O Modelo de Construção de Blocos surge como resultado de um trabalho desenvolvido pelo Early Childhood Research Institute on Inclusion (ECRII), fundado pelo Departamento Norte-Americano de Educação. Este modelo é resultado de um trabalho conjunto de um grupo de investigadores de várias áreas de diferentes Universidades dos Estados Unidos da América, sendo Odom, o investigador principal. Desenvolveu-se ao longo de 5 anos, de forma a compreender as barreiras e os elementos facilitadores da inclusão de crianças com NEE em contexto pré-escolar.
Este modelo tem como objectivo uma inclusão com sucesso que visa a progresso das crianças com NEE que frequentam a educação pré-escolar da comunidade. Para Sandall e Schwartz (2003, p.51) uma inclusão com sucesso significa que todas as crianças “participam, aprendem e desenvolvem” e portanto os educadores ao usar este modelo proporcionam a todas as crianças participar, aprender e a ter sucesso na sala pré-escolar.
Este modelo é constituído por um conjunto de práticas educacionais que visa auxiliar os educadores a fazer um trabalho mais eficaz na inclusão das crianças com NEE. Dá um leque variado de métodos e de estratégias que permitem que as crianças adquiram competências importantes nas salas regulares inclusivas do jardim de infância. Ajuda ainda, os educadores a identificar, a planificar e a usar estratégias de ensino individualizado que proporcionem à criança a ajuda que ela precisa para ter sucesso no desenvolvimento e na aprendizagem nas salas pré-escolares, ajustando ao currículo de grupo.
“O Modelo de Construção de Blocos é constituído por um conjunto de práticas educacionais concebidas para ajudar os educadores a fazer um trabalho mais eficaz na inclusão de crianças com NEE em idades pré-escolares. Fornece aos professores uma variedade de métodos e de estratégias para assegurar que as crianças aprendam capacidades importantes nas salas pré-escolares. Estas práticas podem ser usadas para completar o currículo que o educador esteja a usar. ” (Sandall e Schwartz, 2003, p. 15)
63 Estratégias de ensino centradas na criança Oportunidades de aprendizagem embutidas Adaptações curriculares
Programa pré-escolar de elevada qualidade
Sendo assim, este modelo é apropriado para todas as crianças, inclusive para todas as crianças que tenham dificuldades nas actividades desenvolvidas na sala e para as crianças que têm PEI’s e que beneficiam de serviços de educação especial.
Para uma implementação eficaz, os educadores de infância e os educadores da educação especial devem articular os objectivos individuais da criança com métodos pedagógicos e materiais apropriados, dosear a quantidade de ajuda e assistência que a criança necessita, dar a ajuda necessária e avaliar essa ajuda quanto à sua utilidade. (Sandall e Schwartz, 2003)
Este modelo de inclusão é constituído por quatro componentes-chave, tendo como finalidade apoiar e aumentar a inclusão das crianças com NEE em programas da comunidade, do modo como estão descritos na Figura 2.
Figura 2 - Modelo de construção de blocos (Sandall e Schwartz, 2003, p.20)
As práticas especializadas deste Modelo assentam num programa de educação pré-escolar de elevada qualidade “o sucesso da inclusão baseia-se na suposição de que os ambientes pré-escolares, nos quais o modelo será implementado, são já contextos de elevada qualidade, que educam as crianças e satisfazem as necessidades básicas de desenvolvimento. (Sandall e Schwartz, 2003, p.19)
Na aplicação exige seguir três passos essenciais: o primeiro passo, exige necessariamente a avaliação da qualidade da sala de actividades, através da aplicação de
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uma escala, contudo parte já do pressuposto de que o ambiente no qual o modelo está a ser implementado é de elevada qualidade. Para esta avaliação pode ser aplicada qualquer escala desde o Formulário de avaliação da qualidade da sala, proposto por Sandall e Schwartz (2003) ou qualquer outra que sirva essa finalidade. Sandall e Schwartz (2003) propõem entre outras Early Childhood Environment Rating-Scale Revised (ECERS-R; Harms, Clifford e Cryer, 1998).
