Definição do Problema
Estudante: Manuela Afonso da Fonseca
Instituição: Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Setúbal Serviço: Unidade de Cuidados Intensivos (UCI)
Título do Projeto: Cuidados de Enfermagem ao doente com Cateter Venoso Central na UCI Explicitação sumária da área de intervenção e das razões da escolha (250 palavras):
Quando surgiu a necessidade de identificar uma área de intervenção para a elaboração do meu projeto de intervenção em serviço (PIS), era para mim essencial encontrar um problema/necessidade do contexto onde exerço funções como enfermeira, a Unidade de Cuidados Intensivos. Por ser elemento dinamizador da Comissão de Controle de Infeção (CCI), fez-me logo sentido enveredar por esta área. Sendo assim, escolhi este tema pelas seguintes razões:
- Enquadra-se nos objetivos da Unidade Curricular em que este estágio se inclui (enfermagem Médico- cirúrgica), permitindo-me ao mesmo tempo desenvolver competências, tanto a nível das Competências Comuns do Enfermeiro Especialista como de algumas Competências Específicas dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica;
- É uma necessidade real do serviço onde trabalho;
- Enquanto enfermeira da UCI, foram-me sendo atribuídas algumas funções nesta área:
Como 2º elemento, assumindo funções de chefe de equipa (na ausência deste) devo supervisionar a Qualidade dos Cuidados,
Enquanto Elemento Dinamizador da CCI devo colaborar com a CCI, participando na elaboração de normas para o serviço, realizando e participando em estudos de vigilância epidemiológica, dinamizando ações de formação promovidas no serviço na área da prevenção e controlo da infeção, colaborando com a CCI na identificação de necessidades de formação no serviço, bem como identificar problemas e situações que ponham em risco o controlo de infeção.
Deste modo, validei a pertinência deste trabalho com a minha orientadora de estágio, a professora da ESS e a Enfermeira coordenadora da UCI, que foram unânimes relativamente à pertinência do tema para a realização deste PIS.
Diagnóstico de situação Definição geral do problema
Inexistência de documentos orientadores no âmbito dos cuidados enfermagem na manutenção dos cateteres venosos centrais na UCI
Análise do problema (contextualização, análise com recurso a indicadores, descrição das ferramentas diagnósticas que vai usar, ou resultados se já as usou – 500 palavras)
O Centro Hospitalar define como Princípios da Qualidade: a prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade; o investimento na formação e valorização das competências técnicas e humanas dos profissionais; (…) a
promoção de um ambiente seguro e saudável para profissionais e utentes e a utilização eficiente dos recursos disponíveis (1).
Do mesmo modo, a CCI tem como atribuições: definir, implantar e monitorizar um sistema de vigilância epidemiológica de estruturas, processos e resultados, dirigido a situações de maior risco; propor recomendações e normas para a prevenção e controlo da infeção e monitorização da sua correta aplicação; entre outros (2).
As Infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) referem-se às infeções associadas à prestação de cuidados, onde quer que estes sejam prestados. O risco de contrair uma infeção associada aos cuidados de saúde é maior nos doentes com internamento prolongado ou submetidos a técnicas mais invasivas. Conduz ao aumento da morbilidade e mortalidade hospitalar, aumento do tempo de internamento e dos custos com a saúde (3). A prevenção das infeções associadas aos cuidados de saúde é uma responsabilidade de todos os profissionais, pelo que as ações de prevenção e controlo da infeção deverão fazer parte integrante das atividades diárias dos mesmos, contribuindo para a qualidade dos cuidados e para a segurança do doente (4).
A infeção associada a dispositivos intravasculares, nomeadamente cateteres venosos centrais (CVC), apresenta taxas elevadas, nomeadamente em algumas das Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). A manutenção das “boas práticas” é fundamental durante o internamento e sobretudo quando o doente é sujeito a procedimentos que estão provadamente associados a risco de surgimento de infeções. As regras da qualidade obrigam-nos a valorizar o cumprimento total de um conjunto de medidas como indicador de conformidade ou não conformidade das práticas (5).
Pela análise dos dados do HELICS-UCI, programa de vigilância epidemiológica, disponibilizados pela Coordenadora da UCI, verificou-se que, embora o nº de infeções/1000 dias de CVC seja inferior na UCI relativamente aos dados nacionais, a Infeção associada aos CVC é uma realidade pelo que é necessário tomar medidas para a sua prevenção.
