado, examinando-as, agora mando a Vossa Magnificência (Maquiavel, p.31).

Nota-se uma epistemologia empírica fundada numa percepção cíclica da história. Ela compõe a fonte do saber político e ético funcional. Em seus escritos políticos, quando tece comentários sobre o modo de se tratar os povos do Vale do Chiana rebelados, evidencia esta base epistemológica, observando: “Ouvi dizer que a história é a mestra das nossas ações e máximas dos príncipes” (Maquiavel, Escritos Políticos, p.153). Este “ouvi dizer”, à luz da

dependência histórica em O Príncipe, pode ser visto aqui como retórica, já que Maquiavel vê a história como um de seus mestres (Maquiavel, Escritos Políticos, p.153). No capítulo VI de

O Príncipe, ao falar dos principados novos que se conquistam pelas armas e nobremente,

Maquiavel evidencia sua percepção de história:

Os homens trilham quase sempre estradas já percorridas. Um homem prudente deve assim escolher os caminhos já percorridos pelos grandes homens e imitá-los; assim, mesmo que não seja possível seguir fielmente este caminho, nem pela imitação alcançar totalmente as virtudes dos grandes, sempre se aproveita muita coisa (Maquiavel, p.51).

5.2.2.2 Psicologia Humana

O outro aspecto desta epistemologia reside na questão da psicologia. Martins reflete que isto implica numa autonomia do dominador frente à ética e as questões de direito, e que para Maquiavel, a psicologia desenvolvida em torno do poder, fundamenta o conhecimento secular e autônomo do político e o separa radicalmente da ética e do direito (Maquiavel, p.15). Quando se fala de psicologia humana é uma referência àquilo que é chamado de natureza

humana. A percepção que este cientista político possuía era fruto de sua leitura histórica bem

como de seu relacionamento com os dominadores. Esta natureza humana, ou psicologia humana, tanto dos dominadores quanto dos dominados, é descrita como sendo corrupta (Cf. Skinner, pp. 183-9), e só oferece alguma textura diferente diante da coação. Tal natureza tem sua gênese na desigualdade social, de tal modo que, poucos homens sabem e querem remediar esta condição (Maquiavel, p.20). É essencial a existência de um poder militar de envergadura para a erradicação da corrupção na vida política (Skinner, p. 135). Esta conceituação da psicologia humana é recorrente em O Príncipe. Em seu capítulo XVII, considerando a crueldade e a piedade, lembra a Lorenzo acerca da natureza dos homens, dizendo:

É que os homens geralmente são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ambiciosos de dinheiro, e , enquanto lhes fizerem bem, todos estão contigo, oferecem- te sangue, bens, vida, filhos, como disse acima, desde que a necessidade esteja longe de ti. Mas, quando ela se avizinha, voltam-se para outra parte (Maquiavel, p.98).

Quando Ferrater Mora apresenta este tema em seus escritos traz uma observação pertinente para os propósitos aqui buscados. Mora reconhece uma relação entre o conceito maquiaveliano da natureza humana, não somente no seu sentido de perversidade e universalidade como uma realidade ingênita e comportamental, mas entrelaçada com conceitos naturalistas.

Com efeito, Maquiavel, que de certo modo foi “historicista” [...] foi também, e em larga escala, “naturalista” (pelo menos na medida em que partiu da idéia de que o homem é sempre, no fundo, o mesmo, é impelido pelos mesmos motivos e se acha sujeito às mesmas paixões) (Mora, 2001, III, p 1856).

Assim, embora todos os homens sejam sempre e em toda parte “os mesmos”, parece que do ponto de vista político se manifestam fundamentalmente das duas maneiras citadas. De todo modo, Maquiavel supõe que há uma “natureza humana” e que esta é invariável e que esta é invariável no decorrer da história. [...] predomina em Maquiavel uma “índole pessimista”, visto que ele julga que os homens estão naturalmente “corrompidos” e dispostos a satisfazer suas paixões, motivo por que é preciso mantê-los submissos a fim de tornar possível a sociedade (MORA, 2001, III, pp. 1856-7).

Assim, averiguou-se que a perspectiva epistemológica maquiaveliana que delineia sua ética constrói-se num quadro de referência comportado por um rompimento com a forma escolástica de fazer política, aderindo ao empirismo cuja base possui duas coordenadas: uma visão cíclica da história de onde procede a uma cristalização do modus operandis da ética de governantes de sucesso; e uma percepção da psicologia humana, reconhecendo-a como sendo corrupta, sujeita a alguma mudança comportamental mediante coação.