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Kildevalg og kildekritikk

Para Stake (2009) não há um momento em que a análise dos dados recolhidos deva começar. O processo de análise pode ser feito desde que se comece a recolher os dados através da decomposição da informação. A análise pretende relacionar as partes que antes estavam isoladas entre si e dar um sentido à compilação final da informação “(…) a análise não deve ser vista como estando separada do eterno esforço em compreender as coisas.” (p 87)

Para fazer uma análise cuidadosa é necessário respeitar quatro princípios importantes, segundo Yin (2003). Em primeiro lugar, a análise deve ser baseada numa recolha vasta de evidências de modo a provar que a interpretação do investigador é exaustiva e fundamentada em todas as evidências apresentadas. Em segundo lugar, a análise deve abarcar todas as principais interpretações concorrentes, ou seja, explicações alternativas para as descobertas do investigador. Em terceiro lugar, a análise deve centrar- se no aspeto mais importante do estudo de caso, na questão de investigação que deu origem ao estudo de caso. Por último, é importante referir que o investigador deverá usar o seu conhecimento prévio sobre a temática do estudo de caso.

No âmbito desta investigação privilegiou-se a análise de conteúdo como técnica de análise e interpretação de dados.

4.4.1. A Análise de Conteúdo

Para Bardin (1977) a análise de conteúdo é um instrumento que contém em si várias formas passíveis de ser usadas aquando da análise da informação na área das comunicações com o intuito de entender para além do que está explícito. Ainda segundo Bardin (1977), “a análise de conteúdo aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.” (p. 38)

Sousa (2009) refere que a análise de estudo consiste num conjunto de técnicas e procedimentos que permitem uma análise profunda de documentos com o objetivo de inferir o seu conteúdo, para além do que é visível. Acrescenta ainda que

quando se fala em “análise de conteúdo”, estes conteúdos não são os textos ou os discursos em si, são o que estes contêm de facto, o que existe na realidade dentro deles e não o que aparentam ser ou conter. (p. 264)

A análise de conteúdo, de acordo com Bardin (1977), é usada mediante dois objetivos fundamentais, a saber: 1) o esclarecimento de qualquer dúvida a respeito da analise realizada e 2) o enriquecimento da leitura, na medida em que uma análise mais profunda confere maior riqueza e substância à interpretação dos textos. Para Bardin (1977), “A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente, de receção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não).” (p. 38)

O investigador ao proceder à análise de conteúdo tenta identificar categorias e unidades de análise, sendo que as categorias são estabelecidas após uma primeira leitura atenta ao documento e as unidades de análise incluem-se dentro das categorias por estarem relacionadas com a sua temática. Bardin (1977) refere que “As categorias, são rúbricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo, no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão dos caracteres comuns destes elementos.” (p. 117)

Segundo Bardin (1977), a análise de conteúdo rege-se por três fases distintas, nomeadamente: “a pré-análise do material; a exploração do material e, por fim, o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.” (p. 95)

De acordo com Sousa (2009), a análise de conteúdo deverá seguir três passos fundamentais. Assim, o primeiro corresponde à identificação de algumas questões

esclarecedoras, nomeadamente: quem é o autor do texto; o que é dito por ele, explicita ou implicitamente; a quem se dirige o documento, bem como perceber qual é a mensagem e a quem ela se dirige.

O segundo passo refere-se à análise de fontes e à comparação que se estabelece entre os documentos quer sejam oriundos das mesmas fontes ou de fontes diferentes e/ou entre partes do mesmo documento.

O terceiro passo diz respeito à própria análise de conteúdo, começando pela leitura atenta do texto de modo a reduzi-lo a unidades de conteúdo que serão, mais tarde, agrupadas em categorias. A definição ou inclusão das unidades de conteúdos em categorias nem sempre é fácil, não existem nem unidades de conteúdo ou categorias universais; elas surgem de acordo com o contexto de cada situação em estudo.