Tendo consciência que os enfermeiros desempenham um papel fundamental na implementação de boas práticas de modo a prevenir as IACS, nomeadamente as infeções associadas aos cateteres venosos centrais, e após pesquisa dos procedimentos existentes na UCI, constata-se que apesar de algumas medidas identificadas como preventivas da infeção associada aos cateteres venosos centrais estarem presentes em alguns procedimentos sectoriais, não existe um procedimento específico para a manutenção do Cateter Venoso Central.
No sentido de conhecer a opinião de alguns profissionais relativamente a esta temática, realizei entrevistas não estruturadas a um elemento dinamizador da CCI na UCI, à Enfª Coordenadora da UCI e à Enfermeira da CCI que constataram que era de fato uma área de intervenção a desenvolver.
De seguida, para definir estratégias que pudessem corrigir problemas calculáveis à partida, realizei uma análise SWOT de modo a conhecer as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças à implementação deste projeto.
Da análise efetuada concluímos que este PIS tem mais forças e oportunidades que ameaças ou fraquezas, pelo que será passível de execução, das quais destacamos a fato de ser um elemento dinamizador da CCI, ser um tema de interesse da Enfª Coordenadora da UCI e da CCI, ser um projeto que não acarreta custos para a instituição e que tem como intuito a elaboração de um procedimento e a formação da equipa.
Ainda no decorrer da fase de diagnóstico, de forma a acautelar algumas falhas, foi aplicada uma análise FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), que é uma metodologia que possibilita avaliar e minimizar riscos através da análise de possíveis falhas (6). A análise FMEA encontra-se em apêndice para consulta (apêndice 3), no entanto destacamos as etapas com RPN mais elevado, nos quais há necessidade de intervenção mais precoce:
- Nas intervenções de enfermagem antes da colocação do CVC destaca-se a Higienização das mãos antes do contato com o doente (RPN=480) e a colocação de todo o EPI: bata e luvas esterilizadas, touca e máscara fluido-resistente (RPN=648);
- Nas intervenções de Enfermagem imediatamente após a colocação do CVC: Realizar penso com técnica asséptica (luvas esterilizadas e mascara), utilizando clorohexidina 2% solução alcoólica (RPN=500) e Retirar e dar destino adequado a todo o material utilizado na colocação do CVC (RPN=480);
- Nas intervenções de Enfermagem na manutenção do CVC: Descontaminar as conexões com álcool 70º ou clorohexidina 2% solução alcoólica antes de conectar qualquer dispositivo estéril (RPN=512) e Realizar penso com técnica asséptica (luvas esterilizadas e máscara), utilizando clorohexidina 2% solução alcoólica sempre que estiver sujo/descolado ou de 48/48h (penso com compressa) ou 7/7dias (penso transparente) (RPN=512)
Considerando que a existência de programas de formação são fundamentais para a prevenção das infeções associadas aos cateteres venosos centrais, procuramos saber se os enfermeiros da UCI possuíam formação nesta área, se conheciam os procedimentos existentes no âmbito da prevenção desta problemática e qual a importância atribuída às intervenções de enfermagem na prevenção das Infeções da corrente sanguínea associadas ao CVC. Neste sentido, foi aplicado um questionário aos enfermeiros da Unidade, construído para esse fim. Assim após pedido de autorização ao CA para a realização do PIS bem como a aplicação do questionário com o respetivo consentimento informado também elaborado por nós procedemos à sua aplicação no período de 7 a 14 de Novembro de 2013, após realização de pré-teste que segundo Fortin (7), consiste no preenchimento do questionário por uma pequena amostra que reflita a diversidade da população visada, a fim de verificar se as questões podem ser bem compreendidas. Esta etapa é indispensável e permite corrigir ou modificar o questionário, resolver problemas imprevistos e verificar a redação e a ordem das questões. Após tratamento de dados através do programa Excel podemos inferir que a nossa amostra era constituída por 26 enfermeiros em que 77% são do sexo feminino e 23% do masculino, com a maior parte dos enfermeiros com idade entre os 25-29anos, com uma média de 8,23 anos de experiência profissional como enfermeiro.
Da análise dos dados obtidos pode constatar-se que só metade dos enfermeiros têm formação nesta área, e a formação que têm é obtida principalmente através da formação em serviço. Destes apenas 20% teve formação no último ano, sendo que os restantes 80% tiveram formação há mais de 3 ou 6 anos.
