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BEGYNNENDE ROTASJON
9. KJØLEANLEGG 1. Innledning
A crise do desenvolvimento econômico trouxe consigo o reclame da sociedade civil pela participação nas decisões do desenvolvimento. No caso brasileiro isso se reflete no contexto de redemocratização a partir de 1985, após 20 anos de regimes militares com o surgimento dos novos movimentos sociais. Para Moreno (2007) essa crítica ao desenvolvimento centralizado no Estado nos anos 80 está na gênese do desenvolvimento local, emergindo como uma oposição ao desenvolvimento baseado no crescimento econômico.
Nesse paradigma a localidade passa a converter-se no suporte de uma sociedade composta por atores que se relacionam e que têm capacidade de atuação diante dos problemas a resolver.
Aqui o território tem o sentido de “uma representação coletiva, baseada na integração das dimensões geográficas, econômicas, sociais, culturais, políticas, etc”. Esta representação é interna: identidade, e externa: imagem. A identidade territorial permite uma cooperação mais estreita entre os atores em presença, facilitando a busca de sinergias entre os diversos atores. A imagem permite a valorização econômica do território por consumidores externos a ele; fala-se então dos produtos de qualidade específica14 e turismo rural (FERREIRA, 2009).
Assim os lugares, concebidos como identidade ou território, são invocados contra o espaço homogêneo global. A partir dessa ideia, surgem interpretações simplificadoras acerca do processo de globalização, onde o local se apresenta como expressão de resistência do social contra o econômico. É comum nos discursos e visões do desenvolvimento de base local, considerar o social como um atributo quase natural do território, que parece resultar de uma simbiose entre a natureza e grupos sociais com uma determinada identidade cultural.
Entretanto não devemos tratar o local, enquanto baseado nos lugares e concebido como identidade ou território; e o global, enquanto desterritorializante, ou seja, como opostos. A dicotomia entre global e local é inconsistente, pois ambos são produzidos no interior dos processos de globalização de forma dialética.
Isto quer dizer que, uma vez identificado determinado processo de globalização, o seu sentido e explicação integrais não podem ser obtidos sem se ter em conta os processos adjacentes de relocalização com ele ocorrendo em simultâneo ou sequencialmente, por exemplo, à medida que se globaliza o hambúrguer ou a pizza, localiza-se o bolo de bacalhau português ou a feijoada brasileira, no sentido em que serão cada vez mais vistos como particularismos típicos da sociedade portuguesa ou brasileira, pois a competência global requer, por vezes, o acentuar da especificidade local, muitos dos lugares turísticos de hoje têm de vincar o seu carácter exótico, vernáculo e tradicional para poderem ser suficientemente atrativos no mercado global de turismo (SANTOS, 2005). Neste sentido, territórios podem ser, tanto um produto, quanto uma resistência ao processo de globalização (HAESBAERT, 2007).
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Encontramos diversas definições, entre os autores utilizados, para designar o tipo de produto que possui características diferenciadas que podem ser atribuídas a fatores naturais, ou socioculturais ou ainda territoriais; estas características por serem únicas e expressarem uma marca da tradição local são consideradas qualidades especiais, específicas ou superiores.
Desta forma a globalização pressupõe a localização. O processo que cria o global, enquanto posição dominante nas trocas desiguais, é o mesmo que produz o local, enquanto posição dominada e, portanto, hierarquicamente inferior.
[...] enquanto as transformações dos fenómenos dominantes são expansivas, visam ampliar âmbitos, espaços e ritmos, as transformações dos fenómenos dominados são retractivas, desintegradoras e desestruturantes; os seus âmbitos e ritmos, que eram locais por razões endógenas e raramente se auto-representavam como locais, são relocalizados por razões exógenas e passam a auto-representar-se como locais. A desterritorialização, desvinculação local e transformação expansiva, por um lado, e a reterritorialização, revinculação local e transformação desintegradora e retractiva, por outro, são as duas faces da mesma moeda, a globalização (SANTOS, 2005).
Isso porque de acordo com Mészaros (1998), o sistema do capital, em todas as suas formas capitalistas ou pós-capitalistas tem (e deve ter) sua expansão orientadae dirigida pela acumulação. Então naturalmente, o que está em questão a este respeito não é um processo delineado pela crescente satisfação das necessidades humanas, mas exatamente, é a expansão do capital como um fim em si, servindo à preservação de um sistema que não poderia sobreviver sem constantemente afirmar seu poder como um modo de reprodução ampliado. “O sistema do capital, por si só, é essencialmente antagônico devido à estrutura hierárquica de subordinação do trabalho ao capital, o qual usurpa totalmente o poder de tomar decisões” (MÉSZÁROS, 1998).
Este antagonismo estrutural prevalece em todo lugar, assim o capitalismo se desenvolve através de suas próprias contradições, superando-as e renovando-as
continuamente, daí o caráter dialético do processo. “O sistema do capital enquanto um
modo global de controle do metabolismo social” (MÉSZÁROS, 1998).
(...) no mundo moderno capitalista a fragmentação territorial interna ao sistema é uma necessidade vital para a sua reprodução (a começar pela instituição da propriedade privada e pela dessacralização da natureza, separada do social), sendo que esta forma de organização territorial, cada vez mais moldada pela mobilidade, pelos fluxos e pelas redes, tende a fragmentar e, destarte, assimilar todo tipo de cultura estrangeira (HAESBAERT, 2007).
Atualmente o sistema capitalista se reestrutura, e se mantém, utilizando a fragmentação como estratégia, portanto, a forma dual de ver o local em oposição ao global é funcional à manutenção do sistema.
A civilização da modernidade-mundo se caracteriza, pois, como sendo simultaneamente uma tendência de conjunção e disjunção de espaços. É isso que nos faz percebê-la como sendo marcada por duas direções, uma voltada para o singular, outra, para a diversidade. Essa sensação de bifurcação de sentidos leva muitas vezes a imaginá-los como vetores antagônicos (diz-se comumente, na discussão sobre globalização, que os localismos são sua antítese). Eis a compreensão equívoca do que está acontecendo. Sincronicamente, conjunção e disjunção são partes do mesmo fenômeno. (ORTIZ, 1999, p. 58)
De acordo com ORTIZ (1999), uma alternativa é considerarmos a globalização das sociedades e a mundialização da cultura como um processo, segundo o autor esse artifício teórico evita o dualismo, pois ao concebê-lo como processo, reconhecemos que este não é necessariamente totalizador, a ponto de nele incluir como um conjunto, todos os pontos do planeta, isso significa admitir a existência de limites estruturais – econômicos, políticos e culturais – à expansão da modernidade-mundo. Desse modo deixamos de lado os pares de oposição, para operar com a noção de linhas de força.
Assim, se aceita a existência de formas diversas de expressões locais dos processos de globalização, os territórios como expressão do lugar podem então ser simplesmente um produto dessa lógica hegemônica, ou configurar-se uma resistência a esses processos, de modo contra hegemônico. Portanto, os territórios existem em contra ponto à globalização, porém nem todas expressões locais que se conformam territórios, possuem caráter contra hegemônico, isto é, contra os processos hegemônicos da globalização capitalista.