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Kjemisk analyse

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Procedimentos para análise dos dados

Seguindo a perspectiva do método de Sistematização de Experiências, e a sua conseguinte adequação na presente pesquisa, iniciaremos agora o “4º Tempo”. Todavia, é importante ressaltar que, de acordo com o que apresentamos na seção metodologia, buscamos inspiração na fenomenologia para proceder à “reflexão de fundo”, momento na qual ocorre a reconstrução, classificação e ordenação das informações com vistas a analisar, sintetizar e interpretar criticamente o processo vivido (JARA-HOLLIDAY, 2006, p.73).

Com a apresentação do presente tópico, “Procedimentos para análise dos dados”, procuramos possibilitar um olhar ampliado acerca da consonância e integração entre os métodos de Sistematização de Experiências com aportes da fenomenologia existencial.

Para a concretização desta etapa da pesquisa foi realizado a análise dos registros constantes nos 23 Diários de Campo (DC) do projeto de extensão VADL. O período analisado compreende o período de nossa inserção. Portanto, entre os meses de maio de 2012 a dezembro de 2012. Ressaltamos que a participação na experiência é uma premissa da perspectiva metodológica da Sistematização de Experiências.

Em acordo com Bogdan e Biklen (1994) os DC envolvem aspectos descritivos e reflexivos. Os aspectos descritivos registrados pelos/as pesquisadores/as podem englobar: retratos dos sujeitos (incluindo sua aparência, roupas, falas, ações); reconstruções do diálogo (as conversas e os gestos, expressões faciais); descrição do espaço físico (através de desenhos ou mesmo descrições das mobílias, piso, paredes, pintura); relatos de acontecimentos particulares (caso ocorram e sejam pertinentes); descrição das atividades (incluindo as atitudes dos participantes); comportamento do/a observador/a (considerando-se a si próprio, suas atitudes, suas suposições e tudo que possa afetar a coleta dos dados). Já a parte reflexiva envolve: reflexões sobre o método; reflexões sobre conflitos e dilemas éticos; reflexões sobre o ponto de vista do observador e pontos de clarificação.

A realização de diversas leituras dos DC permitiu a identificação dos elementos centrais contidos nos relatos dos/as participantes, à luz do fenômeno

investigado. A percepção de tais elementos permite a emersão e identificação das Unidades de Significado (US), utilizando para isso análise inspirada na fenomenologia (BICUDO; ESPÓSITO, 1994; GARNICA, 1997; GONÇALVES JUNIOR, 2008; KLUTH, 2011). Nas palavras de Martins e Bicudo (1989):

[...] como é impossível analisar um texto inteiro simultaneamente, torna-se necessário dividi-lo em unidades. [...] as unidades de significado são discriminações espontaneamente percebidas nas descrições dos sujeitos quando o pesquisador assume uma atitude psicológica e a certeza de que o texto é um exemplo do fenômeno pesquisado. [...] As unidades de significado [...] também não estão prontas no texto. Existem somente em relação à atitude, disposição e perspectiva do pesquisador (p. 99).

Na presente pesquisa as US foram destacadas e sublinhadas para facilitar sua visualização. Outro elemento utilizado para sua identificação foi a inserção de numeração arábica crescente (1, 2, 3...), logo ao final da frase que a compõe.

Salientamos que, ao procedermos a tal identificação, foram observadas proposições convergentes, possibilitando o agrupamento das US. Este movimento de aproximação entre elas possibilitou a formação de categorias temáticas para análise dos dados. Já os DC foram identificados em ordem cronológica crescente por algarismos romanos (I, II, III...).

Para a formação de categorias, foi realizada a redução fenomenológica. Para tanto, confeccionamos “Matriz Nomotética (Quadro 5)34. As categorias foram identificadas e apresentadas por letras maiúsculas (A, B, C,...), além de nomeadas com título que representou o conjunto de dados em apreciação na mesma.

Com vistas a facilitar o processo de leitura e compreensão, reapresentamos que, durante a análise dos dados, quando surgir a sigla DCII-1, por exemplo, refere-se ao “Diário de Campo dois, unidade de significado um”.

A presente apresentação acerca dos aportes da fenomenologia, ainda que pareça sucinta procurou pôr em relevo o processo de analise, sintetize e interpretação critica do processo vivido, bem como as aproximações do método de Sistematização de Experiências com o método de análise inspirado na fenomenologia existencial.