Dois tipos de procedimentos surgem das técnicas de análise de conteúdo, sendo eles denominados de procedimentos fechados ou abertos, conforme Henry e Moscovici (1968) referenciados por Ghiglione e Matalon (1993) e Sousa (2009). Os procedimentos fechados, como o próprio nome indica, não permitem que se adicione mais categorias para além das que foram inicialmente previstas pelo investigador, antes de começar a análise dos dados e à luz de um quadro ou teoria educacional. As unidades de conteúdo são identificadas de acordo com as categorias já predefinidas de modo a fornecerem resposta para um problema em estudo. Os procedimentos abertos, pelo contrário, não estabelecem as categorias antes da análise dos dados, isto é, primeiro há um momento de exploração dos documentos e só depois a definição das categorias vai sendo feita de acordo com a associação das unidades de conteúdo do texto.

Quando analisadas as desvantagens da análise de conteúdo, Sousa (2009) salienta que uma dessas desvantagens consiste na polissemia das “palavras”, pois elas podem adquirir vários significados sendo difícil proceder à sua interpretação e categorização, assim como a sua codificação, pois o investigador influenciado pela sua identidade pessoal, cognitiva e afetiva, irá proceder à codificação segundo o seu ponto de vista o que pode levantar algumas questões em termos de validade das suas ilações.

4.4.2. A Triangulação

Triangulação é um termo originário de outras áreas do saber como a geografia militar, a topografia e a navegação marítima para identificar a localização exata de um

ponto a partir de três pontos diferentes. Já na educação, a triangulação surge como forma de conferir seriedade e consistência à investigação qualitativa identificando falhas já que a investigação quantitativa conta com dados estatísticos que corroboram as suas conclusões. A respeito destas duas linhas de investigação, Sousa (2009) estabelece diferenças entre elas, no que respeita à educação, salientando o seguinte

as investigações qualitativas permitem uma maior compreensão do funcionamento fenomenológico dos actos educativos. As investigações quantitativas apenas abordam o estudo de pequenas partes daqueles fenómenos, não permitindo uma compreensão tão lata, mas conferindo maior confiança aos resultados obtidos. (p. 174)

Podemos considerar a triangulação como o cruzamento de métodos, técnicas, teorias ou instrumentos para conferir à análise realizada mais sustentabilidade e confiança nos resultados que dela advirem. Assim, e de acordo com Sousa (2009), a triangulação significa uma “metodologia de investigação em que se observa o mesmo fenómeno de três (ou mais) pontos diferentes observadores e com diferentes instrumentos.” (p. 173) Para Bento (2015) a triangulação “é um método de verificação dos dados consistindo em empregar várias fontes de informação ou vários métodos de recolha de dados ou vários investigadores no mesmo estudo.” (p. 85).

Existem quatro tipos de triangulação identificados por Denzin (1994) mencionado por Bento (2015) aos quais podemos acrescentar um quinto identificado por Bisquerra (1989) quando Sousa (2009) analisa o seu trabalho para se referir à combinação dos vários tipos de triangulação, a saber:1) a triangulação de dados que refere a recolha de dados de diferentes fontes com vista a estabelecer um estudo comparativo. Estes dados podem ser temporais, espaciais ou pessoais; 2) a triangulação de investigadores quando se recorre a diferentes investigadores para examinar semelhanças, diferenças e/ou até mesmo omissões nas análises; 3) a triangulação teórica quando são cruzadas várias teorias para uma compreensão mais lata e profunda do mesmo fenómeno; 4) a triangulação metodológica refere-se à aplicação e cruzamento de diferentes métodos e técnicas, para estabelecer uma comparação que identifique as semelhanças e as diferenças entre si.

A triangulação, segundo Bento (2015), é uma ferramenta que impossibilita o observador/investigador de aceitar sem um olhar mais crítico

a validade de impressões iniciais; reforça o escopo, a densidade e a clareza de construtos desenvolvidos durante o curso da investigação. Além disso, ajuda a corrigir preconceitos que ocorrem quando o investigador é o único observador do fenómeno a ser investigado. (p.86)

Em suma, a triangulação tem como objetivo primordial e incontornável a recolha e a análise de informação oriunda de dados obtidos de diferentes origens, de forma a estabelecer um estudo comparativo entre si.