é como uma escola de natação que não tem piscina.” (Diaz Plaza, 1994:131).
À Biblioteca Escolar, centro de informação e fonte de conhecimento, caberá directamente a função de incutir hábitos de leitura nos alunos (Silva, 2002:199), competindo-lhe promover actividades que possam despertar motivação, recorrendo a actividades como a hora do conto, a recitação de poemas, a apresentação de autores, a leitura de jornais e revistas, etc..
Todos estes recursos permitirão às crianças enriquecerem os seus conhecimentos e manterem um contacto directo com o mundo da leitura. No entanto, o grande pilar de sustentação de toda essa dinâmica serão os professores, que estão em contacto com a criança grande parte do tempo de escola. Serão esses mestres que lhes possibilitarão o aperfeiçoamento nesse domínio específico de formação.
4.2. A RESPONSABILIDADE DOS PROFESSORES NA FORMAÇÃO DE LEITORES
Segundo Weisz (2002), o professor deve levar os alunos a participarem do mundo da cultura. Todas as crianças têm direito a isso, e, no mundo em que vivemos, onde o acesso e o uso eficaz da informação é condição de plena inserção social, a tarefa do professor aumenta em exigência, bem como a sua necessidade de formação.
Para isso, refere Weisz (2002), é tarefa da escola desenvolver um trabalho colectivo e frequente com os alunos, para que eles aprendam a aceder à informação, e depois a seleccioná-la, relacioná-la, hierarquizá-la, tomando como referência informações colhidas em diferentes fontes.
Não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer grupo de alunos. A prática pedagógica é complexa e contextualizada e, portanto, não é possível formar conteúdos premeditados dispostos a serem incutidos ao grupo discente.
O professor, diante de cada situação, precisa de reflectir, encontrar soluções e tomar decisões relativas ao encaminhamento mais adequado. Ele precisa de ter autonomia e capacidade de decisão.
O trabalho do professor é complexo. Independentemente da sua área de intervenção e conhecimento, ele tem, também, por missão orientar os alunos para o gosto pela leitura.
Por esse facto, o professor deverá recorrer a livros de diversificada tipologia e proveniência. Segundo Freitas, et al. (1986:35), é a essa falta de hábitos, por parte de alguns professores, “em utilizarem livros como recurso de ensino-aprendizagem”, que será devida “uma certa rejeição da leitura como lazer”.
Mas a aprendizagem da leitura não é só tarefa do professor de Língua Portuguesa, mas de todos os professores. Sequeira sublinha essa situação, afirmando que “não podemos exercitar práticas de leitura somente na aula de língua materna, mas também, e nos diversos níveis de escolaridade, em todas as disciplinas, pois cada uma delas impõe uma estratégia própria de leitura” (Sequeira, 2000:55-56).
A escola e o professor devem aperfeiçoar a aprendizagem da leitura através de diversas estratégias e actividades propostas. Segundo Maria de Lourdes Dionísio (2000:50-51), a escola é um “lugar natural de formação de leitores”. Esse trabalho deve ser construído em conjunto, utilizando os recursos disponíveis e propostos pela escola.
Todavia, cabe ao professor desenvolver estratégias didácticas onde o aluno poderá relacionar os seguintes níveis de competência linguística para ler e produzir textos: o contexto situacional e textual; os principais parâmetros da situação da produção de texto; o tipo de texto; a superstrutura do texto; as manifestações do funcionamento linguístico no conjunto do texto; o funcionamento linguístico no nível das frases, das palavras e das microestruturas (Jolibert, 2003).
A literatura escolhida nos manuais escolares e desenvolvida durante o período escolar não é, na maior parte das vezes, sinónimo de prazer para os alunos. Estudar ou ler literatura contemporânea ou clássica pode assustar ou afastar os discentes das obras literárias.
Do mesmo modo, não será correcto que a Biblioteca Escolar ignore as obras estudadas ao longo do ano lectivo. Nela, não poderão ser ignoradas actividades sobre os autores mais referidos e importantes. É que as actividades desenvolvidas na Biblioteca
Escolar poderão despertar interesse nos alunos pela leitura, em especial pelas obras literárias, fazendo-os alterar o modo de pensar que sobre elas tinham anteriormente.