Apresentamos, logo adiante, a Matriz Nomotética. Na coluna da esquerda estão identificados cada um dos 23 DC analisados. Já na linha superior (primeira linha)

34 Salientamos que a Matriz Nomotética não procura apresentar dados estatísticos, embora possa ser possível tal observação, sua intencionalidade primeira é de realizar o movimento de convergência e agrupamento entre as US encontradas nos registros dos DC, analisadas à luz do objetivo da pesquisa.

da tabela foram indicadas as Categorias (A, B e C). A partir da segunda linha podemos visualizar as US que convergiram para composição de cada uma das categorias que emergiram no processo de reconstrução crítica da práxis do VADL, vivido no ano de 2012.

QUADRO 5 – Matriz nomotética.

Categoria Diário de Campo A Corporeidade do exemplo B Boniteza da Amorosidade C Superando os conflitos a partir do diálogo I 2; 3; 8 1; 4; 5; 6; 7 II 3; 1; 2; 7 4; 5; 6 III 1; 2; 3; 4; 5; 7; 8 6 IV 2; 5; 1; 3; 4; 6 7 V 5 1; 2; 4 3 VI 2; 3; 5 1; 3; 4 VII 1; 2; 3; 7 4; 5; 6; 8 VIII 1; 2; 3 IX 3; 4; 5; 6 1; 2 X 3; 4; 6 1 2; 5 XI 1 2; 3 4 XII 1; 3; 5 2; 4 XIII 5 1; 2; 3; 4 XIV 1; 2; 3; 5 4 XV 2; 3 1; 5 4 XVI 1; 2; 3; 5 4 XVII 1; 3; 4; 5; 6; 7 2 XVIII 1; 2; 3; XIX 1; 2; 3 XX 2; 4 1; 3; 5 XXI 1; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; 10; 11; 12; 13; 14 2 XXII 2; 3; 4 1 5; 6; 7; 8 XXIII 4 1; 2; 3; 5 XXIV 6; 7 1; 2; 3; 4; 5; 8; 9; 10; 11; 12; 13; 14

Emersão de categorias: desvelando os processos educativos

A - Corporeidade do exemplo

O projeto de extensão VADL apresenta em seu referencial teórico a perspectiva dialógica de orientação freireana. Durante a análise dos DC nos foi revelado

que a ação em campo, implementada pelos educadores e educadoras do projeto, buscaram contemplar tal fundamentação. Igualmente, a prática educativa do VADL tem permitido um movimento práxis dialético, cujo próprio mundo-vida da comunidade participante é mote de diálogo durante a realização dos encontros:

Notamos que as crianças compreendem a importância da realização de ações de cuidado com a praça. Nesse sentido, comentamos que é preciso que cobremos do poder público uma manutenção preventiva periódica, pois, nos parece inegável que a ação do tempo tem provocado uma grande deterioração dos equipamentos. Ademais, as praças de regiões centrais recebem um cuidado diferenciado daquelas situadas em bairros periféricos e/ou empobrecidos. Demos alguns exemplos como a “a Praça Coronel Sales”, ou, “a Praça da Fonte” que fica em frente a Catedral (na avenida São Carlos). Explicamos para os participantes que nestes espaços tem funcionários quase que diariamente. Nesse momento Karatê comentou apresentando certo descontentamento: “Oloco, lá tem um cara que fica todo dia cuidando de lá?”. Maurício lhe respondeu que sim. Percebemos que o descontentamento do participante foi notar o tratamento diferenciado que há entre uma praça da região central e outra de um bairro periférico. Também comentamos o mau uso do espaço. Por exemplo: a quantidade de lixo jogada no chão, porém, de imediato Neymar falou: “Mas professor! Não tem lixeira!” Foi então que Micuim respondeu: “Mas Neymar, se não tem lixeira não significa que a gente deve sujar. Pois, os únicos prejudicados somos nós mesmos que queremos usar a praça para brincar, ir com a família. O que não podemos é sujar mais. Temos que pedir para a prefeitura colocar mais lixeira lá. Não está certo não ter uma lixeira” (DCIX-3).