O Formulário de avaliação da qualidade da sala, apresentado pelos autores acima citados, é constituído por 10 indicadores de qualidade básicos, deve ser aplicado por quem conhece bem o grupo, desde ao educador ou até mesmo à própria equipa. O resultado deste formulário permite avaliar o interesse e o envolvimento da criança na sala, verificar o equilíbrio entre os planos de actividades e aprendizagem, e ainda a segurança emocional e física da criança.
Com esta avaliação a equipa de educação identifica os factores importantes que não estão a ser respeitadas, no ambiente de um programa de elevada qualidade, podendo em equipa planear essas mudanças nesse ambiente. O segundo passo reside em respeitar os objectivos do grupo e os objectivos individuais, através da utilização de uma matriz de actividade em que se consideram os objectivos de aprendizagem das crianças aquando da planificação das actividades e da rotina da sala. O terceiro passo, consiste na elaboração de um projecto para as crianças com PEI, em que se baseia nos pontos fortes, nos interesses e necessidades específicas da criança com NEE, e se necessário fazer as devidas adaptações curriculares ou planificar de modo a criar oportunidades de aprendizagem, novas capacidades e comportamentos.
Como está descrito na Figura 2 no primeiro bloco ao Programa pré-escolar de
elevada qualidade, sucedem-se outros três blocos sendo eles, as adaptações curriculares,
oportunidades de aprendizagem embutidas e estratégias de ensino centrada na criança. O Programa pré-escolar de elevada qualidade tem por base os princípios das práticas apropriadas do desenvolvimento, respeita o conhecimento do desenvolvimento e a aprendizagem da criança, os seus pontos fortes, os interesses e as necessidades de cada uma, no seu contexto social e cultural.
Existem algumas características essenciais para um ambiente apropriado do desenvolvimento:
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- Um ambiente adequado e previsível; - Muitas oportunidades de aprendizagem; - Ensino adequado à criança e à actividade;
- Materiais, actividades e interacções apropriados ao desenvolvimento; - Práticas que garantem higiene e segurança;
- Níveis apropriados de orientação da criança. (Sandall e Schwartz, 2003)
Nem sempre estas características se ajustam à especificidade das crianças com NEE, havendo outras formas para incluir todas as crianças.
O segundo bloco, Adaptações curriculares consiste na mudança à actividade a realizar e aos materiais da sala, com o objectivo de facilitar ou maximizar a participação da criança, acreditando-se que ao participar nas várias actividades, nas interacções com materiais e com os seus pares, potencializa-se a sua aprendizagem e desenvolvimento. Estas adequações devem ser estudadas e planificadas, mas sem necessidade de recursos adicionais. Devem ser realizadas adaptações quando a criança está interessada nas actividades e não consegue participar adequadamente.
A adaptação curricular, às vezes não é suficiente segundo os autores, sendo necessário proceder à utilização de Oportunidades de Aprendizagem Embutida (OAE) ou Estratégia de Ensino Centrada na Criança (EECC). Não existe uma regra fixa, a escolha depende da prática dos profissionais, da criança, do objecto e da sala. É uma decisão a ser tomada por todos, em equipa. (Sandall e Schwartz, 2003)
O terceiro bloco, Oportunidades de Aprendizagem Embutida (OAE) é uma estratégia de ensino que usa actividades, materiais e rotinas normais na sala pré-escolar. Estes são momentos de ensino nos objectivos de aprendizagem individuais de uma criança e estão inseridos em actividades e rotinas a decorrer na sala. Utilizam-se quando a criança demonstra interesse pelas actividades a decorrer e há ligação da actividade ou da rotina e do objectivo de aprendizagem da criança.
Os autores afirmam que a sua utilização é benéfica por várias razões: por serem utilizadas as actividades e as rotinas da sala; vão de encontro aos interesses e preferências das crianças; é utilizado em contexto natural, uma vez que aumenta a capacidade de usar a competência aprendida; e ao proporcionar o seu uso várias vezes ao dia e em contextos diferentes possibilita à criança usar uma competência aprendida em situações diferentes. Deste modo, cabe ao educador especializado em educação
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especial, em equipa com os restantes membros, desenvolver um objectivo de aprendizagem ou adaptar o objectivo de aprendizagem estabelecido, de forma a tornar mais fácil e natural a sua inserção na programação, criando oportunidades de aprendizagem nas actividades e rotinas da sala.
