4.6 Mulige tiltak
4.6.1 Kjøretøyrelaterte tiltak
Em um primeiro momento, procuramos identificar a presença dos Multiletramentos e usos das TDIC de forma pedagógica em sala de aula. Para tanto, recorremos às observações registradas no diário de campo, que revelaram a importância da atuação dos professores da disciplina de Língua Portuguesa como mediadores para nossa pesquisa.
Recorremos também às entrevistas com os professores para verificar o perfil dos alunos do Ensino Médio integrado ao técnico e a utilização das TDIC em sala de aula. Posteriormente, recorremos às entrevistas com os alunos com o intuito de verificar a opinião destes em relação ao Ensino Médio integrado ao técnico e à utilização das TDIC pelos professores.
Conforme descrito na metodologia, iniciamos a observação em sala de aula no final do mês de abril de 2014, início do ano letivo, e realizamos o estudo até o mês de agosto de 2014. A observação em sala de aula foi realizada uma vez por semana com dois professores da disciplina de Língua Portuguesa e duas turmas de curso técnico integrado ao Ensino Médio. Ao entrarmos em sala de aula percebemos as múltiplas linguagens, identificadas na escuta da voz dos professores e alunos; nos gestos e expressões; e na linguagem verbal, não-verbal e digital. Percebemos turmas bem diferenciadas: a turma de 1º ano com os alunos vivenciando o início do Ensino Médio integrado ao técnico, onde tudo é novidade; e a turma de 3º ano com
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os alunos vivenciando o fim do Ensino Médio integrado ao técnico e se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM com perspectivas para a entrada na universidade.
Ao questionarmos os professores para sabermos quem são os alunos do Ensino Médio integrado ao técnico na atualidade, o professor Salomão assim se expressou
Bom, poderia responder esta pergunta em várias direções, mas eu vou escolher uma que é justamente uma que relaciona a questão que foi levantada hoje na minha primeira aula com uma das turmas, hoje, primeira aula do ano letivo que está relacionada à formação pré-egressa, mas também relacionada à formação que vem aí pela frente, porque nós estamos em uma escola profissionalizante, de Ensino Médio profissionalizante, Ensino Médio articulado, integrado ao ensino técnico, porém, com um perfil de aluno que não pretende ingressar no mercado de trabalho imediatamente, ele vem pra cá em busca de uma formação, segundo depoimentos deles, de uma boa formação pública né, uma boa escola pública, eles não tem que pagar, porém, o desejo deles não é a formação técnica, o desejo deles é só a escola, a escola que tem uma história, eles conhecem o instituto como uma boa escola, acham que podem aproveitar esta oportunidade para continuar a vida acadêmica, então é para ir para a universidade (Professor Salomão).
Conforme podemos verificar no excerto acima, para o professor os alunos que procuram um curso técnico integrado ao médio, nessa instituição de ensino federal, tradicional, em sua grande maioria, pretendem ingressar na universidade e continuar os estudos, ou seja, o ensino técnico, neste caso, tem caráter propedêutico. Questionamos então os alunos se o Ensino Médio integrado ao técnico prepara-os para dar continuidade aos estudos, ingressar no mercado de trabalho e exercer a cidadania, conforme expresso nos PCNEM. Para esta questão obtivemos como respostas
Eu acho que o ensino do IF ele é todo voltado para a faculdade, todos os professores te preparam para entrar na faculdade, apesar de ter o ensino técnico que já te dá uma profissão [...]. E eu acho que também no papel de cidadania né, porque a gente vive aqui é como se fosse a sua cidade, a sua comunidade, porque a gente não sai daqui, passa o dia e a tarde, passa o dia inteiro aqui, então é como se fosse o nosso mundinho fechado. Então, acaba exercendo papel de cidadania, normas que a gente tem que cumprir e deveres que a gente tem que ter e tudo mais. Eu quero sim continuar os estudos (Maria, 15 anos).
Nossa sim, eu acho. Porque antes de eu vir para cá, eu já tinha feito o primeiro ano em outra escola, então, assim, a visão que eu tinha de mundo, é totalmente diferente da visão que eu tenho da visão de mundo hoje, então assim, aqui no IFMG, você tem vontade de crescer profissionalmente, sabe, você acaba adquirindo uma ambição assim, não uma ambição má, uma ambição boa para você crescer na vida, para você ter um bom emprego, sabe, uma coisa boa. [...] Aqui é uma lição não só para o ensino assim de escola, mas para a vida. E autonomia também né? Eu cresci muito, eu dependia muito dos meus pais e agora eu ando mais com as minhas próprias pernas. Pretendo continuar os estudos (Rute, 18 anos).
Sim, acho que sim, aqui no Instituto Federal aqui de Ouro Preto, porque se você falar pela região, você não vê mais nada parecido com isto daqui. Aqui tem muita estrutura, os professores são ótimos, comparando a qualquer outra escola da
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região, então acho que ajuda muito aqui. Diretamente você tem que ter mais responsabilidade porque você tem liberdade para sair da sala a hora que você quiser, aí você já pega uma responsabilidade muito cedo, então acho muito importante isso. Eu quero continuar sim (Ezequiel, 20 anos).
Os excertos acima, transcritos das falas dos alunos, comprovam a percepção dos professores, visto que eles consideram a instituição, o ensino e os professores muito bons, que o Ensino Médio integrado ao técnico além de prepará-los, incentiva-os a dar continuidade aos estudos, relegando o mercado de trabalho como segunda opção. Percebemos que os alunos são cientes dos seus direitos e deveres, mencionam a cidadania, autonomia e responsabilidade, revelando assim um amadurecimento para a entrada na universidade. Ademais, os alunos do Ensino Médio integrado ao técnico têm uma carga horária exaustiva, permanecendo na escola o dia todo, período integral. Por outro lado, não podemos nos esquecer das relações dos jovens com o trabalho no Brasil, relação esta marcada por inúmeras desigualdades e o Ensino Médio parece ser um espaço significativo para evidenciar esse fenômeno.
Para uns, o tempo no Ensino Médio é vivido como etapa de formação e preparação para o acesso à universidade, ficando o trabalho como um projeto para depois da conclusão do Ensino Superior. Porém, para a maior parte daqueles que tiveram acesso a esse nível de ensino nas duas últimas décadas, a realidade de trabalho, de bicos ou de um constante se virar para ganhar a vida combinam-se às suas vidas de estudantes (CORROCHANO, 2014, p. 206, grifos no original).
Para a pesquisadora, esta realidade do mundo do trabalho também está presente nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores29 e a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos
processos produtivos, relacionando teoria e prática30. Neste sentido, acreditamos que a
integração entre educação e as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura devem constituir a base da proposta e do desenvolvimento curricular.
Ao questionarmos os professores para sabermos qual a bagagem que os alunos trazem para a escola, o professor Salomão assim se expressou
[...] são alunos em geral, pelo menos a maior parte, bem atualizados com relação a utilização de tecnologias digitais, estão todos nas redes sociais, todos tem seu telefone, utilizam isso com muita frequência, são alunos que tem bom conhecimento
29 BRASIL, 2012.