Segundo Smith (1999), são vários os elementos que são utilizados no karate com objetivo de o caracterizar.
Quando Smitth (1999) utiliza a expressão “expansão e contração do corpo” está a caracterizar a utilização do espaço e da distância como meio de alcançar o alvo. É importante para um atleta que consiga aproveitar a amplitude máxima dos seus movimentos para cobrir a distância necessária para avançar ou recuar perante o adversário e executar as técnicas na distância ideal. Para além deste elemento, também a correta interação entre tensão e relaxamento muscular vai permitir a correta expansão ou contração dos segmentos envolvidos. Desta forma, a estabilidade segmentar, a coordenação agonista-antagonista e as forças sinérgicas desenvolvidas são importantes também para o karate.
A forma ou a figura com que cada atleta executa as determinadas ações, são resultado do treino e da disciplina que empregam neste. Esta forma pode estar relacionada apenas com alguns segmentos corporais ou então com todo o corpo. Para além da qualidade estética que acompanha normalmente a forma e os movimentos do karate, também a maneira de posicionamento do corpo e dos seus segmentos ajuda na preparação da estabilidade e força necessárias para a preparação das várias fases do movimento. Segundo Sforza et al (2002), a eficácia das técnicas depende bastante do correto posicionamento do corpo, sendo que todos os segmentos devem estar harmonizados para permitir a necessária estabilidade para suster o choque dos ataques ou defesas executados. A forma como o atleta se posiciona é fundamental para poder preparar-se para qualquer tipo de defesa. Para além da forma, também o “timing” ou oportunidade de ação, é um fator extremamente importante para o karate.
Por “timing” entende-se não só oportunidade de ação, mas também sincronização ou coordenação. A sincronização interna de todas as ações musculares vai permitir a produção de movimentos suaves e ritmados, sendo
esta qualidade a responsável por conseguir somar as forças produzidas individualmente por cada segmento, traduzindo-se, por exemplo, num aumento da velocidade da mão. Esta velocidade, que será sempre superior à conseguida pela simples ação de uma extensão isolada do braço. Isto porque os segmentos corporais estão coordenados de modo a que velocidade do centro de gravidade, a velocidade de rotação das ancas, a velocidade de retração do ombro e a velocidade linear da mão, devido à extensão do antebraço, sejam aumentadas quando o segmento anterior da cadeia atingiu a sua velocidade máxima.
Se pelo contrário estivermos a fazer referência a um “timing” exterior, estamo- nos a referir apenas a uma coordenação de movimento de um sistema, por exemplo, um atleta que, em interação com outro, executa um movimento com um determinado objetivo. Como exemplo, costuma-se dizer que um atleta teve um bom “timing” se conseguiu realizar um contra-ataque num adversário, quando este se encontrava numa posição de nítida desvantagem.
No movimento do corpo humano por parte dos atletas, o controlo da velocidade de todos os seus segmentos é essencial para técnicas com elevada qualidade. No entanto, e na análise da mesma, é importante analisarmos o seu vetor, que tem direção e sentido. Daí que seja decisivo sabermos sempre a direção do ataque para se poder compreender a eficácia da ação. Também a potência, que diz respeito à taxa com que a energia é convertida em trabalho, está relacionada com a velocidade e com a eficácia das ações. Se a produção de trabalho for elevada num curto espaço de tempo, então teremos uma elevada potência. No karate, podemos ter situações distintas sobre a quantidade de potência a aplicar. Normalmente, pretende-se produzir grandes impactos nos ataques realizados, sendo necessário não só uma grande velocidade (por exemplo, da mão) mas também a maior massa possível associada à mão. Pode ser necessário nestes casos, diminuir a velocidade por vezes, para se conseguir aumentar a massa aplicada (Smith,1998). No entanto, se estivermos a falar do karate desportivo, e no âmbito do nosso estudo, é necessário maximizar a velocidade, reduzindo o impacto, e como tal, aplicar menos massa
forças impactos no karate dá-nos conta de valores que variam entre 9 a 18 N.s para diferentes socos, como o Oi-Tsuki, Gyaku-Tsuki e Kizami-Tsuki (Shibayama & Fukashiro, 1997).
A noção de alvo nas artes marciais, e em particular no karate, está normalmente associada à concentração de energia num determinado ponto (Kime). Esta concentração de energia ou “Kime” envolve a conexão de todos os segmentos adjacentes ao segmento que toca no alvo (por exemplo, a mão), que se encontra a deslocar-se à sua velocidade máxima. Nestas ações de impacto, a ligação dos segmentos é acompanha pelo mecanismo natural do organismo para prevenir lesões, ou seja o reflexo miotático. Segundo Smith (1998), este sistema natural de prevenção inicia a contração dos músculos antagonistas aproximadamente 70-80% do fim do limite máximo da amplitude do movimento. Em movimentos balísticos e de impacto, em que são esperadas forças de reação consideráveis, em especial se o alvo tiver integridade suficiente, é importante este sistema que temos vindo a referir. Nestes casos, o corpo deve estar preparado para o impacto, estabilizando as articulações solidamente nas suas posições naturais. Ao se tentar alcançar o alvo a 70-80% da sua amplitude máxima, a mão deve, em condições normais, ter alcançado a sua velocidade máxima. Neste caso, e com a contração dos músculos agonistas e antagonistas no exato momento do impacto, é possível ao peso do corpo participar com a máxima velocidade. Para além disto, há uma ajuda adicional a estabilizar as articulações e a aceitar as forças de reação geradas pelo alvo na mão. Este aspeto poderá ser eventualmente um dos mais complexos nas artes marciais, e requer muito treino até se conseguir realizar de uma forma natural e reflexa.