O desenvolvimento de algumas vivências contou com a problematização de situações existenciais, facilitando a visualização, encorajando a reflexão:

Na praça, durante a roda de conversa, perguntamos para as crianças como poderíamos cuidar da praça para que ela fosse um bom espaço para utilizarmos. Nos chamou atenção o comentário de Samanta na qual sugeriu a colocação de cartazes ou placas com mensagens para que a população mantenha a praça limpa, para que não joguem lixo no chão. A menina não deixou de observar também, que era necessário que a prefeitura distribuísse mais lixeiras pela praça, de maneira a facilitar para que os visitantes depositassem o lixo no local apropriado. A menina ainda salientou “Não estou vendo nenhuma lixeira aqui”. Micuim ficou impressionado com a consciência de Samanta (DCIX-4).

A empatia, a escuta atenta, a abertura ao Outro também permitiram que educadores/as e educandos/as aprendessem, a partir do estabelecimento de uma relação horizontal, em reciprocidade. Tal posicionamento e inclinação agiram de forma a

facilitar o processo de identificação dos núcleos de contradições que se manifestam no território do Jardim Gonzaga e que tem gerado situações limites à população:

Maurício comentou com toda equipe que enquanto estava na praça pôde conversar com um adolescente que por muitos anos frequentou o VADL. De acordo com o educador, num dado momento da conversa o garoto comentou que estávamos em cima da sala de sua casa. Maurício disse que não entendeu direito. O garoto, então disse-lhe que lembrou quando Karatê, ao usar a escavadeira, acertou algo duro (inclusive tivemos que deslocar aquela cova, pois não se tratava de uma pedra, mas sim de uma placa de concreto). O garoto também comentou que lá havia muitas casas, mas que foram todas derrubadas pela prefeitura porque era um lugar perigoso. Maurício disse não saber identificar qual emoção traziam aquelas lembranças para o adolescente. Pareceu apenas que o garoto estava narrando um fato, mas que intuía um certo amargor por parte do jovem em lembrar que morava ali, junto a encosta que dava de frente para o buracão. Maurício esclareceu para equipe o fato dizendo que o já haviam realizado no bairro duas grandes intervenções na infraestrutura do bairro e que a última havia sido iniciada em 2004 e concluída em 2006, ano em que a prefeitura (re)locou diversas famílias que moravam nas encostas do buracão, e realizou as últimas obras de pavimentação das vias (até o momento). A professora da Terapia Ocupacional disse que não tinha residência em São Carlos, pois morava em São Paulo e quando disseram que ela viria para o bairro, disseram que ela viria para uma favela. Porém estranhou a condição das moradias, pois só tinha avistado casas de alvenaria. Foi então que Maurício explicou para a professora que uma das intervenções foi a substituição dos “barracos” por casas de alvenaria e, em alguns casos, derrubada dos barracos e relocação das famílias para outras casas, ou, até mesmo, casas em outros bairros (DCIX-5).

Nesta ocasião emergiu, de maneira angular, a condicionalidade histórica dos moradores e moradoras do Jardim Gonzaga, na qual, desde o início da ocupação, a comunidade tem sofrido com problemas de infraestrutura. Além do mais, os moradores e moradoras do bairro ainda carregam o estigma de favelados/as, sendo comuns os relatos de pessoas que omitem seus verdadeiros endereços para não perderem a chance de um emprego quando estão em situação de entrevista de trabalho/emprego, para seleção profissional.

Os/as educadores/as do VADL puderam refletir acerca das mazelas provocadas pelo sistema econômico capitalista, desvelando um regime de desigualdades sociais na qual uma determinada parcela da população brasileira, a saber, a parcela afro- brasileira, é a mais atingida. Nesse sentido, apontamos para o seguinte registro:

Neste passeio o Serviço Social do Comércio (SESC) abriu as portas para outros grupos. Portanto, para além das crianças do VADL,

estavam presentes crianças de mais duas instituições. Uma de educação infantil e a outra era de um conhecido projeto socioassistencial do município de São Carlos, que é gerido pela Igreja Católica. Nós, educadores/as, pudemos reconhecer tais instituições através dos uniformes das crianças. Nesse sentido, Maurício também observou, chamando a atenção de seus colegas educadores/as para também observarem, que na instituição particular não haviam crianças negras (ao menos neste dia) participando da atividade. Em conversa, já na ECO, Micuim disse que então pode compreender que “A desigualdade social no Brasil também é expressa pela cor de pele. Deu pra notar também a diferença nas roupas que elas usavam, nos tênis que eram de marca”. Mad comentou que “era muito marcante o contraste, porque a criançada da escolinha era tudo branquinha com o olho claro” (DCXX-1).

