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O papel do professor, da professora é outro aspecto que deve ser discutido quando tratamos da reforma do ensino, visto que agora buscamos, formar um cidadão mais crítico e atuante. O modelo de professor como detentor do saber não é mais desejável, pois, tão importante quanto ser especialista em determinada área, é saber identificar as interações existentes com outras áreas e também atuar como um orientador da aprendizagem, já que o próprio educando atua de forma decisiva em sua educação.

Consoante Delors “A forte relação estabelecida entre professor e aluno constitui o cerne do processo pedagógico”. Esse pensamento demonstra que, se houver uma boa relação entre docente e discente, o processo educativo é fortalecido. É claro que muito do “bom relacionamento” está no domínio do que se tenta construir, a aprendizagem. (DELORS, 2001:156).

Tendo como intenção fornecer parâmetros de avaliação da prática docente, RUSSO (2001) apresenta uma lista que nos permite averiguar o que deve acontecer quando o professor realmente “ensina”, ele:

“ 1) Prevê e planeja cuidadosamente o processo de ensino aprendizagem, definindo objetivos e selecionando conteúdos e atividades que serão trabalhadas durante o processo de aula;

2) Cria ambiente de estímulo e liberdade para o aluno apresentar idéias, refletir, questionar e construir;

3) Identifica as dificuldades, as necessidades e as causas de insucesso que os alunos estão encontrando na aprendizagem, e procura replanejar novos procedimentos e formas de atendimento, de modo a ajudar o aluno a se integrar, e melhorar o seu desempenho;

4) Favorece a socialização do aluno, levando-o a sentir as necessidades do grupo em descobrir ou elaborar o conhecimento, ao invés de, simplesmente recebê-lo;

5) Incentiva e orienta com atividades apropriadas o processo de aprendizagem do aluno, nos conteúdos que estão sendo trabalhados; 6) Desenvolver o espírito crítico através de toda e qualquer atividade escolar, encaminhando o aluno para observar, medir, comparar, refletir, encontrar soluções, ponderar, buscar as causas, avaliar conseqüências, etc; 7) Cria atividades em sala de aula, que ajudem o aluno a uma constante reflexão sobre a matéria em estudo, seus problemas, suas relações e suas aplicações;

8) Orienta o aluno para a aquisição de valores sociais, morais, culturais, éticos, espirituais e intelectuais, que os acompanharão através da vida e os ajudarão a compreender e a enfrentar com mais segurança a problemática e a realidade da sociedade;

9) Avalia continuamente os resultados obtidos pelo aluno na sua experiência de aprendizagem, e as possibilidades de aplicação desses resultados para a vida;

10) Compreende o significado sócio-cultural dos conhecimentos; 11) Cria alternativa educacional com vistas a mudanças sócio-culturais; 12) Aproveita o erro do aluno para uma aprendizagem mais eficaz; 14) Aproveita todos os espaços na sala de aula, para o desenvolvimento das habilidades processuais básicas e integradas” (RUSSO, 2001:113-115)

Para que muitas dessas ações sejam realmente desenvolvidas, visando o sucesso escolar, deve haver um rompimento com o senso comum pedagógico, conclamado por DELIZOICOV, ANGOTTI & PERNAMBUCO, considerando que este senso comum

“está marcadamente presente em atividades como: ‘regrinhas e receituários; classificações taxonômicas; valorização excessiva pela repetição sistemática de definições, funções e atribuições de sistemas vivos ou não vivos; questões pobres para prontas respostas igualmente empobrecidas; uso indiscriminado e acrítico de fórmulas e contas em exercícios reiterados; tabelas e gráficos desarticulados ou pouco contextualizados relativamente aos fenômenos contemplados; experiências cujo único objetivo é a ‘verificação’ da teoria...’” (DELIZOICOV, ANGOTTI & PERNAMBUCO, 2002:32)

O ensino-aprendizagem desenvolvido dessa maneira provoca um distanciamento do que hoje é desejável, ou seja, favorece o desenvolvimento de uma ciência chamada pelos autores de “ciência morta”. O professor que se opor, de forma consciente, à “ciência morta”, deverá buscar o desenvolvimento de um