O sucesso das OAE depende da adaptação e da utilização de estratégias de ensino eficazes. Estas estratégias de ensino para além de terem probabilidades de serem eficazes, devem ter carácter normalizador e não estigmatizante, serem úteis e respeitar a criança.
O quarto bloco, Estratégias de Ensino Centradas na Criança, caracteriza-se por um ensino direccionado e explícito. Estas estratégias são utilizadas quando se pretende ensinar competências específicas ou conceitos específicos, que podem ocorrer em várias situações de sala e durante as interacções que tanto podem ser iniciadas pela criança como pelo educador. São usadas quando o adulto da sala e outros técnicos reconhecem as oportunidades de aprendizagem ligadas ao objectivo individual da criança através de um ensino planeado, consistente e sistemático.
Estas estratégias são mais sistemáticas e intensivas do que as estratégias utilizadas nos outros blocos, uma vez que se pretende facilitar à criança atingir os objectivos que lhe foram delineados. Exigem portanto já um nível diferente de intrusão junto da criança.
Em jeito de conclusão, convém salientar que uma inclusão visa a melhoria dos resultados para as crianças com NEE, na pretensão de ajudar as crianças a participar, a aprender e a ter sucesso. Uma intervenção em ambiente inclusivo do pré-escolar com sucesso, que segue o Modelo de construção de blocos, segundo Sandall e Schwartz (2003, p.19) implica, portanto, alguns pressupostos que anteriormente são referidos, tais como “conciliar objectivos individuais com métodos pedagógicos e materiais apropriados, decidir a quantidade de ajuda ou de assistência, fornecer essa ajuda e determinar se a ajuda foi útil”. Consequentemente, a operacionalização deste modelo deverá assentar num “programa pré-escolar de elevada qualidade” que se baseia “nos princípios das práticas apropriadas ao desenvolvimento que, por sua vez, se baseiam no conhecimento actual sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança, nos pontos fortes, nos interesses e necessidades de cada uma das crianças do grupo e nos contextos sociais e culturais nos quais as crianças vivem” (Sandall e Schwartz, 2003, p.20). Assim sendo, assente nesta metodologia a criança alvo, do estudo de caso a ser apresentado pressupõe que o seu PAFI (Plano de Atendimento à Família Individualizado) fosse
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elaborado a partir dos seus pontos fortes, interesses e necessidades específicas e a sua planificação contivesse as adaptações do currículo ou mesmo a planificação de oportunidades para que a criança pratique novas capacidades e comportamentos.
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CAPÍTULO II – METODOLOGIA
Após informar sobre o objectivo deste trabalho, que consiste em compreender o percurso desenvolvimental de uma criança NEE durante os três anos de frequência do Jardim de Infância, denominado por LP, neste capítulo torna-se de curial importância planear e delinear a metodologia adequada para este estudo, assim como os instrumentos a utilizar.
Partilhando da opinião de Sousa (2009, p.84) de que a escolha da metodologia “(…) depende, pois, dos propósitos e das características da investigação, devendo as suas estratégias e técnicas adequarem-se-lhes e nunca o contrário”, considera-se que o estudo de caso se apresenta como o mais ajustado para este estudo uma vez que permite “a compreensão do comportamento de um sujeito” (Sousa, 2009, p. 137) e responder às questões “como” ou “porquê”, em que o investigador não controla os acontecimentos e o estudo está centrado na investigação de um fenómeno da actualidade no seu contexto (Yin, 1988, 1998).
Neste capítulo proceder-se-à a uma breve abordagem teórica sobre a estratégia de investigação do estudo de caso, apresentando a sua definição, identificando as diferentes tipologias, focando a problemática da generalização relacionada com este tipo de estratégia desmistificando, de igual modo, as desvantagens consideradas por alguns autores. Seguidamente, coloca-se a questão da relação do paradigma do estudo de caso e a investigação qualitativa. Descreve-se ainda a rota da investigação, começando com uma breve descrição dos participantes na investigação, assim como do contexto em que está a ser realizado este estudo. São ainda referidas as técnicas e os instrumentos utilizados na recolha de dados durante a investigação, assim como os procedimentos utilizados no tratamento dos dados.