Desde o ano de 2003, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem apontando sua preocupação, no que se refere à qualificação das equipes de saúde para assumirem as responsabilidades das ações de controle da TB em seu território, questão que emerge no processo de descentralização e integração do controle da doença nos serviços de Atenção Primária à Saúde para o alcance das metas de detecção e cura (MONROE et al., 2008).
O controle da tuberculose é considerado prioridade para o Governo Federal, desde 2003, sendo uma das principais estratégias para o efetivo controle da doença o diagnóstico precoce, o qual é influenciado de forma significativa pelos aspectos relacionados ao sistema de saúde e a capacidade técnica e cientifica dos profissionais de saúde sobre a doença. Logo, quando estes aspectos encontram-se vulneráveis tem-se como consequência o retardo no diagnóstico da TB, comprometendo a cura que certamente irá potencializar a disseminação da infecção na comunidade e elevar as taxas de mortalidade decorrente da doença e desta forma agravar o problema da mesma, aspectos disseminados nas grandes capitais e nas cidades do interior, como por exemplo, na cidade de Aracoiaba (SILVA- SOBRINHO et al., 2012).
Os programas de saúde específicos, os quais tratam da atenção à tuberculose, reconhecem que o controle da doença ainda não foi alcançado devido à deficiência quanti-qualitativa na força de trabalho em saúde, tendo em vista que o desenvolvimento das ações de detecção da doença está atrelado, intimamente, à capacidade técnica do profissional, ao envolvimento da equipe de saúde, acesso dos usuários aos serviços de saúde, realização de exames e falta de investimento em uma política de saúde organizada (MONROE et al., 2008; SILVA-SOBRINHO et al., 2012).
Os aspectos elencados pelos autores mostram que a atenção a tuberculose é formada por uma cadeia de fatores interligados e sincronizados que devem estar em perfeita harmonia pra que o controle do agravo seja efetivo. Porém, dentre estes aspectos, salta aos olhos, como um dos aspectos de grande relevância, o conhecimento dos profissionais, seja sobre a fisiopatologia da doença, medidas de controle e prevenção, seja sobre os fluxos assistenciais ou da rede de atenção de seu território, pois percebe-se que o conhecimento é a mola mestre para o sucesso de qualquer programa, haja vista ser a partir dele que os profissionais são sensibilizados ao problema e envolvem-se no processo de resolução.
Neste sentindo, observa-se a seguir alguns dos estudos realizados no âmbito internacional e nacional os quais tem evidenciado o quanto o conhecimento técnico- cientifico dos profissionais de saúde sobre a tuberculose, em seus diversos níveis de atenção, apresentam-se de forma incipiente e precários, repercutindo diretamente na qualidade da atenção à saúde de pessoas com tuberculose em sua integralidade.
Um estudo transversal realizado na Etiópia, no período de maio à agosto de 2008, com 112 médicos de unidades de saúde privadas da região, constatou que 52,7% dos médicos suspeitaram de Tuberculose naqueles paciente que apresentavam tosse por mais de três semanas e somente 33% foram capazes de listar com precisão os tipos de tratamento correto, o qual indica-se para todas as categorias da doença, assim como é recomendado pelas diretrizes do Programa Nacional de Controle da Hanseníase e Tuberculose do País. Quanto à estratégia DOTS, 39,3% dos médicos entrevistados não têm conhecimento satisfatório. Os entrevistados que já tinham participado de treinamento sobre DOTS, durante os dois anos anteriores à pesquisa, foram mais propensos a ter um conhecimento satisfatório em comparação aos que não receberam referido treinamento (TIMER; HOLM-HANSEN; BJUNE, 2012).
Percebe-se, que embora o estudo tenha sido feito com médicos de instituição privada, há uma deficiência no conhecimento dos profissionais e que a realização de treinamento por estes profissionais podem ser relevantes quanto ao nível de conhecimento e consequentemente na assistência às pessoas com tuberculose.
Outro estudo realizado em Bogotá, objetivando avaliar o conhecimento de 117 trabalhadores de saúde de instituição pública e privada vinculadas ao programa de prevenção e controle da tuberculose, evidenciou que 37% dos trabalhadores atingiram nível médio, 34% nível inferior, 27% nível baixo e apenas 7% atingiram nível alta de conhecimento. Conclui-se, que de forma geral, os profissionais de saúde apresentaram déficit de conhecimento sobre a tuberculose, principalmente no que se refere aos temas como diagnostico, tratamento, período de transmissão e medida de biossegurança (MARTINEZ; SUANCHA; SÁNCHEZ, 2011).
Silva-Sobrinho et al. (2014), ao avaliar o conhecimento de enfermeiros de unidade de atenção básica, observou que estes apresentavam conhecimento deficiente no que se relaciona à atenção à TB. Dentre os principais achados, destacamos o fato dos profissionais apresentarem dificuldade quanto à identificação de sinais e sintomas da TB, orientações sobre o tratamento, a estratégia DOTS, sinais de agravamento da doença durante o tratamento e reconhecimento dos indícios de cura.
Contrapondo o estudo retro, Marciel et al. (2009) ao avaliar o conhecimento de médicos e enfermeiros que atuam na ESF acerca da TB, sobre questões relacionadas à transmissão, diagnostico, tratamento e prevenção da doença, não encontrou diferenças significativas entre as categorias, as quais apresentaram um nível de conhecimento adequado, deixando a desejar quanto à interrogação sobre a transmissão da doença por pessoas que apenas estão infectadas pelo bacilo, sendo a maiorias das respostas de ambas as categoria inadequadas. Apesar dos achados, o estudo ressalta a importância de capacitações e treinamentos para os profissionais da Atenção Primária para que os mesmos possam diagnosticar e tratarem de maneira correta e mais precocemente possível os portadores de TB (MARQUIEVIZ et al., 2013).
Outro estudo realizado com auxiliares de enfermagem que atuavam na estratégia saúde da família, identificou que estes profissionais apresentaram fragilidades sobre a Tuberculose, principalmente no que se refere ao tratamento, à sintomatologia, local e via de aplicação da BCG (FREITAS et al., 2013).