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Kjennetegn ved vegen der ulykkene skjedde

4. Veg- og vegforhold

4.1 Kjennetegn ved vegen der ulykkene skjedde

Plantin (2008) consagrou um livro à argumentação em que apresenta um panorama sobre os estudos argumentativos. Incialmente, o autor faz referência ao Tratado da Argumentação, de Perelman & Olbrechts-Tyteca, publicado em 1958 e fundamentado no estudo das técnicas argumentativas. Como lembra Amossy (2005), o tratado concebe a argumentação como “um conjunto de meios verbais pelos quais um orador tenta provocar ou reforçar a adesão de um auditório às teses que ele submete a seu assentimento” (AMOSSY, 2005, p. 123).

Apoiada pela Sociologia, a Nova Retórica, termo pelo qual ficou conhecido o Tratado da Argumentação, adota o discurso do orador como orientado para seu público, uma vez que toda argumentação se desenvolve em função do auditório ao qual ela se dirige e ao qual o orador é obrigado a se adaptar. Desse modo, um locutor pretende agir sobre seu interlocutor por meio de uma troca verbal que carrega suas próprias regras. No entanto, apesar de fazer alguma menção às técnicas discursivas, o tratado preocupa-se pouco com a linguagem. Assim como fez Plantin (2008), é válido nos questionarmos em que medida o tratado seria, de fato, uma nova retórica, pois, ainda que faça referências aos retóricos antigos e clássicos, se afasta da retórica clássica, uma vez que “o gesto e a voz estão excluídos de seu campo (...) e os afetos não recebem tratamento específico algum” (PLANTIN, 2008, p. 47).

Outra corrente retomada por Plantin (2008) refere-se à visão de argumentação na língua, proposta por Oswald Ducrot. Desse ponto de vista, a argumentação é reconstruída em um plano exclusivamente linguístico, e sua maior premissa é a de que quando um indivíduo produz um enunciado, já é possível, baseados nesse enunciado produzido, predizermos o que será dito em seguida. Assim, numa perspectiva semântica “o estudo da argumentação é o estudo das capacidades projetivas dos enunciados, da expectativa criada por sua enunciação” (PLANTIN, 2008, p. 32).

Ao nos atermos às discussões trazidas à luz por Plantin (2008), podemos nos questionar: qual o lugar da argumentação nos estudos discursivos? De certa forma, também é possível nos questionarmos sobre o que seria e o que não seria argumentativo e, como o fez Galinari (2007), sobre quais gêneros teriam força retórica. Entre as questões levantadas por Galinari (2007), destacamos: as conversas corriqueiras, entre conhecidos e familiares, por

exemplo, teriam algum caráter argumentativo? A argumentação estaria restrita somente aos discursos mais elaborados, como os discursos políticos e religiosos etc.?

Na tentativa de responder a essas inquietações, é interessante retomarmos Amossy (2011), quando a autora pontua que se a análise do discurso pretende descrever o funcionamento do discurso em situação, não deve se desatentar quanto a sua dimensão argumentativa. A autora observa que, para a argumentação, o interlocutor não é considerado como um objeto a manipular, mas sim como um alter ego com quem se compartilha algum ponto de vista. Assim, agir sobre esse interlocutor é tentar modificar as representações que lhe são atribuídas, destacando certos aspectos, ocultando outros etc. Trata-se, em outras palavras, de compreender a argumentação de maneira ampla, como uma tentativa de modificar, reorientar ou reforçar a visão do alocutário sobre determinadas coisas por meio dos recursos da linguagem (AMOSSY, 2010). Dito isto, reafirmamos que, assim como Amossy e Galinari, adotamos a seguinte posição sobre argumentação descrita por Plantin (1996):

toute parole est nécessairement argumentative. C'est un résultat concret de l'énonciation en situation. Tout énoncé vise à agir sur son destinataire, sur autrui et à transformer son système de pensée. Tout énoncé oblige ou incite autrui à croire, à voir, à faire, autrement. (PLANTIN, 1996, p. 29)

Amossy (2010; 2011) sustenta que argumentar não significa empregar um raciocínio único, mas sim uma troca de informações entre dois ou mais parceiros, visando a essa persuasão. Nas palavras da autora, numa concepção mais ampla, a argumentação define-se como uma “tentativa de modificar, reorientar, ou mais simplesmente, de reforçar, pelos recursos da linguagem, a visão das coisas da parte do alocutário” (AMOSSY, 2011, p. 130). Dessa maneira, podemos dizer que o discurso condiciona o ouvinte a compreender o mundo de um determinado modo, e é, também, uma tentativa de agir sobre o outro. A palavra é sempre uma resposta ao que o outro diz, uma reação ao que foi dito anteriormente, com vistas a modificá-lo ou rejeitá-lo. Nesses casos, o sentido construído no discurso não é atingido somente pelo que é dito, mas também pela maneira como foi dito.