A atividade de passeio à unidade do SESC de São Carlos contribuiu para a percepção da necessidade do desenvolvimento da temática da educação para as relações étnico-raciais, para o desvelamento da condição da população afro-brasileira, bem como para processos de valorização da identidade étnica de cada um e cada uma:

A escolha desta história (“Menina bonita do laço de fita”), especificamente, buscou dialogar com a educação para as relações étnico-raciais. Pois, para além de Novembro ser o mês da “Consciência Negra”, a temática aqui abordada também foi eleita como um dos eixos que compõem o grande tema “Convivência”, emergente no processo de eleição dos Temas Geradores. Assim, nos apropriamos da linguagem lúdica da “Contação de História” para iniciarmos o diálogo com as crianças. Para tanto, Maurício perguntou o que é que o coelhinho queria fazer? Karatê respondeu que ele queria ficar pretinho. Contudo, logo foi corrigido por Samanta que atentou: “Não, ele queria ter um filho pretinho”. Outras crianças concordaram com Samanta. E assim Maurício foi problematizando com outras perguntas relacionadas a história que ele e Micuim haviam contado. O objetivo da problematização era para que as crianças avaliassem sua própria condição hereditária (DCXXII-2).

Buscando complementar a atividade de contação de história, citada anteriormente, bem como dar continuidade à atividade de reflexão acerca da ancestralidade e descendência, os/as educadores/as do VADL solicitaram para as crianças realizarem uma consulta junto à seus/suas familiares, procurando conhecer a histórias de sua família, a naturalidade de seus parentes e, por ventura, a nacionalidade de suas mães, pais e avós, maternos e paternos (DCXXII-3).

Tais exercícios reflexivos eram desencadeados a partir de diálogos suscitados por vivências de jogos, ou, da leitura do Jornalzinho, de um momento de

contação de história. Foi comum identificar encontros nos quais as atividades propostas permitiam refletir acerca da própria condição:

Quase no fim das atividades do projeto daquele dia, Mad acompanhou as crianças na escovação junto ao enxaguatório/bebedouro. O educador comentou que naquele momento, ao observar as crianças naquela atividade de cuidado pessoal, pode inferir a consciência na qual as crianças realizavam tal tarefa (de escovar os dentes), pois de acordo com o próprio educador (Mad): “As crianças estavam escovando os dentes com uma consciência tão grande que refleti sobre o quanto era importante para elas aquele momento, pois lembrei que eu e muitos colegas meus, quando éramos mais novos, perdemos alguns dentes devido a não realização de uma atitude tão simples. Pois os nossos antigos professores poderiam ter nos ensinados sobre a importância disso após as merendas”. Portanto, estar ali com as crianças possibilitou ao educador refletir sobre sua própria história de vida, seu passado, (re)significando o simples ato de escovação (DC- I8).

Outra manifestação que contribuiu para a emersão da categoria presente foi a percepção de que nossas atitudes se inscrevem num mundo concreto e que aprendemos a partir de nossas relações de estar sendo-uns-com-os-outros-ao-mundo. Com isso compreendemos que nossas próprias atitudes, intencionalidades, comportamentos e posturas são uma rica fonte de aprendizagem:

Durante o momento do lanche, percebemos que as crianças aparentaram estar começando a compreender a importância de respeitar o momento de fala de um/a colega. Nesse sentido, Mad comentou que as crianças pareceram surpreendidas com o educador (Maurício) levantar a mão pedindo a fala, ao invés de ordená-las para que ficassem em silêncio, ou quietas. Portanto, julgamos imprescindível para a construção de uma relação dialógica que os educadores e educadoras também se manifestem a partir das mesmas convenções/regras apresentadas no ambiente. Com efeito, se a intenção é a aprendizagem do respeito, é preciso também respeitar. Ademais, embora as crianças tenham falado junto com outras crianças, de maneira aparentemente desordenada, logo elas compreenderam que precisariam instaurar uma “ordem”, levantando a mão para solicitar a fala, sem que fossem reprimidas, ou tivessem um comando verbal para tanto. Por fim, acreditamos que elas observaram uma pessoa, dita “referência”, e fizeram o mesmo. Saltando-nos a importância de nossos próprios gestos (dos educadores e educadoras), posturas e comportamentos (DC-V3).

