122 Figura 33 Quadras escavadas em 2010. Observar concentração de cacos junto às raízes. Digitalização e montagem: Igor Rodrigues
123 . Escavar o sítio possibilitou averiguar a profundidade de ocorrência abaixo das grandes concentrações e dos materiais dispersos. Outro objetivo foi verificar se haveria mais material na parte a oeste do Quadrado dos potes, que levou-nos a abrir 3 sondagens.
Começamos escavando as quadras periféricas (J11, K8, G8 e G7), depois escavamos as quadras centrais (I8, I9, I10 e H10). Percebemos que as quadras periféricas apresentavam poucos materiais, muitos deles pequenos, a indicar que foram deslocados para lá. Nas quadras centrais, encontramos grandes concentrações de cerâmica, com muitos cacos que remontam entre si conforme o esperado. Além disso, a profundidade de ocorrência nas quadras centrais chegou até os 20cm iniciais, enquanto os das quadras periféricas geralmente até os 5cm iniciais, fato este que foi de encontro com as observações feitas a partir do deslocamento horizontal.
Com relação às três sondagens, a quantidade de material foi pequena. Ao todo são 85 peças, com grande concentração na sondagem abaixo do abrigo note, corroborando a idéia que o material escorre na maioria das vezes para esta parte do sítio. Os fragmentos cerâmicos das sondagens são muito pequenos (menores que 3cm), rolados e bem erodidos, a uma profundidade de no máximo 5cm iniciais. Tal observação aponta que os vestígios se concentram em grande parte no Quadrado dos potes. Os cacos das sondagens podem ser advindos da região central do sítio.
Não obstante, mesmo com este conhecimento da dinâmica de transportes de material no sítio, um pequeno grupo de cacos menores se deslocou de maneira um pouco diferente. Alguns destes cacos, encontrados a oeste do Quadrado dos potes, remontaram com cacos da grande concentração, assim, podemos pensar que eles se deslocaram no sentido contrário ao que a topografia indica (Figura 34).
Figura 34Grupo de cacos, circulados em amarelo, com deslocamento oposto aos demais.
124 Entre o pequeno grupo e a grande concentração de fragmentos, há um montículo de terra que nos intrigou num primeiro momento. As suspeitas foram de que ele deveria ser de origem antrópica. Entretanto, com a escavação na parte oeste da quadra I8, que atingiu parte deste montículo, notamos que se trata de algo natural, visto que basicamente nenhum vestígio foi encontrado dentro dele, somente em seu topo. Isso conjugado com a dispersão dos vestígios superficiais levou-nos a suspeitar da possibilidade de soerguimento dele num momento pós-deposicional dos vestígios, talvez a queda de uma árvore ou outra bioturbação de origem desconhecida. Com isso parte dos vestígios se deslocaram de maneira oposta ao observado para os demais que obedeceram à lógica topográfica.
Em suma, a maioria esmagadora dos vestígios foi encontrada no setor leste do sítio, apenas 7 cacos de um mesmo pote (ver pote nº 17 nos anexos) foram localizados abaixo do abrigo situado no setor oeste (extremidade sul) e poucos fragmentos (37) abaixo do abrigo do setor central (extremidade norte). Ao todo foram retirados do sítio 78 peças líticas e 3682 fragmentos cerâmicos. Isto não implica necessariamente dizer que a ocupação se deu somente no setor leste do sítio, apenas que neste trecho há uma densidade maior de vestígios.
Estas informações devem-se em parte às estratégias de intervenção no sítio: a coleta de superfície privilegiou os elementos em maior evidencia; a escavação ocorreu no local em que foi coletada a maior densidade de vestígios. Entretanto, no setor oeste do sítio encontramos pequenos cacos em superfície, porém, em pouca quantidade, que não foram retirados do local por questões metodológicas.
Não dispusemos de tempo suficiente para intervir no referido setor, no entanto acreditamos que este precisa ser pesquisado futuramente por duas razões. Primeiramente, por esse local temos acesso a outros locais semelhantes ao sítio Vereda III, nos quais encontramos cacos de grandes dimensões. Isto nos informa sucintamente que não só o sítio objeto deste estudo foi ocupado, mas também, com grandes chances, outros setores mais escondidos do Maciço, até o momento quase inexplorado arqueologicamente (Foto 14).
125 Em segundo lugar, este setor possui um empilhamento linear de blocos abatidos de formação secundária de calcário (espeleotemas), provenientes do enorme paredão que limita o sítio a oeste. Com grandes possibilidades este empilhamento linear foi realizado pela ação humana (ver Foto 15).
Saber se esta estrutura de blocos é contemporânea ou não à ocupação do sítio é um grande problema. Como não pudemos escavar o local não temos nenhuma informação referente a esta parte do sítio, somente a supracitada existência de alguns cacos em supe fí ie. P o u a os i fo aç es so e o e pilha e to de lo os o o p op iet io e funcionários da fazenda na qual se encontra o Maciço, mas ninguém soube nos informar a respeito.
Interessante foi constatar que em dias de chuva o alinhamento funciona como uma espécie de muro de contenção para as águas que descem abundantemente do paredão, como cachoeira. Após aproximadamente uma hora do término da chuva, a água não cessou de ai , fi a do e poçada e t e o e pilha e to de lo os e o paredão, correndo em direção sul para um desnível abrupto (aproximadamente 5 metros de queda), o qual dá acesso para um salão, que estava bem alagado naquele momento.
Embora não há como relacionar tal estrutura de blocos aos responsáveis pela ocupação do sítio, não deixa de ser válida a seguinte consideração: se for o caso de
Foto 14: Cacos de grandes dimensões em superfície