Numa perspectiva dialógica, Amossy (2010; 2011) sustenta que a argumentação está inserida no discurso. Conforme pondera a autora, é importante distinguir, nesta perspectiva, o que ela denomina, por um lado, intenção argumentativa e, por outro lado, dimensão argumentativa. No primeiro caso, quando o discurso manifesta uma intenção argumentativa, a estratégia de persuasão é programada, pois é premeditada, consciente e explícita. Podemos citar como exemplos os discursos publicitários, jurídicos e o discurso político, objeto de

estudo deste trabalho. Aqui, o discurso escolhe modalidades argumentativas que sejam capazes de conduzir o bom funcionamento da estratégia de persuasão. No segundo caso, o discurso comporta uma dimensão argumentativa, uma vez que tende a orientar os modos de ver do interlocutor (AMOSSY, 2011). Nesses casos, o discurso não possui explicitamente o objetivo de persuadir ou convencer, mas interfere nos valores dos interlocutores, orientando seus modos de pensar, agir e sentir. É o que acontece, por exemplo, com uma notícia de jornal.

Outro ponto a ser abordado e que salta aos olhos é que os estudos acerca da argumentação apresentados no início deste capítulo não compreendem a prosódia como um constituinte discursivo. Isso fica claro, por exemplo, no Tratado da Argumentação, quando Plantin (2008) sinaliza, ainda que modestamente, esse problema, ao dizer que os gestos e a voz estariam excluídos do campo de estudos da Nova Retórica. Ressaltamos que a prosódia é importante nos processos discursivos, pois, é a partir variações prosódicas, junto à argumentação, que o locutor expressa suas intenções comunicativas. Dito isso, retomemos o exemplo dado quando nos reportamos às noções de intenção e dimensão argumentativa: o discurso político. Quando um orador político escolhe modalidades argumentativas com vistas à persuasão, ele também modula, prosodicamente, sua fala. A título de exemplo, ao construir uma crítica direcionada a um oponente político, tal atitude será percebida não somente a partir das escolhas lexicais, semânticas etc. do candidato, mas também pela maneira como isso é dito. Em outras palavras, é a partir de modulações na voz que essa atitude será reconhecida pelo auditório.

A argumentação, associada ao ato de enunciar, objetiva atingir a persuasão e agir sobre o outro, modificando, assim, sua maneira de pensar. Como apontado por Galinari (2007), a argumentação não deve ser vista como um tipo de discurso, tampouco como uma modalidade específica de organização da língua, mas sim como um componente que se faz presente em qualquer enunciado social (GALINARI, 2007). Consoante Amossy (2011), entendemos que a argumentação se materializa nas diversas dimensões da língua, inclusive por meio de recursos prosódicos. No discurso político, por exemplo, os candidatos constroem sua argumentação não somente pela retórica. Nesse cenário, vemos que a prosódia se junta à argumentação, corroborando a construção de sentido.

É importante pontuarmos que, ao longo deste trabalho, recorremos às noções apresentadas por Charaudeau (2006) no que tange às construções ethicas do orador político. Com isso, objetivávamos, de algum modo, delimitar um conceito de ethos a ser adotado aqui. No entanto, ainda que esse autor traga contribuições para as discussões sobre ethos e sobre

discurso político, nossa concepção de argumentação se afasta daquela defendida por ele, na qual a argumentação consiste num modo de organização do discurso. Assim como Amossy (2006), entendemos que a argumentação está na espessura da língua, englobando todos os seus componentes, inclusive o prosódico. Todavia, essa interface prosódia-discurso não tem sido explorada de maneira abrangente, especialmente ao nos referirmos ao discurso político, como veremos a seguir.