Tais manifestações nos permitiram compreender que “pensar certo” é pensar o mundo em que vivemos. Para a construção de uma prática educativa realmente engajada com o compromisso de transformação da realidade, é preciso que para além de

simples pensar, ela também seja ação realizada uns-com-os-outros-ao-mundo, pois nas palavras de Freire (2005):

O professor que realmente ensinar, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fórmula farisaica do "faça o que mando e não o que eu faço". Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo ( p.19).

Os momentos de investigação temática junto à comunidade participante, realizado para proceder à eleição dos Temas Geradores, também se configuraram como um importante espaço-tempo na qual os educadores e educadoras puderam aprender com a comunidade. Havendo, inclusive, momentos em que os/as próprios/as educadores/as explicitasse tais aprendizagens (DCXI-8; DCXIII-6, 7 e 9), como podemos observar neste diálogo realizado com a educadora Erika:

Erika comentou que por ser uma parceria (VADL e “Campeões na Rua”), encarava os dois como extensão de um trabalho comum, e que certamente o trabalho de levantamento temático seria compartilhado/considerado para as ações cotidianas do “Campeões na Rua”. Assim a educadora apontou: “Em um primeiro olhar é minha profissão, ou seja, enquanto sustendo e renda. Agora, também, é possível ver o significado de me permitir refletir o país que eu moro, as condições/situações da sociedade brasileira em termos de desigualdades sociais, bem como um processo de entender melhor o ser humano a partir da convivência com outras pessoas, famílias. O trabalho na ECO é um ambiente propício para compreender o ser humano devida as diferenças com minha própria realidade. Realidade que nasci e fui criada. Quando eu era criança eu frequentava um clube, academia. As crianças aqui vêm na quadra! Isso me permite refletir as diferenças no comportamento, nas atitudes das pessoas, cada indivíduo” (DCVI-6).

Ainda compondo a categoria “A – Corporeidade do exemplo” foram identificados os diálogos entre os educadores do VADL nos quais buscaram refletir acerca da própria prática. Com isso ganhou relevo a busca por aprender a práxis dialógica tendo concretude da própria prática como pano de fundo para as reflexões (DCVI-5; DCXXIII-4), possibilitando novas qualidades à práxis dialógica empregada pela equipe:

Em diálogo com os demais educadores do VADL, Maurício comentou que a criança deu a mesma resposta da mãe quanto ao significado, com isso o educador tinha dúvidas acerca do real significado para aquela criança, pois ele havia dado a mesma resposta que sua mãe. E

disse: “Por isso eu acho interessante uma conversa, mas uma conversa afastada de outros participantes para que um não influencie tanto nas indicações dos outros” (DCXV-6).

Salientamos que as análises e apontamentos que compuseram a presente categoria possibilitou a identificação das asserções que indicavam para a manifestação de uma efetiva práxis dialógica empregada pela equipe do VADL, cuja realidade concreta suleou o quefazer pedagógico dos educadores.

Passaremos agora para a apresentação da próxima categoria construída.

B - Boniteza da amorosidade

Ao realizarmos a análise dos DC foram identificados gestos que conotavam estar construída uma convivência entre a comunidade participante do VADL a partir de uma relação de respeito, cooperação, afetividade e de cuidados de uns-com- os-outros. O reconhecimento e abertura ao Outro expressou a boniteza do viver com-o- Outro na/para a construção do mundo e transformação da realidade. Nas palavras de Freire (2005):

Viver a abertura respeitosa aos outros e, de quando em vez, de acordo com o momento, tomar a própria prática de abertura ao outro como objetivo da reflexão crítica deveria fazer parte da aventura docente. A razão ética da abertura, seu fundamento político sua referência pedagógica; a boniteza que há nela como viabilidade do diálogo (p.86).

Percebemos, com isso, existir uma convergência e complementaridade nas dimensões éticas e estéticas durante o movimento de formar-se para a vida, na qual “[...] ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.” (FREIRE, 2005, p.90). Nesse sentido, compreendemos que durante a fruição do VADL foram possibilitadas a manifestação da boniteza, da alegria, do sentimento de entusiasmo e de satisfação:

Durante a atividade, todas queriam contribuir regando as plantas, pois com a estiagem das chuvas, o clima e o solo estavam secos e algumas plantas já se apresentavam murchas. Começamos regando as quatro árvores que ficam no espaço interno da ECO. Três foram plantadas na ocasião da visita das estudantes da Terapia Ocupacional, já outra está na ECO desde a sua construção. Na primeira árvore as crianças

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