Ao contrário da realidade, cerca de 77% dos enfermeiros acham que existe no serviço alguma norma de procedimento relacionada com a prevenção das infeções associadas aos CVC, mas quando lhes é pedido que enumerem as normas que conhecem, enumeram não normas mas sim alguns atos de enfermagem que se relacionam com a prevenção da infeção dos CVC, como por exemplo a mudança
de penso de 2/2 dias, a técnica asséptica para o manuseamento, ou a troca de sistemas de perfusão de 7/7 dias.
Ao serem questionados se as normas estão atualizadas, 61% referem “não sei”, 22% que “não” e 17% que “sim”.
Na questão “Conhece os resultados da Vigilância Epidemiológica do CH?”, 89% dos inquiridos refere que “não”.
Na parte III do questionário, referente à importância atribuída às intervenções de enfermagem nesta temática, é unânime que os enfermeiros desempenham um papel muitíssimo importante na prevenção das infeções associadas aos CVC, achando que é muitíssimo importante a existência de normas de procedimento nesta área, quer na UCI, quer em todo o Hospital, sendo que a realização de formação nesta área também é alvo de preocupação para estes profissionais.
Identificação dos problemas parcelares que compõem o problema geral (150 palavras) Como problemas parcelares que compõem o problema identificado surgem:
- Falta de formação sobre os cuidados a ter com a manutenção de cateteres venosos centrais; - Inexistência de um procedimento no serviço sobre o tema;
- Inexistência de avaliações às práticas de enfermagem e respetiva comunicação das falhas detetadas; Determinação de prioridades
Após a identificação do problema de estudo, definem-se como principais prioridades:
- Pesquisa bibliográfica sobre as Intervenções de Enfermagem na manutenção de cateteres venosos centrais; - Elaborar um procedimento sobre os cuidados de enfermagem na manutenção de cateteres venosos centrais; - Formar a equipa sobre os cuidados de enfermagem na manutenção de cateteres venosos centrais;
- Avaliar práticas, através de auditorias internas.
Objetivos (geral e específicos, centrados na resolução do problema. Os objetivos terão que ser claros, precisos, exequíveis e mensuráveis, formulados em enunciado declarativo):
OBJECTIVO GERAL
- Contribuir para a prevenção das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde relacionadas com os cateteres venosos centrais na UCI do CH,EPE.
OBJECTIVOS ESPECIFICOS
- Elaborar um procedimento para manutenção do Cateter Venoso Central; - Elaborar uma checklist de verificação do cumprimento do procedimento;
- Formar a equipa sobre os cuidados de enfermagem na manutenção de cateteres venosos centrais; Referências Bibliográficas (Norma da ESS)
1. CENTRO HOSPITALAR – Política de Qualidade. [em linha]. Outubro 2011. [consultado a 22.10.2013]. Disponível em http://www.hsb-setubal.min-saude.pt/view.aspx?p=137
2. CENTRO HOSPITALAR – Comissão de Controlo de Infeção: Missão e Política. [em linha]. Outubro 2011. [consultado a 22.10.2013]. Disponível em http://www.hsb-setubal.min- saude.pt/pages/comissao_controle_infeccao/default.htm
3. PORTUGAL. Direção Geral de Saúde – Circular Normativa nº 18/DSQC/DSC. 2007/10/15. Comissões de Controlo de Infeção. [consultado em 15/10/2013]. Disponível em <URL:
http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i009189.pdf>
4. RIBEIRO, Rosa; PEDROSO, Ermelinda; BARROSO, Felisbela – Política de Controlo da Infeção. CIF. 2011-10-10. Acessível No Centro Hospitalar
5. PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLO DE INFEÇÃO – Procedimento de colocação e manutenção do CVC. Novembro 2012.
6. FORTIN, Marie-Fabienne. - O processo de Investigação – da concepção à realização. Loures : Lusociência, 1999. 388p. ISBN: 972-8383-10-X
7. SILVA, Sónia Raposo Costa e; FONSECA, Manuel e BRITO, Jorge de – Metodologia FMEA e sua Aplicação à Construção de Edifícios. [em linha]. (2006). [consult. 8 novembro 2013). Disponível em www.fep.up.pt/disciplinas/PG19/Ref_topico3/FMEA_SS_MF_JB_QIC2006.pdf