O espaço onde aluno mais pode encontrar riqueza literária é, certamente, a Biblioteca Escolar. Ela tem um papel fundamental no desenvolvimento e no acompanhamento do leitor ao longo da sua vida. Através dela, o aluno abrirá a sua mente, ao apoderar-se de certos conhecimentos essenciais para seu crescimento intelectual. Assim, dinamizar a Biblioteca Escolar “significa torná-la um local ativo, dinâmico e ao mesmo tempo acolhedor a todas as propostas que visem o crescente entrosamento entre usuário/Biblioteca” (Simão, et al., 1993:15). Desse modo, as diversas actividades propostas pela Biblioteca Escolar deverão motivar e/ou captar a atenção do aluno, levando-o a desenvolver os conhecimentos adquiridos na sala de aula e a desenvolver, no futuro, espírito crítico, tornando-se num leitor assumido.
4.2.1. A BIBLIOTECA ESCOLAR E A FORMAÇÃO DE LEITORES.
A Biblioteca Escolar não poderá apenas ser encarada como um espaço de simples lazer ou de prolongamento do tempo de aulas, mas como um espaço cultural diversificado, onde o aluno disporá de possibilidades para construir, passo a passo, o seu sucesso escolar. Na perspectiva de Stumpf (1987:67), a Biblioteca Escolar “não é um setor isolado dentro dos estabelecimentos de ensino”, mas “uma instituição dinâmica que interage com a escola e o meio social, possuindo diferentes papéis a cumprir”.
Se aprender a ler é uma tarefa para toda a vida, ensinar a ler é uma tarefa de todos os docentes, pois na vida a leitura vai estar sempre presente (Sim-Sim, 2006:99).
Segundo Nery (1989:11), “para que os objectivos da educação possam ser atingidos, é necessário que os meios utilizados sejam compatíveis e eficazes”. A Biblioteca está entre os diversos meios educativos, pois é um recurso indispensável para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem e a formação dos nossos alunos. Portanto, é importante que ela seja orientada para um trabalho escolar dinâmico, tornando-se, assim, num instrumento produtivo, dentro da escola.
Ribeiro (1994:61) considera que “a Biblioteca possibilita acesso à literatura e às informações, para dar respostas e suscitar perguntas aos educandos, configurando uma instituição cuja tarefa se centra na formação, não só do educando, como também de
apoio informacional ao pessoal docente”. Para isso, “a Biblioteca precisa de ser entendida como um „espaço democrático‟, onde interajam alunos, professores e informação” (ibidem), com duas funções: “a função educativa e a formação cultural do indivíduo” (ibidem).
Consequentemente, a Biblioteca Escolar deverá permitir servir toda a comunidade educativa, colocando-se “como um instrumento educador, um centro atuante de aprendizagem, onde não só os alunos, mas também educadores e usuários, em geral, encontrarão meios de ampliar seus conhecimentos e desenvolver aptidões de leitura e de investigação” (Mayrink, 1991:49).
Por sua vez, o bibliotecário não poderá ser visto como um elemento que executa apenas tarefas técnicas, mas como um profissional com formação pedagógica, cultural e social (Nery, 1989:13).
Portanto, é importante que os professores vejam no bibliotecário um parceiro na orientação dos alunos, para um trabalho escolar dinâmico. Só assim os “professores, bibliotecários e responsáveis conseguirão realizar um trabalho de cooperação e participação, visando a melhoria do processo ensino-aprendizagem” (Nery, 1989:14).
De acordo com A. Nery (1989:12-13), a Biblioteca tem por dever:
- ampliar os conhecimentos;
- “colocar a disposição dos alunos um ambiente que favoreça a formação e desenvolvimento de hábitos de leitura e pesquisa”;
- “oferecer aos professores o material necessário à implementação de seus trabalhos” para enriquecer os seus currículos escolares;
- “colaborar no processo educativo, oferecendo vários recursos para o processo ensino-aprendizagem, dentro dos princípios emanados pela moderna pedagogia”;
- “proporcionar aos professores e alunos condições de actualização dos conhecimentos, nas diversas áreas do saber”;
- “conscientizar os alunos de que a Biblioteca é uma fonte segura e actualizada de informações”;
- “estimular nos alunos hábitos de frequência a outras Bibliotecas em busca de informação/ou lazer”;
- interagir com outras Bibliotecas, “proporcionando: intercâmbios culturais, recreativos e de informações”.