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5. Diskusjon

5.0. Hypotese

5.2.1. Kjemididaktikk

No âmbito do conhecimento ocidental moderno, o Ser, o Espaço, o Tempo e a Criação foram sempre apreendidos como instâncias determinadas53. É por isso que na literatura geográfica, filosófica e também histórica constatam-se as concepções de que as coisas existem

no espaço e não pelo54 espaço, no Tempo e não pelo Tempo. O Ser não existe ―no‖ tempo,

mas ―pelo‖ Tempo, como já enfatizou Castoriadis (1987, p. 225): ―[...] o Ser não existe simplesmente ‗no‘ Tempo, mas pelo Tempo (por meio do Tempo, em virtude do Tempo. Em essência o Ser é Tempo‖. Pode-se afirmar que a essência do Ser, também, é Espaço, no

sentido da inseparabilidade espaço-temporal dos fenômenos (KANT, 2001) em desdobramento de possibilidades.

Segundo Heidegger (2002, p. 90; grigos do autor), ―o onde determina o como do Ser;

porque Ser significa presença‖, já que para esse filósofo, ―[...] todos os fenómenos se mostram no espaço e no tempo‖ (HEIDEGGER, 2002, p. 194).É nesse sentido, que ―[...] por meio da ontologia tradicional não há possibilidade de se pensar o indeterminado, o aleatório, o novo, a diferença, a criação e, portanto, o Ser como ‗por-Ser‘‖ (SILVA, 2013, p. 111), um processo que se (re)faz no-e-pelo espaço e tempo.

Isso impede de se pensar a geografia bancária e financeira como movimento da razão, como sucessão e coexistência (SANTOS, 2008c; SANTOS, 2009a) de arranjos locacionais cada vez mais complexos e interdependentes, como projeto de atores hegemônicos, sobretudo Estado e Mercado, que visam o espaço e seu conteúdo existencial de uma intencional maneira: ―campo‖ a ser ―preenchido‖ por seus mecanismos estratégicos.

53―A determinidade leva à negação do tempo [e do espaço], à atemporalidade [à aespacialidade]: se algo está verdadeiramente determinado, está determinado desde sempre e para sempre. Se esse algo se modifica, os modos de sua mudança e as formas que essa mudança pode produzir estão já determinados. Os ‗acontecimentos‘ não são, então, nada mais que a realização de leis, e a ‗história‘ nada mais que o desdobramento, ao lado de uma quarta dimensão, de uma ‗sucessão‘ que não passa de uma simples coexistência [...]‖ (CASTORIADIS, 1987, p. 226).

Assim, ao invés do equilíbrio há sempre o movimento – a geografia, essa totalização- em-curso fruto desse vir-a-Ser-sócio-espacial que é sempre intencional e intensional (intensional com (s) no sentido de tensão, conflito, força). Daí a importância do tempo como forma de realização de ação mediada pelos objetos, pois ―o tempo é o tempo que os objetos

nos permitem‖ (SILVEIRA, 2012, p. 213), e do lugar como base de realização do tempo, já que aí é possível constatar que ―todo o tempo ficou mediado por objetos técnicos, e por isso ele é empírico‖ (SILVEIRA, 2012, p. 213).

No âmbito da criação e autocriação – (existência) – das instituições bancárias e financeiras, há de se considerar sua coexistência. Daí falar-se em fixos bancários tradicionais e modernos; em formas e ações bancárias herdadas e novas variáveis dos serviços bancários e financeiros. Os fixos bancários tradicionais são as Agências Bancárias, os Postos de

Atendimento Avançado (PAA‘s) e os Postos de Atendimento Bancário (PAB‘s55

) (CONTEL, 2006). Os modernos são os correspondentes que se aliam às outras formas de acesso possibilitadas pelas tecnologias de informação e comunicação amparadas na informática e internet.

Segundo a Carta-Circular nº. 1.824, de 25 de agosto de 1988, o Posto de Atendimento Bancário é, na verdade, uma extensão da matriz ou de uma agência bancária e tem as seguintes características: 1) somente pode ser instalado para funcionamento em recinto interno e fechado de entidade da administração pública, em empresas estatais ou privadas; 2) não tem escrita própria e, por isso, o movimento diário é incorporado à contabilidade da sede ou agência a que estiver subordinado e 3) deve estar situado no mesmo município da sede ou agência a que estiver subordinado. Nesse sentido, não se pode pensar a geograficização dos serviços bancários como sucessão e coexistência com processos determinados, mas processos do movimento contraditório, da criação/relação existencial, do Ser-sociedade-território que se (re)faz, constantemente, no-e-pelo espaço e tempo.