“processo de produção do conhecimento que caracteriza a ciência e a tecnologia constitui uma atividade humana, sócio-historicamente determinada, submetida a pressões internas e externas, com processos e resultados ainda pouco acessíveis à maioria das pessoas escolarizadas, e por isso passíveis de uso e compreensão acríticos ou ingênuos; ou seja, é um processo de produção que precisa, por essa maioria, ser apropriado e entendido.” (Idem, 2002:34)

Portanto, o profissional docente deve observar que

“juntamente com a meta de proporcionar o conhecimento científico e tecnológico à maioria da população escolarizada, deve-se ressaltar que o trabalho docente precisa ser direcionado para sua apropriação crítica pelos alunos, de modo que efetivamente se incorpore no universo das representações sociais e se constitua como cultura.” (Ibid., 2002:34)

Outra questão a ser discutida, quando falamos de reforma no ensino, é a relação do Professor Especialista versus professor facilitador, já que agora o ensino busca formar um cidadão crítico e atuante; e não, passivo. O modelo de professor como detentor do saber não é mais desejável; pois, mais importante que ser um especialista em determinada área, é saber identificar as inter-relações existentes com outras áreas e, ainda, atuar como um orientador da aprendizagem, responsabilizando o próprio educando por sua educação.

O docente deve estar disposto a aprender com seus alunos e com os projetos educativos, não devendo ter medo e insegurança diante do novo. Entre outras atitudes, deve estimular a criatividade do aluno. Para isso, tem de utilizar as “novas tecnologias”, a contextualização e a interdisciplinaridade. Diferentemente do passado, quando os conteúdos eram fim em si mesmos; agora, devemos nos preocupar em desenvolvermos competências e habilidades. Não podemos esquecer os aspectos procedimentais e atitudinais intrínsecos ao processo educativo.

Por esse e por outros motivos, existe uma grande preocupação com a atualização do professor de ciências, principalmente no que diz respeito às novas teorias pedagógicas. Isto pode ser verificado em vários estudos recentes dos autores RODRIGUES & CARVALHO. As necessidades apresentadas pelos educadores possuem vários motivos, consoante exposição destes estudiosos:

“distanciamento deste profissional em relação à Universidade e salienta a necessidade dos cursos de formação continuada. Um outro fato contribui para que esta necessidade se torne ainda mais intensa: os problemas levantados durante a formação inicial só ficarão evidentes quando o professor estiver inserido no contexto escolar, não encontrando então subsídios para analisá-los e resolvê-los” (CARVALHO & GIL-PÉREZ, 1993 apud RODRIGUES & CARVALHO, 2002:39).

Existe um outro aspecto a ser levantado: muitos dos que lecionam a disciplina de ciências não possuem sequer a formação específica para esse fim. Então, se o problema afeta aos ditos “habilitados” (aqueles que freqüentaram o curso superior, licenciando-se em Ciências, Física, Química ou outro curso das Ciências da Natureza), quando analisamos o caso dos que não possuem a formação inicial na área, a situação é ainda mais crítica.

Outra questão a ser considerada é o número insuficiente de horas de prática docente efetiva. Para aquele que se encontra em formação, quando este profissional precisa ingressar no mercado de trabalho, depara-se com a realidade da

profissão a que está se dispondo a desenvolver. E para a maioria há um choque quando se confronta o real com o ideal.

Nesse contexto, a formação continuada possui um papel fundamental, pois os professores precisam suprir carências, sejam de ordem conceitual, sejam de ordem metodológica. No entanto, não seríamos capazes de afirmar que essa é realmente a maneira ideal para sanar esses e outros problemas, uma vez que as deficiências docentes encontram-se fortemente enraizadas em nossa prática.

I.7. A importância do Planejamento

I.7.1. Conceito de Planejamento e o Ato de Planejar

Quanto à concepção de Planejamento, devemos ter clara a idéia de que não há um pensamento único a respeito. Portanto, TURRA, concebe o planejamento como sendo a “previsão metódica de uma ação a ser desencadeada e a racionalização dos meios para atingir os fins” (TURRA (1975) apud VIEIRA & ALBUQUERQUE, 2001:30). Estes autores citam, ainda, GANDIM (1994) “planejar é agir racionalmente... é dar clareza e precisão à própria ação... é realizar um conjunto orgânico de ações propostas para aproximar a realidade a um ideal”