Um fator fundamental que contribuiu para a expansão do sistema bancário no Brasil foi a forma como se deram os processos conhecidos como capitalistas, sobretudo no contexto pós-Segunda Guerra Mundial, em que os bancos se aproveitaram das elevadas taxas de juros e cobravam, dos tomadores de empréstimos, juros acima da inflação, fortalecendo com isso seu raio de controle do espaço financeiro (CORRÊA, 2006). Por essa razão, em 1964, com a

55 A título de informação, o PAB foi instituído no ano de 1986 pelo Banco Central do Brasil, através da Resolução nº 1.082, de 30 de janeiro de 1986, que aprovou os regulamentos para a instalação e funcionamento desses fixos bancários.

reforma bancária é verificada uma significativa expansão do sistema bancário no Brasil, marcada pela redução paulatina do número de bancos, mas de um aumento considerável do número de agências, sobretudo através dos bancos comerciais (CORRÊA, 2006).

Buscando subsidiar esses processos capitalistas e, portanto, da existência humana brasileira, o Governo Militar (1964-1985) constituiu lugares do espaço nacional de modernos sistemas técnicos, sobretudo de telecomunicações, que contribuíram para uma remodelação do território nacional do ponto de vista da integração, fato que impactou positivamente o sistema bancário. Foi por esta razão que Contel (2006, p. 108-113) distinguiu fases da evolução dos sistemas técnicos bancários, que acabaram por homogeneizar os bancos em um fazer automático em detrimento do fazer mecânico.

Uma primeira fase (1965-1970), chamada pelo autor de gênese da automação bancária; segunda fase (1970-1976), caracterizada pela introdução dos computadores nos sistemas de ação bancária; terceira fase (1976-1980), cujo foco foi a descentralização do processamento das informações bancárias e, uma quarta fase, que teve início nos anos 1980, marcada pelo processamento instantâneo das informações bancárias (CONTEL, 2006). Isso favoreceu, demasiadamente, a expansão geográfica dos bancos, conectando lugares via essas modernizações técnicas, o que fez circular o dinheiro, ofertar crédito e ampliar o consumo dos serviços e produtos bancários aos lugares mais distantes das regiões metropolitanas, já que, impulsionados pelo desejo de obtenção de lucros, os lugares e seus conteúdos existenciais (econômicos e sociais) foram e são o foco estratégico da reprodução, da dispersão, da integração, desses e dos outros atores do circuito superior da economia urbana, no capitalismo.

Somado a esses sistemas técnicos de telecomunicações estava todo um sistema normativo. Conforme Dias (2005, p. 33), o objetivo da Lei nº. 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ―[...] era mais do que uma simples reforma bancária: vislumbrava uma via brasileira de

conquista de integração territorial‖. Foi por essas condições que a escala de atuação do

sistema financeiro e bancário tornou-se nacional, pois até então, ―o sistema bancário caracterizava-se por ser constituído por bancos eminentemente regionais, isto é, que atuavam,

sobretudo, na hinterlândia da cidade em que se localizava sua sede‖ (CORRÊA, 2006, p. 74).

As normas facilitaram a expansão do sistema bancário às áreas desassistidas por fixos bancários (agências) (DIAS, 2005), fazendo com que o dinheiro passasse a adquirir cada vez mais importância às formas existenciais humanas nacionais do consumo material, pois conforme Scherma (2009), financiando o consumo, essas instituições foram responsáveis pela

oferta de crédito direto ao consumo, o que possibilitou parte da população ter acesso aos novos objetos, materialidades, do período (CONTEL, 2006).

Os bancos incorporaram e unificaram lugares, a partir das suas mais diversas manifestações estratégicas. No mundo atual, todos os tipos de rendas são processados pelo sistema bancário e financeiro. Os bancos se tornaram um importante fator geográfico, sobretudo porque interferem, também, na divisão territorial do trabalho dos lugares. É por essa razão que, hoje, ―o dinheiro aparece, nos diversos lugares, segundo diversas modalidades e tipos, pois [...] raro é hoje o lugar, em todo o mundo, onde não há circulação de dinheiro [...]‖ (SANTOS, 2009a, p. 133-134).

Assim, no atual período geográfico, os serviços ―prestados‖ pelos bancos estão presentes em todos os lugares, muito embora de forma desigual, mas combinada, já que é de natureza coexistencial, formando um complexo geográfico constitutivo de nexos diversos: agências, postos, correspondentes e acesso pelo computador e celular conectados à internet, como se percebe no Rio Grande do Norte, em particular, e no Brasil, em geral (CONTEL, 2006).

3.2

Correspondentes “Bancários”: Consolidação da Integração do